quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

V é de Vulva: lembranças do Vulva la Vida II


V é de Vulva
lembranças da segunda edição do Festival Vulva La Vida


Carla Duarte

“Could I turn this place all upside down
And shake you and your fossils out?
Oh Oh”

(this is a review of Vulva la Vida festival 2012. my memories about it and in english check out here/ siga o vulva la vida no tumblr)

Se hoje fosse dia 24 de janeiro eu estaria tomando banho para sair da Pituba e ir pro Vale do Caneca para começar a ajudar a organizar as salas da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal da Bahia (UFBA), que logo menos receberia garotxs, mulheres, feministas, sapxs, bruxas, bicicleteirxs, queers, cats, punks e veganxs que participaram do Festival Vulva La Vida (FVLV) 2012.

Pois é, faz um mês que o festival aconteceu, e para algumas ainda reverbera no cotidiano. Um misto de preguiça, cólicas e correrias me impediram de escrever esta resenha/relato antes. Mas cá estou eu, e adianto que não consegui participar de todas as oficinas, por isso os comentários de algumas oficinas serão mais breves do que de outras. E é claro que esta escritura não tem o objetivo de ser um tratado, uma resenha jornalística “imparcial” ou uma versão integral dos acontecimentos. É a minha lembrança, a minha visão, que estou dividindo com vocês. E sabe qual é do lado positivo de ser ter um blog? É poder escrever o quanto quiser – escrevi pouco – sem ter um mestre sabido lendo tudo e cortando o que você escreve (ironia), vulgo editor.

Dito isso, voltemos ao dia 24 de janeiro, a terça-feira que iniciou o FVLV. A primeira oficina do dia foi a de Introdução aos Estudos Feministas, facilitada por Íris Nery e Carla Oliveira. A oficina/aula que era aberta para todxs - reuniu na sala de aula mais de 60 pessoas. Como dizem em Salvador essa era uma oficina “aperta a mente” (pressão, pressão!) que tratou das ondas do Feminismo, de teóricas de épocas diferentes e de movimentos liderados por mulheres de diferentes áreas de militância.


Foto: Carla Duarte

Na sequência, Carla Cristina dos Santos facilitou a oficina Mulheres negras: (re)ssignificando identidades: rap e poesia para falar sobre si mesma através da arte, que eu não participei, mas a Íris participou e conta como foi.

"Carla trouxe pra oficina uma série de referências de mulheres negras tanto da poesia como da música, como uma forma de conferir visibilidade à essa produção (politicamente invisibilizada) que desafia os cânones racistas que historicamente conferem à mulher negra o lugar do objeto (e nunca sujeito).



Durante a oficina me lembrei muito do texto da Audre Lorde“Transformando o silêncio em linguagem e ação”, e foi nessa vibe que as letras e poesias foram lidas/representadas/ proclamadas pelas participantes da oficina, num movimento de ressignificação e tomada da palavra, que se tornava então viva e poderosa." 
Leitura de poesias na oficina
De noite rolou o acolhimento, momento em que todxs tiveram para construir o acordo de convivência, que foi escrito e afixado na parede, visível e claro para xs participantes do festival. Consenso e consentimento, usar a linguagem de acordo com o gênero da pessoa (e não presumir gênero alheio) e manutenção do espaço foram os principais tópicos presentes no acordo.

Fala daqui, fala de lá


”Can I decide to show myself? Oh Oh
Take me to the source of chaos let me be the butterfly”

O dia 25, quarta feira, tinha na programação várias oficinas interessantes que me marcaram bastante, começando pela manhã com a conversa Anti Opressão, facilitada por Caro. Um zine feito à mão foi distribuído, e nele estavam listadas várias ações e falas que são opressivas. Foi uma oficina que mostrou que este assunto não é uma discussão para uma tarde ou para um dia. Não é com cinquenta minutos que alguém começa a atentar para xs outrxs que estão ao redor, não é mesmo. Acho que essa discussão deve ser absorvida e incorporada as nossas práticas diárias, porque nós não queremos ser opressorxs e violentxs com amigxs, namoradxs, familiares e com todas as pessoas que lidamos no dia a dia, né? Eu imagino que nós não queremos ser opressorxs, se nos dizemos feministas e interessadas em nos fortalecer e nos apoiar sendo solidárias umxs com xs outrxs.
"Mas me dizer para não usar uma linguagem racista, sexista e não é TAMBÉM opressivo?
Ah meu deus. NÃO!" | Por Kara Passey

*Ableist segundo a wikipedia é um tipo de discriminação corpórea, seja por habilidade motora e/ou física. Não achei tradução do termo em português. Se alguém souber, compartilha conosco.

Por volta das 13h nós almoçamos as maravilindas quentinhas feita pela Rango Vegan. Não é necessário dizer que qualquer uma que for a Salvador e não comer na Rango é bocó e ta dando mole, né?

Um pouco depois das 14h Sista Kátia e Camila Puni estavam a postos para facilitar a oficina O cabelo é feminista, e simultaneamente, na sala ao lado, Bete, Flávia e Bianca Chizzolini (Tesourinha) facilitavam a oficina Agulhas, linhas e bordados: feministas construindo suas corpas. Não consegui participar da oficina de Bordados, mas a Ellen Vieira participou e registrou, ó

Foto: Ellen Vieira

Foto: Ellen Vieira

Foto: Ellen Vieira

Foto: Ellen Vieira

 Participei da oficina de cabelo, onde uma aproximação histórica e física com o assunto foi sugerido. Porque não temos o hábito de cortar o próprio cabelo? Porque não dar a ele novos significados que saiam do socialmente do espectro de gênero esperado e desejável? Porque nos é ensinado que o cabelo crespo não é bom? Esses foram alguns dos assuntos que foram discutidos na oficina. Kátia levou vários tecidos e fez turbantes nas meninas, e Puni, que é cabeleireira levou seus apetrechos e propôs a prática: ela cortaria cabelos e ensinaria outras garotxs a cortarem seus próprios cabelos. A oficina saiu da sala de aula para  espaço de convivência, no corredor, onde várias garotas ficaram por lá cortando e sendo cortadas. 
Luciana teve o cabelo cortado! | Foto: Cara Duarte
DiValéria cortou a franja
Lá pelas 17h rolou a oficina mais carioca do festival soteropolitano. Débora Schluckebier e Gabriela Marques facilitaram e oficina Funk, feminismo e subversão. As letras e o local de fala da mulher nas letras de funk foram discutidas, bem como quais são as funkeiras que a sua própria maneira estão fazendo música e respondendo ao machismo. Como o melhor fica guardado pro final, as mina pira e fazem um funk, que pode ser ouvido aqui!

Acabou que a exibição de filmes não rolou, mesmo com as televisões lá. Acho que foi o trânsito de oficinas, atrasos e vontades de continuar em algum assunto. E outras oficinas que não estavam na programação divulgada no blog do VLV, pois foram construídas e sugeridas dentro do próprio festival aconteceram. Achei demais essas oficinas terem rolado, não só pela construção coletiva e horizontal, mas também pelos temas fodas que surgiram, como Tecnologia, WenDo  e Saúde Subversiva.

A encontrADA vai rolar em Visconde de Mauá (RJ), mais infos em breve!
               
            A quinta feira, dia 26, começou e logo pela manhã rolou a Oficina sobre feminismo negro: conversando sobre negritude>raça>racismo encontram feminismo (vs) sexismo (lembrando que: “a palavra é afiada e contamina”), facilitada pela Tatiana Nascimento e Luiza Rocha. Com uma dinâmica própria a oficina trouxe diversas situações racistas para o debate. Não só expor a existência desses casos foi também discutido como reagir quando eles acontecem e como cada experiência é única, seja ela de racismo, seja como enxergamos nossa própria cor e como construímos nossa identidade.
             
            Na sequencia Lina Alves facilitou a Conversa e oficina de anti-arte feminista faça você mesma, que teve seu momento teórico – com obra de diversas artistas feministas – e seu momento prático – cortando stencils e pensando uma intervenção urbana, que ficou fera demaaaaaais. Olha:

"Até você, mãe? Virou feminista! | Even you, mother turn out as a feminist!" | Foto: Martha Gonzalez

Não participei da oficina de bateria (perderia outras que estava muito pilhada), mas Íris participou ó:

"Eu nunca havia sentado numa bateria na minha vida, até então. Vez por outra, já tinha passado esporadicamente pelo violâo, baixo, guitarra… mas a bateria parece ser o último reduto masculino no rock, envolta em mitos envolvendo força física, virilidade, né? Isso foi até eu participar da oficina ministrada por Fernanda Terra, na segunda edição do Vulva la Vida.


Depois de uma breve explicação sobre baquetas, postura, rudimento e partitura, lembro das carinhas hesitantes na hora de pôr em prática os ensinamentos daquela tarde. As vezes, há situações práticas que dispensam mil discursos… acho que esse momento foi um deles. Com simplicidade, Fernanda conseguiu tornar aquelas partituras, impressas nas apostilas distribuidas, em algo inteligível até às mais leigas (como eu!). Não dava pra conter as palmas e sorrisos a cada vez que uma de nós levantava da bateria. Guardo com carinho as lembranças daquela minha primeira vez (de muitas, espero) e a minha cópia da apostila!"



                A quinta foi fechada com mais uma oficina da Tatiana Nascimento, dessa vez foi a oficina feminista de produção de textos, onde Tate teve o apóio da Patrícia Valério, Bianca  Chizzolini e Luiza Rocha. Cangas coloridas espalhadas pelo chão da sala e a sorte de um ar condicionado funcionando refrescava o ambiente.

"Não se esqueçam de ler o texto e trazer sua cartinha : )" O texto é Falando em línguas: uma carta às mulheres escritoras do terceiro mundo, da Gloria Anzaldua, para quem ficou curiosa 
             A minha experiência foi a de uma oficina muito subjetiva e particular, e isso amplificava toda a dinâmica. Acho que cada uma quando puder deve experienciar. Estórias, relatos e diárias foram contadas e recontadas pelxs participantes, que após a leitura coletiva ora davam boas risadas ora ficavam mais caladas. Essa tela feia de Word que imita uma folha nunca vai ter a beleza das cadernetas que nós ganhamos.

Dia 27 chegou e com isso uma sexta-feira, em que eu aguardava pela primeira oficina do dia: Oficina sobre construções e a vivência de seus efeitos. Uma proposta bacana e que exigia (pelo menos de mim) coragem e vontade de dividir experiências pessoais. Para uns isso é mais indolor e fácil do que para outras e às vezes no meio do caminho a gente decide não mais participar, e isso não é ruim. Lembra da oficina anti opressão?

As facilitadoras da maior lista de espera de oficina, A verdade crua do corpo nu, acabaram desistindo de realizá-la. Para a última oficina do dia, a de Consenso sexual entre lésbicas não participei.

Esse ano rolou o Correio Elegante, que não rolou ano passado. Ora, não estamos mortas nem nada, demonstrar e receber carinho entre azamigue foi o que rolou. Sem contar que, modéstia a parte, a caixa ficou lhinda! ;)

Girl Hate? Not here. 
E a sexta também foi dia de aquecimento: o momento de bater a cabela e andar pelas ruelas do Rio Vermelho foi interrompido bruscamente. Violência praticada por mulheres contra mulheres não é algo raro, tão pouco a confusão entre o que é público e privado. Adicione a essa horrorosa receita um montão de opressão e machismo. Não vou discorrer sobre os pormenores do caso para não expor a agredida. Houve reação na hora e posterior, apesar dos pesares. Mas acho que é vivendo que percebemos e conseguimos apoiar umxs xs outrxs de forma efetiva. A organização do VLV fez uma nota pública, leia!

Panfleto distribuído no sábado

4PROPRI8+QUEENG projeto de experimentação sonora/visual na qual são misturados os ruídos com imagens e desenhos que exploram a temática feminista. Por: Vanessa Michelis e Lina Alves | Foto: Priscila Lima 


Roberta Nascimenta na performance Estética da ViaCrucis | Foto: Priscila Lima
Lisavietra Dias na performance Calçolas



O sábado, dia 28, começou com a oficina Maria da Penha em casos de Lesbofobia, facilitada pela Tatiana Nascimento. A atividade tinha mais de cinqüenta inscritas e foi uma das oficinas mais vazias. É foda ver o não comprometimento de tantas pessoas. A lei – que é citada até em letra de funk (aprendi isso na oficina de funk, ho ho ) – é a primeira que reconhece na constituição relacionamentos afetivos não heterossexuais. Talvez essa característica não seja de conhecimento de todas porque a mídia e as campanhas realizadas para falar sobre a lei não pontuam isso.

A próxima atividade do dia era a da Mabel Dias, na Roda de diálogo Sem pátria, sem marido, sem patrão: a luta das feministas autônomas e das anarquistas ontem e hoje. A oficina, porém, foi adiada pelos debates sobre como reagir ao caso de violência da noite anterior, e infelizmente a oficina não aconteceu. Já a Oficina de montagem de palco,  facilitada pela Vanessa Michelis de som rolou e foram as garotas que participaram que cuidaram da correria de organizar o som das bandas, no show que rolaria mais tarde. 
Oficina de Montagem | Foto: Sista Kátia
Os shows foram demais e cada banda relembrou alguma clássica feminista dos anos 90-00, seja com Bulimia (todaspoga) ou com Santa Claus (todasdança). Tive mais uma vez a chance de ver aquela força feminista swingada que é a Munegrale. Hip hop feminista soteropolitano que só quem fica paradx é punk tímidx ou quem é bocó. Vi pela primeira vez a Estamira e Macumba Love, dois shows fodas e cheio de energia – um do \m/ e outro dos acordes noventistas a lá Veruca Salt. Tocaram também Sapamá (RS), Bertha Lutz (MG), Mahara (BA) e Reabilitação S/A (BA) e Jadsa Castro (BA), com um voz e violão foda.


Jadsa Castro | Foto: Priscila Lima




Munegrale | Foto: Priscila Lima


Mahara  | Foto: Priscila Lima 

Sapamá (Porto Alegre)  Foto: Priscila Lima 

Bertha Lutz (Belo Horizonte) | Foto: Priscila Lima


Estamira (DF) \M/ 





O temido último dia de festival chegou, e com ele uma porção de comidas gostosas: da feijoada da Rango Vegan aos Cupcakes Tomboy – feitos na oficina de Martha Gonzales - um monte de conversa e trocas. O adeus foi postergado e levou todxs a praia do Porto da Barra de noite. Algumas ficaram, outras foram.

Martha  fazendo os cupcakes o___o | Foto: Sista Kátia


Siiim, tava muito bom! | Foto: Sista Kátia

E a Kátia aprova também ;) 
Se a primeira edição do vulva foi marcada por debates e perceber o que era/seria esse festival, em 2012 ele ficou mais denso, colorido, peludo e participativo. Isso me parece positivo, e nos mostra que temos sim que nos articular, convesar e olhar uma para as outras para enfrentar situações inesperadas, até de violência, e reagir. Há boatos que em 2013 você terá a chance de ir para Salvador e participar do festival. Se isso é tá mal hein.. 
Foto do último dia pós feijoada e despedidas! Veja mais fotos aqui 

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Resenha do festival Vulva la Vida 2012

Hehe, brincadeirinha gentchy. O título do post era só pra chamar atenção. Hoje não vai ter resenha nesse post, mas no próximo, sim. Andei sumida daqui, e não postei muita coisa sobre o Vulva la Vida 2012. Mas para quem visitou o blog a procura disso já adianto que fui, que vou resenhar, postar fotas e todas aquelas coisas pensando em quem não foi, e pensando em nossa herstória também.

Em breve (eu espero) novas entrevistas e mais coisas novas.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Maria Sogna Tutte Le Notti #4

Começou a chover aqui no meu Sul Fluminense, e isso me desanima a sair e resolver as coisas de trabalho que preciso. Ao invés disso farei algo muito mais legal do que Assessoria de Comunicação, vou falar um pouquinho sobre dois zines (de papel!) que li nesses últimos tempos.

Vamos começar pelo mais antigo: Maria Sogna Tutte le Notti, zine escrito pela Daniele Salles - antes do Maria ela escrevia o Paraphernalia, que nunca cheguei a ler, mas já ouvi falar bastante - está na sua quarta edição. Acho que tenho todas e as disponibilizo para download no 4shared. Mas vamos lá, essa quarta edição é temático, e fala sobre menstruação. Além de falar sobre como a menstruação se tornou um tabu e como foi apropriada pela indústria farmacêutica, Dani, no zine, lista várias ervas e funções, seja para fazer o sangue descer ou para regular o ciclo.

Ela ainda resenha o zine gringo Menstruator Extraordinaire, e comenta sobre os mitos que enolvem o assunto, como não poder tomar friagem ou lavar a cabeça. Ah, e a capa é demais! Nunca tinha visto aquela imagem antes.. mas não vou contar o que é, quem quiser baixae!
Ah sim, o zine é em pdf e tem 16 páginas. Ou seja, você pode imprimir e emprestar ;) (ou mandar por email, se você não curtir zine de papel)

O outro zine que recebi - dessa vez pelo correio - foi o Cinisca. Ele foi escrito pela Rafaela Fontoura e Laiza Ferreira, e vem láááá de Belém. Colagens criativas e fodonas  preenchem o zine de ponta a ponta, que teve contribuições – pelo que percebi, só de garotas* – tanto de textos como de colagens. Inclusive, as meninas me chamaram e eu contribuí com uma resenha EMOcionada sobre o Ladyfest Brasil 2010. Tem um texto sobre menstruação, a Elaine Campos escreveu sobre a reação das feministas a fala misógina daquele imbecil do CQC. O zine teve seu aspecto gráfico super levado em conta e cuidado, então para de dizer que em 2012 não tem zine, que ninguém mais xeroca, e que é coisa do passado: escreve pra elas e pega um Cinisca, ou vai e faz seu próprio zine.

*Quando ressalto que o zine foi todo feito por garotas não quero dizer que caras não devem ajudar. Muito pelo contrário. Quero dizer que em 2012 é algo a se pontuar porque a quantidade de zines de papel é baixa, principalmente se ele foi todo feito por garotas. É que, afinal de contas, não existem muitas garotas produzindo coisas. Ultimamente tenho conhecido mais, mas ainda é pouco. A sujeira do punk é para tod@s.

Deixei em casa a resenha do Emancipar, um zine lindo lindo de São Paulo. Quem mandou fazer resenha no caderno, né? Depois vou digitar, ou escanear, e falar dele um pouco. Vou sim, porque o que elas tão fazendo é foda!


Para quem está estranhando essa postagem com um monte de texto, sem vídeo e foto e sem falar sobre bandas: há muito tempo atrás, quando esse blog foi criado, ele era apenas uma extensão do zine que eu escrevia, o True Lies. Esse zine morreu, mas eu sempre fui zineira, e mantive o blog falando sobre música e sobre os zines que faço - Histérica - ou leio. Aliás, se você faz zine e quiser mandar o seu (não só pela resenha, mas para fazer troca de material), deixa um comentário ae.

Seguindo o espírito de zineira eu convidei a Danielle Sales para ser colunista aqui no blog. A coluna dela é aperiódica, e nem eu mesma sei quando será a primeira postagem. Mas fica a dica para quem acompanha esta bodega!

domingo, 1 de janeiro de 2012

(quase um ano atrás) Men lança seu primeiro álbum, Talk About Body

Em fevereiro do ano passado - vá, não faz tanto tempo assim... - o MEN, projeto liderado pela Le Tigre JD Samson lançava seu primeiro álbum, Talk About Body. Fui conhecer o projeto não faz muito tempo, meses depois da passagem da banda pelo Brasil. Nessa entrevista ela fala, inclusive, a respeito do que ela conhece do Brasil (Bonde do Role e Cansei de Ser Sexy) e da produção do Talk About Body. Tem tipo assim fááárias pessoas envolvidas e tocando, e o projeto existe desde 2007, mas só quatro anos depois foi ter seu primeiro álbum lançado.

Foto por Allison Michael Orenstein, retirada do myspace



Sinceramente ainda não ouvi o álbum inteiro, mas pelo que ouvi é aquele som dançante. Como ouvi pouco deixo para vocês definirem as músicas melhor e falarem como é nos comentários. E já rolam alguns clipes de algumas músicas, como de Off our Backs. Esse video delxs tocando um dos singles do disco, Who Am I To Feel So Free no Circo Voador é massa. Aliás, a própria Who Am I tem clipe também.



Download - Men - Talk About Body
Capa do primeiro álbum da banda



Então, me deram uma idéia de lançar uma lista do blog comentando os discos de 2011 que mais chamaram a atenção e tal. Até queria fazer isso,  e tenho outras idéias para colocar em prática no blog. Por menos que eu o atualize, ainda assim penso em várias coisas pra colocar aqui.. acho que tá na hora de pensar menos e fazer mais, né? Rs. Aos poucos vamos fazendo. Ah é, e tem um "novo ano" chegando né. Que seja bom.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

VA - Riot Grrrl is Not Dead nº01

Quase um mês sem postar aqui, mas não abandonei. O titulo do post é o nome de uma coletânea organizada pelo Riot Grrrl Berlim, lançada dia 19 de dezembro, e traz mais de 50 bandas de garotas que estão na ativa, de várias partes do mundo. Cada banda participa da coletânea com uma música.

Arte: Jenny Eckermann

Na coleta Riot Grrrl is not Dead, representando o Brasil há o Dominatrix, que participou com a música 'Die die'. Segundo a postagem delas no tumblr é do Brasil também Marina Faé feat. Cine Mad in Chaos que toca a música Another Room, que não conheço. O mais foda dessa coletêna é conhecer uma pá de banda nova de vários cantos do mundo, como Ex-Best Friends da Alemanha, Gretel's Revenge da Itália, Dead by Pregnancy de Portugal, passando pelo The Mullettes do México, Hissyfit da Nova Zelândia,  Squab dos Estados Unidos  e Seahags do Canada. Para que quiser ajudar a divulgar pelo facebook!

Pra baixar no rapidshare e no torrent.

For english and deutsch translation read here! 



CONVOCATÓRIA PARA V/A - RIOT GRRRL IS NOT DEAD Nº 2

Elas já estão se organizando para fazer a VA - Riot Grrrl is Not Dead nº2, que já tem deadline: 15 de fevereiro de 2012. Bandas que quiserem participar tem que ter pelo menos 50% de garotas tocando instrumentos. Se liguem: vocês devem enviar UMA música da sua banda para riotgrrrlberlin@gmail.com, junto com as seguintes informações:

Nome da banda, uma música da banda, seu país de origem e dois links da banda (pode ser do myspace, facebook..). Você só pode enviar música da sua própria banda. Se achar que a banda da amigue tem a ver com a compilação fala pra amigue mandar.

Segundo as informações que elas divulgaram, não importa o estilo da música, se é profissional ou não (e elas aceitam covers) mas é claro que não será aceito conteúdo sexista, homo/transfóbico, racista e todas essas merdas (não sei porque ainda me dou o trabalho de listar).

A Riot Grrrl Berlim não está procurando, para a compilação, bandas compostas por homens CIS* (pessoa que tem a identidade de gênero em concordancia com seu aparato genital onde seu comportamento reflete o que é socialmente aceitável) com uma garota no vocal. Elas querem bandas/projeto onde as mulheres/garotas toquem os instrumentos!

La Chatte (SP) tocando no Todasqueer (to devendo postagem sobre esse evento lhindo), exemplo de banda que NÃO É composta por homens CIS com garota no vocal

Ainda, elas aceitam contribuição da capa/arte para a nova compilação. E sabe o mais legal? Elas vão organizar essa compilação a cada dois meses, então se você é mucho enrolado e perder o prazo pode se organizar e enviar seu material na sequencia. 


CALL FOR SUBMISSIONS FOR V/A RIOT GRRRL IS NOT DEAD Nº 2,ENGLISH AND DEUTSCH INFOS HERE.

* Se houver erro na definição me corrijam, por favor. Minha leitura sobre cisgênero está atrasada, errada e maluca.


quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Mixtape queer no Homoground

Já tem um tempo que o pessoal do Homoground publicou a Mix Tape de bandas Queers brasileiras organizada pela Discos e Afins. O set é composto por 10 bandas e 10 músicas, de algumas 'seminais', como Dominatrix, The Biggs e Anti-Corpos, e por mais novas, como Pushmongos e La Chatte. Posso estar errada, mas acho que a mix conta com quatro bandas que já não tocam mais, mostrando como é mínima a quantidade de bandas, pelo menos no meio punk/diy que conhecemos, que se identificam como queers/pro-queers.Ouça aqui!

Além das músicas, o pessoal da Discos adiantou um assunto, uma convocatória para a compilação de zines e discos queers, que em breve será lançada. Um dos objetivos é justamente encontrar bandas/pessoas que se identifiquem nisso. Como eu não me aguento, já to nessa com eles, e já animada em finalizar os detalhes para começar a divulgar.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

20 minutos de Renegades of Punk

No último final de semana rolou em Aracaju (SE) show com as bandas locais Maua, Alex Kid, Rótulo, The Renegades of Punk e Reffer, que aproveitou a ocasião para gravar cenas para o Dvd da banda. A Reffer, que desde 1995 toca seu hardcore melódico voltou recentemente, e com a promessa de lançar o Dvd.

O pessoal da Entorte foi e gravou essa beleza de vídeo, vinte minutos de show da Renegades em alta resolução. Quem curte a banda não pode deixar de conferir. Veja fotos do show aqui.



Se você como eu, das bandas de Aracaju, só conhece a Renegades tae uma boa oportunidade de procurar pelas outras, né. Esse lance de só ouvir bandas de Rio e São Paulo é dar bobeira e deixar de conhecer o que tá rolando nos outros eixos.


RENEGADES OF PUNK | grande parte do show | 23 out 2011 from Entorte Discos on Vimeo.