domingo, 30 de março de 2014

Crabapple – “Café em partes iguais, sentimentos e pop”

Coluna do Nandolfo

Crabapple - Sean, Sandra, Christine e Jenna - Foto retirada do facebook da banda

Depois de muito tempo sem postar aqui no blog, consegui parar um pouco e escrever sobre essa banda que tenho ouvido muito ultimamente. Escrever sobre bandas é quase terapêutico pra quem gosta de música. E escrever sobre a Crabapple é um prazer enorme, porque ela faz parte de uma cena que mesmo eu não vivenciando, me aproximou demais de um punk, digamos, mais afirmativo.

Onde as coisas parecem ser vividas e não apenas escritas no encarte do disco. E é muito bom pensar que há coisas assim acontecendo e isso com certeza influencia na música, porque a quantidade de bandas boas que nascem desse meio é enorme. Sim, é difícil falar de algo que não vivemos, então eu me baseio no que sinto quando leio sobre, escuto as bandas, vejo vídeos de shows e principalmente quando leio a opinião de quem participa.

É nesse contexto e nesse clima que falo da Crabapple, uma banda da Bay Area e San José, California.
Formada em 2011, ela é composta por pessoas da Joyride!, Sourpath, No babies e Dear Marje
(só coisa linda, não tinha como não ser no mínimo muito bom). O som segue a linha pop punk,
às vezes com aquela energia que o pop punk carrega (na música "By your side"), às vezes mais lento que acompanha o vocal mais suave (a música "Is it you?" é perfeita pra ouvir isso).

Eu particularmente gosto muito de como o baixo entra nessa história, dita o ritmo de um jeito marcante. E o clima fim de tarde está ali, como a banda mesmo sugere, uma reunião entre amigs numa tarde de verão.
Você consegue perceber tudo isso na nova demo dels lançada no mês passado. Ouça aqui! A gravação saiu em k7, então se quiser o material físico é só escrever pra banda, rola de entregar por aqui.

Crabapple - Jenna e Sandra - Foto retirada do facebook da banda

Escrevi pra els pra tirar algumas dúvidas sobre a banda e acabei comentando sobre essa coisa de cena empoderadora, se els realmente sentem isso quando tocam ou apenas participam do que está rolando por lá. Como de costume, a simpatia das bandas amadas foi enorme:

Christine Tupou : "Eu sinto que você recebe o que você coloca, não só no punk, mas em coisas mais importantes na vida. Eu diria que a cena que nós fazemos parte, a nível local e nacional, é pessoalmente empoderadora porque eu sinto que tenho o apoio para ser eu mesma. Qualquer que sejam as falhas ou fraquezas, eu sinto que são mais fáceis de trabalhar através de uma cena em que tods nós apoiamos o crescimento de cada umx".

Sean Nieves: "Coisas como alienação e trauma parecem atrair as pessoas ao punk, em primeiro lugar, como jovens procurando um espaço para existir e crescer. No entanto, é tão fácil por existirem estruturas e dinâmicas de opressão que punks busquem escapar, em primeiro lugar, para aqueles que ainda existem na nossa comunidade. Isto é tão importante, para a nossa sobrevivência e para o nosso bem estar, criar um espaço para nós mesms e para proteger este espaço desafiador, não só externamente, mas também internamente e desaprendendo comportamentos insalubres e atitudes dentro de nós mesms".

Sandra Alayon: "Eu acho que foi muito importante para nós criar espaços para nós mesms e outras pessoas marginalizadas. Nossa música não é explicitamente política, mas tentamos participar de uma comunidade inclusiva e incentivar outras pessoas a ouvir música ou estar envolvidx de outras maneiras. Nós tods compartilhamos muito dos mesmos interesses, mas também somos muito diferentes em alguns aspectos e eu acho que isso é o que nos dá a nossa força. As novas experiências e lições que aprendemos umxs com xs outrxs criam essa comunidade que queremos fazer parte."

E ainda tiraram uma dúvida minha. Crabapple é realmente a fruta!

segunda-feira, 24 de março de 2014

música: The Spells

Carrie, oh, Carrie, oh Mary .. 


Wild Flag - Foto por Kevin

Existem timbres de guitarra que apenas algumas bandas que vieram do oeste dos Estados Unidos conseguem produzir. É isso o que os anos ouvindo as bandas de Carrie Brownstein me dizem, principalmente se percebemos as diferenças da guitarra do Sleater Kinney para outros projetos dela. Embora exista uma familiaridade, há também diferenças, mas há também similaridades.

Confuso? É que se no Sleater Kinney Brownstein tem uma jogada, no Wild Flag ela tem outra. Mas, não é sobre essas bandas que vamos falar hoje. É sobre o ano de1999, no qual foi lançado o álbum The Age of Backwards, do The Spells, pelo selo K Records. Acho que podemos considerar essa banda o óvulo do Wild Flag. Foi uma das primeiras bandas em que Carrie e Mary Timony (Helium, Autoclave) tocaram juntas.

A definição do The Spells para mim é soturno riot grrrl - que não nega o nome da banda "O feitiço". São guitarras dedilhadas, vocais cruzados e magia Carrimony. Se antigamente eu não ouvia muito as bandas de Mari Timony porque estava dando bobeira, hoje em dia posso me dizer que já me rendi à guitarra dela.

Anos depois do The Spells elas tocariam juntas no Wild Flag, e teriam algumas outras colaborações juntas. Há um tanto de Autoclave e Helium no The Spells, enquanto o Wild Flag é algo mais dançante e maduro, o The Spells é mais sequinho e curto.

The Spells tem apenas dois epzinhos, cada um com quatro músicas, e segundo Carrie, elas só fizeram um show. Bat vs Bird é o segundo registro, que foi lançado em 2008.Acho que ele só saiu via stream, não sei se teve versão física do álbum. Acontece que são oito canções indispensáveis para quem acompanha as duas guitarristas. Acho que o Bat vs Bird é fácil de achar, então, aproveitem enquanto o link que eu upei funciona. Indicamos: essa entrevista em que Timony e Brownstein se entrevistam e falam sobre o The Spells (em inglês).



The Age of Backwards Tracklist
01. The Age of Backwards
02. Octaves Apart
03. Number One Fan
04. Can't Explain

Download The Age of Backwards - Link



Bat vs Bird Tracklist
01. Antartica
02. Bat vs Bird
03. Champion Vampire
04. Viola

Download Bat vs Bird - Link

segunda-feira, 3 de março de 2014

Marcha das Vadias será realizada em Volta Redonda no dia 8 de março

Tema da manifestação é o fim da violência contra a mulher





No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, será realizada em Volta Redonda a primeira Marcha das Vadias do município e do Sul Fluminense. Com o tema “Fim da violência contra a mulher”, a marcha visa discutir este tema com sociedade. A concentração será às 14h na Praça Brasil, na Vila Santa Cecília.

A Marcha das Vadias é um movimento internacional que surgiu em 2011 no Canadá, após uma série de estupros serem registrados na Universidade de Toronto. Na ocasião, um policial palestrava sobre a segurança no campus, e afirmou que “as mulheres devem evitar se vestir como vadias (sluts, no inglês original) para não serem vítimas de violência sexual”.

Desde então, a Marcha das Vadias (Slut Walk, em inglês) se posiciona contra a ideia de que as mulheres são responsáveis pela violência que sofrem. Uma das principais bandeiras da marcha é que nenhuma agressão sexual pode ser justificada em função da roupa, comportamento ou estilo de vida da pessoa que sofre a agressão. A manifestação acontece nos Estados Unidos, Argentina, Índia, Austrália, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e em outros estados do país.

Segundo o Dossiê Mulher de 2013 - documento publicado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) que apresenta informações sobre a violência contra a mulher no estado do Rio de Janeiro - o número de mulheres vítimas de estupro e de lesão corporal dolosa sobressaiu em Volta Redonda.

Ainda, o Dossiê Mulher aponta que a delegacia de Volta Redonda, 93ª DP, registrou as seguintes ocorrências contra a mulher em 2012: 768 casos de lesão corporal dolosa, 1.019 casos de ameaça, 69 casos de estupro, seis casos de tentativa de estupro, quatro homicídios dolosos e sete tentativas de homicídio.

Porque o termo "vadia" assusta mais do que os números de violência contra a mulher?

A organização da marcha considera que a ideia do nome é questionar quais são os argumentos que serão usados para tentar humilhar e desacreditar as mulheres se elas assumirem esta identidade de "vadia".

- O nome da marcha é uma ironia. Na nossa sociedade nós somos chamadas de “vadias” todas as vezes que decidimos algo por nós mesmas. Por exemplo, se uma mulher decide ter relação com mais de uma pessoa ela é chamada de vadia. Mas, se ela nega ter relações com alguém que insiste muito, também é chamada de vadia. Se alguém mexe com uma mulher na rua e ela responde, ela é chamada de vadia. Por isso, de um jeito ou de outro, somos todas vadias em algum momento – argumenta.

A Marcha das Vadias de Volta Redonda é organizada horizontalmente e espontaneamente por diferentes mulheres, e não possui uma porta voz ou líder. A manifestação já foi previamente discutida com as autoridades competentes do município.

Os 69 casos de estupro registrados e a realidade demonstrada pelos números do Dossiê Mulher é uma das motivações para a realização da marcha, e as participantes convidam a todas e todos que querem construir uma realidade sem violência para participarem.


Quer conhecer mais sobre a MDV-VR?
Leia o zine da Marcha, que será distribuído no dia 8 de março.


Serviço Marcha das Vadias de Volta Redonda
Data: 8/03/14
Hora: 14h
Concentração: Praça Brasil (ao lado do Mercado Popular), Vila Santa Cecília.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

lançamento: Zine e Coletânea Histérica


Depois de muito, muito tempo.. 

Finalmente a terceira/derradeira edição do zine Histérica está pronta! Por isso neste mês eu não consegui atualizar o Cabeça Tédio, porque estava fazendo as colagens e diagramação do zine.

Rolou entrevista com RVIVR e Carolina Pfister, diretora do documentário Viva Viva. Além das entrevistas, rolam colagens de Laíza Ferreira e Íris Nery, um texto sobre a exigência social do amor próprio, escrito por mim, outro sobre o poder do clítoris, escrito por Camila Puni. Ainda, há um texto que faz considerações feministas sobre a série Grey's Anatomy, escrito por Julie Oliva. 

A capa e contracapa é da Kate Wadkins, organizadora do International Girl Gang Underground (IGGU). São 22 páginas de zine, com todas as colagens e diagramação feita a mão.  

Além do zine, lançamos também a Coletânea Histérica, que traz nove bandas brasileiras contraculturais feministas/com garotas, como, Dança da Vingança,Sapamá, Rulespat, Vítima, Projetil Paralelo, She Hoos Go, Sub-Traídas e Manger Cadavre.

Só o zine $6. Coletânea $2.
Quer? Escreve para carladuarteee@gmail.com
Flyer: Lovelove6 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dois eventos feministas em janeiro

Falë será realizado no Rio de Janeiro e Vale Histeria em São José dos Campos




Punks feministas, bruxas, zineiras, peludas e lindas em geral já podem anotar na agenda - ou no aplicativo apropriado - que janeiro mal começou e dois eventos feministas serão realizados, um no Rio de Janeiro e o outro em São José dos Campos, interior de São Paulo.

O Falë - Festival de Artes Livres Raiotäge - organizado pelo coletivo carioca Raiotäge, será realizado no dia 18 de janeiro no Centro do Rio de Janeiro. Um dos principais objetivos do evento é discutir a invisibilidade das mulheres e pessoas Trans*, além de criar um espaço para mulheres e trans* (conforme é colocado na descrição do evento) possam desenvolver suas potencialidades. 

O evento começa de tarde, com oficina de zine, na sequencia rola exposição de Michelle Oliveira e Lizz Marino. De noite rola o show com LuvBugs (RJ), Benária (RJ), Belicosa e Ive Seixas (Resende/RJ).


Ive Seixas é a vocalista da Ricto, e nesse show ela levará seu projeto experimental solo, o Andorinha Só, no qual ela continua tocando músicas autorais, diferentes da Ricto, pois estas são influenciadas por MPB e são todas acústicas. 

O LuvBugs é uma dupla que faz um som lo-fizado e o Benária é um power trio especialista em punk rock. Se não estou enganada, este é o primeiro show do ano da banda. Rango vegan, bebidas e banquinha com materiais independentes vão rolar durante o evento.




Já no dia 25 de janeiro, em São José dos Campos, rola o primeiro Vale Histeria. Trata-se de um encontro faça você mesmax feminista apenas para lésbicas e mulheres - sejam elas cis ou trans - veja o teaser do evento aqui. No Vale Histeria também rola rango vegan e banquinha de zines, a organização do evento inclusive encoraja a todxs que levem seus materiais. 

É importante e necessário que homens cisgênero respeitam a política do evento - que não tem como foco eles - e não participem das atividades. Segundo a página do evento apenas o show é aberto para homens cis.

Uma coisa importante do evento é elas abrirem espaço para mulheres que são mães ao convida-las e informa-las que há espaço para as crianças, inclusive para elas pintarem, brincarem e ainda rola projeção de vídeos.

Durante o evento rolam duas exposições: Varal de Poesia Preta, de Formiga, "Não Calarás" por Tomate e fotografias de Natasha Mota. E ao longo das apresentações rola live painting com Leen Vandal, que vai grafitar durante os shows. 

Os shows começam a partir das 20h, e tocam, Daman (São José dos Campos), RTF  – “Reconoce Tu Fortaleza” (Argentina), Meire D'origem e Convidadas (São José dos Campos) e AtaFalha (São José dos Campos), banda nova que ainda não tem som disponibilizado na interweb, mas trata-se de um projeto feminista de rock instrumental com um tanto de poesia.


Programação:

13h – Bate-papo inicial com Coletiva Feminista Radical Manas Chicas 

15h – Oficina de saúda da mulher e lésbica + Oficina de Calendário Lunar


“A saúde é subversiva porque não dá lucro à ninguém" (Sonia Hirsch)
Conhecer nossos corpos e processos nos aproxima e ajuda a entender e ter mais autonomia sob nós mesmas. Nesta oficina-conversa vamos falar sobre alguns dos processos que acontecem em corpos biosociologicamente definidos como femininos: ciclos, menstruação, biopolitica, e demais cositas. Venha trocar experiências, aprendizados e conhecimentos!

Na oficina prática vamos confeccionar juntas abiosorventes de tecido, aprender algumas técnicas de alternativas menos invasivas e mais holísticas e sistêmicas para autocuidado.
Se possível, traga tesoura, linha/agulha, retalhos, papel, caneta

17h - Oficina de noções básicas de elétrica

Serão passadas noções básicas do sistema elétrico doméstico. Aprenderemos, na prática, a montar extensões, trocar resistência de chuveiro e fazer pequenos reparos gerais.
Quem puder trazer: fios de extensão, plugs de tomada, bocais para lâmpada, chave de fenda pequena. 

sábado, 4 de janeiro de 2014

tá na hora da lista: Melhores de 2013



Por Carla, Mama e Nandolfo

Essa é a primeira vez que o Cabeça Tédio publica uma lista de melhores do ano. Nós articulamos uma lista a partir do gosto pessoal de cada um que escreve aqui, não criamos apenas uma única lista, e sim três.

Por isso, vocês vão ler os mesmo tópicos - melhor banda, melhor álbum, melhor post do blog - na lista do Mama, do Nandolfo e na minha. Pode ser que a lista de um tenha categorias que a da outra não tenha, e isso vai tornar as listas diferentes.

Não padronizamos os tópicos, achamos que deixamos em aberto, ao gosto do escrevente, tornaria o trabalho mais fácil, mais prazeroso e mais rápido. Vamos lá?
Ah, e depois nos contem o que acharam da nossa lista e como ficou a lista de vocês!




Lista da Carla:

Melhor banda de 2013:
RVIVR (Olimpia, Washington, EUA)
Esse ano, os revaivours lançaram The Beauty Between, álbum que traz a vitalidade que nós conhecemos. O trio de músicas "The Hunger Suite" são as que chamam atenção pelo formato diferente, mais experimental, barulhento e ainda assim com a identidade da banda. Foi esse o álbum que tornou a ida para o trabalho - e consequentemente a minha disposição - menos ruim, que deu aquela fagulha de vontade que me tirou (minimamente) da apatia. O fato de ter acompanhado alguns shows da banda, em 2012, ajuda a animar ainda mais. E de maneira geral, posso dizer que todos os eps do RVIVR tem essa característica - pelo menos pra mim - de te ajudar a enfrentar esse mundo feio.
Ouça RVIVR


Melhor disco de 2013: 
These Are Days (High Dive, Bloomington, Indiana, EUA)
Um belo dia eu entrei no bandcamp do High Dive e tive uma surpresa maravilhosa. Poucos dias antes, eles tinham acabado de librar These Are Days, um ep de seis músicas, que mesclam piano, sax, bases pop punk, uma baterinha sequinha e a linda e familiar voz de Toby Foster. Depois de dar um escândalo de alegria - que foi necessário - , dei o play, e me apaixonei de novo pela banda, que já começa destruindo nossos corações malacabados com a canção que dá o nome ao álbum. 
"here comes the bridge it was me all along / i'm a bad person it was all my fault / i was the one who did everything wrong / but i've been pushed over one too many times / i've learned enough now to see through those lies / i never meant to hurt anyone"   (Act Out - High Dive)
Passei bons meses ouvindo esse ep diariamente, percebendo as particularidades das músicas e me dei conta, mais uma vez, que o Pop Punk foi aquele estímulo que eu precisava para não me sentir ainda mais out of step no punk. Sim, essa é uma das minhas bandas preferidas, formada por gente que toca em outras bandas que são importantes para mim. Mas independente disso, These Are Days é um belo registro. 

Melhor post do Cabeça Tédio em 2013 :
Sweet Sixteen do Dig Me Out. Esse post foi escrito por mim e pelo Mama, e embora pareça um pouco canalha da minha parte colocar um post que eu escrevi, explico-me: escreve-lo foi uma grande vomitada de histórias e teorias sobre Sleater Kinney, tanto minhas, quanto do Marcelo. Ver as imagens, as informações que colocamos e ainda mais, a mixtape Sleater Kinney Road, me deixou (e deixa) tão feliz e satisfeita, e isso me impede de escolher outro post. Foi um dos mais queridos, demorados e que mais me orgulho de ter feito.
Leia o post Sweet Sixteen do Dig Me Out.

Melhor zine de 2013:
Pauta Lixo #2, editado pelo Nandolfo
Além de falar sobre várias bandas diferentes de Pop Punk, o zine trás traduções de textos que discutem o faça você mesma e em parte, a vida adulta, além de um texto que fala sobre gênero, queer e como criar crianças nesse mundo tão doente. Com certeza é das discussões que mais me interessa, por isso, pra mim foi o melhor zine que li este ano.
Leia a resenha do Pauta Lixo #2


Melhor cantora:
Katie Crutchfield, vocalista do Waxahatchee, que lançou em 2013 seu segundo álbum, Cerulean Salt. Estamos falando de uma das vozes mais suaves, afinadas, mais para agudas e que grudam na sua cabeça. Você já a viu tocando com sua irmã gêmea, Allison, no PS Eliot. Allison atualmente canta e toca guitarra no Swearin', banda que abriu alguns shows para o The Julie Ruin, e que está na lista de melhores álbuns de 2013 de Kathleen Hanna
Ouça Lips and Limbs e saiba mais sobre as irmãs Crutchfield nesta edição do programa Rock'Roll Radio

Vocalista feminista favorita:
Kathleen Hanna

Melhor banda nova: 
Parasol 

Melhor blog feminista: 

Música favorita do ano: 

Tibetan Pop Stars - Hop Along

Música que mais escutei em 2013:
Rainspell - RVIVR

Melhor música romântica pra dançar na buatchy:
All The Way Thru - MEN

Banda gringa para ver em 2014:

The Julie Ruin

Banda nacional pra ver em 2014:

Melhor vídeo clipe:
Allison Weiss - Wait For Me
Difícil ficar indiferente ao vídeo, que mescla a letra da música com a história da vida da moça que está ouvindo a canção. Gente pisciana talvez queira dar uma respirada funda ao assisti-lo. 



Lista do Mama

Surpresa em forma de ep:
These Are Days - High Dive

Expectativa comprida, cumprida e excedida:
Ema Stoned (São Paulo/SP) - Gema (EP)

Disco Emo:
Audible, do Footbal, Etc (Houston, Texas, EUA)
Apesar de muita coisa boa vou ficar com Audible do Footbal, etc. porque essa banda é linda. Mas certamente tiveram muitos e muitos releases emos muito bons!

Melhor post do Cabeça Tédio em 2013 :
Costumo sempre preferir o último que eu leio haha, sempre o mais recente é o meu favorito. O último que eu li aqui foi o post falando do filme The Punk Singer, escrito nessa forma de conversa pela Carla e Puni. Poxa, porque diabos não baixei ainda esse filme?
Leia Resenha do documentário que fala sobre Kathleen Hanna: The Punk Singer 

Zine que veio pelos correios, que me amarrei muito: 
Pauta Lixo #2 editado pelo Nandolfo
O assunto me interessa e ver alguém escrevendo impressões sobre o pop punk é muito bom! além da entrevista muito boa com a Parasol! Enfim, queria uma dessas todo mês hehe.
Leia a resenha do Pauta Lixo #2

Zine tesouro:
A ética do tesão na pós modernidade #1 editado pela Gabilovelove6.
Achei esse zine sem querer na casa de uma amiga e achei simplesmente sinistro de bom. Me lembro ter arrepiado quando terminei de ler. A entrevista que a Carla fez com ela no blog, também vale muito a pena ser conferida!
Leia o zine e leia a entrevista com Gabilovelove6
Surpresa em forma de clipe: 
Videos rivaiverianos feitos pelo Kevin (Clipes do RVIVR)

Começo de show mais maneiro:
Parte Cinza (Rio de Janeiro/RJ) tocando a música "Ela também"



Lista do Nandolfo:

Melhor banda de 2013:
Parasol (Boston, MA) - Essa banda me fez gostar de pop punk de um jeito muito bom. Me fez ver um punk além das letras e discursos de bandas, no "ser quem sou fazendo a minha música" uma política mais forte que qualquer panfleto ou conversa atravessada. E não só por isso. Começou 2013 com as boas vozes de um 7" lançado no finalzinho do ano anterior, chamado Scoot Over, com um apaixonante split com a banda Prank War, lançado em Fevereiro e pra fechar nos dez minutos finais do ano, um full cassete coisa-finíssima que saiu agorinha, com as músicas mais viciantes do mundo, com os riffs mais fortes e convidativos, com lançamento em vinil previsto pra janeiro. Além da música boa, a pessoal da banda esteve envolvida em organização de festivais e coletivos durante todo ano, fazendo da Parasol a melhor banda de 2013, ever!
Ouça Parasol

Melhor disco de 2013: 
Betterment (Caves - Bristol, UK) - Caves teria meu voto de melhor banda fácil, fácil.. mas como só posso escolher uma, vou bater palmas pro disco da Caves lançado esse ano, o Betterment. A voz da Lou Hanman continua forte, presente e linda, mas eu senti esse disco bem mais denso, como se o disco rodasse na vitrola de um jeito lento, difícil.. e é isso que faz esse 12" ser tão bom, desvia um pouco do ritmo do disco anterior, "Homeward Bound" (que pra mim é o melhor de todos), retira uns vícios dele que tanto gosto, é a trio pop punk de Bristol lapidada, polida e emoldurada. Pode parecer contraditório o que estou escrevendo, mas é a real. Betterment é o melhor disco de 2013 porque traz a Caves no melhor nível, e aí acho que não tem pra ninguém, hein.
Ouça Betterment

Melhor post do Cabeça Tédio em 2013 :
Bandas do coração: Lemuria - Ahh, esse post.. Não tem como não gostar dele, Mama te leva pra outro mundo falando dessa banda. Ele escreve de forma apaixonante e isso torna a banda também apaixonante. O post é cheio de informações, ele comenta sobre as músicas e discos preferidos e como não ser os nossos preferidos também, né. E sem falar que Lemuria encanta, é uma daquelas bandas que se você não pirou na primeira ouvida, vale muito a pena ouvir de novo, mais tarde, com calma.  O que mais gosto são as referências, como "desenhos animados" e "sofá da casa da vovó". Mama, é covardia!! Mas ele sabe muito bem do que está falando.

Música favorita do ano: 
I'm Not Sorry - Caves (Bristol, UK)  

Melhor banda nova: 
All Dogs (Columbus, OH)

Melhor blog feminista: 

Melhor cantora:

Carlee Hendrix, da banda You Me & Us.
Veja um vídeo deles


Música que mais escutei em 2013:
"Had Enough" - RVIVR (Olympia, WA)

Banda gringa para ver em 2014:

Hysterics (Olympia, WA) 

Banda nacional pra ver em 2014:
The Renegades of Punk (Aracaju, SE) 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Resoluções de fim de ano e obrigada [2]

Tá na hora do blábláblá





No calendário, 2013 está quase ficando para trás. Esse é o segundo ano que fazemos um post de resoluções do Cabeça Tédio, e acho que isso serve principalmente pra quem está envolvidx fazendo o blog. Rever o que fizemos, o que gostaríamos de ter feito, etc e tal.

Em 2012, também fizemos um post de resoluções, e nele falávamos dos planos do próximo ano, este que está quase acabando. Disse que queria um novo header pro blog. Até tínhamos uma colega super talentosa para fazer, mas não me movimentei muito em relação a isso e ficamos com o header purpurinado mesmo.

Esse ano conseguimos tirar várias ideias da gaveta, como ter uma certa frequência nos posts das Mixtapes. A TV Tédio não foi muito ativa, mas também não era algo urgente.

Até agora nós publicamos 99 posts esse ano. Pra mim é bastante. Porque um post não envolve apenas a atualização. Envolve tratamento de imagens, que devem ser escolhidas, ter ideia do texto e escreve-lo, esperar todxs poderem escrever, revisar, tentar sair do lugar comum. Não que tenhamos feito isso em todos os posts, mas acho que em alguns, sim.

Esse ano nós continuamos com a Coluna do Mama, escrita pelo Marcelo, que além de tocar no Doppelgangers e no E a Terra Nunca me Pareceu Tão Distante e fazer muitas outras coisas, escreveu posts que eu li animadíssima, e que me deixaram bem satisfeita por poder publica-las.

Como dizem por aí, "o bom filho à casa torna", e esse ano um outro amigo meu - afinal de contas, quem tem carne pra gastar se envolvendo em projetos com gente que não é amigx? - voltou com sua coluna no blog. Estou falando do Fernado Nandolfo, que nos idos de antigamente dividia os posts comigo. Ele ficou um tempo off, e esse ano retornou com a Coluna do Nandolfo, e entrevistou o Eekum Seekum, falou sobre música, teatro e as intermitências de se sentir e não sentir parte do punk.

Acho que a melhor coisa de se fazer coisas com amigos é a troca de ideias a respeito, e as outras coisas que conhecemos no processo. Por isso, eu gostaria de agradecer o Mama e o Nandolfo por estarem por perto. Ah, e obrigada a quem ajudou a fazer mixtapes, a quem colaborou com arte para elas, a quem escreveu guest post e claro, a quem lê o blog e aproveita alguma coisa daqui.

Ah, ainda, tivemos a contribuição da Anna Grrrl, com o Dia da Anna Grrrl, com seus desenhos simples e objetivos e que são a sensação do tumblr.

As boas coisas

Uma das coisas que mais gostei,foi ter falado mais sobre Pop Punk aqui no blog. Se antes eu queria guardar as minhas bandas só pra mim, como boa possessiva e viciada em certos tipos de música, esse ano consegui falar sobre isso chamando o Nandolfo e o Mama, e aí nasceu o 9 motivos para ouvir Pop Punk e a Mixtape Pop Punk, que acho que foi a mixtape que o povo mais gostou, pelo menos, foi a que mais comentaram comigo.

Claro que os posts sobre Sleater Kinney enxeram meus olhos. Como foi bom poder desembuchar todas as opiniões e viagens sobre elas, algumas vezes escrevendo com o  Mama, e outras sozinha. E ficar muito tempo procurando fotos velhas e improváveis e tendo outras ideias para posts que ainda não saíram do papel.

Ainda, o Mama trouxe muitas coisas legais pro blog. Tanto coisas inerentes a escrita dele e ao jeito dele, quanto as bandas que ele resolveu falar e as traduções que ele resolveu fazer. Um post que guardo com carinho é a resenha do primeiro show de volta do Polara, que além de falar sobre o som, ele falou sobre sexismo no punk e também no emo. Algo que eu considerava urgente e ele soube retratar de um jeito bem massa.

Esse ano falamos pouco sobre zines, mas adorei ter escrito o post sobre a editora Mend My Press Dress. Foi com tanta, ou mais, empolgação que eu traduzi o texto que fala da visita de Sophie Rae à New York University, local que guarda a Riot Grrrl Colection. No texto, ela fala principalmente sobre o zine I (heart) Amy Carter, zine dos anos 1990, feito pela Tammy Rae Carland. Acho que a única resenha de zine que postamos esse ano foi a do Pauta Lixo, zine do Nandolfo.

Outra coisa que me deixou satisfeita foi ter conseguido traduzir algumas coisas que queria já traduzir para o blog, como o Manifesto Riot Grrrl, e a carta aberta que fala sobre o abuso sexual que Beth sofreu, cometido pelo vocalista do Casualties, esse traduzido em parceira com várias garotas dahora.

Rolaram alguns guest posts esse ano que foram bacanas, como o do Ígor Patrocínio, sobre o Dia da Consciência Negra. E posts com álbuns que acho bacanas e que talvez não sejam tão fáceis de encontrar por aí, como a VA - Move To Villa Villakula.

Outra postagem que achei bacana, e que pode rolar mais vezes, foi a 5 bandas para ouvir, pogar e dançar já, que traz três bandas brasileiras de garotas e duas bandas que tem brasileiras mas que tocam na gringa.

E como esquecer dos vários posts sobre arte feminista que fizemos esse ano? Um assunto riquíssimo, quem estou aprendendo aos poucos, e que busquei abordar suas intermitências aqui no blog. O assunto rendeu tanto que aproveitei e fiz uma trabalho para a faculdade sobre mulheres artistas, e inclusive postei o resultado do trabalho aqui.

No primeiro semestre desenvolvi o programa Rockn'Roll Radio, como um trabalho da faculdade. O resultado foram 10 programas de uma hora cada, que deram um belo trabalho para serem feitos. Valeu cada minuto, e além de ter aprendido muito, pude aproveitar para falar sobre o que falo no Cabeça Tédio em outra mídia. Para quem quiser conferir, os podcasts são disponibilizados no blog do programa.

Posso estar esquecendo outros posts e outros projetos, mas acho que por hora, para terminar este ano, isso basta. Obrigada a quem tá sempre aqui por perto, e um bom 2014.