Mostrando postagens com marcador punk. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador punk. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Links da Semana #9

Foto: Reuters

Recentemente comecei a pensar em escrever uma newsletter! A ideia inicial é, caso ela exista, produzir no estilo de postagem do Links da Semana. Caso role, o LDS não existiria mais. Ainda não há nada definido, mas criei um questionário no Google Docs perguntando a sua opinião sobre isso e otras cositas mas. Responda aqui, é super rápido! E obrigado a todo mundo que já participou!
Normalmente este post é publicado aos sábados, mas desta vez vai ser na segundona mesmo.


Alguns tópicos interessantes sobre as Olimpíadas
Existem inúmeros problemas políticos e sociais causados pelo Estado para realizar as Olimpíadas e existe silenciamento também. Mas ela está acontecendo e vamos celebrar o que as atletas estão fazendo. Elas são inspiração e representam universos importantes para as mulheres. Esta é a lista de coisas que acho que merece a sua atenção:

Marjorie & Izzy
A foto pós pedido de casamento (ali em cima) foi uma das primeiras que vi num dia de manhã e deu aquele quentinho de alegria no coração. Marjorie é gerente de serviços para o Rugby e, durante a premiação das medalhas da disputa feminina - na qual a Austrália levou o ouro, pediu em casamento sua companheira Izzy Cerullo, jogadora da seleção brasileira de Rugby. Olga Esporte Clube entrevistou Izzy e está fazendo uma cobertura pautando as mulheres, confira.Veja aqui o vídeo da proposta! Ah, e o vídeo do pedido também foi exibido no jornal Bom Dia Brasil, da Globo. Ninguém resiste ao amor!

Rafaela Silva
De Cidade de Deus, para o mundo! O ouro reluzente e antiracista de Rafaela Fucking Silva foi um momento e tanto. Sargento, negra, lésbica. Ela superou o mundo inteiro e inspira várias molecadinhas a seguirem no esporte. Não deixe de ler a análise de Mário Magalhães.

 Foto Danilo Verpa/NOPP

Darya Safai
Darya Safai é uma mulher iraniana que vive na Bélgica. Ela defende a livre entrada das mulheres em estádios iranianos. Durante um jogo da seleção de Vôlei do Irã, ela estava feliz e sorridente se manifestando pacificamente e silenciosamente. Mas aí os seguranças do estádio disseram que ela seria expulsa se não guardasse a faixa. Fora aquele que não pode ser nomeado feelings. Leia mais no Buzzfeed. 

Joanna Maranhão
A nadadora Joanna Maranhão, após ser eliminada da competição, sofreu um ataque machista, racista e homofóbico. Não vou repetir as monstruosidades ditas a ela, mas Joanna já registrou um boletim de ocorrência. Se ganhar o processo, a atleta pretende reverter o dinheiro que ganhará em prol de seu trabalho social. Veja mais aqui e aqui.

Dança do Passinho
A seleção brasileira de Vôlei só da close certo. Primeiramente, elas postaram esta foto sapabondística. Depois, elas lançaram o passinho no intervalo do jogo. E mandaram muito bem! Assista aqui.

Por mais 'Bernardos' no mundão 
O Bernardo ficou famoso esta semana porque riscou o nome do Neymar de sua camisa da seleção brasileira e criou sua própria camisa da Marta. Nesse vídeo lindo de viver, ele elogia sua ídola e fala outras coisas lindas. Assista!

E sexta-feira vi que meu coração anda muito bem, naquele jogo impossível da seleção brasileira de Futebol contra as australianas. Yas Kween, Yas Bárbara!!






A história do Punk Feminista em 33 músicas
Kate Wadkins (que já entrevistei e criou e capa do zine Histérica #3) faz parte do time de autoras que assinam a matéria 'The Story of Feminist Punk inn 33 songs', publicada pelo Pitchfork esta semana. Para quem lê em inglês, vale a pena a leitura. Aqui.


Erica Freas anuncia novo álbum solo e disponibiliza música inédita
Um dos principais nomes da música independente faça você mesma de Olimpia (WA) não para de produzir! Erica Freas, vocalista e guitarrista da RVIVR que já tem 3 álbuns e eps solo, disponibilizou "Please Go Walk in The Rain". A música, acompanhada por um violão celo, faz parte do disco Patient Ones, que será lançado pela Don Giovanni Records no dia 30 de setembro.





Juliana Lossio Art
Em alguns Links da Semana indiquei alguma ilustradora/desenhista/artista e nessa semana apareceu esse trabalho da Juliana Lossio na minha timeline e achei justo compartilhar com vocês.Além de ter um traço original e que acho bem bonito, Juliana Lossio desenha temas políticos e também fala sobre seriados, tristezas e essa barra que é viver. Conheça o trampo dela. 







Warpaint disponibiliza 'New Song', que faz parte do novo disco
As minas do Warpaint vão lançar 'Heads Up' no dia 23 de setembro. E 'New Song' é uma das músicas que fazem parte do álbum.






Canal: Letícia e Luíza
A Letícia (da fan page Mulheres Artistas) e sua irmã Luíza criaram um canal nerd que você precisa conhecer. Um lance legal é que Luíza é pré-adolescente e Letícia adulta, e juntas estão criando várias coisas lindas. Confira a tag sobre Filmes dirigidos por mulheres e inscreva-se no canal delas!





Julie Ruin lança clipe de 'Mr. So and So'
Tem disco novo, o Hit Reset, e tem clipe novo também! Veja o que Julie Ruin está aprontando agora:






quarta-feira, 3 de agosto de 2016

4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star será lançado pela Oxenti Recs

Montagem: Cabeça Tédio - Fotos creditadas: Trash No Star - Filipa Andreia e Ostra Brains - Fê Fotografia

Um álbum formado por quatro bandas brasileiras, com mulheres na formação, que são independentes/faça você mesma, não é algo corriqueiro. Não só porque não existem tantas bandas ativas que caibam dentro deste nicho, mas também porque não há muitos selos independentes brasileiros voltados para, conscientemente, registrar o que as mulheres tem tocado e criado ultimamente. Por isso, o 4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star, que será lançado em breve pela Oxenti Recs, chamou tanto a minha atenção.

As cariocas Trash No Star e Ostra Brains representam o lado do sudeste, já Oldscratch e Räivä o hardcore/punk de Alagoas, representando as boas bandas do nordeste. E isto torna o lançamento ainda mais relevante, pois há propositalmente, um recorte regional e de gênero. Outro disco que tem um pouquinho destas características e que me marcou muito (e uma legião de ouvintes de punk/hardcore) foi o 3way: Ofensa, Mais Treta e Triste Fim de Rosilene, lançado há pelo menos 10 anos, pela Estopim e Alea Recs. O cd tinha bandas politizadas, do sudeste e nordeste e que faziam o meu tipo de som preferido na época. Estou dizendo isso tudo porque, mesmo ainda não tendo visto nada de concreto sobre o 4way, acredito que ele será tão relevante quanto o anterior o 3way.

O que os splits têm em comum? Selos do nordeste, letras politizadas e sonoridade punk. A grande diferença entre eles é que no 3way havia apenas uma mulher nas bandas, a Daniela Rodrigues (TFR e hoje The Renegades of Punk) e no 4way há mulheres em todas as bandas. Segundo a Oxenti Recs, ainda não há uma data prevista para o lançamento. Nós torcemos para que seja breve. E para já deixar todas ainda mais ansiosas, conversamos com Ostra Brains e Oldscratch sobre o disco. Confira!


1way: lado Oldscratch da entrevista


Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

O selo que vai lançar é a Oxenti Rec. do Rio. Acho que começou no meio do ano passado, quando estávamos anunciando a gravação do nosso disco ainda. A Bárbara, que faz parte do selo aqui em Alagoas e sempre cola nos rolês com a gente, nos jogou a ideia do split com a Ostrabrains, isso inicialmente, coisa que curtimos muito porque já conhecíamos a Amanda e a banda bem de antes. Meio que na mesma época a Räivä se instigou pra gravar o próprio EP também, acho que aconteceu algo parecido com a Thrash No Star, e por sermos todas bandas próximas (a baixista e a baterista da Oldscratch tocam na Räivä e a Thrash é parceira da Ostra) foi fácil pensar em juntar todas num bonde só, e fico muito feliz por ser um disco que várias amigas fazem parte. O lançamento não tá previsto ainda, mas assim que as gravações de todas as bandas finalizarem, sai.

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?
Acho que pode tanto fortalecer as minas que já estão engajadas em projetos musicais, incluindo nós mesmas, quanto incentivar outras que por algum motivo ainda não começaram, além de demarcar nosso espaço do nosso jeito, dizendo e reivindicando o que nos interessa também. Quanto mais produção feminina, melhor. Vai formando um alicerce.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?
Posso dizer que já tá nos planos. Estamos trabalhando ao poucos a ideia.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?
Que a vontade tem que estar acima de todas essas coisas. Até porque se aprende mais fazendo do que se apropriando de teorias e regras. Na maioria das bandas que já fiz e faço parte, teve uma ou mais pessoas que tinham pego pouquíssimas vezes no instrumento e aprenderam nos ensaios. Pra isso é importante estar com pessoas que se sente confortável, que não vão embaçar, que estejam afim de fazer algo junto mesmo. Toquei guitarra sozinha em casa por uns 3 anos até a primeira banda, mas a pressãozinha de acompanhar os outros instrumentos nos ensaios é muito diferente, te adianta em muita coisa. Quanto à idade, isso também não tem nada a ver. Enquanto tiver necessidade de expressão e essa for melhor através da música, assuma, na moral!


CT) Vocês vão lançar músicas indéditas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do 'Padrões de Conserva'?
Então, serão duas músicas mais puxadas pra “There’s no Control” que, assim como essa, foram compostas ainda no início da banda, então têm uma levada mais grunge e são em inglês. Separamos elas pra o 4way, mas sempre tocamos nos shows. Nas demais músicas do nosso disco já preferimos abordar nossas questões com letras em português e o split vai contar com uma delas também.


CT) A cena musical independente de Maceió conta com mais mulheres produzindo música autoral? Indica mais alguma banda punk/hardcore para nós?
Sim sim, entre elas posso citar a Katty Winne (indie shoegaze); Lillian Lessa, tá com projeto solo mais psicodélico e toca na Necro; banda C.I.A., punk/hardcore, só de minas; tem a Arielly Oliveira, que fez parte do Biografia Rap – particularmente não ouço rap, hip hop, mas fui num show dela mês passado e achei incrível o trampo e a presença; e, claro, RÄIVÄ, que logo mais o EP sai da mixagem.



2way: lado Ostra Brains da entrevista

Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

A proposta do Fourway surgiu através da Bárbara Oliveira (Binha) e Klebson Silva, da Oxenti Recs. Fomos convidados a participar no dia que abrimos o show do RVIVR em 2015, na Audio Rebel. A ideia inicial era ser um split Ostra Brains (RJ) + Oldscratch (AL), mas a Binha teve a ideia de juntar RÄIVÄ (AL) + Trash No Star (RJ) no bolo e formar um fourway. Terão três faixas de cada banda no álbum, nós estamos gravando com o Ernesto Sena (Parte Cinza).

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?

Imensa importância, porque existem poucos registros de material feminista no punk/HC do Brasil. Fazer parte disso, é como se estivesse levantando milhões de possibilidades de novas bandas feministas surgirem daqui a meses.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?

Existe um interesse absurdo nessa tour, seria incrível tocarem as quatro bandas! Provavelmente aconteça lá pro final do ano, pelo sudeste mesmo. Ainda não sabemos ao certo.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?

Diríamos "Mete a cara!" rs. Brincadeiras a parte, mas eu, Amanda, faço isso diariamente quando encontro com qualquer menina num show. Acabo tendo uma postura de cobrança, rs. "Como assim você ainda não tem banda?! Você é incrível! O que tá faltando pra começar a tocar qualquer coisa?" Eu me sinto na obrigação de empoderar pessoas a tocarem, porque eu não tive incentivo nenhum, e esse lance de idade não tem limite! Não mesmo!

Quanto a ter banda, eu acredito no potencial de cada mulher. Vale a pena não limitar seus gostos musicais, digo isso por amar Karol Conka, Mc Carol e ouvir Anti-Corpos, sabe? Porque realmente faz falta, o RJ não tem uma banda de hardcore composta por mulheres, mas várias cantoras/musicistas feministas espalhadas por aí, tocando seus instrumentos e isso já me conforta bastante.

CT) O Ostra Brains vai lançar novas músicas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do Gelato Luv?

Serão lançadas três faixas novas no fourway. Todas são de cunho feminista, uma delas fala sobre estupro, outra sobre não admitir ser silenciada e outra sobre ser uma mulher e ter total liberdade para ter relações sexuais com quantas pessoas quiser, sem ser julgada. A forma de compor as bases e as letras não mudaram, mas com a entrada do Roger (baixo) e Mario (bateria), a banda ganhou mais peso. O EP "Gelato Luv" tem uma bagagem "garage punk", um som bastante primitivo e "cru", porém ainda temos essa essência do Garage Punk e do Riot Grrrl, mas com mais presença devido a mudança na formação. O som acabou ficando mais explosivo.

quinta-feira, 17 de março de 2016

listamos: 15 bandas punks/hardcore brasileiras com mulheres para ouvir já!

DEF (Rio de Janeiro)

Feliz 2016!! =) Ainda tá podendo? Sem planejar, acabei tirando mais de dois meses de 'férias' do blog. E fazia muito tempo que eu não ficava tanto tempo assim sem atualizar. Superei o cansaço, o desânimo, a estafa causada pelo trabalho e estou aqui. É provável que neste ano as atualizações sejam ainda menos frequentes, devido ao meu ritmo de trabalho. Fico torcendo para que vocês não desistam do blog e de mim, pois vou sempre tentar atualizar o CT.

Mas falando do que interessa: bandas contraculturais brasileiras que tenham mulheres em sua formação. Mea culpa, mea maxima culpa. Assumo que falhei gloriosamente durante um tempo, pois postei pouco sobre a nossa terrinha e muito mais sobre os gringos. Com o blog, gostaria de inspirar garotas e mulheres a criar e divulgar cultura e contracultura feminista. E sei que para isso, é essencial nos sentirmos representadas, com bandas que partilham a nossa realidade e que falam a nossa língua. Claro que é viável nos inspirarmos com mulheres de qualquer lugar, mas sei que retratei pouco as brasileiras por aqui.

Confesso que as tretas que envolvem as punks/feministas/hardcoreanas/coloqueaquiseuadjetivo foi o que me desanimou. Mas o que há de se fazer? Largar isso e focar nas mulheres que estão compondo, tocando e sendo representativas no punk/hardcore. E o critério de seleção das bandas foi esse mesmo, focando em bandas que estão ativas, sejam elas exclusivamente femininas ou mistas! Bora?


Def 

Sem dúvida, a banda que mais mexeu comigo recentemente é a Def, do Rio de Janeiro. Assisti a banda ao vivo no #2 Ah! Que Isso! Elas Estão Empoderadas!, evento realizado no dia 6 de março pelo Coletivo Tiamät, em Volta Redonda. Não conhecia a banda, logo, não tinha expectativas. Qual foi o meu assombro quando elas começaram a tocar e poder verouvir aquele peso, aquele timbre, aquilo tudo que eles fizeram. Foram muitos feelings. É visível que todos tocam muito bem, mas além disso, o que dá beleza pra coisa é ver o entrosamento deles. Se for pra arriscar dizer alguma coisa, diria que eles ouviram um bocado de Sonic Youth, Fugazi e Hurtmold. A boa notícia é que em breve eles vão gravar! Enquanto isso pega este teaser:




Post

Pode sentar na sua cadeira confortável, pegar o café - a.k.a a bebida ideal para te acompanhar - para uma audição de um som experimental. Post é um duo, formado por Vanessa de Michelis (guitarra e trompete) e Jiulian Gonçalves (bateria), que comunica questionamentos e posicionamentos político-afetivos de inúmeras formas. O som é pra pirar! Além desta sessão ao vivo, uma k7 da banda foi lançada pelo selo Dama da Noite, ouça aqui.





Belicosa

Mais uma banda do Rio de Janeiro na lista! Para quem gosta de som torto e gritado, pra ficar chacoalhando a cabeça a pedida é pegar o Soundcloud delas. A banda, formada por Letícia (Trash No Star), Rosário, Sofia e Bonnie já avisou que em breve terá novidades. Acompanhe as aventuras da banda pelo Facebook também.



A Vingança de Jennifer

Foto: Felipe Mertens Brancher

Estamos falando de punk rock torto, gritado, com vozes agudinhas que seguem a escola de punk rock feminista brasileira. E dá mais gosto ainda porque a banda, de Canoas (RS), é todinha formada por mulheres. Fico na torcida por uma demo delas logo! Enquanto isso, pega o Soundcloud e Facebook.




Oldscratch




Sabe como eu conheci este power trio de Maceió? Pela #punkfeminista, que eu uso em alguns posts no Instagram do blog, haha. Que bom que elas também usam, pois assim ouvi aquele hardcore cadenciado daquele jeitinho bom pra pogar. As letras são feministas, e a banda também se denomina assim. 'Padrões de Conserva', disco da banda, está disponível no bandcamp e em formato físico, ouça logo!




Ratas Rabiosas

Punk rock sem firulas de São Paulo. A banda é toda formada por mulheres e fez uma música criticando os 'Kings' - grupo de whatsapp formada por homens da cena Straight Edge de São Paulo que, sem consentimento, vazavam fotos de mulheres com as quais eles se relacionaram - que nos representa. Elas já tem uma demo lançada e alguns zines. Para quem se interessar, esta é a fan page delas e este o soundcloud.



She Hoos Go

Ativa há 6 anos, hoje a She Hoos Go (Pelotas/RS) tem uma nova formação e prepara um EP para este ano. 'Por La Libertad' é a música que dá título ao lançamento e já foi liberada, e é bem diferente das outras músicas da banda. Se antes elas tocavam um rock delícia que lembra The Donnas, agora elas mostram o lado hardcore, bem tocado e pesado. Inclusive, a música 'Nothing' saiu na Coletânea Histérica, apenas de bandas contraculturais do Brasil. Ouça e siga!




Nuclëar Fröst

Curto também D-Beat e Thrash Metal, apesar de não postar muito sobre sons assim. Por isso, aproveitei para indicar a Nuclëar Fröst, banda de São Paulo que tem o vocal fodido da Gaby. Ouça mais no bandcamp.







Framboesas Radioativas 

De Bragança Paulista (SP), as Framboesas Radioativas vão te fazer pular, dançar e pogar com músicas muito bem executadas e um show que é uma belezinha. Pega o Facebook delas e o bandcamp!



Pagu Funk

Periféricas, perigosas, as funkeiras mais babado do país não podiam faltar nesta lista. Pagu Funk fala de resistência, sobrevivência e empoderamento usando a música que as perifas do Rio de Janeiro mais entendem, o funk. E é bom demais! Facebook e Soundcloud.






Trash No Star



Lo-fizera, punk, dancinhas e aquela pessoa maravilhosa que é a Letícia Lopes na guitarra e voz. Tá bom ou quer mais? TNS é do Rio de Janeiro, pega o bandcamp!


Deb And The Mentals

Esta banda de São Paulo não se encaixa muito bem em 'punk/hardcore', maaaas, é aquele rock meio 70, meio dançante, com a super presença de palco da Deb Babilônia. Por isso, acho válido uma ouvida e uma dançada. Assisti um show deles que foi loucura, por isso se tiver a chance, aproveite! Bandcamp.




Catilinárias

Power trio do Rio de Janeiro que tem uma sonoridade punk/grunge. A banda é formada somente por mulheres! Pega o Facebook delas.



Deskraus 

Também de Bragrança Paulista, elas fazem um punk/hardcore cadenciadinho e lançaram no ano passado o EP 'Deskraus'. Bandcamp e Facebook.





Ostra Brains

Os Cabeças de Ostra são do Rio de Janeiro, e se embriagaram nas bandas clássicas de Hardcore dos anos 1980 e começaram a tocar. Já estou numa fase de ouvi-los e praticar a famosa modalidade de 'pogo na cadeira'. O vocal poderoso é da Amanda Hawk, que lacra muitas e muitas vezes. Bandcamp e Facebook.





Conhece alguma banda massa que não está na lista? Indica aí nos comentários! =)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Worriers lança primeiro full length "Imaginary Life" e clipe da música "Most Space"



Imaginary Life é o primeiro full length de Worriers, banda do Brooklyn (NY) que tem letras politizadas, sonoridade pop punk e o vocal inconfundível de Lauren Dentizio (The Measure S/A).
O álbum, lançado no início deste mês pelo selo Don Giovanni Records traz 12 músicas, e foi produzido por Laura Jance Grace (Against Me!).

Na nossa lista de 15 músicas lançadas em 2015 que você precisa ouvir , "They/Them/Theirs" ocupava o segundo lugar. Essa foi a primeira vez que falei sobre a banda no blog, e acredito que o álbum deles é um grande candidato a entrar na lista de Melhores de 2015. Isso porque Cruel Optimist, gravação deles de 2013 é incrível, assim como as músicas disponíveis na interwebs do primeiro álbum. Dá uma ouvida:








A música não é o mais interessante nos Worriers. As letras, politizadas e que refletem a experiência de Lauren, de ser mulher e queer na comunidade punk de New Jersey e outros estados dos EUA, são um sopro que diz que é possível resistir, ser criativx e tentar construir projetos que no fim das contas façam bem para nós mesmas, em primeiro lugar.

Para quem se interessa pela banda, indico algumas entrevistas (essa e essa ambas em inglês) em que é possível captar toda a atmosfera e o trabalho de Lauren, que gravou e editou o clipe de "Most Space". E no final do post, aproveitem uma das melhores músicas do álbum ao vivo!





terça-feira, 11 de agosto de 2015

resenha: #1 Bazar de Garagem do Coletivo Tiamät


Todas as fotos por Ana Luísa Flores

O inesperado demora, mas acontece. E hoje vou falar sobre ele: rolou no sábado, dia 08, em Volta Redonda (RJ) o primeiro bazar de garagem do Coletivo Tiamät. O coletivo é formado por mulheres envolvidas na cena punk/hardcore do Sul Fluminense, é para "punks e feministas" e quer justamente criar um espaço de diálogo e criação com as mulheres dessa região.

É inesperado porque, mesmo que mulheres participem dessa cena há tempos, até hoje elas não tinham se organizado em número e de forma politicamente feminista-mulherista. Há um tempo vagueio por essa cena com meus zines e banquinha, mas eu era só uma. E tinham outras que faziam o mesmo, de forma descentralizada. E o bonito desse evento foi justamente o propósito político feminista que ele coloca, que é acolher as punks e feministas e juntar as garotas todas. Por eu ser de onde o evento é, e por poder participar dessa movimentação na minha área, esse texto se torna um tanto pessoal. MAAAS, eu prometo tentar manter a objetividade e manter um número baixo de divagações. 

A proposta do evento era arrecadar dinheiro, com a venda de roupas e comidas, para que o coletivo tenha estrutura para organizar shows, eventos e debates com recorte de gênero, para empoderar as mulheres que estiverem por ali. O bazar rolou na garagem da casa de uma das meninas do Tiamät, em Volta Redonda.




O clima era acolhedor e bonito. Vi garotas que participam do coletivo Feminismo Sul Flu, que debate feminismo e gênero, vi meninas que colam no role punk/hardcore, vi meninas que eu não conhecia e isso tudo foi massa, porque conectou diversos universos das minas que flutuam por Volta Redonda e Barra Mansa; universos que têm tudo a ver e que ainda estão um pouco distantes. Sabe como é, juntas somos mais fortes, respeitando nossas diferenças e experiências de vida, sempre.

Além de abrir a casa, o coletivo lançou o fanzine PROFANA - #1 Manual de acessórios eróticos femininos e outros devaneios. E você o via logo na entrada, quando assinava a lista de presença do evento. Na garagem rolou o encontro do grupo Sagrado Feminino (olha os universos das minas se esbarrando de novo!), que era fechado para homens cis. Nenhum deles interferiu ou agiu de maneira que eu pudesse criticar, e isso me surpreendeu. No quintal da casa, muitas roupas cheirosinhas, pisca pisca, banquinhas de zines e muita muita comida vegana gostosa. Todas as minas do coletivo estavam com um crachá se identificando e tudo estava lindamente sinalizado e organizado. Você podia se sentir confortável.

VitaVeg por Lauren Baqueiro 

Participei com a banquinha Cabeça Tédio, e lancei o zine Ainda Não #2 e o meu novo zine, One Beat, e em algum momento falarei mais sobre eles aqui. Colada comigo, estava a banquinha da coletiva Maracujá Roxa, que veio do Rio de Janeiro especialmente para o evento. Estou falando de zines feministas faça você mesma, de riot grrrl, de patches, de colagens e materiais feitos (visivelmente) com muito cuidado e atenção. A Maracujá Roxa são Gricha, do zine Ciborgue de Pele, Puni, do zine Grrrito Mouco e que faz colagens lindíssimas e publicou resenha do show do Sleater Kinney aqui e também a Tássia, que não pode ir ao evento.   bazar foi mais especial para mim porque pude compartilhar dias e espaço com a Maracujá Roxa, minhas aliadas políticas afetivas. Ah, e Gricha e Puni também são autoras da Didática Zine, publicação que aponta metodologias para debater gênero e sexualidade com estudantes!

Ainda Não #2 

Maracujá Roxa e seus cadernos artesanais

Patches Maracujá Roxa

Foi extremamente empoderador encontrar muitas amigas - as mega íntimas, as zineiras, as que eu vejo pouco - todas juntas num mesmo lugar. Se antes o punk/hardcore daqui tem sido há muito tempo um local com o qual eu não me identifico mais, no bazar eu me senti em casa. Porque ali falavam a minha língua. Foi muito bonito reencontrar mulheres criativas interessantes e com trampos fodas, como a Ana Luísa Flores e a Thamyrys de Mattos. Eu nunca tinha vivido isso aqui e foi especial demais. É porque refletir o nosso tempo e o local geográfico que estamos inseridas é importante demais. É dizer: "nós existimos", é nos aproximarmos porque compartilhamos afinidades.

Colagens de Tamyrys de Mattos


E se isso não está com "cara" de uma resenha no sentido mais clássico, é porque rolou um feminismo intimista, um troço cheio de sentimento, que para mim sobre criar algo com as suas pares no crime. Aquelas que estão com você há mais tempo do que você se lembra. Aquelas que você não tem tanta intimidade mas tem carinho e tenta ajudar na vida e no role, tanto quanto possível. O Tiamät viabilizou para mim um encontro de muitas coisas empoderadoras e lindas. Ah, e teve a Ive Seixas, a Andorinha Só, cantando e tocando também!

Ive Seixas 

Eu passei (e passo) muito tempo falando sobre os outros locais e os outros países e é muito foda pelo menos uma vez falar sobre a minha área. Por isso talvez esse texto não seja inteligível para tantas pessoas. Mas no fim das contas, isso é sobre nós que mesmo com uma chuva de misoginia continuamos ocupando esse espaço do punk/hardcore e sendo feminista. É porque esse espaço é nosso.

E que mais e mais afetos politicamente conscientes e que querem falar das garotas e para as garotas apareçam.

domingo, 14 de junho de 2015

fotoresenha: show do RVIVR, dia 7 de junho, em São Paulo



Todas as fotos por Ana Laura Leardini

É amigas, a turnê do RVIVR no Brasil acabou ontem. Assim como em 2012, o último show da banda de Olimpia foi em Piracicaba. Hoje, eles ainda vão tocar em Buenos Aires (Argentina) e depois disso não rolam mais shows em terras tupiniquins pelo menos a partir do que foi divulgado no evento.

Aqui no blog as postagens sobre os shows continuam, yay! No domingo, dia 7, rolou o segundo e último show da banda na cidade de São Paulo, no Porão da SanFran. Como não fui (snif, snif), não consigo fazer comentários sobre, mas nossa super colaboradora Ana Laura preparou essa fotoresenha bonita pro Cabeça Tédio. 





Como não podia deixar de ser, neste show eles também tocaram "Goodbyes" e "Real Mean", sons clássicos e "must play". "Goodbyes", do ep Bicker and Breath (2014), já nasceu hit pois fala sobre uma constante punk rock: se despedir de amigues com os quais você construiu um mundo. É a trilha ideal para quando você volta de um role muito poderoso, e vai ouvindo a música e lembrando das amigas e de tudo que rolou. Goodbyes tem clipe, veja aqui.

"Real Mean" é um dos hinos do full lenght de 2010, o sem título, que tem também "Grandma", "Cut the Cord"e "Change on Me". A música fala sobre um grande desafio no qual muitas pessoas falham com maestria: crescer sem se tornar alguém que fere os outros propositalmente. No primeiro show, os três primeiros versos do som rolaram só com guitarra e voz e na sequencia foi uma explosão de todo mundo pirando junto. 

Faça como eu, ouça uma música ou álbum que você gosta muito enquanto lê o post, assim ele fica melhor!  



























terça-feira, 12 de maio de 2015

"Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado" de Bulimia, é ilustrada por Jéssica Lisboa



Todas as ilustrações do post são de Jéssica Lisboa



Atenção! Só só vale ler esse post cantando e ouvindo o som:




Na maioria das vezes, o feed do Facebook não é o melhor local para se estar. Mesmo que você tire o que te incomoda, sempre aparece algo meio nada a ver. Mas recentemente, tive uma dessas surpresas boas. Sabe quando você lê uma frase exatamente do jeito que ela é cantada? 

Foi isso que aconteceu comigo quando vi as ilustrações do hino "Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado", de Bulimia. Rapidamente entrei na fanpage e conheci o trabalho da Jéssica Lisboa, que com muita qualidade representou a música em quadrinhos. As cores, o traço dela e os desenhos são super bonitos, dá uma olhada:









Assim que vi o post, marquei a Ieri (vocalista do Bulimia), porque esse tipo de afeto faz muito bem. Se para mim que sou fã da banda já foi incrível ver as ilustrações, imagina para ela! Para mim, o trabalho da Jéssica mostrou o legado das minas e bandas punk feministas, que é empoderador e marcante, mesmo que hoje em dia a banda não toque mais. 

A Jéssica, que é da zona leste de São Paulo, é talentosa e tem muitas coisas produzidas, e os desenhos sempre me remetem a um universo meio sereia-subversivo que é bem agradável de se estar. Para mim, o traço dela e os "derretimentos" das ilustrações são parte importante da identidade visual dos trampos. Nós aproveitamos a ocasião e conversamos um pouco com a Jéssica. Ah, e a boa notícia é que ela pretende ilustrar mais trechos da música!


Como surgiu a ideia de ilustrar "Punk rock não é só pro seu namorado"?
Bom, eu já curtia punk rock desde a minha pré-adolescência mas de um ano pra cá mais ou menos venho conhecendo e interagindo mais com o feminismo e consequentemente introduzindo isso nas minhas ilustrações. "Punk rock não é só pro seu namorado" se tornou praticamente um hino pra mim quando conheci Bulimia, então eu resolvi ilustrar pela mensagem mesmo, pra que talvez outras meninas também se identifiquem e se emponderem, mesmo que não curtam punk rock.

Como você encarou a receptividade das ilustrações?
R: Sempre que posto algo mais relacionado ao feminismo a receptividade é muito boa, mas realmente me surpreendi e fiquei muito feliz de ver tantas meninas se identificando não só com as ilustrações mas principalmente com a mensagem que a música passa.


Puro amor 

Há uma previsão para as próximas ilustrações da música? Pretende ilustrar mais alguma música de banda punk feminista?
Pretendo sim, até porque minha maior inspiração vem da música. Ainda não tenho uma previsão exata mas ainda esse mês faço mais algumas com certeza.

Quando você começou a ilustrar? Você vende as ilustrações? Já tem algum zine lançado?
Essa é uma pergunta difícil rs, eu desenho desde criança e nunca parei, mas só tive tive coragem de mostrar minha arte pro "mundo" quando criei a página há um ano mais ou menos. Eu sempre fui tímida, então desenhar pra mim sempre foi uma válvula de escape, um lugar onde eu pudesse me expressar e criar uma outra realidade. Mas qualquer coisa que eu faço pode ser comprada e também
aceito encomendas. Zine ainda não tenho nenhum mas pretendo criar em breve.

Os desenhos são de aquarela? Qual técnica você usou? É possível comprar prints deles?
Foi uma mistureba de aquarela, nanquim e canetinha marca texto haha, mas ainda dei uma editada digitalmente nas cores. Ainda não fiz prints deles, mas pretendo abrir uma lojinha online em breve pra facilitar com ilustrações, prints, telas e outras coisinhas.

Para saber mais, acompanhe o trabalho da Jéssica no Facebook e no Tumblr.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Eu não vou me desculpar por ter sido assediada

Por Indiretas Feministas

Esse texto é uma tradução é do guest post "I Won't Apologize For Being Assaulted" do blog Put Your Damn Pants On, escrito por Beth. Ela denuncia o abuso sexual que sofreu aos 16 anos, cometido por Jorge Herrera, vocalista do The Casualties. 

Essa tradução feita por mim, Íris, Jully e Fernanda. Mas um outro blog brasileiro também traduziu esse texto, o que acho legal para que cada vez mais, mais pessoas tomem conhecimento disso. 

Estou ajudando a divulgar o post antes de tudo em solidariedade à Beth. Não sei mensurar o que ela passou, e a única coisa que me cabe é apoiar, traduzir, discutir e ter bem claro que homens cis politizados ou não, que dão o role ou não, não estão isentos de cometer atrocidades como essa. 

Leia o texto de Beth em inglês. Nesse link tinha sido postado uma resposta do agressor, mas é claro que já saiu do ar, mas uma das coisas que me incomodou ao lê-la foi ele afirmar que a denúncia, o guest post, tinha sido escrito anonimamente.

A atitude dele é sobre reiterar poder e privilégio masculino. Proponho então, que façamos o que está ao nosso alcance: boicotar a banda, fazer com que as pessoas saibam o que aconteceu, não culpabilizemos a vítima. 

-  A banda fará show no Brasil em dezembro, no Wros Fest.


AGRESSORXS NÃO PASSARÃO, MACHISTAS NÃO PASSARÃO


Antes do texto há o acionador e um espaço entre o texto e sua introdução, para aquelxs que não quiserem ler não o façam acidentalmente. 





Acionadores: abuso sexual discutido francamente

O guest post de hoje vem da incrível Beth – “uma pessoa da cena se recuperando, de trinta e poucos anos, mãe, caseira e esposa. Eu ouço desde Descendents do conforto da minha casa suburbana enquanto cozinho descalça e grávida, até Rebel Girl do Bikini Kill. Eu posso não ter total consciência, mas eu estou constantemente procurando um equilíbrio.”






















De acordo com as estatísticas de abuso sexual, “uma em cada quatro mulheres em idade universitária relatam ter sobrevivido a estupro ou a tentativas de estupro desde os 14 anos.” Esse é um fato bastante conhecido e provavelmente não vai trazer nenhuma surpresa, assim como estou certa de que você, uma namorada/namorado, uma ex, irmã/irmão, pais, criança, professora, babá, ou vizinha já foi uma vítima. O que pode surpreender é como o abuso sexual pode realmente incomodar outras pessoas. Não, seriamente. Eu quero dizer, que lástima ter que saber que uma amiga foi maltratada por outra pessoa – isso te faz se sentir mal, né? Ou que saco ser amig@s daquela pessoa que tem sido acusada disso...  deus. Me dê um tempo, certo? Não é como se eles tivessem feito isso em você. Você não estava nem mesmo lá e eu poderia totalmente estar mentindo. 

Espere. O que? Deixe eu voltar no tempo…

Você sabe, é engraçado porque… bem, não, não é. Não é engraçado. É triste. É triste porque houve um tempo em minha vida em que eu me senti completamente confortável para confrontar um estranho completo, pessoalmente, que vestia camiseta ou patch dessa banda. Eu os tocava no ombro, os olhava no olho e dizia: “oi, meu nome é Beth e o vocalista dessa banda punk nova iorquina de merda, com cabelo grande de merda e calças bondage, me violentou sexualmente quando eu tinha 16 anos. Você deve ter ouvido rumores de que ele fez isso antes, mas, daqui pra frente você não pode nunca dizer que não conheceu uma vítima e teve a chance de ouvir sua estória”. Às vezes elxs queriam os detalhes, às vezes elxs até admitiram que ouviram isso sobre ele antes. A única coisa impressionante que todos esses estranhos completos tinham em comum era que eles ACREDITAVAM EM MIM. 

Eles se sentiram obrigados a conversar, chorar, se identificar ou brainstorm. Como se fosse algo totalmente horrível que aconteceu e nós não toleraremos mais. No fim, 100% das pessoas com as quais eu conversei tiraram a camiseta/patch/bottom/etc. da banda. Um garoto até tirou sua camiseta e a arremessou numa fogueira. Todos pequenos gestos para você, mas, para mim, foi realmente empoderador para contar minha estória. Ter alguém, através de ações, para dizer: “sim, cara. Eu estou do SEU lado”. “Você só pode ser uma vítima se admitir a derrota” foram palavras pelas quais eu vivi. Esses rostos aleatórios deram-me forças ao me apoiarem e... Sim, sim, é verdade, éramos mais jovens então. Jovens, ingênuxs, cheixs de energia, e permissividades, muito mais entusiasmadxs acerca de certos e errados e fazer o bem. Além disso, nós não estávamos no meio de uma cerveja com nossos amigxs e, você sabe, eu não estava “cortando a onda”. Ou a camiseta não era vintage e patches não eram difíceis de conseguir. Quero dizer, aquela poderia ser a primeira tour deles – isso é ALGO.

Então, você sabe… já são 16 difíceis anos desde que eu fui violentada e aquele passado nunca mudará. Eu agora sou uma esposa, uma mãe, a dona de uma casa, uma empresária e, sim, ainda... Eu sou todas essas coisas, MAIS a garota que J___BandaLegalSobrenome violentou. Nos muitos, muitos anos que se passaram, minha necessidade de falar sobre aquela noite nunca mudou. Se antes eu viajava para festivais em todo lugar, e me mantinha orgulhosa nas minhas camisetas do BikiniKill e gritava “aqui estou, isso aconteceu”, agora sou apenas uma mãe-dona-de-casa que arranja tempo para olhar o Instagram entre trocas de fraldas e sente a necessidade de deixar um comentário: “oh, ei, aquele cara naquela foto tirou todos os meus desejos sexuais por 10 anos, ao me violentar, menor de idade, na casa de umxamigx. Ele é a razão pela qual eu não tive relações sexuais saudáveis até os meus 25 anos. Ah, e você está ótimx, por sinal! Beijos e abraços, amiguinhx, falo com você depois. Crianças fofas! #hashtag#hashtag”. Eu não tenho mais tempo, e nem dinheiro para pagar uma babá, pra sair e gritar, mas eu ainda sinto minha auto satisfação porque eu não vou me sentar e não me calarei.

Em uma época em que a internet tornou opiniões amplamente disponíveis para as massas, eu ainda sinto que aquele comentário pode alcançar mil olhos estranhos, tudo do conforto do meu sofá. Enquanto esse é um ativismo que está longe da vida de antigamente, de PROPRIAMENTE conhecer pessoas, onde o que realmente mudava não era minha estória/abordagem, mas as reações. À medida em que envelhecemos e a nostalgia aparece, nós relembramos as bandas que nos trouxeram até aqui. Queremos cantar junto e conseguir babás para shows à noite, durante a semana, porque, caramba, ainda somos jovens! E, talvez, alguns de nós ainda estão excursionando e nós não queremos estragar a relação que temos com bandas com as quais ainda tocaremos... ou talvez nós somos parceiros de bar de certas bandas, em festivais distantes e, você sabe, podemos precisar de um favor algum dia. Ou colocá-los como atração principal em festivais de amigos da cidade porque... quero dizer, eles AINDA atraem uma multidão. Sim, claro, eu entendo. Você também é preguiçosx. Eu espero de você uma grande reação, apenas despejando um pedacinho de informações completamente torturantes sobre minha vulnerabilidade e experiências sexuais de quando era menor de idade. Mas não, não, não. Você está certx. Se eu participasse de uma marcha, quem sabe, você até curtiria minha foto, mas pedir para que você confronte um amigo ou que não o traga para perto, possivelmente colocando outras mulheres em perigo, ou que não pague cervejas a ele, como se sua presença na cidade exija celebração.

Eu... Eu também estou cansada. Talvez estejamos muito velhos para nos importar. Se ao menos houvesse uma forma de republicar artigos online sem sentido, vistos por todo mundo, clicando em um botão que, no lugar, colocaria uma história, desconhecida por milhões de novos olhos, para ser lida do conforto de uma cadeira. Então, e só então, eu vou ganhar algum apoio, mas... espere: não, não. Ainda é “ele disse – ela disse”. E, sério, e se isso voltasse para ele? Seria uma situação estranha. Estranha como alguém enfiando sua nuca na virilha delx, enquanto tenta explicar: “é só um pouquinho, 1, 2, 3, você consegue”, enquanto você coloca todas as suas forças em seus braços para firmar seu peso e quase morder sua língua para ter a certeza de que sua boca está fechada. Oh, não. Não, espere...

Eu desaponto totalmente as pessoas porque aconteceu de eu ser abusada sexualmente pelo vocalista de uma banda que elxs gostam. Tipo, gostam MESMO. Eu sei, eu sei. Eu deveria ter tentado com mais empenho por uma banda, apenas rezando para ser rejeitada e ridicularizada para que isso não estragasse a rotação do seu Ipod e então isso não arruinaria a lista do seu IPod mas ei, de novo, isso realmente não foi uma escolha minha. Mas cara, que total inconveniência, coitadx de você ao saber algo ruim sobre uma banda que você ama. Apenas ignore os fatos, quero dizer, isso FOI há tanto tempo atrás. Não é como se eu ainda pudesse lembrar que estava vestindo um short cargo camuflado e uma camisa de gola-v da Hanes... uma roupa que TOTALMENTE exala vibrações do tipo “me coma”, com minha cabeça recém raspada e pernas não depiladas e... espere. Hmmm.

Você sabia que eu também faço as pessoas se sentirem incomodadas porque eu vou postar abertamente sobre o meu abuso no Instagram ou Facebook ou onde quer que eu veja a menção dessa banda pelos meus “amig@s”? Quero dizer... isso deve ser realmente desconfortável para el@s... eu invadindo os seus espaços pessoais desse jeito. Como se fosse o tipo de invasão em que alguém te prende contra a parede, e enfia as mãos dentro de sua calça pela frente e por trás enquanto pressiona todo seu peso corporal contra uma pessoa de 16 anos de idade e 40kg que chora e tenta resistir. Não, não, espere. Não é provavelmente desse jeito, mas ainda assim. Que estraga-prazer. Quero dizer, eu deveria apenas aprender a manter minha boca fechada. Eu não registrei queixa, então.. que direito eu tenho de ainda trazer isso a tona? Estou certa de que ele mudou e progrediu na vida. Eu ouvi que ele é um ÓTIMO rapaz.

Bem, imaginem só. Aqui estou eu sentada na hora do cochilo, confortável na cama, laptop aberto, protestando do meu modo bem mais ou menos, como sua amiga. Ou talvez eu TENHA SIDO sua amiga, antes de me mudar da cidade pra formar uma família. Talvez eu tenha sido apenas a sua atendente de bar, garçonete, caixa de supermercado, costureira, babá, ex-namorada, produtora de shows, trabalhadora voluntária, frequentadora de shows, ou ainda apenas a garota sentada no bar ao seu lado. Mas aqui está quem mais eu sou: Eu sou a sobrevivente de uma agressão sexual aos 16 anos por um homem mais de 10 anos mais velho do que eu. Esse homem me encurralou em um quarto e tentou me forçar a fazer sexo com ele, dizendo que ia contar pra todo mundo na van que eu fiz de qualquer maneira então seria melhor fazer. Quando eu escapei do quarto, ele me perseguiu pelo corredor, me empurrando contra uma parede e enfiando as mãos dele em todo orifício que ele podia encontrar enquanto pressionava a boca na minha para evitar que meus gritos e o meu choro abafados fossem ouvidos. Quando eu eventualmente me desvencilhei, eu me tranquei dentro de um cômodo abandonado até que meus amigos viessem a mim. Eu dormi naquele quarto para ser incomodada uma única vez por um membro da banda que simplesmente bateu na porta e disse: “Você não tem que abrir a porta, apenas escute. Você não precisa nem me dizer o que aconteceu porque eu já sei e lamento muito”. E eu não lamento se VOCÊ NÃO CONSEGUE LIDAR COM ISSO.

Quando eu saí na manhã seguinte, 16 anos atrás, a banda tinha ido embora, minha carteira tinha sido roubada, e tinham me deixado uma camiseta da banda como se fosse algum prêmio de consolação. A ironia do nome da banda, e de eu ser uma CASUALIDADE no meu próprio direito, não desapareceu em mim. Após todos esses anos e todas as vezes que eu escrevo essas palavras, falo sobre elas, as revivo, eu sinto ânsia de vômito. Eu lembro do cheiro do vocalista, do gosto dele, dos seus dentes podres, da sua pele desgastada, de como a banda discutiu sobre não cortar os seus cabelos porque era uma forma de tomar posição, e principalmente de como eu me senti tão completamente indefesa. Do quão assustada, suja, envergonhada, usada, rejeitada, confusa, sozinha e arruinada eu me senti. Eu sinto todas essas emoções quando meus amigos tocam em shows e festivais com esse cara. Quando eles colocam os seus braços em volta dele nos bares, quando eles o defendem. Que merda, eu sinto tudo isso só pelo fato de que ele ainda respira. Durante as minhas viagens eu conheci outras garotas, escutei as histórias delas e sei que jamais foi feita justiça. Nem legalmente, nem musicalmente, nem ao menos um pequeno obstáculo na banda dele ou na sua vida patética. E agora... Agora eu sou a culpada por contar a minha história novamente com certeza porque cara… Você já comprou aqueles ingressos pro show e eles custaram $30 e você não quer perder dinheiro. É, eu entendo. Eu contei. Eu sou a vilã.

Bem, foda-se Jorge. Foda-se você e a merda da sua banda. Eu não quero ser a sua vítima ou contadora de histórias. Eu quero ser a esposa do meu marido e a mãe do meu filho sem nunca ter que carregar a sua lembrança. Mas eu não posso. O que eu posso fazer é criar um homem que respeite as mulheres e os seus limites, e ainda assim o seu legado de merda ainda vai sobreviver por trás das lições e exemplos que eu passo pro meu filho. Eu não sou sua vítima, seu idiota. Eu sou uma sobrevivente. E esta é a minha história, e se isso te incomoda, amigo, bem, ao menos por uma vez na vida nós compartilhamos algum sentimento em comum... “Desculpe-me se eu estou alienando alguns de vocês, toda a merda da sua cultura me aliena”.


Nota da moderação: Obrigada por todo apoio!! Nós estamos felizes por podermos dar um espaço para Beth dividir a história dela. Nós amamos como a história se espalhou rápido, e nós esperamos que esteja tendo impacto. 
Isso sendo dito, esse é um pequeno blog administrado por um grupo de amigxs em nosso tempo extra. Nós não somos realmente equipadxs para lidar com toda essa atividade. Estou tentando monitorar e aprovar os comentários enquanto eles chegam, mas eu tenho que dormir e trabalhar, então talvez alguns demorem um pouco.

Por favor, por favor, por favor mantenham as coisas civilizadas, sem ameaças de violência, esse tipo de coisa, eu quero deixar todxs (exceto os óbvios trolls) falarem seu ponto de vista.

E, enquanto ouvimos mais pessoas em outros sites, por favor mantenham as coisas tranquilas em todos os lugares. É incrível ouvir algumas das ações das pessoas – de apenas dividir o texto a se inspirar para admitir o próprio assédio que tenha sofrido. Mas, de novo, por favor não ameacem cometer atos violentos ou qualquer tipo de ato criminoso. Nós somos melhores que isso, ao contrário dos abusadores e assediadores desse mundo, nós podemos de fato usar nossas cabeças para fazer a diferença. 
Obrigada de novo!!

- The Damn Pants Team