quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva: Destaques de 2015

Por Teenage Micha


Ilustração: Teenage Micha
Texto: Carla Duarte

Esta é a terceira lista de 'melhores de ano' que publicamos! Mas ela já começa diferente das outras duas pelo título: abandonamos o 'melhores' e adotamos o 'destaques'. Pode parecer ridículo, mas ainda não tinha caído a ficha que é ruim usar 'melhores' do ano, pois implica que há 'piores' e também pode soar autoritário. 
Nessa lista não constam indicações de zines, mas pretendemos fazer um post só pra eles. Outra diferença desta lista para as outras, é que esta é a primeira que escrevo sozinha. E poxa, dá um friozinho grande na barriga.

O objetivo do Destaques de 2015 é compartilhar os clipes, shows e álbuns que mais gostamos neste ano, feitos por mulheres e feministas. A lista sempre é construída a partir de uma perspectiva contracultural, DIY, punk, feminista, não homofóbica e não racista. A proposta não é fazer um post masturbatório, exibindo 'bandas desconhecidas' ou qualquer bosta do tipo.

Queremos ajudar a dar visibilidade a uma parte da música faça você mesma que muitas vezes não é celebrada. Por isso, por mais que eu goste do álbum novo do Slayer ou queira falar sobre o Bitch, Better Have My Money, da Riri, não vou fazer isto porque foge do nosso objetivo. Tanto que alguns álbuns da lista ouvi demais, outros bem pouco, mas resolvi colocar todos esses prol da visibilidade.

Como esta lista foi organizada? Primeiro, as categorias 'clipe', 'música', 'show' e 'álbuns favoritos', sempre em ordem alfabética. E o mais legal: compartilha nos comentários a sua lista de destaques do ano? :D







Downtown Boys, Wave of  History
O single 'Wave of History', do álbum Full Comunism, é uma aula de história dançante sobre alguns fatos da política norte-americana, que linka o curso da história com a violência policial. Além de uma música energética, com sax e tudo, cantada pela furiosa Victoria Ruiz, o clipe tem o mérito de deixar infográficos ainda mais legais. Downtown Boys é uma banda bi lingue de Providence (Rhode Island) que teve seu ábum lançado pela Don Giovanni Records. Bandcamp



Hemming, Some of My Friends
As primeiras vezes que assisti este clipe chorei largada. Simples assim. Acredito em "amor a primeira ouvida" e mesmo já sendo fã da Candice Martello (Omar), Hemming me pegou de jeito. Isso porque poucas músicas já chegam chutando a porta do coração e mandando a realzona, sabe? E 'Some of My Friends' fez isso. A espontaneidade e amizade que o clipe transborda chamou as minhas lembranças de 'some of my friends' e de mim mesma. Site.



Sheer Mag, Fan the Flames
Sensacional. Pra dançar lynda até ficar suada (o que não é difícil nesse verãozinho, né?)




Worriers, Chasing
O clipe mais divertido do ano me fez dançar sozinha no quarto incontáveis vezes em 2015. 'Chasing' é a baladinha fofa do Worriers, que dá o papo: 'It was addictive to be wanted like that, for a moment, to be wanted like that'. A letra super crush, mais o figurino setentista, o clima do clipe, a história, a banda..  tudo é foda! Bandcamp.








MC Carol - Não foi Cabral
Ela quebrou tudo ao contestar as narrativas sobre o 'descobrimento' do Brasil. A música despertou um debate importante entre os estudantes e ainda permitiu uma boa requebração. Ouça.

Lilian Lessa - O Mal Pela Raiz
Não gosto de sons psicodélicos ou de bandas dos anos 1970, mas abro uma bela exceção para 'O Mal Pela Raiz', da musicista Lilian Lessa, de Maceió. Isso porque essa sonoridade combinou perfeitamente com o deboche feminista e a letra que reconta a origem da humanidade a partir de uma perspectiva feminista. Sabe aquele papo de maçã, costela? Já aprendemos todas que todos vieram do útero. Na verdade, melhor do que ler minha micro resenha é ouvi-la. Lilian Lessa também toca no Messias Elétrico e Necro. Bandcamp.

Luana Hansen - Negras em Marcha
'Negras em Marcha' é uma música incrível composta pela MC e DJ Luana Hansen para a Marcha das Mulheres Negras. É uma aula de história, empoderamento e justiça social. Assista o clipe.

MC Soffia - Menina Pretinha
Se as feministas atuais incomodam.. o que dizer das que estão chegando e as que vão chegar? MC Soffia é uma criança empoderada e que abraçou uma linda missão: empoderar outras crianças. Nessa letra ela critica a exotificação das meninas negras. Ouça!




RVIVR no Rock Together (São Paulo)
Já passaram mais de seis meses deste show e ainda consigo sentir o calor concentrado do show. Aquela quase vertigem causada pelo calor e que foi vencida de tanto dançar. Para mim, música é medicina e RVIVR é um dos melhores remédios. Os sorrisos que a banda troca enquanto afina os instrumentos, os "uô, uô, uô", o suor, as músicas novas e antigas exorcizando demônios: tudo isso fez com que esse fosse o melhor show que fui este ano. Bandcamp.

RVIVR @ Porão da San Fran (SP) - Foto: Ana Laura Leardini





Against Me! - 23 Live Sex Acts
Se o álbum White Crosses (2010) quase retirou a importância política de Against Me!, Transgender Dysphoria Blues (2014) a devolveu e fez deste álbum um dos mais relevantes da década. É o álbum após Laura Jane Grace anunciar publicamente que é uma mulher trans e carrega toda esta subjetividade. O mesmo acontece com 23 Live Sex Acts, que conta com músicas do álbum anterior e outros clássicos da banda. É o álbum que mistura passado e presente com a mesma voz maravilhosa da Laura. É uma audição importante pra todas as viciadas em música punk. Ouça.

All Dogs - Kicking Every Day
Kicking Every Day tem 10 músicas e traz um All Dogs mais cadenciado, lento e com riffs que se constroem aos poucos. Ainda é All Dogs, ainda é pop punk, ainda tem um vocal bonitasso. A mudança só deixou a banda mais interessante e boa para os ouvidos. Bandcamp.

Aye Nako - The Blackest Eye
The Blackest Eye é mais um lançamento fera da Don Giovanni Records. O álbum é o mais diferente de Aye Nako, que a distanciou do pop punk e a aproximou de um som mais experimental, com toques lo-fi. Destaque para 'Human Shield', a menor música do disco. Bandcamp.

Chastity Belt - Time to Go Home
Que vozes, que guitarra! A música que dá nome ao álbum me remeteu a três cenários: um dia chuvoso qualquer, uma tarde de chapação e também a um som pra deixar rolando na hora de trepar. A proposta não é ser uma Portishead da vida (nem de longe), mas as dedilhadas longas e preguiçosas com toda aquela distorção e reverb já jogaram essas vibes. Elas são de Seattle e olha, fazia tempo que uma banda não me deixava de cara assim. Já vai pra minha lista de ~bandas a secar em 2016~ porque vai ter harmônica e criar climão assim lá longe. Bandcamp.

Downtown Boys, Full Comunism
Algumas palavras são sedutoras. Para esta punk feminista, 'punk', 'dançante' e 'político' funcionam assim. Ainda mais quando a banda em questão é a competente Downtown Boys, que personifica o "Seu eu não puder dançar, não é a minha revolução". Some a isso a lindíssima língua espanhola e você tem uma bandas bandas punks mais criativas de 2015. Bandcamp.

Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
"Coração do mar  é terra que ninguém conhece. Permanece ao largo e contém o próprio mundo como hospedeiro". Poucas bandas e cantoras tem a gana de começar o álbum cantando sem acompanhamento instrumental e claro que Elza Soares tem gana pra isso e muito mais. Embora não seja um álbum da contracultura feminista, ele precisa estar nesta lista porque há muitos anos Elza Soares (junto com outras artistas) é a resistência da mulher negra na música brasileira, porque ela cantou a primeira música que ouvi que critica abertamente a violência contra a mulher num cenário musical que é famoso justamente por romantizá-la (já que 'pancada de amor não dói'). Este é o meu álbum brasileiro preferido de 2015. Se ainda não ouviu, faça isso por você. Ouça.

Framboesas Radioativas - Gastropoda
Bragança Paulista (SP) tem a feliz tradição de ter boas bandas e as Framboesas Radioativas não foge desse clichê. Formada por duas Marinas e uma Sofia, elas dão conta de um punk rock requebrante com passagens lo-fi. Com algumas letras non-sense embaladas por solinhos marotos, ao vivo elas são melhores do que na gravação. É boa a surpresa de ver que todas, dependendo da música, cantam e tem uma boa química. Se tiver oportunidade de pegar um show delas, faça isso. Bandcamp

Framboesas Radioativas. Foto: Karina Lumina

Girlpool - Before The World Was Big
Este álbum conta com delicadeza, e de forma crua, o processo de entrar nos vinte e poucos anos. Os vocais intercalados de Harmony e Cleo se combinam aos riffs e dão muita sinceridade para o disco, que parece ter nascido no quarto delas. Já resenhamos o álbum, confira o soundcloud.

Hemming - ST
Se você está procurando por um álbum cheio de músicas animadas e que vão te inspirar os passinhos mais incri, acho que você não vai encontrar isso em Hemming. Isso porque o álbum é cheio de lindas músicas, pra ouvir nos dias que estamos cultivando aquela badzinha. Este é o atual projeto da Candice Martello (Omar) e mostra um outro lado dela, mais introspectivo e muito bem tocado, com uma sonoridade que me levou para as vibes tristes do folk. PS: A voz dela é maravilhosa, vale demais ouvir! Destaco: 'Some of My Friends', 'I'll Never be the Man For You' e 'Pins and Needles'. Site

High Dive - New Teeth
A primeira vez que eu ouvi.. chorei largada. Sou um clichê ambulante? O fato é que New Teeth acertou bem em cheio (como todos os álbuns do High Dive), naquele lugar que a gente deixa bem protegido pra não foder de novo. Este é o segundo full lenght da banda, que hoje conta com a Ginger (Good Luck) e Richard, que mudaram o som para melhor. Para ouvir e amar! Bandcamp

Homewreckers, The - I Statements
Que saudade desse vocal vomitadinho da Cristy Road! Homeweckers é uma banda pop punk queer, em que o punk sempre pesa mais um pouco. Tanto que é o som ideal pra pogar sem parar naquela festchinha com as amiges. I Statements dá um belo foda-se pra vida e pros dias ruins. Ouça! Bandcamp

Mercenárias - Demo 1983
As Mercenárias são uma das maiores bandas punks do Brasil e este ano o selo Nada Nada Discos relançou em versão compacto 7" a fita demo lançada em 1983. Com direito a fanzine e um box especial, o áudio foi restaurado pelo Estúdio Rocha e traz toda a 'tortice' que só as Mercenárias tem. Ainda, a banda - que voltou a tocar - foi capa da edição de novembro da Maximum RocknRoll. Bandcamp

Ostra Brains - Gelato Luv
Pode preparar os ouvidos para uma overdose de distorção garageira. Gelato Luv (Transfusão Noise)é um punk rock carregado de uma lofi-zera forte, que embala e chama pros passinhos. O disco é o primeiro registro da banda do Rio de Janeiro que tem a frontwoman Amanda Hawk, que tem um vocal certeiro. Destaco as tracks 'Belabee' e 'Tabaca Flames'. Bandcamp.

Preta Rara - Audácia
A resistência da mulher negra, a afirmação da identidade da mulher negra e não da 'mulata', a celebração da cultura africana: todos estes temas e outros estão apresentes em 'Audácia'. O álbum é pesado e tem músicas fodas, com ritmos e batidas diferentes entre si. Não sou "fluente" em resenhar rap e hip hop, muito pelo contrário. Por isso não vou forçar a barra pra tentar definir nada. Destaco: 'Jericó', 'Filha de Dandara' e 'Falsa Abolição'. Ouça.

Potty Mouth - S/T EP
Este power trio, formado por Abby (guitarra e voz). Victoria (bateria) e Ally (bass) leva as inspirações noventistas a sério, tanto que a influência grunge é forte e perceptível nessa gravação. A música grudentinha do ep é 'Long Haul'. Ah, e pelo que sei sobre elas, o nome da banda não é uma referência ao Bratmobile. Bandcamp.



Sheer Mag - Foto: Amanda Hatfield

Sheer Mag - II 7"
Para mim, o som setentista só fica bom quando combinado com punk rock. E é isso que o Sheer Mag faz de maneira muito competente. É difícil resistir ao vocal cheio de distorção da Tina Halladay, um dos instrumentos mais importantes da banda. Pode preparar pra dançar vários solos transantes. Destaco o hit 'Fan the Flames' e 'Button Up'. Bandcamp.

Sleater Kinney - No Cities To Love
O oitavo full lenght de Sleater Kinney, lançado pela Sub Pop, marca a volta da banda após um hiato de quase 8 longos anos. Este não é o meu disco preferido, mas claro que é ótimo. Ele segue uma sonoridade na linha do The Woods (2005), embora tenha músicas que não se encaixam muito bem aí. E isso é ótimo, porque é a essência de Sleater Kinney: a dificuldade de categorizar e a diferença entre as músicas. O álbum conta com canções que já são clássicas, como 'A New Wave', 'Gimmie Love', 'No Cities To Love' e 'Bury Our Friends'. Ele também está na categoria de álbuns que 'dancei sozinha no quarto'. Soundcloud.

Try The Pie - Domestication
Sabe aquela calmaria que até dá uma tristeza? Domestication é um álbum cheio de beleza, lo-fi e de riffs que te carregam pelas tuas lembranças e pela sonoridade da Bean Kaloni Tupou (Sourpatch, Crabapple). Altamente recomendável. Bandcamp.

Vexx - Give and Take
Um 7" com quatro músicas que já chega chutando a porta com a música 'Black/White'. Impossível resistir àquela junção linda do punk, os solos barulhentos e a cadência rockandroll que algumas bandas têm, e definitivamente Vexx é uma dessas bandas. O power trio de Olimpia é a banda que pegou, nesta lista, a característica de banda cheia de intensidade e que a cada acorda dá uma porrada. Audição essencial. Bandcamp.

Foto: Ellen Rumel

Waxahatchee - Ivy Tripp
Ivy Tripp é o álbum mais introspectivo e lento de Waxahatchee. Não é o meu preferido, mas suas qualidades são aparentes. É o disco, musicalmente falando, mais diferente dos outros dois anteriores (American Weekend, 2012 e Cerulean Salt (2013), que se aproxima de uma cadência triste como as letras. Katie Crutchfield, acompanhada por sua banda, fez muitos shows pelos EUA para divulgar o álbum (lançado pela Merge Records) e até abriu alguns shows de Sleater Kinney. A música que destaco é 'Half Moon', que me pegou com seus pianos. Site e Soundcloud.

Worriers - Imaginary Life
Se você me perguntar qual é o meu disco preferido deste ano, a resposta vem muito fácil: Imaginary Life, o primeiro full length de Worriers, lançado pela Don Giovanni Records.

Sinceramente? Não sei como ainda não enjoei, ouvi centenas de vezes. Talvez seja o álbum que mais ouvi este ano, e não por acaso. Estamos falando de um disco redondo, com letras e músicas impecáveis. Não há música "longa demais", que tenha um riff usado em excesso ou um refrão chato. Como o Mama comentou uma vez, a banda "fica cada vez melhor" e o mérito não é ser formada pelo 'creme de la crème' do Pop Punk.

Imaginary Life é um álbum que fala por ele mesmo, que não precisa se ancorar nos integrantes para ser bom. Com letras sobre violência policial ('Yes All Cops'), futuro ('Plans') e gente cínica ('Good Luck'), o disco trata com ironia suficiente o machismo ('Most Space'), as voltas que a vida dá, o 'crescer' e ainda tentar existir sendo punk. É o álbum que mais dancei sozinha, fiz air guitar (e todos 'air' instrumentos) e que me faz lembrar que apesar de duro, esse ano ensinou lições que não vou precisar me foder de novo para aprender.

Não tenho como destacar apenas uma música desse disco, pega ele aí: bandcamp.


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Outros lançamentos que não estão na lista (porque ouvimos muito pouco) e que talvez você goste: Don't Wanna Lose (clipe de Ex Hex), Art Angels (Grimes), Rose Mountain (Screaming Females), Selvática (Karina Buhr).

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Ilutração por: Teenage Micha - Me defino uma ilustradora auto didata de meia tigela,tentando vender minhas artes na praia. Meu amor por ilustração vem de cedo, principalmente meu gosto por anatomia,independente de gênero. Sempre com cautela,buscando ser fiel na representatividade, ainda no caminho da estrada das descobertas. 

Veja mais trabalhos dela, são incríveis: Facebook 

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Os 10 posts mais lidos do ano



Ilustrações: Janis Yaki*
Texto: Carla Duarte

"Pra mim, esse ano acabou e daí..." como já diria o Polara. Por isso, já estamos no ritmo dos tradicionais posts de dezembro! Começando com a lista Os 10 posts mais lidos do ano. Esse é um momento que aproveito também para analisar o que e como foi feito por aqui. E já de cara, lembro que foi o ano que troquei o a arte do header, que já tinha passado da hora.

Este ano contabilizei 67 posts publicados! São 63 posts que escrevi, um do Nandolfo e quatro guest posts (do Luan, do Mamá, da Priscila e da Camila). E sinceramente? Eu estou feliz e orgulhosa pra caralho! Porque me dedicar ao Cabeça Tédio significa me dedicar ao que eu realmente gosto. São nesses momentos que eu lembro com mais força que eu não sou o meu trabalho, o meu diploma, a minha doença e todos os outros pedaços que olho e não me reconheço. Ter feito isso mais de sessenta e tantas vezes é ter mantido os meus pactos comigo mesma, é resistir do meu jeito caótico na vida adulta.

Comparando com 2014, que foi atualizado 17 vezes, nesse ano conseguimos manter uma linda* periodicidade de atualização. Foram 5 mixtapes, 4 entrevistas, 3 guest posts, 1 coluna do Nandolfo, 4 posts de 'lista'. E claro, levantei também números sleater-kinneynianos! Eles indicam 8 posts sobre a banda e três sobre as integrantes. Então tranquilamente 10% deste ano falamos sobre a divina trindade. Vivo feliz com esses números e pra mim o "saldo" desse ano, aqui, foi muito positivo!

*Considerando que esse blog não gera renda e é feito basicamente por uma pessoa, atualizar 67 vezes para mim é 'dobrar a meta'.

E sinceramente, espero que vocês tenham gostado de alguns desses posts. Muito obrigada pela presença, comentários e carinho que percebo em vocês. Suas lindas!

Agora, sobre os 10 posts mais lidos! O post mais lido foi um dos mais longos e que fala sobre um assunto que não é da minha 'expertise', as minas no rap. Acho que nele fui desajeitadamente sincera e achei muito foda como esse tema é urgente atualmente. O post teve apenas o maior número de visitas da história deste diário virtual. Isso só me diz que as minas do rap são o 'real deal'.

Bom, chega de falatório né? Esses foram os posts mais lidos de 2015!



10 - guest post: Witch fala sobre ser grafiteira e feminista
A grafiteira feminista Priscila Lima, aka Witch, compartilhou sua experiência de mulher negra ocupando a cidade.

09 - Didática Zine: Projeto aponta metodologias para debater gênero e sexualidade com estudantes
Documento é ideal para professoras que precisam de novas propostas para a sala de aula.

08 - As empoderadas da dança do ventre
Um pouco estigmatizada, mas muito mais empoderadora, Fran Lelis contou como a dança do ventre mudou sua relação com o mundo.

07 - listamos: 10 bandas Pop Punk com mulheres que você precisa ouvir já!
Cayetana, Chumped, Worriers.. só amor!

06  - Retrospectiva: Melhores de 2014
Senta que lá  vem a lista.

05 - 5 zines disponíveis online que você precisa ler logo
Porque não é só de papel que se vive.

04 - "Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado", de Bulimia, é ilustrada por Jéssica Lisboa
Um dos projetos mais lindos que conheci este ano.

03 - revivere: As bandas ovulares do Riot Grrrl estão voltando!
Segurando este forninho!

02 - 15 músicas lançadas em 2015 que você precisa ouvir
Oshun, Kitten Forever, Worriers.. é pra dançar sim.

01 - 5 mulheres que quebram a ideia de que rap não é lugar de mulher
Din din don, o rap das mina é o som!


Para quem ficou curiosa sobre o passado, esses foram os 10 posts mais lidos de 2014.


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*Arte por Janis Yaki - Janis é ilustradora e aceitou a mini chamada de ilustradoras que fiz na página do Facebook. Ela colabora na Ovelha, estuda Artes em Juiz de Fora, trabalha com animação mas a paixão dela é a ilustração para literatura infantil, que é a pesquisa dela. Veja mais trabalhos dela, são incríveis: tumblr e instagram.

domingo, 6 de dezembro de 2015

Mixtape#17: Top 10 Riot Grrrl

Colagem digital por Carla Duarte

Há um tempo atrás fiz uma pequena enquete na página do Cabeça Tédio, perguntando qual era o Top 5 Riot Grrrl das minas. A proposta era conhecer mais sobre as músicas e bandas que marcaram as garotas brasileiras. Recebi 11 respostas e foi a partir delas que montei a Mixtape#17: Top 10 Riot Grrrl.

Na votação, a música mais citada, no total de quatro vezes, foi "Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado", de Bulimia! É muito foda ver que uma banda brasileira ainda é uma referência tão forte assim. Na sequencia,  "Words and Guitar" de Sleater Kinney tiveram três votos; "Rebel Girl" e "Double Dare Ya", do Bikini Kill tiveram dois votos cada; "Deceptacon" de Le Tigre tiveram 2 votos cada, e assim fechamos o Top 5!
O restante das bandas que participam da mixtape são as que foram mais citadas, mesmo que com músicas diferentes. São elas, Bratmobile, L7, Dominatrix, Cosmogonia e Team Dresch. Algumas dessas foram citadas apenas uma vez, junto com outras bandas. O critério que selecionei essas bandas foi dar espaço pra bandas lésbicas e brasileiras.

Foi muito legal organizar uma mixtape feita por quem lê o blog e meu muito obrigado à todas que responderam a enquete: Amanda Hawk, Danielle Sales, Dejane Grrrl, Elena David, Gabriela Gelain, Halina Gricha, Íris Nery, Jessica Nakaema, Luan Nascimento, Marcelo Rachmuth e Thais Nascimento.

Embora na arte esteja que esta é a mixtape15, ela é na verdade a 17 (depois acerto esses detalhes). Essa é a última mixtape de 2015,  espero que gostem! Ah, e pra quem não sabe, estamos também no Instagram.

Tracklist Mixtape #17: Top 10 Riot Grrrl 

01. Bulimia - Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado
02. Sleater Kinney - Words and Guitar
03. Bikini Kill - Rebel Girl 
04. Le Tigre - Deceptacon
05. Bikini Kill - Double Dare Ya 
06. Bratmobile - Chool Schmool
07. L7 - Wargasm 
08. Dominatrix - Patriarchal Laws 
09. Cosmogoina - O Sentir Que Violenta
10. Team Dresch - Don't Try Suicide

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O documentário "Girlpool - Things Are OK" vai te fazer querer amassar sua melhor amiga

Ship forte: Cleo (esquerda) e Harmony (direita) do Girlpool

Você sabe muito bem que a amizade tem poderes mágicos. Falar a mesma língua, entender a outra pessoa, saber cuidar dela quando ela está bêbada e prestes a pegar o celular ligar para alguém, fazer uma cópia a mais de um zine só pra dar de presente, gastar um tempão fazendo uma mixtape e sair da sua casa correndo para acudir a pessoa no meio da tarde. Tudo isso é mágico por ser uma doação que faz bem para você e pra outra pessoa.

A Cleo e a Harmony sabem disso até melhor que a gente  e elas mostram isso para o mundo no Girlpool, banda em que elas alternam baixo e guitarra e cantam juntas, transformando os poderes mágicos da amizade em força criativa com distorção.

E em janeiro deste ano, foi lançado o mini-documentário Girlpooll - Things Are OK, dirigido por Cory McConnell, que fala sobre o processo criativo, amizade e música delas. Ao longo de 25 minutos, são exibidos shows, trechos de viagens e elas falam sobre como uma conhecer a outra é fundamental para que elas cantem as músicas.



Enquanto você assiste, você vai sentir vontade de amassar sua melhor amiga, gravar áudios fofos, fazer uma viagem e rever todas as pessoas que de alguma forma te conectam ao próprio Girlpool. É o tipo de coisa que só amigas e bandas com amigas conseguem fazer.

Sobre os discos delas: em 2014 elas lançaram o primeiro EP da banda, Girlpoolem outubro do mesmo ano elas lançaram um split tape com Slutever, onde cada banda faz cover de uma música da outra, e em 2015 elas lançaram Before the World was Big primeiro álbum incrível que já resenhamos aqui.

Por hora, não há nenhuma legenda para o documentário, infelizmente. Uma ideia é você assistir e contar tudinho pra sua amiga, outra é vocês fazerem um grupo de estudos para ficarem feras no inglês e mais uma é você e sua amiga fazerem a legenda dele! Se ajeita aí confortavelmente, e aproveite:


domingo, 22 de novembro de 2015

A voz rasgante de Elza Soares



Desde a minha infância ouço o timbre rasgante de Elza Soares, uma cortesia da minha mãe. A aspereza e beleza de sua voz é o que a torna tão encantadora. No recém lançado A Mulher do Fim do Mundo, primeiro álbum de inéditas, essa característica fica ainda mais notável. Especialmente em "Maria da Vila Matilde", música que denuncia a violência doméstica, ela esbraveja com a força necessária "Cadê meu telefone? Eu vou ligar para o 190 (...) Aqui você não entra mais eu digo que não te conheço e jogo água fervendo se você se aventurar". 

A canção já ocupa minha categoria de "melhor música brasileira de 2015", com folga. Não só pela letra, mas pela interpretação e sensações despertadas pela voz dela, que - literalmente - sofrida, não se cala. Graças as deusas. Porque a cada disco, esse lançado os 78 anos, Elza ensina mais. E parece que ela quer viver mais e mais e mais.

8 pinos recém colocados na coluna não a fizeram cantar com menor gana, que começa esse álbum entoando "Me deixe cantar, eu quero cantar até o fim". O que por bem, e com liberdade poética, interpreto  como "eu quero viver até o fim", coisa que ela está fazendo muito bem. E ela nos inspira, em tempos especialmente difíceis para ser mulher sobrevivendo no Brasil.

Se ainda te falta alguma motivação para ouvir esse álbum e argumentos feministas são do seu agrado, em uma entrevista recente para o El País, ela disse "A mulher está sendo violentada de todos os jeitos" e se opõe abertamente ao PL 5069/2013 (que proíbe a venda da pílula do dia seguinte e cria diversos empecilhos para mulheres vítimas de violência sexual). Elza é uma das artistas mais verdadeiras e isso fica claro em sua voz, de mulher negra que gritou sozinha durante muito tempo - em que poucas outras vozes ecoavam.

Rasgante, ela enverga, mas não quebra.


sábado, 14 de novembro de 2015

Fotoresenha: #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas por Coletivo Tiamät

Debate sobre Protagonismo Feminino no Punk


Todas as fotos por Ana Laura Leardini
Texto por Carla Duarte

Primeiramentche: isso não é uma resenha. É um textão, não só sobre o evento mas também sobre Feminismo Sul Fluminense, punk e amizadje.

Segundamentche: a fotoresenha é da Ana Laura, fotógrafa que admiro e que sempre mostra com muita beleza o que retrata. Ela já colaborou outra vez, com duas fotoresenhas do RVIVR, essa e essa. A foto do Ostra Brains é da Luiza Alves, coloquei para mostrar todas as bandas que tocaram.

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Por muitos anos me senti sozinha no role punk/hardcore do Sul Fluminense. Tinham poucas minas, eu não tinha muito contato com elas e essa região por muitos anos não teve uma articulação feminista jovem, dentro ou fora da contracultura. Por um tempo me senti uma feminista solitária também. Não conhecia nenhum grupo de feministas com as quais podia me articular ou apenas conversar. A internet não era o suficiente, era urgente ocupar a cidade, conversar com quem conhece os problemas regionais e construir coisas aqui.

Mas em 2011 as feministas de Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí e cidades dos arredores começaram a se organizar e fazer atos e marchas, principalmente para celebrar o 8 de março. Ao menos, foi nesse ano que as conheci e tive contato com elas. Quando vi essa movimentação, logo me aproximei, pois era (e é) fundamental para mim construir laços afetivos e políticos onde vivo. Desde então, além de ocuparmos a cidade, esse feminismo jovem começou a agregar muitas mulheres, mesmo de forma pontual. Por isso em 2012 e 2013 foi realizado um ato do 8 de março em Volta Redonda, em 2014 a Marcha das Vadias de Volta Redonda e neste ano um dia de rodas de conversa. 

Nessa época, eu já tinha me afastado bastante do role punk/hardcore porque não havia nada lá pra mim. Não tinha representatividade, não tinha feminismo, só tinha uma pá de boy otário e os meus amigos e amigas. Claro que ainda me sentia parte (uns boyzinho despolitizado não interferiram nisso), mas sentia falta, principalmente de garotas querendo construir um espaço menos sexista no punk/hardcore. 
Mas o fato de existir na época (e até hoje) uma construção feminista na cidade, era algo imenso.












Mas porque diabos estou falando tudo isso? É porque vejo uma conspiração de fatores que se entrelaçam e que hoje colocam num mesmo debate as minas do role punk, as minas da marcha e outras tantas que não conheço e que acho incrível elas terem colado. Hoje vejo muitas garotas que estão se aproximando para fazer coisas juntas. Hoje eu vejo boy otário no canto e no fundo do show. Vejo um coletivo só de garotas fazendo algo histórico: um show todo pautado no feminismo e nas minas. Isso ainda não tinha rolado por aqui.

No dia 8 de novembro (domingo) não me senti sozinha no role. Foi o primeiro show do Coletivo Tiamät, o #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas, que rolou na Toca do Arigó em Volta Redonda. Não me senti sozinha porque eu era a dona do role. Todas as minas eram! E olha, era muita, mas muita mulher. Havia um clima de diálogo, de abertura, de empatia que tomou o espaço e tornou aquilo meio mágico. E isso não é o meu olhar de pisciana mucho loca, isso é o que todas falaram durante e depois do evento. Todas fizeram algo incrível e foi muito foda poder estar lá.

As banquinhas estavam lindas! A Drunken Butterfly saiu do Rio especialmente pro show e trouxe zines, adesivos, colagens e fotografias incríveis. A Maracujá Roxa, também do Rio, trouxe zines, marcadores de livros, cadernos artesanais que se esgotaram num piscar de olhos. O Tiamät vendeu pão de mel, alfajor, coxinha, tudo vegan, claro. E também levou blusas do coletivo e patches maravilhosos. Também rolou a exposição de colagens da Luana Beez e o bazar do Tiamat.

E o que falar da decoração? Ela deu uma identidade ainda maior e mais forte pro evento. Pra onde você olhava tinha pisca pisca, bandeirinhas, cartazes definindo a política do coletivo e dizendo que espaço era aquele. Por exemplo, em vários locais tinha o "Vaza nudes? Sai fora". Já na porta do banheiro, tinha o "Ah, que isso, você está empoderada!". É o tipo de cuidado que não se vê muito e é algo muito importante. E eu não digo isso enquanto alguém que agora faz parte do coletivo, e sim enquanto pessoa que cola em eventos feitos por garotas e caras e que não via algo cuidadoso assim há muito tempo.










Eu estava com a minha banquinha e ajudando no corre, por isso não vi muitas coisas. Mas o que eu vi no debate sobre Protagonismo Feminino no Punk, foi uma sala com umas 100 mulheres com uma urgência gigantesca para desabafar e ouvir. O tema que dominou (para a surpresa de ninguém) foi a violência misógina, a partir de vários recortes. A presença das minas no punk (e a eterna mania dos caras agirem como se nós não estivéssemos lá) também foi conversado, assim como as milhares de pressões que as mulheres sofrem no cotidiano. 

Depois, rolou o show do Ostra Brains (Rio de Janeiro) que lançou recentemente o Gelato Luv (EP), não consegui pegar o show, mas dava pra ver e ouvir que estava bem da hora. Depois, foi a vez das Ratas Rabiosas (São Paulo) levarem o pogo punk pro show. Na sequencia, rolou a Oficina de Veganismo Popular com a Lauren Baqueiro, que além de fazer uma reflexão abolicionista e popular do veganismo, ensinou o pessoal a fazer sorvete com base de inhame. Teve degustação e todo mundo saiu lambendo o potinho. Não só é uma força de expressão, vi gente lambendo mesmo. 

O último show foi das Framboesas Radioativas (Bragança Paulista), o show que vi e dancei desde o início. Foi muito bom ver a ligação das meninas tocando, os riffs marotos e dançantes, a baterista tocando e cantando muito. Mas igualmente bom, foi ver todo mundo dançando, agitando, pogando de boa, sem dar problema nenhum. Ver as meninas ocupando todo o espaço e minhas migas suando, rindo e cantando  foi empoderador. 

Quando elas terminaram, rolaram os agradecimentos do coletivo e o momento mais carioca e fluminense (são coisas distintas) do role: uma session de funk, muitos das antigas, com todo mundo mexendo até o chão.

E olha.. já faz uma semana do evento e ele ainda está pulsando em muita gente. Mal posso esperar pelo próximo!

Veja mais fotos do evento, todas da Luiza Alves, aqui.




Rain Down My Miga On Me

Debate: Protagonismo Feminino no Punk


 





















Ostra Brains (RJ)

Ostra Brains por Luiza Alves


Oficina: Veganismo Popular por Lauren Baqueiro





 Ratas Rabiosas (SP)











Framboesas Radioativas (Bragança Paulista)









Fim do evento, agradecimentos, falatório e migas




quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Parabéns, Kathleen Hanna!




E hoje quem completa mais uma primavera é Kathleen Hanna! Não poderíamos deixar de lembrar de uma das mulheres mais importantes do punk rock e do Riot Grrrl. Ela influencia e influenciou muitas mulheres e inspirou sabe lá quantos projetos no mundo.







Migas, foto desse ano


A sorte é nossa de tê-la como pessoa que inspira e deixa um legado tão relevante. Feliz aniversário, KH!
E para comemorar, indico esse vídeo em inglês dela falando sobre role models, que acho inspirador e um vídeo do Bikini Kill. Em 2012 fiz este post desejando parabéns pra ela e você também deveria ouvir a Mixtape Allison, Corin e Kathleen, também de 2012, que comemorou o aniversário das escorpianas Riot Grrrl e tem vários sons menos conhecidos delas.