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domingo, 11 de setembro de 2016

Links da Semana #10

Divulgação do documentário Mulheres Negras: Projetos de Mundo - Arteretirada da fan page

O feriado do 7 de setembro foi produtivo por aqui! Consegui fechar o post 10 álbuns lançados em 2016 que você precisa ouvir, conversar com quem acabou de descobrir o blog (isso é sempre muito fera) e me animar para fazer o Links da Semana #10. Talvez ele não esteja tão recheado, mas vem com temas extramente pertinentes. E me diga, qual link legal você viu esta semana?


Mulheres Negras: Projetos de Mundo
Estava no Twitter quando vi este link do Prosa Livre, que contém uma entrevista com Dayane Rodrigues, sobre o documentário Mulheres Negras: Projetos de Mundo. Até então não conhecia o projeto e antes de ler a entrevista, conferi o trailer do longa. Ele começa com uma citação poderosa de Gloria Anzaldúa. Depois, Luana Hansen, Djamila Ribeiro e Preta-Rara (citando apenas as mulheres que reconheci) aparecem lacrando. No fim do trailer senti aquela "pedrada" daquele tipo de trabalho que é pesado, urgente importante. Na entrevista, Dayane fala sobre como surgiu o documentário e a necessidade de criar narrativas das mulheres negras. Para empoderá-las, para lutar contra o racismo e visibilizar a resistência. O trailer é muito bom, recomendo muito que você assista e leia a entrevista, é só clicar no primeiro link deste parágrafo. E para quem está em SP: o documentário será lançado no dia 12 de setembro, às 19h, no Centro Cultural Olido - Av. São João, 473. A entrada é gratuita. 


Preta, Gorda, Sapatão e Riot Grrrl
Bah Lutz, do projeto Riot Grrrl Brasil, é vocalista da mineira Bertha Lutz. A banda de hardcore tocou em julho no 2º Distúrbio Feminino Fest, em São Paulo. Lá, elas tocaram a música "Preta, Gorda e Sapatão", que fala sobre esta resistência que é tão invisibilizada. Após o show, uma mulher branca e magra abordou Bah, sugerindo que ela substituísse o último verso da letra por "branca, magra e sapatão" porque segundo a moça, "nós também existimos". E é sobre isto que ela escreve para o blog Gorda e Sapatão. Isto é absurdo e problemático porque mulheres brancas, magras e lésbicas têm visibilidade esmagadora em relação à mulheres negras, gordas e sapatonas. Este é um texto urgente, importante, que precisa ser lido por tods, especialmente por quem colam nos roles. Leia aqui.



Aline Valek faz vídeo para Think Olga sobre como começar sua newsletter
Eu estava no trabalho quando a Think Olga publicou um vídeo no qual Aline Valek fala sobre como você pode começar a sua newsletter. Fiquei super satisfeita, porque já contei aqui que leio o Bobagens Imperdíveis - a newsletter fodona da Aline - e foi assim que comecei a ler outras e até em pensar em escrever uma. Claro, parei o que estava fazendo para assistir o vídeo. Ver uma pessoa que admiro e que está fazendo tanta coisa legal de forma independente me deixou muito feliz e deu aquela energia boa pra minha tarde. Por isso, acho que você também pode ver, para se inspirar e iniciar aquele projeto (seja ele qual for) que está querendo sair da gaveta.




Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado
Você precisa ler ou compartilhar um bom texto que fale sobre o que é o Riot Grrrl? Que faça um apanhado de algumas bandas e relacione o RG no contexto punk? Então os seus problemas acabaram! A Babi, do coletivo Non Gratxs, escreveu o texto "Punk Rock Não é Só Pro Seu Namorado" para o blog Crítica Persona. E no fim, rola uma playlist. Aprecie sem medo de ser feliz. Aqui!


Setembro Amarelo
A campanha Setembro Amarelo tem o objetivo de conscientizar a sociedade sobre o suicídio e alertá-las aos sinais de pessoas que possam estar passando por esta situação. E ontem, dia 10 de setembro, foi o Dia Mundial de Combate ao Suicídio. É um dia de luta, porque cada dia é um e é uma batalha. A Kaol Porfírio fez um post a respeito que espero que te toque tanto quanto me tocou. Leia aqui. Outra ilustradora e feminista que falou sobre o tema hoje foi a Renata Nolasco (que já saiu em outro Links da Semana). Com o apoio de profissionais da área, ela preparou seis cartões sobre como lidar com depressão. A cada semana serão publicados dois, sendo que o primeiro já foi publicado. Acompanhe tudo pela fan page dela. A realidade do suicídio não pode ser ignorada, tão pouco a saúde mental das pessoas. Tenha atenção consigo e com o outro. Você vai conseguir.

Arte: Atóxico/Renata Nolasco

As Mina na História
Por conta do Setembro Amarelo, pipocou no meu feed uma newsletter da página As Mina na História sobre escritoras suicidas. Ainda não li, mas fiquei super contente por poder ler mais uma newsletter feita por mulheres que estão se movimentando muito. Você pode ler o texto e se inscrever aqui!

The Sad Ghost Club
É um clube para qualquer um que está se sentindo triste ou perdido. É o clube para aqueles que nunca se sentiram parte de outro clube. Esta é a descrição da fan page do zine The Sad Ghost Club, que fala principalmente sobre ansiedade e depressão de uma forma muito delicada e única. Lá, as vezes encontro uma compreensão e sensibilidade que não vejo em outras pessoas ou projetos. E eles publicaram uma tirinha especial sobre prevenção de suicídio com a legenda "conexão, comunicação, cuidado". Achei que essa era a melhor forma de terminar este Links da Semana. Continue vivendo! Fan page.

Livre tradução: "Eu passei por tudo isso... e eu mereço continuar vivendo"

sábado, 16 de abril de 2016

Links da Semana #3




Mais uma semana de Links da Semana! E isso é sinônimo de um cadinho de satisfação pra mim, por ter tido aquela disposição para sentar e fazer esse compilado. Tem notícia massa para as fãs de The Julie Ruin, playlist pra embalar aquela siririca delícia, indicações de livros e mucho mas!


The Julie Ruin
Na semana passada nós falamos sobre a banda de Kathi, Sara e Kathleen e o teaser sobre o novo álbum. E pimba, essa semana The Julie Ruin anunciou que Hit Reset será lançado no dia 8 de julho. Mas elas lacraram um pouquinho mais e lançaram junto o lyric vídeo de "I Decide", que conta com a participação de Katie Crutchfield (PS Elitot, Waxahatchee). Assista e saiba mais.




Punk's not White
Dica quente do Afropunk, sobre os artistas de Bogotá Juan e Diego, que criaram a série Punk's not White. Os ilustradores retratam diversas punks que não são brancas, para se contrapor a narrativa principal que não celebra ou populariza bandas punks formadas por pessoas negras. Siga os artistas no TumblrInstagram e Flickr. Leia a matéria do Afropunk




5 biografias de mulheres fortes 
A Revista Polen indica cinco biografias sobre mulheres fortes. Pessoalmente, tenho um tiquinho assim de antipatia pelo termo 'mulheres fortes', porque sou dessas que acredita que todas somos fortes, mas algumas não descobriram ainda sua força. Porém, não vou fazer aloka problematizadora, porque entendo a dificuldade que é criar títulos que deem conta do que se quer falar. Da lista, já apenas 'Olga' e achei interessante as indicações. Leia aqui!

#1000blackgirlsbook
A Marley Dias, de 11 anos, encheu o saco de só ler livros sobre meninos brancos e os seus cachorros. E o que você faz quando está incomodada? Tenta resolver o problema. Com a ajuda de sua mãe, Janice, ela começou a coletar livros com os quais ela conseguisse se relacionar. Foi quando ela começou a colecionar livros sobre meninas negras. Sua meta era juntar 1000 livros, mas ela dobrou e bateu a meta. Leia mais.

Siririca Set
A Xotanás convidou a DJ e produtora brasiliense Athena Ilse para criar um set list especialmente para aquele momento lindo do dia: a siririca. Eu recomendaria você ouvir para ver se esse som é a tua praia. Confira!

She's a Punk Rocker UK
Rubella Ballet lançou em 2010 o documentário She's a Punk Rocker UK, que registra as mulheres punks da cena londrina dos anos 1970. Somente recentemente, Rubella o disponibilizou no Youtube. O longa, de pouco mais de uma hora, entrevista Polly Styrene, Gee Vaucher, Gaye Advert e etc. Saiba mais.




Constanza Moreira
A senadora uruguaia foi uma das principais articuladores dentro do Senado urugaio em prol do projeto que, desde 2012, permitiu que as mulheres interrompessem voluntariamente a gestação. A Revista Capitolina entrevistou Constanza. O link é do início do mês, mas acho válido estar aqui. Leia mais. 


Diabetes
"Saúde é subversiva bom porque não dá lucro pra ninguém", Sonia Hirsch já disse isso inúmeras vezes. Quem lucra com a doença é a indústria farmacêutica e a alimentícia. Uma, 'cura', a outra fornece substancias viciantes, presentes em quase tudo que é industrializado. Açúcar, corante, conservante são substâncias nocivas para o nosso organismo. O açúcar, pra mim, é uma das piores drogas. E esta matéria das Nações Unidas informa que o número de pessoas vivendo com diabetes quase quadruplicou em 34 anos. A estimativa é que 422 milhões de adultos no mundo (8,5% da população) viviam com diabetes em 2014. Em 1980, esse número era de 108 milhões (4,7%). Isso tudo uma cortesia daqueles que têm liberdade para colocar quanto açúcar quiserem em tudo. Mais do que nunca, é importante politizarmos a nossa alimentação, pois isso é sobre sobrevivência e autocuidado. Leia mais.

Theresa Kachindamoto
Ela é supervisora de um distrito em Malwi (África) e se destaca como líder feminista. Nos últimos três anos ela anulou mais de 850 casamentos infantis. Isso porque mais da metade das mulheres em Malawi se casam antes dos 18 anos. Por mais Theresas Kachindamotos nesse mundo. Saiba mais.



Receitas naturais para falta de energia física e mental
Que tal começar a tentar lidar com stress de forma menos farmacêutica? O Jardim do Mundo dá várias dicas e receitas para diminuir o stress e ansiedade. Claro que, feitas de forma isolada provavelmente não surtirão muito efeito. Mas esse pode ser um bom começo para viver melhor. Confira!

10 ótimas bandas punks contemporâneas 
A Rolling Stone listou 10 bandas contemporâneas que, para eles, definem o punk rock na atualidade. Sheer Mag, GxLxOxSxS, RVIVR, Tacocat e Downtown Boys estão na lista. Vale a pena leitura.


Atóxico/Renata Nolasco
Na semana passada uma tirinha da Laura Athayde entrou no links da semana, e a partir de agora vou sempre tentar colocar um trabalho bacana de alguma ilustradora/quadrinista/desenhista brasileira neste post. A desta semana é a Atóxico/Renata Nolasco, que fez esse gif lindeza total de presente para a Devaneios Com Canela. Confira o trabalho de Renata Nolasco.

"Quer esmagar o patriarcado junto comigo?" Por Renata Nolasco - Atóxico

Porque a história do punk é tão branca?
Não é desta semana, mas o questionamento é fundamental e urgente. Quantas bandas formadas por pessoas negras são lembradas, celebradas e estão na ponta da língua? E no Riot Grrrl? É por essas e por outras que representatividade é tão importante. Leia mais.

Mulheres poderão ter spray de pimenta
Olha, é um exercício hercúleo para mim colocar esse link aqui. Usando todo (todinho) meu super poder de abstração e minimizando todo o (muito) sexismo e machismo do textinho, somo informadas que há um debate sobre a venda de spray de pimenta (hoje ilegal) para mulheres se defenderem de assaltantes, sequestradores e estupradores. Isso são palavras do textinho, não minhas. E o melhor, a proposta é que este spray tenha tampa rosa. Caso alguém tenha um link menos imbecil sobre o assunto pode compartilhar nos comentários? Leia o textinho do O Dia.

Programação para não programadores
Gente, eu não faço post ad, ok? Ninguém nunca me procurou com uma proposta assim. Mas achei essa proposta interessante, por isso estou divulgando. Trata-se de um workshop que será realizado dia 27, na Vila Olímpia (SP), que ensinará programação para quem não sabe nada a respeito. Não há pré-requisitos e a iniciativa é de Camila Achutti, que lidera o projeto 'Semana da Mulher na Tecnologia', que me pareceu ser interessante. Saiba mais.



E hoje a gente termina o Links da Semana com essa foto esplêndida demais da conta :D

Via Gatomia

sábado, 9 de abril de 2016

Links da Semana #2



E olha só, não é que o Links da Semana vingou? Recebi dois feedbacks que foram mais do que o suficientes para me motivarem a continuar com este post (aliás, obrigado por eles!). Eu adoro esse tipo de post e penso que devem ter outras nerds por aí que também gostam e talvez vão curtir ler este. E esta meta de manter um post por semana é bem ousada pra mim e estou satisfeita por ter conseguido fazer! Mas chega né? Vamos ao que interessa!

Patti Smith

"Você continua fazendo o seu trabalho porque você precisa, porque é o seu chamado. Mas é bonito ser abraçada pelo público"

A bruxa Patti Smith concedeu ao Louisianna Channel uma entrevista. Com o título 'Advice to the Young', ela dá um sopro de inspiração e motivação com vários conselhos para os jovens. Recomendo que você pegue aquela bebida que você adora, se sente confortavelmente e aprenda com ela durante os seis minutos  de vídeo. E o melhor: nos vídeos relacionados ela fala sobre outros temas! No entanto, os vídeos (por enquanto) têm apenas áudio em inglês. Para quem não compreende inglês, traduzi algumas falas que achei significativas. Assista aqui.

"O conselho que o William [Burroughs] me deu foi para criar um bom nome. Mantenha o seu nome limpo. Não se comprometa. Não se preocupe em ganhar muito dinheiro ou com ser bem-sucedida. Se preocupe em fazer um bom trabalho e proteja o seu trabalho"

"O que importa é saber o que você deseja e se ocupar disto. E entenda que vai ser duro porque a vida é realmente difícil. Você vai perder pessoas que você ama, você vai sofrer com uma decepção amorosa, você vai ficar doente, as vezes você vai ter uma dor de dente realmente ruim, as vezes você vai sentir fome. Mas por outro lado você terá as experiências mais bonitas."


Menstruação 
Este post do site Like Mag fala sobre as diferentes cores da menstruação e seus significados. A menstruação meio rosada, por exemplo, normalmente é de um dia mais fraco. Mas se a cor rosa marca o período todo pode indicar flutuações hormonais. O fato é que eu nunca tinha lido sobre isto e a partir de agora vou começar a buscar mais referências sobre o assunto. Se você está na mesma situação que eu, é interessante fazer o mesmo. Afinal, nós temos que conhecer o nosso corpo. 

Fashion Rebels 
Lorena Lacerda escreveu para o Imprensa Feminista sobre a 'Geração Tombamento' (homens e mulheres negras que são sinônimo de empoderamento e representatividade) da África do Sul, os 'Fashion Rebels', um grupo de moda (street style) idealizado em 2012 por Maitele Wawe, Thifhelimbilu Mudau e Sizophila Dlezi. Em um mundo onde a beleza e estética negra é pouco celebrada, se amar e se posicionar estético-politicamente é resistência. O artigo foi replicado no Geledés, e como o link do Imprensa Feminista estava quebrado, linkei do Geledés. Leia aqui.


Débora Silvia Maria, fundadora do Mães de Maio
Edson Rogério da Silva, filho de Débora, trabalhava como gari e aos 29 anos (em 2006) foi assinado pela polícia com nove tiros. Ele é uma das centenas de vítimas do 'Crimes de Maio'. Após perder o filho, Débora criou um dos movimentos sociais mais importantes do Brasil, o Mães de Maio, que luta contra o genocídio da juventude negra e periférica. O CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) publicou uma matéria sobre ela, que conta com o vídeo "Especial - Eu, mulher na Unifesp - Do Luto à Luta". Leitura essencial para tods.



Filmes dirigidos por mulheres
O Mulher no Cinema listou 5 filmes dirigidos por mulheres para assistir este mês no Netflix. Você não é assinante? Não tem problema, pois você pode buscar os títulos via torrent! Ou melhor, você pode combinar com as migas uma sessão e ainda debater o filme depois!

As séries e o teste Bechdel
Ainda falando sobre audiovisual, "vocês não sabem o quanto eu caminheeeei". Busco por um site que escreva sobre séries de forma opinativa com aquele toquinho de feminismo há muito tempo. E acho que finalmente encontrei um para colocar na barra dos favoritos. Foi lendo os questionamentos de Letícia Arcoverde sobre a suficiência do teste Bechdel que o encontrei. Pra mim, além de passar no teste Bechdel a série precisa ter personagens sólidas, vibrantes e bem humanas para fazerem a diferença. Eu sou a muito louca das séries também e qualquer hora devo soltar alguns posts a respeito por aqui. Leia.

Abbi & Ilana
Você foi broadcityzada? Você viveu a série? Você não se esquece da Ilana conhecendo a garota mais linda do mundo? Então vem amar comigo este tumblr que tem zilhões de gifs e fotos das criadoras da minha série de comédia preferida, Broad City. Se você não conhece, dá um confere em trailers no Youtube. É pra quem curte nonsense. Se você curtir, é só baixar o torrent e as legendas estão no Legendas.TV (valeu, LikaPoetisa!). Tumblr.

BeeSweet Lemonade
A pequena empreendedora de 11 anos, Mikaila Ulmer criou a BeeSweet Lemonade, uma marca de limonada feita com mel, seguindo a receita de sua avó. Sei que mel não é vegano, mas gostaria de pensar em outro ponto desta históia. Além da Mikaila ser uma inspiração para outras crianças negras, ela mostrou que é possível fazer algo bom com algo desagradável. Ela ficou fascinada com abelhas aos 4 anos, após ser picada por uma. Se existem pessoas que criam traumas com coisas pequenas, a Mikaila se instigou com seu episódio desagradável e criou a partir dele. Quero ser como ela! Saiba mais.
Ah, e a história dela me lembrou também do incrível filme 'A Vida Secreta das Abelhas', que fala sobre a força das mulheres negras e abuso, de forma forte e delicada. Se você ainda não assistiu, coloque na sua lista!

Riot Grrrl Day
Hoje é comemorado o Dia Riot Grrrl em Boston, em homenagem a Kathleen Hanna! A data é comemorada desde o ano passado. Mesmo sendo link antigo, vale a pena conferir!

Laura Athaíde 
Este é o recado da Boobie Trap nesta semana. Como um soco bem no meio da cara, né?




1991: The Year Punk Broke
Muitas vezes eu peco pelo excesso de referências a textos e tudo em inglês. Ainda não domino espanhol, por isso não dou tantas referências nesta língua. Mas uma amiga compartilhou este link e vai ser massa pra você que manja espanhol. Trata-se do documentário '1991: The Year Punk Broke' com legendas em espanhol. O longa mostra uma tour européia de Sonic Youth e Nirvana. Babes in Toyland, Ramones e Dinosaur Jr também são retratados, além de outras bandas. Confira

MIAU: Movimiento insurrecto por la autonomía de una misma 
Este documentário chileno é um "convite à um mergulho em si mesma, uma provocação para a tomada de nossas corpas de volta". Palavras da Ellen, da Bruxaria Distro, que compartilhou este documentário. A Bruxaria Distro e a Biblioteca Terra Livre providenciaram a legenda em português do longa, que começa com uma cena de parto natural. O documentário está no Vimeo e também conta com legendas em francês e espanhol. Para ativar a legenda, basta clicar em "CC" (fica no canto direito, próximo a HD") e pronto! Assista!

The Dresden Dolls
Após quase 10 anos em hiato, Amanda Palmer e Brian Viglione anunciaram shows de reunião! Saiba mais.

Para aprender a bordar
A Helen M. fez um guia para iniciantes que querem aprender a bordar. Para você que é talentosa com as mãos, entre em contato com ela e babe no trampo kawai feat fofo dela.

10 Booktubers para assistir
O Minas Nerds fez uma lista incrível esta semana. Selecionou 10 mulheres que falam sobre livros (as booktubers, youtubers que falam sobre livros). Da lista, eu só conhecia a Tati Feltrin, do Tiny Little Things. E foi assistindo o canal dela, no fim do ano passado, que eu me inspirei para 'desempacar' algumas leituras (quem acompanha o Instagram do blog viu) antigas e começar o ano lendo. E já que o assunto são os livros, indico também o perfil @sistersreading. Acompanho as irmãs Esmeraldo no IG e gosto muito da estética delas e de alguns livros que elas resenham. Leia!


Corte de cabelo
A russa Katichka compartilhou no Instagram seu novo corte de cabelo e é apenas mara-vilhoso. Segundo o Bored Panda, este tipo de corte é chamado de "Hair Tattoo" (Tatuagem no Cabelo), onde o undercut (quando você raspa a parte de trás da cabeça) é cortado para formar um desenho. Apenas quero isso também! Saiba mais.



15 ilustradoras britânicas para conhecer
Sabe aqueles desenhos fofos que parecem ter saído de um livro infantil? Então, este post está cheio deles, com referências de várias ilustradoras britânicas que vão te levar pro mundo delas. O texto é escrito em espanhol, mas até eu que não manjo, entendi. Confira!

Tegan & Sara
As gêmeas mais famosas divulgaram 'Boyfriend', do novo disco Love You to Death que será lançado em julho. Antes de ouvir a música, rola uma entrevista, e a Sara explica que é uma música pop que fala sobre ela querer oficializar o relacionamento dela com uma mina que nunca tinha namorado garotas. É aquele popzão na pegada de Heartrob (2013) pra dar aquelas reboladinhas marotas. Ela dá o recado "Você me trata como se eu fosse seu namorado, mas eu não quero ser um segredo". Ouça! 


Beyoncé
Deus,digo, Beyoncé, foi entrevistada pela revista ELLE. E o 'The Culture', do portal For Hariet, fez justamente o que eu precisava. Selecionou os momentos da entrevista em que Queen B fala sobre racismo, as 'polêmicas' (criadas) sobre seu clipe Formation e sobre feminismo. Leia aqui!

O jogo da ascensão profissional para Mulheres
A página Empodere Duas Mulheres traduziu um vídeo do Comedy Central sobre um ""jogo"" sobre o sucesso das mulheres no mercado de trabalho. Ele usa exemplos reais (como assédio e sexismo) para criticar a forma que o mercado trata as mulheres. É um vídeo curto de humor, pode ser uma boa opção pra mostrar para aqueles homens que não desconfiam de seus próprios privilégios. Assista.

PJ Harvey
Ela divulgou mais uma música de seu novo disco, The Hope Six Demolition. Ouça 'The Orange Monkey'.

The Julie Ruin
O segundo álbum da banda de Kathleen e Kathi já tem data de lançamento: 8 de julho. Ao menos, foi isso que entendi vendo este vídeo.

O ato de nomear espaços e o racismo
Nomear ruas, história e memória são, antes de tudo, instâncias de poder que se constroem por quem quer escrever os acontecimentos. No texto "Nomes de ruas: uma faceta do racismo", Stephanie Ribeiro explica como a política higienista do século XIX e a prática de nomear ruas é racista. 



E fechamos o Links da Semana com este recado importante. Até a próxima semana! =) 


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Achou o post muito longo? Cansativo? É melhor colocar menos links? Ando muito perguntadeira nesses tempos né? Haha

sábado, 2 de abril de 2016

Links da Semana #1



Há algum tempo venho pensando em fazer um 'Links da Semana'. Trata-se de uma publicação feita por vários blogs, em que são reunidos os links mais interessantes que tenham a ver com os assuntos do blog/revista. E hoje resolvi arriscar e fazer este 'post-piloto', porque curto bastante esse tipo de publicação! E é muito provável que eu não fale apenas sobre punk-feminismo, ok? Então vem cá!

Chimamanda
A escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie concedeu uma entrevista para o jornal El País em que fala sobre o sexismo na campanha presidencial dos EUA, sobre descobrir-se negra após se mudar para os Estados Unidos e sobre escrever.

Saúde
Ser saudável é importante porque não dá lucro pra ninguém, né? E porque assim vivemos melhor e entendemos mais o nosso corpo. Uma forma de começar a se reconectar com o seu corpo é fazendo alongamento regularmente, e aqui você confere 34 imagens que mostram quais músculos são alongados em diferentes posições. Está com uma dor específica? Conferindo o post você vai poder focar melhor o tipo de alongamento ideal para o seu problema.

Cadê as heroínas gordas?
Este texto é de fevereiro, mas entra neste post sim senhora. Amy McCarthy escreve para a Impose Magazine sobre crescer buscando referências que fossem de mulheres punks e gordas e sobre esta baixa representatividade latente na música.

Faça Você Mesmx - Zine
Disponível no tumblr, neste zine você aprende a faze seu próprio creme dental, desodorante e shampoo.

Veruca Salt
A banda lançou o clipe de 'Eyes on You', que faz parte do álbum Ghost Notes, lançado no ano passado. Este é o primeiro disco com as integrantes originais desde Eight Ams To Hold You, de 1997.


Descriminalização do Aborto
Três professoras que defendem a causa foram desligadas de suas universidades. A revista TPM investigou o caso, confira.

Ive Seixas
Se você está sempre por aqui, já me viu escrevendo sobre a Andorinha Só. Na minha coluna sobre música na revista Ovelha, apresentei essa passarinha maravilhosa e falei também sobre seu projeto Viajeros. Se você ainda não leu, confira!


White Lung
Recentemente o trio liderado por Mish Barber-Way, divulgou 'Kiss Me When I Bleed', música que faz parte do quarto álbum da banda, Paradise, que será lançado em maio.

Tacocat
A banda de Seattle declarou o amor por Arquivo X no clipe 'Dana Katherine Scully'. A música faz parte do novo álbum, Lost Time, e é recheado de referências para os mais viciados na série.


Riri
Além de lançar o sensualíssimo clipe de 'Kiss it Better' recentemente, Rihanna também twittou este lacre maravilhoso. Tradução: Nunca subestime a habilidade masculina de te fazer se sentir culpada pelos erros que ele mesmo cometeu.



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Se vocês curtirem a ideia e acharem relevante, vou continuar. Do contrário, acredito que não. E aí, o que achou do post?

domingo, 22 de novembro de 2015

A voz rasgante de Elza Soares



Desde a minha infância ouço o timbre rasgante de Elza Soares, uma cortesia da minha mãe. A aspereza e beleza de sua voz é o que a torna tão encantadora. No recém lançado A Mulher do Fim do Mundo, primeiro álbum de inéditas, essa característica fica ainda mais notável. Especialmente em "Maria da Vila Matilde", música que denuncia a violência doméstica, ela esbraveja com a força necessária "Cadê meu telefone? Eu vou ligar para o 190 (...) Aqui você não entra mais eu digo que não te conheço e jogo água fervendo se você se aventurar". 

A canção já ocupa minha categoria de "melhor música brasileira de 2015", com folga. Não só pela letra, mas pela interpretação e sensações despertadas pela voz dela, que - literalmente - sofrida, não se cala. Graças as deusas. Porque a cada disco, esse lançado os 78 anos, Elza ensina mais. E parece que ela quer viver mais e mais e mais.

8 pinos recém colocados na coluna não a fizeram cantar com menor gana, que começa esse álbum entoando "Me deixe cantar, eu quero cantar até o fim". O que por bem, e com liberdade poética, interpreto  como "eu quero viver até o fim", coisa que ela está fazendo muito bem. E ela nos inspira, em tempos especialmente difíceis para ser mulher sobrevivendo no Brasil.

Se ainda te falta alguma motivação para ouvir esse álbum e argumentos feministas são do seu agrado, em uma entrevista recente para o El País, ela disse "A mulher está sendo violentada de todos os jeitos" e se opõe abertamente ao PL 5069/2013 (que proíbe a venda da pílula do dia seguinte e cria diversos empecilhos para mulheres vítimas de violência sexual). Elza é uma das artistas mais verdadeiras e isso fica claro em sua voz, de mulher negra que gritou sozinha durante muito tempo - em que poucas outras vozes ecoavam.

Rasgante, ela enverga, mas não quebra.


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

download: livros de Carolina Maria de Jesus e Bell Hooks

Carolina autografando "Quarto de Despejo"

Para as adeptas da leitura no computador e para aquelas que se aventurarem a imprimir, a dica é incrível. Da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, que mostrou para o mundo a sua escritora bonita e dolorida em "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada", é possível baixá-lo e também "Casa de Alvenaria", "Pedaços de Fome", "Provérbios", "Diário de Bitita" e "Antologia Pessoal".

No momento estou lendo Quarto de Despejo, e a rotina é sempre essa, não necessariamente nesta ordem: minha feição tranquila, minha feição alegre por alguma passagem com uma metáfora incrível e um suspiro com feição triste, em trechos como:

"Está chovendo. Eu não posso ir catar papel.O dia que chove eu sou mendiga. Já ando mesmo trapuda e suja. Já uso o uniforme dos indigentes"

O livro foi lançado em 1960 e mostrava como era a vida dela, de mulher negra, catadora de lixo e escritora morando na favela do Canindé, que já foi desapropriada e não existe mais. Ainda não terminei o livro, mas recomendo muito a leitura. Para saber mais se você tiver paciência confira este artigo do O Globo e conheça o projeto Carolina em HQ.

Download - livros Carolina Maria de Jesus



Já da escritora bell hooks, está disponível a livre tradução de "Não sou eu uma mulher. Mulheres negras e feminismo", para a Plataforma Gueto. A autora aponta as conexões entre sexismo e mulheres negras escravas; imperialismo do patriarcado e racismo e feminismo.

O primeiro texto de bell hooks que li, e um dos mais famosos, é "alisando o nosso cabelo" que fala sobre experiências de alisamento dos cabelos das mulheres negras e da dificuldade de aceitação do mesmo. Ela é uma autora interessante para quem quer fazer leituras que conectam racismo e feminismo. Para quem quiser saber mais sobre ela, recomendo esse tumblr.

Download - Não sou eu uma mulher. Mulheres negras e feminismo

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O que eles fizeram, Miss Simone?


Querida Miss Simone,

Assisti o documentário "What Happened, Miss Simone", que fala sobre a sua vida. Estou, até agora, com um gosto ruim por dentro, um engasgo, uma tristeza pela forma que retrataram a sua trajetória de vida, de musicista, de pianista e de mulher negra que "queria refletir o seu tempo", como você mesma disse.

Você, Eunice Waymon, queria ser a primeira pianista negra a tocar música clássica dos Estados Unidos. Isso não aconteceu. Mas com o seu talento, apoio de familiares e amigos e com muita força, você se tornou uma das maiores cantoras de blues do mundo. O seu piano clássico transformou a forma em que o blues era tocado, o seu vocal com as várias mudanças de tom mostra toda a sua capacidade. A sua música impactou e impacta as pessoas até hoje. Ouvir "Ain't Got No, I Got Life" e "To Be Young, Gifted and Black", para citar poucas músicas, é ver toda a sua força e da comunidade negra, materializada em sua voz e no seu piano. Quem não é tocado por essas músicas é feito de uma coisa estranha por dentro.

O mundo deve ser grato pelo que você fez. Mas, infelizmente, o documentário sobre a sua vida não me mostrou gratidão. O retrato que pintaram foi de uma artista geniosa, deprimida, talentosa e que em algum momento se perdeu pelo caminho. Como meu pai diz, te fizeram como "madeira de dar em doido", foi assim que - para mim - construíram a sua imagem. Uma mulher que tinha tudo: a família, o talento, o empresário, o status, o dinheiro e que ainda assim, sabe-se lá Deus porque, "descarrilhou" na vida e terminou indecifrável e sozinha.

Não conheço as suas razões e tão pouco você, e ainda assim, me pergunto "o que eles fizeram, Miss Simone?", mesmo sabendo que você não vai me responder. Em uma das entrevistas do documentário, dirigido por Liz Garbus, você diz "Liberdade para mim é não ter medo". Enquanto mulher latina - sabida que o machismo afeta de forma muito mais contundente e explícita as mulheres negras - me arrisco dizer que a partir da sua definição (que acho muito apurada) mulheres, especialmente as negras, não experimentarão muita liberdade nessa vida. Apesar disso, a sua música carrega tanta liberdade. E o que falar sobre a sua música? 

Pelas suas entrevistas, a música se tornou o remédio e a doença. A cura e a morte. A prisão e a liberdade. O seu objetivo maior - ser a primeira pianista clássica negra dos EUA - parece ter sido interrompido quando o seu empresário-marido (aquele que abandonou a Polícia de Nova Iorque para administrar a sua carreira) conseguiu projetar o seu caminho como a de uma artista popular. Muito lucrativa, por sinal. Com muito dinheiro, vinham muitos shows, muitos ensaios, a manutenção de um estilo de vida que não te permitia descansar. É difícil parar e mudar, Nina. Isso exige coragem e enfrentamento, eu sei. 

As suas cartas mostram que a depressão chegou. Como alguém com o seu talento, com tantas pessoas dependendo de você, poderia se dar ao luxo de não tocar? Como enfrentar todas essas questões de forma solitária nos anos 1960? Como um empresário-marido permitira que você diminuísse o ritmo se isso significaria menos dinheiro?
Como você mesma disse, você achava que o Andy deixaria você descansar, mas ele nunca deixava. Sinto muito, Nina. Até hoje milhares de mulheres têm as vidas sendo controladas pelos maridos, até hoje (infelizmente) muitas mulheres vivem o que você também viveu. E isso não é culpa de nenhuma de nós. 


O que eles fizeram, Miss Simone? Porque as pessoas que fizeram o documentário sobre a sua vida não questionaram o seu ex-marido por tudo que ele fez com você? Claro, a manutenção do privilégio machista, pois é sempre muito melhor e óbvio criar a imagem da mulher quebrada e indomável, que "teve o que merecia".

Porque os produtores não perguntaram "Andy, porque você batia, apontava armas, perseguia e estuprava a sua esposa? Aquela esposa a qual você administrava uma carreira muito lucrativa?". Eu gostaria muito de ter visto isto no documentário. Mas eles fizeram o  oposto disso. O que eles fizeram com você, Nina? Ter terminado o casamento assim que a violência começou não era apenas sua responsabilidade, porque nenhuma de nós é criada para repudiar relacionamentos abusivos, muito pelo contrário, nos ensinam a aguentar, porque é amor. Você foi uma sobrevivente, Nina. Infelizmente, você não é a única artista negra da cultura popular a ter sofrido violência doméstica.

Porque demonizaram a imagem de uma artista negra excepcional? Porque perguntaram "O que aconteceu, Srta Simone" o documentário inteiro ao invés de perguntar "O que eles fizeram, Srta Simone"? Eles insultaram a sua memória, Nina. Você merecia muito mais do que isso.
E não vou nem comentar sobre o tom deles ao falaram que você se envolveu ""excessivamente"" com a militância do Movimento Negro. Não mencionaram nem o nome dos Panteras Negras, você acredita? Você deveria abrir mão da sua política, identidade e da sua maior substância em nome do dinheiro, Nina. De certa forma, foi isso o que eles disseram. Mas o que prevalece, é que a sua música foi sobre amor e política e se tornou - até hoje - um dos maiores hinos dos direitos civis e da luta do povo negro.

Enquanto eu via o documentário, Nina, torcia para que a Angela Davis te ajudasse a superar o abuso e a violência. Torcia como alguém que torce pela protagonista da série preferida, esperando uma reviravolta empoderada na sua vida. Não aconteceu. Você deixou os Estados Unidos, se separou, viveu sozinha cantando na Europa e se sustentando da forma que podia. Claro que a vida não é justa, mas o seu ex-marido poderia ter sido menos desgraçado. Espero que você não tenha se arrependido da militância, porque você sempre será "Young, Beautiful and Black". Você sempre será uma sobrevivente, pelo menos aos olhos desta feminista.

O que eles fizeram, Nina, foi vergonhoso. Fizeram a manutenção do status quo: perguntaram para a sobrevivente porque isso aconteceu com ela e não com o abusador porque ele cometeu atos criminosos. Sua trajetória deve ser celebrada, sua voz, seus cabelos, sua cabeça, sua vida. Mas, muito maior do que o que eles fizeram no documentário, é a sua história. A sua vida. A sua resistência. A celebração da sua origem e do seu povo. O seu talento. E isso é maior do que qualquer documentário mal intencionado. Espero que esteja bem onde estiver, Nina.

Afetuosamente,

Carla.

sábado, 11 de julho de 2015

5 mulheres que quebram a ideia de que rap não é lugar de mulher

Dina Di, a primeira mulher a fazer sucesso no Rap

Rap não é lugar de mulher: foi isso que pensei durante muito tempo. Não sabia onde estavam as minas do rap, as letras que falavam especificamente sobre a experiência de ser mulher nesse role e via o rap como um som puramente sexista e machista, porque não conhecia nada diferente disso. Minha (antiga) ideia - que acredito ser compartilhada por muita gente - reflete o senso comum sobre o rap. Um cenário de homens, que falam sobre problemas sociais e que categoriza as mulheres entre "mães" e "vadias", narrativa frequente nas letras.

Sou do interior do Rio de Janeiro, em uma região em que o rap não é expressivo e que o funk predomina. Não cresci ouvindo o som, não fui à batalhas de rima e fui descobrir qual é a ponte da "Ponte Pra Cá", recentemente. Na verdade, eu nem gostava do som. Era muito diferente do "tupá tupá" do punk rock que ouvia. Como não via as minas do role, não me conectava com aquilo. Tanto que as mulheres que eu conhecia, e pela televisão, eram Negra Li e Nega Gizza, mas nunca cheguei a ouvir, pois não gostava do som ainda. Até que peguei para ouvir aqueles caras do Capão Redondo.

Racionais MC's é o Ramones do rap brasileiro. Até quem não gosta de rap, gosta de Racionais. Como muitas bandas punks, eles também tem letras misóginas. Vide "Júri Racional", em que eles chamam as mulheres de vagabundas e vacas (olha o especismo aí, gente!). Ao mesmo tempo, em "Voz Ativa" eles perguntam onde estão as modelos negras e racham os racistas. A lista de letras sexistas é longa e menciono eles, pois foi o primeiro grupo de rap que gostei e que vi a profundidade da crítica social do rap à sociedade.

"Rap não é lugar de mulher", eu pensava. 

O tempo passou e tive a sorte de mudar de opinião. Nada melhor do que alguém que você gosta e que entende do assunto te dar o papo e você se abrir, ouvir e acrescentar mais um tipo de som pra sua vida (obrigada, Luan!). Enquanto não tinha entendido tudo que há no rap, eu pensava, "o rap precisa de um Riot Grrrl"*, de algumas mulheres que ocupassem o espaço e defendessem a representatividade das minas no role. Assim, eu teria vontade pra ouvir algo com uma sonoridade bem diferente, porque poderia conhecer a experiência das mulheres do rap.

*Riot Grrrl é um movimento contracultural de mulheres da cena punk do Noroeste do Pacífico dos Estados Unidos. A cena era protagonizada majoritariamente por homens e em 1990, bandas denominadas Riot Grrrl chamavam as meninas para ficar perto do palco (algo que não é muito simples de se fazer até hoje) e as incentivava a fazerem zines, montarem bandas e coletivos e desconstruirem o machismo. De forma resumida e direta: elas ocuparam o espaço e estimularam que outras garotas fizessem o mesmo.

Rap é lugar de mulher.

Assisti pelo Facebook o vídeo da Bárbara Sweet na Batalha de Santa Cruz. E de repente, tudo fez sentido. Esse vídeo me marcou e pra mim é o "riot grrrl" do rap, porque como  Kathleen Hanna e outras mulheres do Riot Grrrl norte-americano, a Sweet ocupou o espaço e rachou o machista. Reforço que esse é o meu marco pessoal de encontrar o feminismo no rap. Mas quem deu o ponta pé inicial para a representatividade das mulheres no rap foi a Dina Di.

Ela foi a primeira MC que liderou um grupo de rap, por isso ela é uma das grandes percursoras e teve a foto colocada no destaque do post. Antes dela, muitas mulheres faziam principalmente backing vocals.  Foi depois dela, já nos anos 2000, que as coisas começaram a mudar.

É por essas, e por outras que hoje vejo que Rap é lugar de mulher e acredito que as MC's, DJ's, break dancers e as minas desse role devem ser celebradas, mesmo em um blog sobre Riot Grrrl. E se você ainda tem aquela ideia que eu tinha sobre as mulheres no rap, esse é o momento ideal para pesquisar e desconstruir ideias e preconceitos. Tem mulher no rap sim, o que falta é visibilidade. Então bora mostrar um pouco das rappers e mc's feministas!


Bárbara Sweet



Conheci a Sweet quando ela rachou um cara machista na Batalha de Santa Cruz. Minha sensação ao ver o vídeo foi de ódio (a ele), explosão e vontade de gritar "Porra, Sweet!!". Ela não era só ela. A rima dela a defendia e também milhares de mulheres que se ofenderam com a fala do cara. Ela era a Sweet, eu, você e todas nós que rechaçamos machistas. Depois desse vídeo procurei músicas dela e não me arrependi. Destaco "Moça", disponível no soundcloud. A boa notícia é que a mineira está produzindo seu primeiro disco! Ela rima há 11 anos participa de muitas batalhas de rima, e é altamente recomendável você conferir alguns vídeos.




Luana Hansen



Conheci a MC Luana Hansen no 4Minas. Ela é uma das protagonistas do documentário que fala sobre quatro mulheres lésbicas de São Paulo, dirigido por Elisa Gargiulo (Dominatrix). Na mesma época, Luana e Elisa fizeram uma parceria e nasceu a música "Ventre Livre de Fato", que fala sobre a descriminalização do aborto. Depois, ouvi "Flor de Mulher", música que responde a "Trepadeira" de Emicida. Mas a minha preferida é "Negras em Marcha", que celebra as mulheres negras e aponta o racismo estrutural desse Brasil.

Negra, lésbica e no rap: a MC Luana ocupa um espaço bem específico no rap. E por ter letras incríveis e politizadas e uma voz foda, recomendo que você pegue o soundcloud. E para nós que somos do Rio, a nova música "Funk da Realidade" lacra até o chão, indico que você comece a ouvir por ela.


Yzalú



Além do rap, Yzalú carrega o violão. Por isso, dessa lista ela é que tem a sonoridade que mais se aproxima da MPB. Mas ela também tem músicas sem o violão, o que dá uma versatilidade grande para as canções. Com uma voz super bonita, ela manda o papo de várias formas.

A sua canção "Mulheres Negras" faz parte da mixtape Grrrl Power I. Ela tem alguns covers de voz e violão de sons do Sabotage e Cássia Eller, vale a pena conferir. Em breve, ela vai lançar seu primeiro full lenght, É o rap tio, que já tem clipe. Confira o site e soundcloud.


   


Sara Donato



Que bom que li esta entrevista com Sara Donato e ouvi "Peso na Mente", música em que ela critica a gordofobia e pede para tirarem os padrões do corpo dela. Em "A Bela", ela também fala sobre padrão de beleza e sampleia "Falsa Abolição", música do grupo Tarja Preta que também entrou na mixtape Grrrl Power I. Nem preciso dizer porque vale a pena procurar o álbum, Made in Roça e baixar né? É rap, é feminista e racha a gordofobia, gente!






Preta Rara 




Conheci a Preta Rara quando ouvi "Falsa Abolição", música de seu grupo antigo, Tarja Preta. O som tem clipe, onde música, letra e imagens dialogam de uma forma muito poderosa, que me apresentou o trabalho da Preta Rara. Racismo, gordofobia e machismo estão sempre sendo criticados nas letras da rapper feminista, que é empoderada e manda muito nas rimas. Ouça o soundcloud e assista a apresentação na Virada Feminista, evento realizado na primeira semana de julho em São Paulo.



domingo, 21 de junho de 2015

Luana Hansen lança clipe de "Negras em Marcha"

Luana Hansen @ Espaço Mulheres em Ação, foto retirada da fan page da MC

"A Mulher Negra vai marchar contra os Racistas
Pra acabar de vez com a história dos Machistas
Pelo fim do Genocídio da Juventude Negra
Acontece todo dia não finja que não veja
Onde a parcela mais oprimida e explorada da Nação
Luta diariamente contra a Criminalização"

Leia a letra completa da música



Eu estava no meu quarto quando ouvi pela primeira vez "Negras em Marcha", música que a DJ e MC Luana Hansen compôs para a Marcha das Mulheres Negras. Eu tinha acabado de postar a Mixtape Grrrl Power I, que celebrou a música e a força das mulheres negras. O que eu mais queria era parar as máquinas e "despostar" para incluir a nova música de Luana, porque ela é boa assim.

Não deu, mas consegui ouvir demais a música que dá uma aula de história e justiça social. É um hino para uma revolução, que para mim é sempre negra e feminista, e acredito que seja a trilha de muitas revoluções de cada dia. Religião, resistência e memória: está tudo na música da rapper negra e lésbica. Mais fatores para celebrar o empoderamento da MC, que se multiplica e atinge tantas outras mulheres.

O clipe, lançado na semana passada, conta com a presença da sambista e deputada estadual de São Paulo Leci Brandão. A banca é forte e vale a pena demais conferir o trabalho dela.




Se você ainda não conhece a música de Luana, se liga que é incrível. Pega o soundcloud e a página dela para acompanhar essa mulher que está fazendo um "riot grrrl" no rap. E se você é de entrevista, confira esta!

sábado, 28 de setembro de 2013

Documentários sobre Angela Davis e Pussy Riot serão exibidos no Festival do Rio




Os documentários "Free Angela and All Political Prisioners" (em português Libertem Angela e todos os presos políticos) e "Pussy Riot: a Punk Prayer" (em português: Pussy Riot: uma oração punk) serão exibidos no Festival do Rio, festival de cinema que acontece de 26 de setembro a 10 de outubro na cidade do Rio de Janeiro. 

"Free Angela" está sendo veiculado no Brasil com o nome de Libertem Angela. Laçando em 2012, a película dirigida por Shola Lynch fala do período em que Davis esteve presa. No próximo domingo, dia 29, o filme é exibido às 15h na Estação Botafogo 1, na quinta-feira, dia 3 de outubro é possível assisti-lo às 21h50 na Estação Vivo Gávea 1 e o último dia de exibição do documentário é no sábado, dia 05, às 14h30 no Centro Cultural Justiça Federal 2. 

"Pussy Riot: a Punk Prayer", dirigido por Mike Lerner e Maxim Pozdorovkin, foi lançado neste ano, e fala sobre a prisão política das três integrantes da banda russa punk feminista Pussy Riot. Na quinta-feita, dia 3, o documentário é exibido duas vezes. A primeira sessão é às 14h e a segunda às 21h15, ambas na Estação Botafogo 1. Na sexta-feira, dia 4, a exibição será às 20h na Estação Vivo Gávea 5 e na quarta-feira, dia 9, às 19h15 no cinema São Luiz 4. 

Sobre os documentários

Angela Davis era professora universitária e militante do Partido dos Panteras Negras nos anos 1970, quando foi envolvida pelo FBI no sequestro e morte do juiz Harold Haley, do condado de Marin, na Califórnia. Até ser presa, seu nome estava na lista dos mais procurados do FBI. Davis foi absolvida após sua prisão política ter recebido apoio da sociedade civil em uma campanha internacional por sua libertação. No filme, ela fala sobre ter sido transformada em símbolo da luta contra o racismo e opressão policial. 


Davis (à esquerda), ainda nos anos 1970, com a escritora Toni Morrison

Ela se formou na Universidade de Frankfurt onde estudou sob orientação de Herbert Marcuse, e tem vários livros lançados, sobre sistema prisional, feminismo negro, raça e etc. Ainda hoje, com 68 anos, Angela dá palestras em vários locais e já foi algumas vezes à Universidade Federal da Bahia (UFBA) e à Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). 


Em 2012, Angela falando no Occupy Washington

Assista o trailer do documentário e confira essa entrevista que Davis concedeu a Gina Bent que fala sobre sistema prisional, gênero, globalização e punição. O material foi traduzido e publicado em português na revista Estudos Feministas em 2003. A ex-líder dos Panteras Negras, Ericka Huggins passou cerca de duas semanas no Brasil, fazendo palestras em diversas universidades. Confira o texto de Juliana Gonçalves, do Blogueiras Negras, sobre a última fala de Huggins que foi realizada na PUC de São Paulo.

Uma oração punk

Em 2012, Maria Alyokhina, Yekaterina Samutsevich e Nadezhda Tolokonnikova protestaram contra a decisão de Vladimir Putin, de unir Igreja e Estado tocando no altar da catedral de Cristo Salvador, em Moscou e foram presas. O documentário, que tem 90 minutos, traz imagens inéditas do julgamento e fala sobre o lado pessoal do grupo. Assista o trailer do documentário.






Greve de Fome


Desde segunda (23 de setembro), Nadezhda Tolokonnikova - que continua presa - iniciou uma greve de fome e se recusa a participar do trabalho escravo prisional para protestar contra os maus tratos que sofre na prisão. Hoje, ela está no quinto dia da greve de fome, e foi internada na unidade médica prisional. Antes de ser hospitalizada, Nadezhda denunciou os policiais que haviam retirado seus suprimentos de água.


Ela cumpre pena de 2 anos na colônia penal n°14, na região da Mordóvia, sudeste de Moscou. No início da greve de fome, Tolokonnikova escreveu uma carta aberta em que conta sua ralidade prisional. O documento foi divulgado por seu marido, Pyotr Verzilov, e fala da punição da pussy riot, que com outras mulheres, deve costurar os uniformes dos policiais.


Nadezhda em still do documentário

Segundo o texto, todas as prisioneiras em sua divisão trabalham cerca de 17 horas por dia. Na carta, Tolokonnikova afirma que continuará em greve “até que a administração obedeça a lei e pare de tratar as mulheres encarceradas como gado”. Leia em inglês a carta de Nadezhda.