quarta-feira, 9 de julho de 2014

Ainda Não: zine de colagens sobre quando as coisas não saem como a gente espera



Texto e fotos: Carla Duarte

Frequentemente as coisas não saem como a gente espera: todo mundo sabe disso. Seja para o melhor ou para pior, para surpreender ou para confirmar algo que nossa intuição já dizia, os acontecimentos seguem sua lógica própria. 

Nesse semestre, muitas coisas não saíram como esperava. Várias vezes. Inúmeras. O que aconteceu? Além de ficar ligeiramente desapontada, aproveitei o caos para fazer um zine, o  Ainda Não. O nome é justamente sobre esse quase, quando falta pouco para rolar o que você quer. Mas.. ainda não.





O Ainda Não consiste em várias colagens e textos, e foi feito em um dia. O único dia livre antes de começar em um trabalho novo, daí um sentido muito próprio que esse zine tem. Foi uma experiência diferente, porque fazia muito tempo que não fazia um zine que fosse mais pessoal se pá, mimizento. Um zine sem entrevistas, sem falar diretamente sobre Riot Grrrl, feminismo, punk, enfim: temas que normalmente trato no Histérica.
Para quem quiser conhecer, o zine está disponível no Issuu.



  

sábado, 5 de julho de 2014

Três meses depois..



Finalmente escrevo o primeiro post em mais de três meses. Foram meses longos, de correria, de quase perder a cabeça. E agora, sentada aqui escrevendo, vejo como senti falta deste tempo meu: de dividir algo que gosto, de procurar imagens, gifs para contextualizar as coisas que queria falar. É bom poder estar aqui de novo.

Ficar inventando mixtapes e essas bobagens são essas coisas que deixam os meus dias ruins, melhores. E acho que no fim, por mais nerd e tosco que seja, essa é uma das formas mais legais deve ser legal demais, porque esse blog já tem mais de cinco anos.. que eu já encontrei de gastar o meu tempo. O que é bem pisciano né? Se fechar na própria realidade e achar isso ótimo. Ah, tinha sumido porque estava terminando a faculdade, e agora, só falta a colação e pronto.

Nesse meio tempo o Mama saiu andando de bicicleta pelo mundo e já voltou para o mundo dele. Nandolfo passa muito tempo sendo um pai muito legal, com sua família que é bonita mesmo. Bom, acho que já deu esse papo pessoal né? Em breve volto a postar por aqui. Se alguém tiver alguma sugestão de post ou quiser dizer outra coisa.. sempre dou uma olhada nos comentários.

domingo, 30 de março de 2014

Crabapple – “Café em partes iguais, sentimentos e pop”

Coluna do Nandolfo

Crabapple - Sean, Sandra, Christine e Jenna - Foto retirada do facebook da banda

Depois de muito tempo sem postar aqui no blog, consegui parar um pouco e escrever sobre essa banda que tenho ouvido muito ultimamente. Escrever sobre bandas é quase terapêutico pra quem gosta de música. E escrever sobre a Crabapple é um prazer enorme, porque ela faz parte de uma cena que mesmo eu não vivenciando, me aproximou demais de um punk, digamos, mais afirmativo.

Onde as coisas parecem ser vividas e não apenas escritas no encarte do disco. E é muito bom pensar que há coisas assim acontecendo e isso com certeza influencia na música, porque a quantidade de bandas boas que nascem desse meio é enorme. Sim, é difícil falar de algo que não vivemos, então eu me baseio no que sinto quando leio sobre, escuto as bandas, vejo vídeos de shows e principalmente quando leio a opinião de quem participa.

É nesse contexto e nesse clima que falo da Crabapple, uma banda da Bay Area e San José, California.
Formada em 2011, ela é composta por pessoas da Joyride!, Sourpath, No babies e Dear Marje
(só coisa linda, não tinha como não ser no mínimo muito bom). O som segue a linha pop punk,
às vezes com aquela energia que o pop punk carrega (na música "By your side"), às vezes mais lento que acompanha o vocal mais suave (a música "Is it you?" é perfeita pra ouvir isso).

Eu particularmente gosto muito de como o baixo entra nessa história, dita o ritmo de um jeito marcante. E o clima fim de tarde está ali, como a banda mesmo sugere, uma reunião entre amigs numa tarde de verão.
Você consegue perceber tudo isso na nova demo dels lançada no mês passado. Ouça aqui! A gravação saiu em k7, então se quiser o material físico é só escrever pra banda, rola de entregar por aqui.

Crabapple - Jenna e Sandra - Foto retirada do facebook da banda

Escrevi pra els pra tirar algumas dúvidas sobre a banda e acabei comentando sobre essa coisa de cena empoderadora, se els realmente sentem isso quando tocam ou apenas participam do que está rolando por lá. Como de costume, a simpatia das bandas amadas foi enorme:

Christine Tupou : "Eu sinto que você recebe o que você coloca, não só no punk, mas em coisas mais importantes na vida. Eu diria que a cena que nós fazemos parte, a nível local e nacional, é pessoalmente empoderadora porque eu sinto que tenho o apoio para ser eu mesma. Qualquer que sejam as falhas ou fraquezas, eu sinto que são mais fáceis de trabalhar através de uma cena em que tods nós apoiamos o crescimento de cada umx".

Sean Nieves: "Coisas como alienação e trauma parecem atrair as pessoas ao punk, em primeiro lugar, como jovens procurando um espaço para existir e crescer. No entanto, é tão fácil por existirem estruturas e dinâmicas de opressão que punks busquem escapar, em primeiro lugar, para aqueles que ainda existem na nossa comunidade. Isto é tão importante, para a nossa sobrevivência e para o nosso bem estar, criar um espaço para nós mesms e para proteger este espaço desafiador, não só externamente, mas também internamente e desaprendendo comportamentos insalubres e atitudes dentro de nós mesms".

Sandra Alayon: "Eu acho que foi muito importante para nós criar espaços para nós mesms e outras pessoas marginalizadas. Nossa música não é explicitamente política, mas tentamos participar de uma comunidade inclusiva e incentivar outras pessoas a ouvir música ou estar envolvidx de outras maneiras. Nós tods compartilhamos muito dos mesmos interesses, mas também somos muito diferentes em alguns aspectos e eu acho que isso é o que nos dá a nossa força. As novas experiências e lições que aprendemos umxs com xs outrxs criam essa comunidade que queremos fazer parte."

E ainda tiraram uma dúvida minha. Crabapple é realmente a fruta!

segunda-feira, 24 de março de 2014

música: The Spells

Carrie, oh, Carrie, oh Mary .. 


Wild Flag - Foto por Kevin

Existem timbres de guitarra que apenas algumas bandas que vieram do oeste dos Estados Unidos conseguem produzir. É isso o que os anos ouvindo as bandas de Carrie Brownstein me dizem, principalmente se percebemos as diferenças da guitarra do Sleater Kinney para outros projetos dela. Embora exista uma familiaridade, há também diferenças, mas há também similaridades.

Confuso? É que se no Sleater Kinney Brownstein tem uma jogada, no Wild Flag ela tem outra. Mas, não é sobre essas bandas que vamos falar hoje. É sobre o ano de1999, no qual foi lançado o álbum The Age of Backwards, do The Spells, pelo selo K Records. Acho que podemos considerar essa banda o óvulo do Wild Flag. Foi uma das primeiras bandas em que Carrie e Mary Timony (Helium, Autoclave) tocaram juntas.

A definição do The Spells para mim é soturno riot grrrl - que não nega o nome da banda "O feitiço". São guitarras dedilhadas, vocais cruzados e magia Carrimony. Se antigamente eu não ouvia muito as bandas de Mari Timony porque estava dando bobeira, hoje em dia posso me dizer que já me rendi à guitarra dela.

Anos depois do The Spells elas tocariam juntas no Wild Flag, e teriam algumas outras colaborações juntas. Há um tanto de Autoclave e Helium no The Spells, enquanto o Wild Flag é algo mais dançante e maduro, o The Spells é mais sequinho e curto.

The Spells tem apenas dois epzinhos, cada um com quatro músicas, e segundo Carrie, elas só fizeram um show. Bat vs Bird é o segundo registro, que foi lançado em 2008.Acho que ele só saiu via stream, não sei se teve versão física do álbum. Acontece que são oito canções indispensáveis para quem acompanha as duas guitarristas. Acho que o Bat vs Bird é fácil de achar, então, aproveitem enquanto o link que eu upei funciona. Indicamos: essa entrevista em que Timony e Brownstein se entrevistam e falam sobre o The Spells (em inglês).



The Age of Backwards Tracklist
01. The Age of Backwards
02. Octaves Apart
03. Number One Fan
04. Can't Explain

Download The Age of Backwards - Link



Bat vs Bird Tracklist
01. Antartica
02. Bat vs Bird
03. Champion Vampire
04. Viola

Download Bat vs Bird - Link

segunda-feira, 3 de março de 2014

Marcha das Vadias será realizada em Volta Redonda no dia 8 de março

Tema da manifestação é o fim da violência contra a mulher





No Dia Internacional da Mulher, 8 de março, será realizada em Volta Redonda a primeira Marcha das Vadias do município e do Sul Fluminense. Com o tema “Fim da violência contra a mulher”, a marcha visa discutir este tema com sociedade. A concentração será às 14h na Praça Brasil, na Vila Santa Cecília.

A Marcha das Vadias é um movimento internacional que surgiu em 2011 no Canadá, após uma série de estupros serem registrados na Universidade de Toronto. Na ocasião, um policial palestrava sobre a segurança no campus, e afirmou que “as mulheres devem evitar se vestir como vadias (sluts, no inglês original) para não serem vítimas de violência sexual”.

Desde então, a Marcha das Vadias (Slut Walk, em inglês) se posiciona contra a ideia de que as mulheres são responsáveis pela violência que sofrem. Uma das principais bandeiras da marcha é que nenhuma agressão sexual pode ser justificada em função da roupa, comportamento ou estilo de vida da pessoa que sofre a agressão. A manifestação acontece nos Estados Unidos, Argentina, Índia, Austrália, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro e em outros estados do país.

Segundo o Dossiê Mulher de 2013 - documento publicado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) que apresenta informações sobre a violência contra a mulher no estado do Rio de Janeiro - o número de mulheres vítimas de estupro e de lesão corporal dolosa sobressaiu em Volta Redonda.

Ainda, o Dossiê Mulher aponta que a delegacia de Volta Redonda, 93ª DP, registrou as seguintes ocorrências contra a mulher em 2012: 768 casos de lesão corporal dolosa, 1.019 casos de ameaça, 69 casos de estupro, seis casos de tentativa de estupro, quatro homicídios dolosos e sete tentativas de homicídio.

Porque o termo "vadia" assusta mais do que os números de violência contra a mulher?

A organização da marcha considera que a ideia do nome é questionar quais são os argumentos que serão usados para tentar humilhar e desacreditar as mulheres se elas assumirem esta identidade de "vadia".

- O nome da marcha é uma ironia. Na nossa sociedade nós somos chamadas de “vadias” todas as vezes que decidimos algo por nós mesmas. Por exemplo, se uma mulher decide ter relação com mais de uma pessoa ela é chamada de vadia. Mas, se ela nega ter relações com alguém que insiste muito, também é chamada de vadia. Se alguém mexe com uma mulher na rua e ela responde, ela é chamada de vadia. Por isso, de um jeito ou de outro, somos todas vadias em algum momento – argumenta.

A Marcha das Vadias de Volta Redonda é organizada horizontalmente e espontaneamente por diferentes mulheres, e não possui uma porta voz ou líder. A manifestação já foi previamente discutida com as autoridades competentes do município.

Os 69 casos de estupro registrados e a realidade demonstrada pelos números do Dossiê Mulher é uma das motivações para a realização da marcha, e as participantes convidam a todas e todos que querem construir uma realidade sem violência para participarem.


Quer conhecer mais sobre a MDV-VR?
Leia o zine da Marcha, que será distribuído no dia 8 de março.


Serviço Marcha das Vadias de Volta Redonda
Data: 8/03/14
Hora: 14h
Concentração: Praça Brasil (ao lado do Mercado Popular), Vila Santa Cecília.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

lançamento: Zine e Coletânea Histérica


Depois de muito, muito tempo.. 

Finalmente a terceira/derradeira edição do zine Histérica está pronta! Por isso neste mês eu não consegui atualizar o Cabeça Tédio, porque estava fazendo as colagens e diagramação do zine.

Rolou entrevista com RVIVR e Carolina Pfister, diretora do documentário Viva Viva. Além das entrevistas, rolam colagens de Laíza Ferreira e Íris Nery, um texto sobre a exigência social do amor próprio, escrito por mim, outro sobre o poder do clítoris, escrito por Camila Puni. Ainda, há um texto que faz considerações feministas sobre a série Grey's Anatomy, escrito por Julie Oliva. 

A capa e contracapa é da Kate Wadkins, organizadora do International Girl Gang Underground (IGGU). São 22 páginas de zine, com todas as colagens e diagramação feita a mão.  

Além do zine, lançamos também a Coletânea Histérica, que traz nove bandas brasileiras contraculturais feministas/com garotas, como, Dança da Vingança,Sapamá, Rulespat, Vítima, Projetil Paralelo, She Hoos Go, Sub-Traídas e Manger Cadavre.

Só o zine $6. Coletânea $2.
Quer? Escreve para carladuarteee@gmail.com
Flyer: Lovelove6 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dois eventos feministas em janeiro

Falë será realizado no Rio de Janeiro e Vale Histeria em São José dos Campos




Punks feministas, bruxas, zineiras, peludas e lindas em geral já podem anotar na agenda - ou no aplicativo apropriado - que janeiro mal começou e dois eventos feministas serão realizados, um no Rio de Janeiro e o outro em São José dos Campos, interior de São Paulo.

O Falë - Festival de Artes Livres Raiotäge - organizado pelo coletivo carioca Raiotäge, será realizado no dia 18 de janeiro no Centro do Rio de Janeiro. Um dos principais objetivos do evento é discutir a invisibilidade das mulheres e pessoas Trans*, além de criar um espaço para mulheres e trans* (conforme é colocado na descrição do evento) possam desenvolver suas potencialidades. 

O evento começa de tarde, com oficina de zine, na sequencia rola exposição de Michelle Oliveira e Lizz Marino. De noite rola o show com LuvBugs (RJ), Benária (RJ), Belicosa e Ive Seixas (Resende/RJ).


Ive Seixas é a vocalista da Ricto, e nesse show ela levará seu projeto experimental solo, o Andorinha Só, no qual ela continua tocando músicas autorais, diferentes da Ricto, pois estas são influenciadas por MPB e são todas acústicas. 

O LuvBugs é uma dupla que faz um som lo-fizado e o Benária é um power trio especialista em punk rock. Se não estou enganada, este é o primeiro show do ano da banda. Rango vegan, bebidas e banquinha com materiais independentes vão rolar durante o evento.




Já no dia 25 de janeiro, em São José dos Campos, rola o primeiro Vale Histeria. Trata-se de um encontro faça você mesmax feminista apenas para lésbicas e mulheres - sejam elas cis ou trans - veja o teaser do evento aqui. No Vale Histeria também rola rango vegan e banquinha de zines, a organização do evento inclusive encoraja a todxs que levem seus materiais. 

É importante e necessário que homens cisgênero respeitam a política do evento - que não tem como foco eles - e não participem das atividades. Segundo a página do evento apenas o show é aberto para homens cis.

Uma coisa importante do evento é elas abrirem espaço para mulheres que são mães ao convida-las e informa-las que há espaço para as crianças, inclusive para elas pintarem, brincarem e ainda rola projeção de vídeos.

Durante o evento rolam duas exposições: Varal de Poesia Preta, de Formiga, "Não Calarás" por Tomate e fotografias de Natasha Mota. E ao longo das apresentações rola live painting com Leen Vandal, que vai grafitar durante os shows. 

Os shows começam a partir das 20h, e tocam, Daman (São José dos Campos), RTF  – “Reconoce Tu Fortaleza” (Argentina), Meire D'origem e Convidadas (São José dos Campos) e AtaFalha (São José dos Campos), banda nova que ainda não tem som disponibilizado na interweb, mas trata-se de um projeto feminista de rock instrumental com um tanto de poesia.


Programação:

13h – Bate-papo inicial com Coletiva Feminista Radical Manas Chicas 

15h – Oficina de saúda da mulher e lésbica + Oficina de Calendário Lunar


“A saúde é subversiva porque não dá lucro à ninguém" (Sonia Hirsch)
Conhecer nossos corpos e processos nos aproxima e ajuda a entender e ter mais autonomia sob nós mesmas. Nesta oficina-conversa vamos falar sobre alguns dos processos que acontecem em corpos biosociologicamente definidos como femininos: ciclos, menstruação, biopolitica, e demais cositas. Venha trocar experiências, aprendizados e conhecimentos!

Na oficina prática vamos confeccionar juntas abiosorventes de tecido, aprender algumas técnicas de alternativas menos invasivas e mais holísticas e sistêmicas para autocuidado.
Se possível, traga tesoura, linha/agulha, retalhos, papel, caneta

17h - Oficina de noções básicas de elétrica

Serão passadas noções básicas do sistema elétrico doméstico. Aprenderemos, na prática, a montar extensões, trocar resistência de chuveiro e fazer pequenos reparos gerais.
Quem puder trazer: fios de extensão, plugs de tomada, bocais para lâmpada, chave de fenda pequena.