domingo, 25 de janeiro de 2015

Leia, assista e ouça: "No Cities To Love", novo álbum de Sleater Kinney

#1stMustRead: dez links sobre a volta de Janet, Corin e Carrie



Foi lançado no dia 20 de janeiro, No Cities To Love, o oitavo full lenght de Sleater Kinney. O disco quebrou o hiato indefinido da banda, que durou quase (longos) dez anos. Já contamos que o álbum acabou vazando pela próprio gravadora, a Sub Pop. Falando nela, é possível comprar duas versões do álbum, sendo uma tradicional e a outra deluxe. Com o novo disco, não ganhamos só incríveis músicas novas, mas toda sorte de fotos, vídeos, entrevistas e beleza das nossas lindeusas. Para você que não conseguiu acompanhar as boas coisas da divina trindade durante a semana, nós indicamos o que ler, ouvir e assistir para ficar muito bem servida de Sleater Kinney.

1. É possível ouvir o stream do álbum no canal do Youtube da Sub Pop
Mas lá é faixa a faixa e ninguém quer isso. Por isso, esse serumano disponibilizou o álbum completo para uma perfeita audição online!



2. Gentes famosas cantam No Cities To Love
Dias antes do lançamento do álbum, alguns amigos da banda cantaram a música que dá nome ao álbum e
NINGUÉM SAI! Ellen Page de cabelo curtinho lacrando! E J Mascis, Sarah Silverman, Fred Armisen, Miranda July, etc, etc. Repetindo: Ellen Page bofinha lacrando.



3. Carla, tem vídeo ao vivo delas?
Tem sim, flor. Veja o primeiro, delas tocando A New Wave no David Letterman.



4. O vocal poderoso da Corin? Vai bem, obrigada!
Quer ver? Confira um vídeo do trio tocando Suface Envy no Conan Show.



5. Se você viu os vídeos, viu que Katie Harkin agora faz parte da banda
Ela é a nova integrante para tours e shows de divulgação do novo álbum. Não, ela não toca baixo e sim guitarra, teclado e meia lua (ou algo parecido com isso) e faz parte também do Sky Larkin. Ouça um som deles e saiba mais sobre ela.

6. Quem fez o download do álbum via Sub Pop tem acesso a duas músicas extras (e que são maravilhosas, claro)
São elas a roqueira The Fog and Filthy Air e a tesuda Heavy When I Need It. Ouça!!

7. Para quem ouve em inglês, pfvr ouça essa entrevista ótima que a NPR fez com o melior trio punk do mundo. 

8. Se alguém falar que No Cities é um "álbum de reunião" ou qualquer outra bobagem sobre elas, pode tá esclarecendo que "Não é um reunião, é uma continuação".
É o que afirmou Carrie Brownstein para a Billboard. Isso porque "Sleater Kinney é um mecanismo que existe fora de nós três. Existe uma inevitabilidade nisso. É algo que nós podemos falar juntas e não podemos falar separadamente". É muita amorisadade e criatividade entre mulheres mesmo. Leia a entrevista, que é ótima.

9.Abbi Jacobson e Ilana Glazer, atrizes da série Broad City, entrevistaram SK. Tem o vídeo e também esse link com comentários sobre a entrevista. 

10. JAQUETAS. JA-QUE-TAS!!
As responsáveis por essas jaquetas que estão te dando inveja e vontade de sei lá o que são Kemal & Karla e esse é o Instagram pra seguir @kemalandkarla.



sábado, 10 de janeiro de 2015

bandas do coração: The Frumpies

Desculpem a podreira, essa é a minha primeira colagem no Photoshop - Carla

Guest post por Luan  

Conheci a Frumpies através de outra banda maravilinda: a Bikini Kill, que por sua vez, conheci através do Nirvana e toda aquela história: Kurt amigo das minas riot de Seattle, Kathleen Hanna pixa o quarto dele e a pixação vira o hit dos anos 1990 "Smells Like Teen Spirit". Mas só muitos anos depois que fui de fato pegar pra ouvir Bikini Kill e várias outras bandas fodas que eu nunca tinha ouvido falar até então. E daí lá foi minha vida entortar com todas as bandas riot e pop punk (e não mais por punk de macho).

Para mim a Frumpies é uma preciosidade caótica, foi uma banda que literalmente veio pra confundir e desconstruir, e mandavam muito bem. Faziam as gravações no porão da casa dos pais da Tobi com gravadores portáteis, tinham quatro guitarras (isso aí mesmo que você leu!) na banda, nunca teve baixo e o som delas era simplesmente o caos em forma de música. Algumas guitarras eram sempre com MUITA distorção, enquanto outras quase não tinham distorção alguma, aí no meio desse caos sinfônico de distorção, imagine cinco pessoas dentro de um porão com 4 guitarras ligadas. 

O resultado é um emaranhado de microfonia! Mas elas não ligavam pra microfonia, o negócio era fazer barulho mesmo, então entravam os vocais da Tobi e Kathi, às vezes juntas, às vezes separadas, ora berrando, ora cantando belamente. Nada soava planejado ou devidamente ensaiado no som delas e acho que é isso que da todo o charme. Não da pra explicar o que o som delxs me desperta, mas até hoje é a banda que mais tenho gosto em ouvir, talvez justamente por esse tom badernista da banda, enfim, o caos! Aliás, outra banda super caótica da mesma leva que já foi falada aqui e que coincidentemente já excursionou junto com a Frumpies, é a Huggy Bear, na Coluna do Mama.

To aqui contando tudo isso pra contextualizar um pouco e também porque eu sempre fui um nerd de música, daqueles que faz árvore genealógica das bandas que curte e sai caçando bandas e projetos paralelos dos integrantes e foi assim que conheci a The Frumpies. A junção de duas bandas fodas e promissoras do Riot Grrrl, Bikini Kill e Bratmobile, deu origem a monstrinha de 5 cabeças, aka The Frumpies.

A banda surgiu como uma forma de desconstruir o skate punk da época. Todxs da banda curtiam skate, porém, não se encaixavam muito em nenhum “padrão de skatista”, e nem queriam isso. Assim nasceu o “Manifesto For The Nu SkateMovement”, escrito pela Michelle Mae e Tobi Vail. Publicado na Grand Royal Magazine, o texto basicamente jogava para o alto as “skate rules”, afinal, a regra (se é que ela existe) é simples e clara: se você quer andar de skate, ande! Ou como disse Tobi Vail no manifesto: “Make up your own rules! Skate creatively, skate to entertain, skate to challenge accepted skating norms, etc.”

Então, em 1992 a banda começou suas atividades em Olympia (Washington) e da bancada Bikini Kill trazia Kathi Wilcox, que assumia o vocal e guitarra (às vezes a bateria também), Tobi Vail, que também mandava nos vocais e guitarra e Billy Karren também na guitarra. Do Bratmobile vinha Molly Neuman na bateria e ainda tinha o reforço da Michelle Mae (Weird War, The Make-up) na guitarra. 


Disco a disco: Donna Dresch in da house


Elas lançaram três ep's em 1993, todos produzidos ou mixados pela Donna Dresch.  O primeiro, "Alien Summer Nights" é de longe meu preferido. Mostra logo de cara o que era a banda: punk do barulho! Tobi Vail canta em todas as músicas do lado A da bolachinha (faixa 1 a 4), enquanto a Kathi Wilcox canta da faixa 5 em diante. O que mais chama atenção nele são as guitarras (tirem um dia pra ouvir esse ep com o volume no talo e prestando atenção nas guitarras, uma experiência e tanto, garanto!) e a crueza e espontaneidade em geral do som. A impressão que me passa ao ouvir esse ep é de que simplesmente estou ouvindo alguma banda insana ensaiar em alguma garagem!

Outra coisa que chama atenção são as letras (a cara dos anos 1990), que falam sobre não se ter o que fazer, nem com quem andar na cidade onde vive e de não se encaixar em nada. Como na letra de “I Just Wanna Puke On The Stereo”:  “if only boring people are bored i guess i'm one of them, i want so much more from this thing than it could ever give, you're bored and i'm sick well i guess we've switched” e no segundo verso Tobi manda a ideia “i guess i'm not supposed to say these things in front of your friends, a girl could say a lot to you that you could never hear, i wanna puke on your stereo!”. E o ep segue nessa pegada descompromissada, raivosa e badernista que acho difícil não gostar. Uma característica massa da Frumpies é que a cada ep elas iam mudando um pouco o som, mas sempre com o elemento caos no meio.


Em seu segundo ep, “Tommy Slich”  - que traz uma bebê muita da fofa na capa -, a diferença no som é bem significativa. As músicas são mais melódicas, tudo ainda continua com requintes de crueza!  Sempre quando ouço-o, a primeira coisa que me vem à cabeça é uma festa lotada de gente esquisita e geral dançando estranho, mas tudo isso num cenário anos 1990 (sim, eu gosto bastante dos anos 1990 ^^). 

Ah, e é nesse ep que Michelle Mae faz sua estreia no vocal, cantando a primeira faixa, que dá nome a bolachinha. Tobi se encarrega dos vocais da baladinha do ep e quiçá, da música mais fofonística da história da banda: “Deliberate Indifference”. E pra fechar, elas nos brindam com “Fuck Yr. Frumpies”: “Michelle's so vengeful, kills people nearly everyday, have you forgotten, I'm the evil bitch no-one can slay, Kathi's a diva, Molly is a ballbreaker, Billy's a genius, no one can play tricks on us!Precisa falar mais alguma coisa?


“Babies And Bunnies” é o terceiro disco de 1993 – com sons que lembram bastante o primeiro ep e outros que lembram mais o segundo -  e o barulho volta a reinar novamente! Nesse ep acho que fica um pouco mais claro as diferenças das músicas cantadas por Kathi e Tobi. Enquanto as cantadas por Kathi prezam mais pela insanidade e a gritaria, como, “Weird Machine” e “She's A Real Cutie Pie”, Tobi é mais garageira e canta as outras 3 faixas do ep.

Safety First” é lançado em 1994, com uma sonoridade bem mais lo-fi que os anteriores. Essa foi a última gravação de Michelle Mae antes dela sair da banda para seguir como baixista do The Make-Up e alguns meses depois Frumpies decide parar as atividades.

Bye, Donna Dresch!


Já em 1996, com o fim da Bikini Kill e com o hiato da Bratmobile, The Frumpies decide se reunir e dois anos depois lança “Eunuch Nights”, seguindo a mesma pegada lo-fi do disco anterior, tanto no som quanto na gravação, que segundo as infos do encarte, as músicas foram gravadas em uma garagem e diversos banheiros de Olympia. Já sem Michelle e com “apenas” três guitarras, as músicas ficam um pouco mais lentas, mas ainda com o mesmo ar de baderna de sempre. 

Considero esse como o ep mais fácil de ouvir para quem tem ouvidos mais sensíveis à barulho e baderna, por ter músicas mais lentas e sem tanta microfonia. Outro detalhe são as letras, que mesmo com o passar do tempo elas ainda continuavam no mesmo clima “still weird in town”, o que me deixa feliz. Afinal, é bom saber que não estamos sozinhxs com esse sentimento. E esse foi o primeiro trabalho delas sem a assinatura da Donna Dresch nos créditos.

Em 1998, para compensar a falta de catálogo dos primeiros materiais, é lançado o “Frumpie One-Piece”, um cd com todo o material que elas haviam lançado até então.
Em 2000 é lançado o “Frumpies Forever”, último trabalho antes delas encerrarem as atividades novamente. Mas nada como uma viagem de despedida pra fechar o role e firmar a amizade, por isso, elas ainda fizeram um tour pela Itália! Esse é o mais garageiro de todos os trabalhos delas, com um som mais limpo do que os anteriores - mas gravado num porão, como sempre! - e pela primeira vez com Tobi e Kathi dividindo o vocal em quase todas as faixas!

 É um ótimo ep, com letras que falam basicamente sobre nostalgia, como em “We Don't Wanna Go Home” em que elas cantam “I remember better days when all my friends were here, we never did live in one place, this is what we used to say: we don’t wanna GO home, we don’t live anywhere” e completam com “Molly is in Oakland now and Kathi’s in DC, Bill lives in Olympia and Michelle is on TV”.



Falando em Michelle, ela não fazia mais parte da banda, mas ganhou a capa do ep (é ela a moça da foto da capa) e a mãe da Kathi também ajudou com um desenho no encarte. Umas fofas elas, né? Pra fechar o ep rola um cover mais do que inusitado do Rolling Stones, que claro, ficou muito melhor com elas do que na versão original dos múmias ingleses. Em dezembro foi meu aniversário e ganhei de presente a bolachinha “Frumpies Forever” e fiquei super feliz! Valew, Carla, valew, Mama! ^^

E é isso, não sei se falei demais, acho que sim, mas espero que tenham gostado, pois eu gostei de fazer o post e a essa altura até meus vizinhos já devem estar curtindo Frumpies de tanto que ouvi no repeat a discografia enquanto escrevia o post. Frumpies Forever! o/

Bom, eu sou o Luan, nerd punk e adorador de gatos;  fui convidado pela Carla pra escrever um guest post sobre o Frumpies e claro que topei na hora com um sorriso de orelha à orelha, afinal, elas são uma das minhas bandas favoritas (junto com a Bratmobile) da era 1990 Riot Grrrl! Faço o zine Desova e era vocalista do Isabella Superstar.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Mixtape#12: Melhores de 2014


Foto: Downtown Boys
Nada melhor do que começar o ano com uma nova mixtape! Foi a lista dos Melhores de 2014 que pautou a seleção da Mixtape #12: Melhores de 2014, que é justamente com as bandas da lista. Hardcore, lo-fizeira, eletropunk, pop punk: tem sons para todos os momentos na tracklist. Pode aumentar o som e chamar azamiga pra dançar!


Tracklist 

01. Hysterics - Outside In
02. Downtown Boys - Haz Algo
03. Trash No Star - How Are You
04. Fleabite - Maybe Call Me
05. MEN - Making Art
06. Sleater Kinney - Bury Our Friends
07. Lily Richeson - Fast or Slow
08. Parasol - At Bay
09. High Dive - Seventeen
10. Martha - Bubble In My Bloodstream
11. VYVYAN - That's Not The Way We Do Things Anymore

Mixtape #12: Melhores de 2014 - Download


sábado, 3 de janeiro de 2015

Retrospectiva: Melhores de 2014

Bandas, discos, clipes, banda revelação, melhor show: tudo girlcentric! 


Por Carla Duarte


Já passou da hora da nossa lista dos melhores de 2014! Eu e Nandolfo compartilhamos com vocês a nossa lista, que é o crème de la crême do que lemos, vimos e ouvimos, lançado no ano que passou. O formato da lista é igual a outra que fizemos: cada uma com suas categorias. O critério é o de sempre: produzido por mulheres (cis e trans), feminista, elegêbetêtêtê. Bora?! 









Melhor banda
Parasol (Boston, Massachusetts,EUA)

O álbum Not There, lançado em janeiro, me conquistou na primeira ouvida. Com um ritmo uniforme, o disco mantém a sonoridade da banda, com riffs abafados que se conectam com a bateria e dão espaço pros solinhos que casam com a voz da Lily harmonicamente. Quanto mais ouvi, mais gostei, e acho que deve ter sido o lançamento que mais ouvi no ano. Minha música preferida é "At Bay", a baladinha que toda vez que eu ouvia dava uma dançadinha. As músicas, o posicionamento político e as letras fofas: tudo me faz gostar desse álbum. Ouça já!



Melhor disco
"EP", High Dive (Bloomington, Indiana, EUA)


É uma das minhas bandas preferidas? Sim. Tem o Toby Foster? Sim. Se a Ginger Alford entrou para a banda nessa gravação? Com certeza. É por essas, e por outras já vou falar delas, que o EP lançado em setembro pela Yoyo Recs me ganhou. Além da Ginger (Good Luck), Richard Wehrenberg Jr também entrou para a banda, que deixou de ser um power trio para ter cinco pessoas. O grande diferencial do álbum é o vocal, que agora Toby compartilha com a Ginger, que também toca guitarra. A voz dela é foda, e deu muita vida para as músicas. Claro que esse disco não é ótimo por acaso, não dá para serem ruim músicas feitas por quem toca/va no Defiance, Ohio e Good Luck. Claro, os pianos do Richard também deram outra sonoridade, que nesse disco diminui a velocidade e a "crudeza" dos sons. O álbum tem apenas cinco canções, e Seventeen é a minha preferida por motivos de "And i am getting used to growing up / but i still believe in the same things that i did when i was seventeeeen". Cheia de amor, essa música descreveu onde me encontro e foi muito reconfortante nos dias em que as responsabilidades e o "crescer" pisaram na minha cabeça. Quando o que queria era voltar no tempo, só um pouquinho. Ouça o álbum e assista o clipe de Untouched.



Melhor clipe
Making Art, JD Samson & MEN (Nova Iorque, EUA)
Como eu sou punk, vou quebrar uma regra porque. Making Art, de JD Samson & MEN, foi lançado em outubro de 2013, mas recentemente não encontrei outro mais bacana que esse. Não é novidade que MEN lacra muito nos clipes. Um réptil maravilhoso que não sei o nome se souber me conta? é a primeira imagem, e no fundo JD canta "my friends are making art and i wanna", como quem mostra para a sua comunidade o quanto ela é incrível. Conceitual, o vídeo - que mostra o processo de construção de algo - me fez pensar em todas as minhas amigas que mudam o meu mundo com o que criam. A música é incrível e só reforça a qualidade da banda. Em 2013, foi lançado o último álbum do MEN, Labor.





Melhor show
Trash No Star no Mais Rock, Mais Bichos (show em Volta Redonda, banda do Rio de Janeiro)

Trash No Star é uma banda lo-fizeira, garageira, com sujeiras, distorções no talo e músicas curtas. O show delas foi tudo isso só que elevado até a décima potência. As músicas são fodas, o show tinha um clima ótimo, mas nada foi mais massa do que ver uma banda que toca com vontade e que está presente. Sem afetação, sem palhaçada e com muita simpatia. A cereja do bolo foi o cover de One More Our (Sleater Kinney) fiel à sonoridade da TNS, que destruiu tudo. Só sobrou muito suor e amor. Quando esse power trio do Rio de Janeiro tocar na sua cidade faça esse favor a você mesma: cole!
O último lançamento deles é "Stay Creep (No) Summer Hits", do ano passado. How are you?, Miss me e Misses Digger são as melhores (difícil escolher uma só).


Melhor vocalista
Stephie Crist (Hysterics)


Falo até umas horas de pop punk, mas meu coração bate forte, há anos, pelo hardcore punk. Foi assim que me meti nisso tudo, inclusive. Stephie Crist e seu vocal rasgado, gritadeiro e potente é bom desde sempre. Mas no EP Can't I Live? está ainda melhor, com seus gritos rasgados que embalam riffs, solos e deixam qualquer um com vontade de pogar. Lançado em 2014 pela M'Lady's Recs, não poderia deixar de falar do Hysterics, que representa as punks feministas no role hardcore punk. Please Sir é o som mais foda, e se ainda não ouviu, vemk.




Banda revelação
VYVYAN (Bloomington, Indiana, EUA)

Punk com pegadas pop, folk e uma pitadinha country. Um baixo que é uma lindeza e a pepita de ouro que é a voz da Garret Walters. Bastaram apenas quatro músicas para eu passar mal com VYVYAN, que é da terra em que banda boa parece ser uma regra. A sinceridade das letras junto com as músicas formam algo lindo demais. Queria ouvir um full lenght deles logo, mas enquanto isso não rola, a demo fica no repeat. Parece ser injusto dizer qual é a melhor música, mas a minha preferida é Saint Mary's River. Ouça!!




Zines de 2014 que recomendo
Bikini Kill, O Viés, XXX, Manzanna*, Ciborgue de Pele, Liturgia das Bruxas, Vênus e Gata Pirata


Bikini Kill, zine-homenagem com colagens e desenhos da Jessica Nakaema. Ela também faz O Viés, com Régis Bezerra. Esse é recheado de colagens fodas. Com cinco volumes de quadrinhos feitos por mulheres, impresso em gráfica e com qualidade profissa, indico o zine XXX, que marca o boom da cena dos fanzines de quadrinhos feito por minas. O zine de papel craft é da Manzanna, e tudo que li dela até hoje gostei bastante. Essa publicação tem  desenhos incríveis que retratam questões existenciais e misantrópicas. *O zine não tem nome, mas para identificá-lo citei o nome da autora.  Ciborgue de Pele, da Halina Gricha, é uma viagem pela saudade feita com a ajuda de Donna Haraway, que samba na cara da heteronormatividade. É cheio de coração. Liturgia das Bruxas e Vênus, são poderosos. A liturgia é uma profanação de sororidade, com desenhos em aquarela gatos demais. Vênus é sobre garotas que despertam a vontade de fazer coisas proibidas. Ambos feitos pela Desalineada (Aline Lemos), e você precisa comprá-los logo. O Gata Pirata, da Maiara Moreira, mistura desenhos e textos que falam sobre olhar para você mesma e se reconstruir. E sobre a importância da amizade entre mulheres nesse processo, é bem lindo. Não sei se ele é de 2014, mas entra para a lista mesmo assim. E se você me perguntar quais zines eu fiz em 2014 eu te digo: o Histérica #3 e o Ainda Não. E deixando um comentário você pode comprá-los ou fazemos uma troca.


Melhor música
Bury Our Friends (do álbum No Cities To Love, Sleater Kinney)
Essa foi a primeira música do Sleater Kinney divulgada após o hiato de 10 anos. Não preciso mais dizer porque é a melhor música, é apenas o primeiro som divulgado depois de uma década de não músicas de Janet, Corin e Carrie. Ouça, logo!!








Melhor banda 
Downtown Boys (Providence, Rohde Island) 

Quando ganhei a demo dels no meio do ano já tinha ouvido falar do entusiasmo em torno da banda. Afinal, é punk com saxsofone, né gente! Punk político e latino numa cena branca também política, mas que ainda parece ser separada. Shows fodas, interação público-banda, tudo aquilo que faz uma banda ser considerada a melhor do ano. E ainda não falei da Victoria Ruiz, vocalista da banda, que é encantadora e passa uma força enorme, pela vivência e pela forma como apresenta a banda. Há quem a considere a KH de hoje. Foda? Sim! E sim, é a melhor banda do ano, né! Ouça, ouça! 





Melhor disco
Courting Strong da banda Martha (Durham, UK)

É um disco de trajeto. O melhor disco de trajeto desse ano. Me acompanhou um semestre inteiro e assim consegui ouvir cada faixa como se deve. Tem balada, reefs poppunks, pianos na intro, tudo isso acompanhado de guitarrinhas sem distorção e vocais fodas da Naomi, JC, Daniel e Nathan (esses dois da ONSIND também). Esse é um disco que não perde o pique, músicas sobre amores queers, pessoal-político, um clima anarco e uma brisa pop daquelas que te faz sentir bem por ter uma relação mínima que seja com tudo isso. Disco ótimo pra ouvir numa viagem entre cidades, numa visita a uma amiga querida que te faz falta nos dias. Ouça aqui! 



Banda revelação
Fleabite (Boston, MA)
Gente, não é banda nova. Acho até que foi criada no final de 2013, por aí. Mas comecei a acompanhar com o lançamento da demo Over It, no primeiro semestre desse ano. Grunge, punk, pop, distorção e gatxs. Misturinha ótima, que me fez voltar a ouvir música com distorção nas alturas depois de ter abraçado as guitarras suaves.  A banda é de Boston e fazem parte a Chelsea, Ali (da Tomboy e Springsteen) e Vick (da Peeple Watchin e Parasol S2!!). Mas pelo que li a Vick saiu, por ter mudado de cidade. Enfim, melhor novidade pra mim que espero virar melhor banda. Ouça!! 




Melhor projeto solo
Lily Richeson 
(Boston, Massachusetts,EUA)
 
Passei um bom tempo da minha vida ouvindo música feita apenas com guitarra, voz e sentimento. É o tipo de música que explora mais que a sonoridade, notas e melodias. Eu aprendi muito de mim com a energia que a música feita com alma passa e sempre quando ouço o projeto solo da Lily Richeson me volto a mim e a uma parte da minha vida. Reverb, coração e o peso de uma vida estão aqui. Recomendo muito! Ouça.



Zine de 2014 que recomendo
Sentidos Transmutados em Textos (de Bianca Amorim, Serra, Espírito Santo, Brasil)


Esse ano passou com poucos zines por aqui, não consegui acompanhar um sequer, nem mesmo procurar por novos. Mas no finalzinho do ano recebi um que me encantou, muito por eu ter estado “por perto” enquanto estava sendo feito. Sentidos transmutados em textos é um zine de poemas/inquietações feito pela Bianca Amorim, no melhor estilo zine punk. Corta e cola muito bom, gosto do jeito como foram feitas as colagens. E ler as impressões que o mundo deixa nela me faz pensar nas minhas próprias, de uma forma bem amiga. Ela escreve de uma forma única, sempre digo que há uma identidade muito boa ali. Nunca acompanhei um zine nesse formato, mas não vejo a hora do número dois sair. Para saber um pouco mais é só escrever pra ela: sentidostransmutadosemtextos@hotmail.com 

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Resoluções e os 10 posts do CT mais lidos de 2014

Mais um ano ficou para trás, então é hora das resoluções e de analisar o que foi feito. Em 2014 o que mais chamou a atenção foi o número de postagens: atualizamos o site 17 vezes, e em 2013, foram 99 posts. Não é o ideal para nós, mas ao mesmo tempo, digo por mim e pelo Nandolfo que estamos satisfeitas. O número baixo de posts faz lembrar que dois mil e catarse levou dois colunistas (Mamá e Anna Grrrl), e isso diminuiu não só a quantidade, mas também a qualidade e diversidade de temas que tratamos aqui.

Esse blog infelizmente, há mais de quatro anos, é um projeto que fica no fim de uma lista de prioridades. Infelizmente porque a gente se amarra demais nisso e porque é um pedaço do que somos. Fernando é pai, trabalhador, maridex e ainda assim está por aqui. Ele "kept it real", punk e faça você mesma, e por isso eu agradeço (obrigada, Nandolfo!!).

Já eu, me formei. Dei tchau aos estágios e olar para as 44h semanais de trabalho, e foi fodido conciliar a vida cansaço, zines, estudos, família, tesão com o blog. Mas quem sabe esse ano isso tudo não flui melhor, né? E apesar disso tudo, nós estamos aqui e isso é foda! Para 2015, espero continuar espalhando o punk riot feminista pelas interwebs e o que rolar a mais no meio do caminho é lucro. Confira as resoluções de 2013.


 E uma forma massa de saber como foi o Cabeça Tédio para quem o lê, é ver os posts mais lidos. O assunto mais curtido foi música, com cinco posts que falavam a respeito; na sequencia, zines, arte e um post factual sobre dois eventos feministas. Isso foi o que os números do blogger apontaram, mas eu quero é saber de você: qual post (ou quais posts) que você mais gostou? E ainda:

Obrigada a você que leu, compartilhou, recomendou, trocou ideia conosco e fez o blog também :DDD 

Thanx everyone that read the blog and helped spread the word about it! ;)




10 - Ainda Não: zine de colagens sobre quando as coisas não saem como a gente espera
Post sobre o Ainda Não, último zine que fiz sozinha. Apenas colagens e está disponível no Issuu.

09 - Ana Luísa Flores: das galerias aos zines
#mulheresartistas: Matéria e entrevista com Ana Luísa Flores, artista, zineira, etc, etc.

08A volta do Sleater Kinney: No Cities To Love, novo disco, será lançado em janeiro de 2015
Eu apenas acho que esse deveria ser o post mais lido da história do blog. É a melhor notícia de 2014, de longe, sem dúvida.Vocês sabem que Sleater Kinney é um obsessão para mim e nós levamos assim a vida, muito bem #MeuSleaterKinneyMinhaVida.

07Mixtape#9: Mais Pop Punk
Em 2012 o Cabeça Tédio começou o movimento sensual, divo e urgente de falar do que salvou o punk pra mim e pro Nandolfo: o pop punk. Mas aqui, só falamos das bandas de garotas, queers e feministas porque é isso que o CT deseja ser: um antro de visibilidade de coisas feitas pelas minas.


06Crabapple – “Café em partes iguais, sentimentos e pop”
Coluna do Nandolfo sobre Crabapple, banda linda cheia de minas de bandas fodas. Pop Punk 4 The Win \o

05 - tá na hora da lista: Melhores de 2013
Carla, Nandolfo e Mamá listam os melhores discos, bandas, zines de 2013. Com tanta coisa boa, vale a pena ler e ouvir as bandas sempre.

04 - lançamento: zine e coletânea Histérica
Histérica é um zine punk feminista, feito por mim, Íris e Julie. Essa é a última edição que lançamos, junto com uma coletânea apenas de bandas de/com garotas e feministas.

03 - entrevista: Ive Seixas, a Andorinha Só
Ela largou a distorção e as guitarras e caiu no mundão com seu violão e canções que estão encantando uma pá de gente.

02 - Dois eventos feministas em janeiro
Queria muito uma segunda edição do Vale Histeria para me chafundar em feminismo autônomo, punk e rever azamigas que fiz no Vulva La Vida.

01 - Garota Siririca precisa do seu apoio para virar livro 
Nenhuma garota ficou surpresa, esse foi o post mais lido de todos! Por motivos de siri-rica, empoderamento e apoiar as minas. E ainda tem entrevista com a LL6 nesse post. E poxa, ela conseguiu os R$20 mil reais e o livro vai rolar!!

E um 2015 cheio das paradas ótimas procêis, grrrls ;)

domingo, 28 de dezembro de 2014

"No Cities To Love", novo álbum do Sleater Kinney, vazou pela Sub Pop

Acidente foi o maior presente de Natal para as fãs de Corin, Carrie e Janet


Vejo as mãos quase dadas de Corrie ^^


Um ~erro~ cometido pela Sub Pop, selo que vai lançar "No Cities To Love", novo álbum do Sleater Kinney, fez com que nós, sleaterheads, ouvíssemos o disco com três semanas de antecedência. O stream do álbum foi liberado para quem fez a pré-order do álbum no dia 22 de dezembro. A Sub Pop retirou o link do ar, mas a magia da internet já tinha sido feita: poucas horas depois já era possível baixar o disco, que será lançado oficialmente no dia 20 de janeiro.

Mais Wild Flag e menos The Woods, o álbum que é o primeiro lançamento da divina trindade em 10 anos já pode ser baixado amado. Não vou disponibilizar o link por se tratar de um lançamento que pode causar problemas por conta das leis de direito autoral dos EUA. Mas jogando "no cities to love zip" a magia já é feita. Se alguém tiver dificuldades deixa um comentário e vamos nos falando.

Billboard hearts Sleater Kinney

As senhoras são destruidoras mesmo, viu viado? Mais uma prova disso é que "Bury Our Friends", primeira música do novo álbum liberada em outubro, já entrou para a lista da Billboard como a melhor faixa alternativa/indie de 2014. É muito amor riot guêl.

A segunda canção liberada do No Cities, e que ainda não tínhamos falado sobre, é Surface Envy, que você precisa ouvir agora. E para fechar, você ainda pode ouvir essa entrevista em que elas falam sobre o novo disco.

domingo, 16 de novembro de 2014

financiamento coletivo: Projeto Crer, que cuida de 23 animais, lança campanha


Contribua com a quantia que puder :)

O Projeto Crer lançou uma campanha de financiamento coletivo no Bicharia, site que apoia apenas a causa dos animais, e tem o objetivo de arrecadar R$4670 até dia 7 de dezembro. Desde 2009, os protetores independentes Elena e Rafael resgatam animais abandonados, em situação de violência, idosos e prenhes. Atualmente, eles cuidam de 23 animais em casa, e criaram a campanha pois precisam de mais apoio para conseguirem cuidar mais e melhor dos animais e deles mesmos.

Por aqui, nós só divulgamos aquilo que acreditamos, feito por pessoas que confiamos e respeitamos. Esse é um projeto muito importante e que precisa do apoio de todos nós.

Recentemente, rolou o show Mais Rock, Mais Bichos em Volta Redonda. A ideia do show era simples: arrecadar ração, areia, roupa de cama, dinheiro e remédios para os animais que são cuidados pela Elena e pelo Rafael. Para a nossa surpresa, o saldo foi bastante positivo! Gratidão a todas as bandas, especialmente a Trash No Star que saiu do Rio para fazer um show foda.

Saiba mais sobre o projeto no Bicharia. E pode confiar, o trabalho deles é divo, digno e de respeito. Anota na agenda: até dia 7 de dezembro você pode contribuir e ajudar a compartilhar o projeto.



A fofinha agradece =)