sexta-feira, 27 de março de 2015

É pra pogar: mixtape#14: Grrrl Power II

Colagem: Laíza Ferreira

Tem coisas que não mudam. Quando ouço um "tupá tupá" torto e uma voz gritada me sinto em casa e quando vejo já estou simulando um pogo. Quando esse "tupá tupá" racha macho então, aí a não tem preço. A mixtape#14: Grrrl Power II vem para nos lembrar - porque é gostoso, necessário e digno - que "uma mulher sem um homem é como um peixe sem bicicleta".

Uma vez que isso faz sentido para nós, acho que acontece um empoderamento forte (pelo menos foi assim comigo). E quando isso acontece, é muito mais fácil - e os laços se tornam mais fortes - quando você se engaja em construir comunidade com outras mulheres. Há alguns anos é assim para mim, e mesmo sendo poucas as vezes que consigo viver isso, é intenso demais. Por isso, os atos do 8 de março, os festivais feministas e a cultura feminista são fortes para mim.

E como estamos falando sobre empoderamento no mês da mulher, nada melhor do que celebrar as minas do punk-hardcore feminista.


Tracklist Mixtape 14: Grrrl Power II

01. Pagu Funk - A Missão Vai ser Cumprida
02. Kaos Klitoriano - Antipatriarca
03. Hitch Lizard - Girl Pride
04. Las Otras - Las Otras
05. Rape Revenge - More Mosh Less Macho
06. Bikini Kill - Don't Need You
07. Bulimia - Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado
08. Dominatrix - Die Die

Mixtape 14: Grrrl Power II - Download


domingo, 22 de março de 2015

Double Dare Ya: ser quem você deseja ser

Ilustração: Bruna Morgan



A palavra de ordem de março no Cabeça Tédio é empoderamento. Mas, o que isso significa? Segundo a Escola Aberta de Feminismo, o conceito está ligado à auto-estima no sentido que confere um orgulho de si, uma sensação de “poder fazer” (como indica seu próprio nome, do inglês power) e está, por tanto, indissoluvelmente unido ao nível de auto-estima pessoal. A professora da UFBA, Cecíla Sardenberg acrescenta que "o empoderamento de mulheres, é o processo da conquista da autonomia, da auto-determinanação". Por isso, implica libertação das mulheres das amarras da opressão de gênero, da opressão patriarcal.

Como outros conceitos, esse é difícil de se colocar em prática, pois nos confrontamos com anos de construção social, inseguranças e representações diversas sobre o que é ser mulher. Por isso, muito provavelmente, cada uma de nós teremos diferentes formas de nos empoderarmos, diferentes motivações e limitações. Mas o empoderamento é uma estratégia de sobrevivência, por isso no mês de luta da mulher, estamos falando sobre ele a partir de diversos ângulos. Isso porque é compartilhando e conversando a respeito que nós podemos acumular mais experiências a crescermos juntas.

Representatividade

Imagem compartilhada em março no Facebook, infelizmente não sei o nome da menina

Empoderamento tem tudo a ver com representatividade, pois quanto mais sua autoestima está elevada, se desenvolvendo, mais você é confiante para ser quem você é. Você acaba inspirando outras mulheres a fazer o mesmo, e assim, mostra para todxs outras formas de ser e resistir.

O empoderamento é crucial, de vital importância, para as mulheres negras. Quantas mulheres negras são amplamente celebradas por conquistas no âmbito social, intelectual, cultural e em tantos outros? E quantas mulheres negras latinoamericanas? Quantas são protagonistas de filmes, ganham o Oscar, são reitoras de universidades, são cientistas, engenheiras, escritoras, pintoras?

Quantas mulheres negras ocupam espaços de poder? Quantas se sentem representadas pelos meios de comunicação de massa?A representatividade de mulheres negras empoderadas nos meios de comunicação é o caminho para que as meninas e mulheres negras se sintam integradas e celebradas na cultura pop e na sociedade. A imagem acima diz isso tudo por si só, né?


Double Dare Ya


Para ser quem nós desejamos ser, nós precisamos nos desafiar duplamente e foi isso que eu aprendi sobre empoderamento. E o meu primeiro contato com esse assunto foi com a música "Double Dare Ya", a sétima música de Revolution Girl Style Now. A icônica primeira demo do Bikini Kill, que foi lançada em cassete em 1991.



Foi a primeira vez que uma música me convocou com tanta força e intensidade a olhar para dentro de mim mesma e me disse para me transformar no que eu sabia que eu era ou no que eu poderia ser. Isso é algo forte para quem aprendeu que ser comportada, bonita e submissa eram os valores que faziam uma garota, que caracterizavam "uma boa garota" - seja lá o que isso for. E ouvir isso de uma garota que estava aos berros numa banda punk, é empoderador demais!

A partir daí, sigo tentando sempre fazer uma "revolução no estilo das garotas". Isso me faz sentir capaz de ocupar espaços hostis, de rachar machos, de desconstruir a ideia de competição entre mulheres, de ser melhor e etc. Não é fácil praticar o empoderamento, e em alguns dias parece que meu empoderamento foi tirar férias, mas insistimos, né?

Por: Anna CrimeWave

Uma das melhores coisas que entendi, foi que posso me esforçar e tentar empoderar outras mulheres. Falar as qualidades dela, lembrá-la o quanto ela é forte, inteligente e destruidora me faz bem, assim como conhecer mais garotas que praticam a empatia entre si. Apoiar outras mulheres é o ensinamento básico do feminismo, e quando fazemos isso fortalecemos uma rede de empoderamento entre mulheres.


Foi com o Riot Grrrl que tive meu primeiro contato com o empoderamento, e certamente foi lá que me  empoderei. Não só "Double Dare Ya" me ensinou, mas muitas outras músicas também. O que consigo tirar de "Grrrl Power" das músicas é uma das motivações para seguir e me fazer forte. Isso é um pedaço da minha história e cada uma vai ter a sua maneira de se empoderar. Por isso, se você ainda está se encontrando nesse assunto, é importante você buscar o que funciona para você, e seguir firme no caminho do auto cuidado e do autoconhecimento. E nunca esqueçamos o que Beth Ditto já nos ensinou "não saia com pessoas que te façam sentir menos do que maravilhosx".

domingo, 15 de março de 2015

para amar: shows antigos de Sleater Kinney



Aos poucos dou continuidade aos posts que celebram o Dia Internacional da Mulher. E hoje, selecionamos três vídeos de Sleater Kinney, dois antigos e um novo. Como disse no primeiro post, os nossos posts de março vão ser pautados em celebrar o dia de luta das mulheres, o empoderamento e claro, a música feminista.

Quem é sleaterkinneyhead pode aproveitar 1h45 desse show ao vivo em Nova Iorque de 2006, quando a banda ainda não tinha entrado em hiato.


A amizade de Sleater Kinney e Helium, banda da Mary Timony que já tocou com Carrie Brownstein no The Spells e Wild Flag é antiga e você confere nesse show de 1998.



E para fechar bem, a NPR disponibilizou um show completo desse ano de Sleater Kinney no 9:30 Clube, em Washington.

terça-feira, 3 de março de 2015

Mixtape #13: Grrrl Power I

Lauryn Diva Hill


Finalmente março chegou, e com ele - me arrisco dizer -, que o dia mais importante da agenda feminista: o Dia Internacional da Mulher. Esse ano nós vamos tratar o tema a partir do empoderamento: músicas,  textos e entrevistas vão falar sobre esse difícil, porém necessário, ato. Por isso, durante esse mês que também rola meu aniversauro nós vamos falar mais sobre empoderamento.

E para começarmos muitíssimo bem, vai rolar a primeira Mixtape #13: Grrrl Power I, que tem como principal característica celebrar a música empoderada e a força das mulheres negras. Pode espiar, só tem diva na mixtape. No tópico estilo de som, rola o peso e a batida do rap e do hip hop, mas não somente. É a primeira vez que me arrisco a fazer uma playlist com principalmente hip hop e rap, e foi bem legal porque durante o processo conheci mais sons fodas. E claro, mais do que o estilo de som, o que me pautou foram as letras das músicas. As professoras do Tarja Preta dão uma aula de história em "Falsa Abolição" num clipe pesadíssimo:



Yzalú se emociona e a nós também em "Mulheres Negras", que com a leveza do violão não deixa de ser combativa e mostrar os efeitos do racismo e da colonização.
A minha letra preferida é de "Antiga Poesia", da brasiliense Ellen Oléria. Quando eu penso na música que remete à revolução feminista, às combativas, às mulheres negras, as que se empoderam em outras mulheres e celebram o amor e a amizade entre mulheres não penso em Riot Grrrl. Penso nessa música, que meche comigo como poucas outras. O peso da minha língua, a força da voz dela, as mulheres que mostraram um novo caminho e resistiram: estão nessa música. Salve, Ellen Oléria! Com esse som permanecemos vivas.


Tracklist: Grrrl Power I

01. Jill Scott - Womanifesto
02. Tarja Preta - Falsa Abolição
03. Lauryn Hill - Doo wop (that thing)
04. Queen Latifa ft. Monie Love - Ladie's First
05. India Aire - Video
06. Tina Turner “What’s Love Got to Do With It
07. Izalú - Mulheres Negras
08. Nina Simone - I Got Life
09. Ellen Oléria - Antiga Poesia




Mixtape#13: Grrrl Power I - Download 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Carta aberta ao Festival Roque Pense aponta presença de banda com integrante acusado de machismo e misoginia


O Cabeça Tédio, e eu, Carla Duarte, assinamos também a carta aberta que questiona a presença da banda Cretina no Festival Roque Pense. A banda tem um integrante acusado de machismo e misoginia e o festival privilegia bandas feministas e de mulheres. Denúncias não são exageros e a abertura de diálogos é fundamental. Todo apoio, suporte e força a sobrevivente.





Acionadores: machismo, misoginia, sobreviventes de situação de assédio e abuso























Não é de hoje que recai sobre a vítima o ônus de contar, recontar, confirmar e comprovar as agressões, ameaças e silenciamentos sofridos. O que se esperar de uma sociedade machista que culpabiliza a vítima e relativiza agressões? O que esperar dos mecanismos que sustentam e operam o patriarcado a não ser descrédito e indiferença? Porém, é neste cenário que a luta feminista se dá. No meio cultural essa batalha também se trava. Para cada mulher que empunha um instrumento ou um microfone, escreve uma letra, sobe ao palco ou produz um evento, milhares e milhares de situações de assédio, constrangimentos e relações de poder já foram reproduzidas. 

Ser mulher no meio musical é desafiar assédios e sexismos. É confrontar o machismo e lutar para que os espaços e oportunidades sejam abertos às mulheres. E é também exigir que os espaços sejam seguros. Que não reproduzam a norma opressora de desacreditar a vítima e seu relato, mas que antes de tudo, garanta que nenhum opressor será acobertado ou confortavelmente aceito. Se a arte e a cultura são ferramentas potentes para a propagação de ideias, cada projeto que se reivindica feminista se compromete a preservar o espaço e a fala da mulher. Se compromete a empoderá-la e fortalecê-la. Mas para isso se dar verdadeiramente é necessário romper diretamente com o machismo e todas as formas de opressão do patriarcado.

Diante disso tudo é que questionamos ao Festival Roque Pense e sua organização sobre a presença da banda Cretina, que entre seus integrantes possui um homem com graves acusações de machismo e misoginia. O festival acontece na Baixada Fluminense durante os dias que antecedem o Dia da Mulher e é famoso por receber inscrições de bandas de meninas de todos os lugares do Brasil, interessadas em fazer valer a promessa de um festival com música e intervenções culturais feministas! 

Temos certeza que muitas bandas talentosas e criativas e que verdadeiramente se engajam no combate ao machismo e no empoderamento feminino terão se inscrito e poderão ocupar o espaço que lhes é de direito. Numa sociedade machista, onde todos os lugares são acessíveis a machistas, chega a parecer provocativo que um machista tente não apenas transitar livremente, mas subir ao palco para mandar sua mensagem. Nós mulheres oprimidas uma vida inteira, nos recusamos a assistir a tudo isso como meras expectadoras e exigimos assim uma posição efetiva.

Se o lema deste ano é "‪#‎violênciaeunãosouobrigada"‬ reafirmamos que ‪#‎machistaseunãosouobrigada‬. 

Assinam esta carta
Coletiva Raiotagë
xereca
Belicosa
Vivá
Catilinárias
Teenage Micha
Tailor
Los Borges
Coletiva Leila Diniz
Bah Lutz
Canetão nosso de cada dia
Isabella Haru
Genice Silva
Cruz Eduardo
Marcela Valverde
Ana Luiza Marciano
Nathalia Sodré
Noélly Augustinho
Bonnie Misdemeanor
Rosario Amarante
Sofia Paiva
Beatriz Lopes
Cabeça Tédio

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Assista o primeiro show de Babes in Toyland após 13 anos de hiato

Trio anunciou show no Reino Unido


Foto: Billy Briggs/the Current

No dia 12 de fevereiro o bar Pappy and Harriet's, em Palm Springs, foi o palco do primeiro show de Babes in Toyland. Após 13 anos de hiato, Kat Bjelland, Maureen Herman e Lori Barbero fizeram um show de 50 minutos e tocaram clássicos como "Bruise Violet" e "He's My Thing" não faltaram. Mas, até agora o trio ainda não falou sobre uma volta permanente ou novos discos. A capacidade do bar era de 224 pessoas, 224 pessoas sortudas que viram que anos e anos depois elas continuam sendo fodonas.
 




"Jungle Train"




"He's My Thing"




"Bluebell"




"Oh Yeah"




"Spit to See the Shine"




"Bruise Violet"




"Right Now"




"Swamp Pussy"




"Won't Tell"




"Drivin"




"Ariel"




"Handsome & Gretel"




"Sweet '69"

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

"A New Wave", música do novo álbum de Sleater Kinney, tem clipe lançado

O vídeo foi realizado em parceria com os animadores do seriado Bob's Burguers



Sleater Kinney está na ativa e elas são destruidoras mesmo, viu viado? O clipe de "A New Wave", do álbum lançado em janeiro, No Cities To Love, foi lançado hoje. A produção é uma parceria com os animadores do seriado Bob's Burguers e mostra Janet, Carrie e Corin tocando no quarto da Tina Belcher. E olha, ficou muito do coração!





Depois dessa, só tenho uma coisa pra dizer: