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quinta-feira, 17 de março de 2016

listamos: 15 bandas punks/hardcore brasileiras com mulheres para ouvir já!

DEF (Rio de Janeiro)

Feliz 2016!! =) Ainda tá podendo? Sem planejar, acabei tirando mais de dois meses de 'férias' do blog. E fazia muito tempo que eu não ficava tanto tempo assim sem atualizar. Superei o cansaço, o desânimo, a estafa causada pelo trabalho e estou aqui. É provável que neste ano as atualizações sejam ainda menos frequentes, devido ao meu ritmo de trabalho. Fico torcendo para que vocês não desistam do blog e de mim, pois vou sempre tentar atualizar o CT.

Mas falando do que interessa: bandas contraculturais brasileiras que tenham mulheres em sua formação. Mea culpa, mea maxima culpa. Assumo que falhei gloriosamente durante um tempo, pois postei pouco sobre a nossa terrinha e muito mais sobre os gringos. Com o blog, gostaria de inspirar garotas e mulheres a criar e divulgar cultura e contracultura feminista. E sei que para isso, é essencial nos sentirmos representadas, com bandas que partilham a nossa realidade e que falam a nossa língua. Claro que é viável nos inspirarmos com mulheres de qualquer lugar, mas sei que retratei pouco as brasileiras por aqui.

Confesso que as tretas que envolvem as punks/feministas/hardcoreanas/coloqueaquiseuadjetivo foi o que me desanimou. Mas o que há de se fazer? Largar isso e focar nas mulheres que estão compondo, tocando e sendo representativas no punk/hardcore. E o critério de seleção das bandas foi esse mesmo, focando em bandas que estão ativas, sejam elas exclusivamente femininas ou mistas! Bora?


Def 

Sem dúvida, a banda que mais mexeu comigo recentemente é a Def, do Rio de Janeiro. Assisti a banda ao vivo no #2 Ah! Que Isso! Elas Estão Empoderadas!, evento realizado no dia 6 de março pelo Coletivo Tiamät, em Volta Redonda. Não conhecia a banda, logo, não tinha expectativas. Qual foi o meu assombro quando elas começaram a tocar e poder verouvir aquele peso, aquele timbre, aquilo tudo que eles fizeram. Foram muitos feelings. É visível que todos tocam muito bem, mas além disso, o que dá beleza pra coisa é ver o entrosamento deles. Se for pra arriscar dizer alguma coisa, diria que eles ouviram um bocado de Sonic Youth, Fugazi e Hurtmold. A boa notícia é que em breve eles vão gravar! Enquanto isso pega este teaser:




Post

Pode sentar na sua cadeira confortável, pegar o café - a.k.a a bebida ideal para te acompanhar - para uma audição de um som experimental. Post é um duo, formado por Vanessa de Michelis (guitarra e trompete) e Jiulian Gonçalves (bateria), que comunica questionamentos e posicionamentos político-afetivos de inúmeras formas. O som é pra pirar! Além desta sessão ao vivo, uma k7 da banda foi lançada pelo selo Dama da Noite, ouça aqui.





Belicosa

Mais uma banda do Rio de Janeiro na lista! Para quem gosta de som torto e gritado, pra ficar chacoalhando a cabeça a pedida é pegar o Soundcloud delas. A banda, formada por Letícia (Trash No Star), Rosário, Sofia e Bonnie já avisou que em breve terá novidades. Acompanhe as aventuras da banda pelo Facebook também.



A Vingança de Jennifer

Foto: Felipe Mertens Brancher

Estamos falando de punk rock torto, gritado, com vozes agudinhas que seguem a escola de punk rock feminista brasileira. E dá mais gosto ainda porque a banda, de Canoas (RS), é todinha formada por mulheres. Fico na torcida por uma demo delas logo! Enquanto isso, pega o Soundcloud e Facebook.




Oldscratch




Sabe como eu conheci este power trio de Maceió? Pela #punkfeminista, que eu uso em alguns posts no Instagram do blog, haha. Que bom que elas também usam, pois assim ouvi aquele hardcore cadenciado daquele jeitinho bom pra pogar. As letras são feministas, e a banda também se denomina assim. 'Padrões de Conserva', disco da banda, está disponível no bandcamp e em formato físico, ouça logo!




Ratas Rabiosas

Punk rock sem firulas de São Paulo. A banda é toda formada por mulheres e fez uma música criticando os 'Kings' - grupo de whatsapp formada por homens da cena Straight Edge de São Paulo que, sem consentimento, vazavam fotos de mulheres com as quais eles se relacionaram - que nos representa. Elas já tem uma demo lançada e alguns zines. Para quem se interessar, esta é a fan page delas e este o soundcloud.



She Hoos Go

Ativa há 6 anos, hoje a She Hoos Go (Pelotas/RS) tem uma nova formação e prepara um EP para este ano. 'Por La Libertad' é a música que dá título ao lançamento e já foi liberada, e é bem diferente das outras músicas da banda. Se antes elas tocavam um rock delícia que lembra The Donnas, agora elas mostram o lado hardcore, bem tocado e pesado. Inclusive, a música 'Nothing' saiu na Coletânea Histérica, apenas de bandas contraculturais do Brasil. Ouça e siga!




Nuclëar Fröst

Curto também D-Beat e Thrash Metal, apesar de não postar muito sobre sons assim. Por isso, aproveitei para indicar a Nuclëar Fröst, banda de São Paulo que tem o vocal fodido da Gaby. Ouça mais no bandcamp.







Framboesas Radioativas 

De Bragança Paulista (SP), as Framboesas Radioativas vão te fazer pular, dançar e pogar com músicas muito bem executadas e um show que é uma belezinha. Pega o Facebook delas e o bandcamp!



Pagu Funk

Periféricas, perigosas, as funkeiras mais babado do país não podiam faltar nesta lista. Pagu Funk fala de resistência, sobrevivência e empoderamento usando a música que as perifas do Rio de Janeiro mais entendem, o funk. E é bom demais! Facebook e Soundcloud.






Trash No Star



Lo-fizera, punk, dancinhas e aquela pessoa maravilhosa que é a Letícia Lopes na guitarra e voz. Tá bom ou quer mais? TNS é do Rio de Janeiro, pega o bandcamp!


Deb And The Mentals

Esta banda de São Paulo não se encaixa muito bem em 'punk/hardcore', maaaas, é aquele rock meio 70, meio dançante, com a super presença de palco da Deb Babilônia. Por isso, acho válido uma ouvida e uma dançada. Assisti um show deles que foi loucura, por isso se tiver a chance, aproveite! Bandcamp.




Catilinárias

Power trio do Rio de Janeiro que tem uma sonoridade punk/grunge. A banda é formada somente por mulheres! Pega o Facebook delas.



Deskraus 

Também de Bragrança Paulista, elas fazem um punk/hardcore cadenciadinho e lançaram no ano passado o EP 'Deskraus'. Bandcamp e Facebook.





Ostra Brains

Os Cabeças de Ostra são do Rio de Janeiro, e se embriagaram nas bandas clássicas de Hardcore dos anos 1980 e começaram a tocar. Já estou numa fase de ouvi-los e praticar a famosa modalidade de 'pogo na cadeira'. O vocal poderoso é da Amanda Hawk, que lacra muitas e muitas vezes. Bandcamp e Facebook.





Conhece alguma banda massa que não está na lista? Indica aí nos comentários! =)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva: Destaques de 2015

Por Teenage Micha


Ilustração: Teenage Micha
Texto: Carla Duarte

Esta é a terceira lista de 'melhores de ano' que publicamos! Mas ela já começa diferente das outras duas pelo título: abandonamos o 'melhores' e adotamos o 'destaques'. Pode parecer ridículo, mas ainda não tinha caído a ficha que é ruim usar 'melhores' do ano, pois implica que há 'piores' e também pode soar autoritário. 
Nessa lista não constam indicações de zines, mas pretendemos fazer um post só pra eles. Outra diferença desta lista para as outras, é que esta é a primeira que escrevo sozinha. E poxa, dá um friozinho grande na barriga.

O objetivo do Destaques de 2015 é compartilhar os clipes, shows e álbuns que mais gostamos neste ano, feitos por mulheres e feministas. A lista sempre é construída a partir de uma perspectiva contracultural, DIY, punk, feminista, não homofóbica e não racista. A proposta não é fazer um post masturbatório, exibindo 'bandas desconhecidas' ou qualquer bosta do tipo.

Queremos ajudar a dar visibilidade a uma parte da música faça você mesma que muitas vezes não é celebrada. Por isso, por mais que eu goste do álbum novo do Slayer ou queira falar sobre o Bitch, Better Have My Money, da Riri, não vou fazer isto porque foge do nosso objetivo. Tanto que alguns álbuns da lista ouvi demais, outros bem pouco, mas resolvi colocar todos esses prol da visibilidade.

Como esta lista foi organizada? Primeiro, as categorias 'clipe', 'música', 'show' e 'álbuns favoritos', sempre em ordem alfabética. E o mais legal: compartilha nos comentários a sua lista de destaques do ano? :D







Downtown Boys, Wave of  History
O single 'Wave of History', do álbum Full Comunism, é uma aula de história dançante sobre alguns fatos da política norte-americana, que linka o curso da história com a violência policial. Além de uma música energética, com sax e tudo, cantada pela furiosa Victoria Ruiz, o clipe tem o mérito de deixar infográficos ainda mais legais. Downtown Boys é uma banda bi lingue de Providence (Rhode Island) que teve seu ábum lançado pela Don Giovanni Records. Bandcamp



Hemming, Some of My Friends
As primeiras vezes que assisti este clipe chorei largada. Simples assim. Acredito em "amor a primeira ouvida" e mesmo já sendo fã da Candice Martello (Omar), Hemming me pegou de jeito. Isso porque poucas músicas já chegam chutando a porta do coração e mandando a realzona, sabe? E 'Some of My Friends' fez isso. A espontaneidade e amizade que o clipe transborda chamou as minhas lembranças de 'some of my friends' e de mim mesma. Site.



Sheer Mag, Fan the Flames
Sensacional. Pra dançar lynda até ficar suada (o que não é difícil nesse verãozinho, né?)




Worriers, Chasing
O clipe mais divertido do ano me fez dançar sozinha no quarto incontáveis vezes em 2015. 'Chasing' é a baladinha fofa do Worriers, que dá o papo: 'It was addictive to be wanted like that, for a moment, to be wanted like that'. A letra super crush, mais o figurino setentista, o clima do clipe, a história, a banda..  tudo é foda! Bandcamp.








MC Carol - Não foi Cabral
Ela quebrou tudo ao contestar as narrativas sobre o 'descobrimento' do Brasil. A música despertou um debate importante entre os estudantes e ainda permitiu uma boa requebração. Ouça.

Lilian Lessa - O Mal Pela Raiz
Não gosto de sons psicodélicos ou de bandas dos anos 1970, mas abro uma bela exceção para 'O Mal Pela Raiz', da musicista Lilian Lessa, de Maceió. Isso porque essa sonoridade combinou perfeitamente com o deboche feminista e a letra que reconta a origem da humanidade a partir de uma perspectiva feminista. Sabe aquele papo de maçã, costela? Já aprendemos todas que todos vieram do útero. Na verdade, melhor do que ler minha micro resenha é ouvi-la. Lilian Lessa também toca no Messias Elétrico e Necro. Bandcamp.

Luana Hansen - Negras em Marcha
'Negras em Marcha' é uma música incrível composta pela MC e DJ Luana Hansen para a Marcha das Mulheres Negras. É uma aula de história, empoderamento e justiça social. Assista o clipe.

MC Soffia - Menina Pretinha
Se as feministas atuais incomodam.. o que dizer das que estão chegando e as que vão chegar? MC Soffia é uma criança empoderada e que abraçou uma linda missão: empoderar outras crianças. Nessa letra ela critica a exotificação das meninas negras. Ouça!




RVIVR no Rock Together (São Paulo)
Já passaram mais de seis meses deste show e ainda consigo sentir o calor concentrado do show. Aquela quase vertigem causada pelo calor e que foi vencida de tanto dançar. Para mim, música é medicina e RVIVR é um dos melhores remédios. Os sorrisos que a banda troca enquanto afina os instrumentos, os "uô, uô, uô", o suor, as músicas novas e antigas exorcizando demônios: tudo isso fez com que esse fosse o melhor show que fui este ano. Bandcamp.

RVIVR @ Porão da San Fran (SP) - Foto: Ana Laura Leardini





Against Me! - 23 Live Sex Acts
Se o álbum White Crosses (2010) quase retirou a importância política de Against Me!, Transgender Dysphoria Blues (2014) a devolveu e fez deste álbum um dos mais relevantes da década. É o álbum após Laura Jane Grace anunciar publicamente que é uma mulher trans e carrega toda esta subjetividade. O mesmo acontece com 23 Live Sex Acts, que conta com músicas do álbum anterior e outros clássicos da banda. É o álbum que mistura passado e presente com a mesma voz maravilhosa da Laura. É uma audição importante pra todas as viciadas em música punk. Ouça.

All Dogs - Kicking Every Day
Kicking Every Day tem 10 músicas e traz um All Dogs mais cadenciado, lento e com riffs que se constroem aos poucos. Ainda é All Dogs, ainda é pop punk, ainda tem um vocal bonitasso. A mudança só deixou a banda mais interessante e boa para os ouvidos. Bandcamp.

Aye Nako - The Blackest Eye
The Blackest Eye é mais um lançamento fera da Don Giovanni Records. O álbum é o mais diferente de Aye Nako, que a distanciou do pop punk e a aproximou de um som mais experimental, com toques lo-fi. Destaque para 'Human Shield', a menor música do disco. Bandcamp.

Chastity Belt - Time to Go Home
Que vozes, que guitarra! A música que dá nome ao álbum me remeteu a três cenários: um dia chuvoso qualquer, uma tarde de chapação e também a um som pra deixar rolando na hora de trepar. A proposta não é ser uma Portishead da vida (nem de longe), mas as dedilhadas longas e preguiçosas com toda aquela distorção e reverb já jogaram essas vibes. Elas são de Seattle e olha, fazia tempo que uma banda não me deixava de cara assim. Já vai pra minha lista de ~bandas a secar em 2016~ porque vai ter harmônica e criar climão assim lá longe. Bandcamp.

Downtown Boys, Full Comunism
Algumas palavras são sedutoras. Para esta punk feminista, 'punk', 'dançante' e 'político' funcionam assim. Ainda mais quando a banda em questão é a competente Downtown Boys, que personifica o "Seu eu não puder dançar, não é a minha revolução". Some a isso a lindíssima língua espanhola e você tem uma bandas bandas punks mais criativas de 2015. Bandcamp.

Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
"Coração do mar  é terra que ninguém conhece. Permanece ao largo e contém o próprio mundo como hospedeiro". Poucas bandas e cantoras tem a gana de começar o álbum cantando sem acompanhamento instrumental e claro que Elza Soares tem gana pra isso e muito mais. Embora não seja um álbum da contracultura feminista, ele precisa estar nesta lista porque há muitos anos Elza Soares (junto com outras artistas) é a resistência da mulher negra na música brasileira, porque ela cantou a primeira música que ouvi que critica abertamente a violência contra a mulher num cenário musical que é famoso justamente por romantizá-la (já que 'pancada de amor não dói'). Este é o meu álbum brasileiro preferido de 2015. Se ainda não ouviu, faça isso por você. Ouça.

Framboesas Radioativas - Gastropoda
Bragança Paulista (SP) tem a feliz tradição de ter boas bandas e as Framboesas Radioativas não foge desse clichê. Formada por duas Marinas e uma Sofia, elas dão conta de um punk rock requebrante com passagens lo-fi. Com algumas letras non-sense embaladas por solinhos marotos, ao vivo elas são melhores do que na gravação. É boa a surpresa de ver que todas, dependendo da música, cantam e tem uma boa química. Se tiver oportunidade de pegar um show delas, faça isso. Bandcamp

Framboesas Radioativas. Foto: Karina Lumina

Girlpool - Before The World Was Big
Este álbum conta com delicadeza, e de forma crua, o processo de entrar nos vinte e poucos anos. Os vocais intercalados de Harmony e Cleo se combinam aos riffs e dão muita sinceridade para o disco, que parece ter nascido no quarto delas. Já resenhamos o álbum, confira o soundcloud.

Hemming - ST
Se você está procurando por um álbum cheio de músicas animadas e que vão te inspirar os passinhos mais incri, acho que você não vai encontrar isso em Hemming. Isso porque o álbum é cheio de lindas músicas, pra ouvir nos dias que estamos cultivando aquela badzinha. Este é o atual projeto da Candice Martello (Omar) e mostra um outro lado dela, mais introspectivo e muito bem tocado, com uma sonoridade que me levou para as vibes tristes do folk. PS: A voz dela é maravilhosa, vale demais ouvir! Destaco: 'Some of My Friends', 'I'll Never be the Man For You' e 'Pins and Needles'. Site

High Dive - New Teeth
A primeira vez que eu ouvi.. chorei largada. Sou um clichê ambulante? O fato é que New Teeth acertou bem em cheio (como todos os álbuns do High Dive), naquele lugar que a gente deixa bem protegido pra não foder de novo. Este é o segundo full lenght da banda, que hoje conta com a Ginger (Good Luck) e Richard, que mudaram o som para melhor. Para ouvir e amar! Bandcamp

Homewreckers, The - I Statements
Que saudade desse vocal vomitadinho da Cristy Road! Homeweckers é uma banda pop punk queer, em que o punk sempre pesa mais um pouco. Tanto que é o som ideal pra pogar sem parar naquela festchinha com as amiges. I Statements dá um belo foda-se pra vida e pros dias ruins. Ouça! Bandcamp

Mercenárias - Demo 1983
As Mercenárias são uma das maiores bandas punks do Brasil e este ano o selo Nada Nada Discos relançou em versão compacto 7" a fita demo lançada em 1983. Com direito a fanzine e um box especial, o áudio foi restaurado pelo Estúdio Rocha e traz toda a 'tortice' que só as Mercenárias tem. Ainda, a banda - que voltou a tocar - foi capa da edição de novembro da Maximum RocknRoll. Bandcamp

Ostra Brains - Gelato Luv
Pode preparar os ouvidos para uma overdose de distorção garageira. Gelato Luv (Transfusão Noise)é um punk rock carregado de uma lofi-zera forte, que embala e chama pros passinhos. O disco é o primeiro registro da banda do Rio de Janeiro que tem a frontwoman Amanda Hawk, que tem um vocal certeiro. Destaco as tracks 'Belabee' e 'Tabaca Flames'. Bandcamp.

Preta Rara - Audácia
A resistência da mulher negra, a afirmação da identidade da mulher negra e não da 'mulata', a celebração da cultura africana: todos estes temas e outros estão apresentes em 'Audácia'. O álbum é pesado e tem músicas fodas, com ritmos e batidas diferentes entre si. Não sou "fluente" em resenhar rap e hip hop, muito pelo contrário. Por isso não vou forçar a barra pra tentar definir nada. Destaco: 'Jericó', 'Filha de Dandara' e 'Falsa Abolição'. Ouça.

Potty Mouth - S/T EP
Este power trio, formado por Abby (guitarra e voz). Victoria (bateria) e Ally (bass) leva as inspirações noventistas a sério, tanto que a influência grunge é forte e perceptível nessa gravação. A música grudentinha do ep é 'Long Haul'. Ah, e pelo que sei sobre elas, o nome da banda não é uma referência ao Bratmobile. Bandcamp.



Sheer Mag - Foto: Amanda Hatfield

Sheer Mag - II 7"
Para mim, o som setentista só fica bom quando combinado com punk rock. E é isso que o Sheer Mag faz de maneira muito competente. É difícil resistir ao vocal cheio de distorção da Tina Halladay, um dos instrumentos mais importantes da banda. Pode preparar pra dançar vários solos transantes. Destaco o hit 'Fan the Flames' e 'Button Up'. Bandcamp.

Sleater Kinney - No Cities To Love
O oitavo full lenght de Sleater Kinney, lançado pela Sub Pop, marca a volta da banda após um hiato de quase 8 longos anos. Este não é o meu disco preferido, mas claro que é ótimo. Ele segue uma sonoridade na linha do The Woods (2005), embora tenha músicas que não se encaixam muito bem aí. E isso é ótimo, porque é a essência de Sleater Kinney: a dificuldade de categorizar e a diferença entre as músicas. O álbum conta com canções que já são clássicas, como 'A New Wave', 'Gimmie Love', 'No Cities To Love' e 'Bury Our Friends'. Ele também está na categoria de álbuns que 'dancei sozinha no quarto'. Soundcloud.

Try The Pie - Domestication
Sabe aquela calmaria que até dá uma tristeza? Domestication é um álbum cheio de beleza, lo-fi e de riffs que te carregam pelas tuas lembranças e pela sonoridade da Bean Kaloni Tupou (Sourpatch, Crabapple). Altamente recomendável. Bandcamp.

Vexx - Give and Take
Um 7" com quatro músicas que já chega chutando a porta com a música 'Black/White'. Impossível resistir àquela junção linda do punk, os solos barulhentos e a cadência rockandroll que algumas bandas têm, e definitivamente Vexx é uma dessas bandas. O power trio de Olimpia é a banda que pegou, nesta lista, a característica de banda cheia de intensidade e que a cada acorda dá uma porrada. Audição essencial. Bandcamp.

Foto: Ellen Rumel

Waxahatchee - Ivy Tripp
Ivy Tripp é o álbum mais introspectivo e lento de Waxahatchee. Não é o meu preferido, mas suas qualidades são aparentes. É o disco, musicalmente falando, mais diferente dos outros dois anteriores (American Weekend, 2012 e Cerulean Salt (2013), que se aproxima de uma cadência triste como as letras. Katie Crutchfield, acompanhada por sua banda, fez muitos shows pelos EUA para divulgar o álbum (lançado pela Merge Records) e até abriu alguns shows de Sleater Kinney. A música que destaco é 'Half Moon', que me pegou com seus pianos. Site e Soundcloud.

Worriers - Imaginary Life
Se você me perguntar qual é o meu disco preferido deste ano, a resposta vem muito fácil: Imaginary Life, o primeiro full length de Worriers, lançado pela Don Giovanni Records.

Sinceramente? Não sei como ainda não enjoei, ouvi centenas de vezes. Talvez seja o álbum que mais ouvi este ano, e não por acaso. Estamos falando de um disco redondo, com letras e músicas impecáveis. Não há música "longa demais", que tenha um riff usado em excesso ou um refrão chato. Como o Mama comentou uma vez, a banda "fica cada vez melhor" e o mérito não é ser formada pelo 'creme de la crème' do Pop Punk.

Imaginary Life é um álbum que fala por ele mesmo, que não precisa se ancorar nos integrantes para ser bom. Com letras sobre violência policial ('Yes All Cops'), futuro ('Plans') e gente cínica ('Good Luck'), o disco trata com ironia suficiente o machismo ('Most Space'), as voltas que a vida dá, o 'crescer' e ainda tentar existir sendo punk. É o álbum que mais dancei sozinha, fiz air guitar (e todos 'air' instrumentos) e que me faz lembrar que apesar de duro, esse ano ensinou lições que não vou precisar me foder de novo para aprender.

Não tenho como destacar apenas uma música desse disco, pega ele aí: bandcamp.


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Outros lançamentos que não estão na lista (porque ouvimos muito pouco) e que talvez você goste: Don't Wanna Lose (clipe de Ex Hex), Art Angels (Grimes), Rose Mountain (Screaming Females), Selvática (Karina Buhr).

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Ilutração por: Teenage Micha - Me defino uma ilustradora auto didata de meia tigela,tentando vender minhas artes na praia. Meu amor por ilustração vem de cedo, principalmente meu gosto por anatomia,independente de gênero. Sempre com cautela,buscando ser fiel na representatividade, ainda no caminho da estrada das descobertas. 

Veja mais trabalhos dela, são incríveis: Facebook 

sábado, 14 de novembro de 2015

Fotoresenha: #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas por Coletivo Tiamät

Debate sobre Protagonismo Feminino no Punk


Todas as fotos por Ana Laura Leardini
Texto por Carla Duarte

Primeiramentche: isso não é uma resenha. É um textão, não só sobre o evento mas também sobre Feminismo Sul Fluminense, punk e amizadje.

Segundamentche: a fotoresenha é da Ana Laura, fotógrafa que admiro e que sempre mostra com muita beleza o que retrata. Ela já colaborou outra vez, com duas fotoresenhas do RVIVR, essa e essa. A foto do Ostra Brains é da Luiza Alves, coloquei para mostrar todas as bandas que tocaram.

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Por muitos anos me senti sozinha no role punk/hardcore do Sul Fluminense. Tinham poucas minas, eu não tinha muito contato com elas e essa região por muitos anos não teve uma articulação feminista jovem, dentro ou fora da contracultura. Por um tempo me senti uma feminista solitária também. Não conhecia nenhum grupo de feministas com as quais podia me articular ou apenas conversar. A internet não era o suficiente, era urgente ocupar a cidade, conversar com quem conhece os problemas regionais e construir coisas aqui.

Mas em 2011 as feministas de Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí e cidades dos arredores começaram a se organizar e fazer atos e marchas, principalmente para celebrar o 8 de março. Ao menos, foi nesse ano que as conheci e tive contato com elas. Quando vi essa movimentação, logo me aproximei, pois era (e é) fundamental para mim construir laços afetivos e políticos onde vivo. Desde então, além de ocuparmos a cidade, esse feminismo jovem começou a agregar muitas mulheres, mesmo de forma pontual. Por isso em 2012 e 2013 foi realizado um ato do 8 de março em Volta Redonda, em 2014 a Marcha das Vadias de Volta Redonda e neste ano um dia de rodas de conversa. 

Nessa época, eu já tinha me afastado bastante do role punk/hardcore porque não havia nada lá pra mim. Não tinha representatividade, não tinha feminismo, só tinha uma pá de boy otário e os meus amigos e amigas. Claro que ainda me sentia parte (uns boyzinho despolitizado não interferiram nisso), mas sentia falta, principalmente de garotas querendo construir um espaço menos sexista no punk/hardcore. 
Mas o fato de existir na época (e até hoje) uma construção feminista na cidade, era algo imenso.












Mas porque diabos estou falando tudo isso? É porque vejo uma conspiração de fatores que se entrelaçam e que hoje colocam num mesmo debate as minas do role punk, as minas da marcha e outras tantas que não conheço e que acho incrível elas terem colado. Hoje vejo muitas garotas que estão se aproximando para fazer coisas juntas. Hoje eu vejo boy otário no canto e no fundo do show. Vejo um coletivo só de garotas fazendo algo histórico: um show todo pautado no feminismo e nas minas. Isso ainda não tinha rolado por aqui.

No dia 8 de novembro (domingo) não me senti sozinha no role. Foi o primeiro show do Coletivo Tiamät, o #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas, que rolou na Toca do Arigó em Volta Redonda. Não me senti sozinha porque eu era a dona do role. Todas as minas eram! E olha, era muita, mas muita mulher. Havia um clima de diálogo, de abertura, de empatia que tomou o espaço e tornou aquilo meio mágico. E isso não é o meu olhar de pisciana mucho loca, isso é o que todas falaram durante e depois do evento. Todas fizeram algo incrível e foi muito foda poder estar lá.

As banquinhas estavam lindas! A Drunken Butterfly saiu do Rio especialmente pro show e trouxe zines, adesivos, colagens e fotografias incríveis. A Maracujá Roxa, também do Rio, trouxe zines, marcadores de livros, cadernos artesanais que se esgotaram num piscar de olhos. O Tiamät vendeu pão de mel, alfajor, coxinha, tudo vegan, claro. E também levou blusas do coletivo e patches maravilhosos. Também rolou a exposição de colagens da Luana Beez e o bazar do Tiamat.

E o que falar da decoração? Ela deu uma identidade ainda maior e mais forte pro evento. Pra onde você olhava tinha pisca pisca, bandeirinhas, cartazes definindo a política do coletivo e dizendo que espaço era aquele. Por exemplo, em vários locais tinha o "Vaza nudes? Sai fora". Já na porta do banheiro, tinha o "Ah, que isso, você está empoderada!". É o tipo de cuidado que não se vê muito e é algo muito importante. E eu não digo isso enquanto alguém que agora faz parte do coletivo, e sim enquanto pessoa que cola em eventos feitos por garotas e caras e que não via algo cuidadoso assim há muito tempo.










Eu estava com a minha banquinha e ajudando no corre, por isso não vi muitas coisas. Mas o que eu vi no debate sobre Protagonismo Feminino no Punk, foi uma sala com umas 100 mulheres com uma urgência gigantesca para desabafar e ouvir. O tema que dominou (para a surpresa de ninguém) foi a violência misógina, a partir de vários recortes. A presença das minas no punk (e a eterna mania dos caras agirem como se nós não estivéssemos lá) também foi conversado, assim como as milhares de pressões que as mulheres sofrem no cotidiano. 

Depois, rolou o show do Ostra Brains (Rio de Janeiro) que lançou recentemente o Gelato Luv (EP), não consegui pegar o show, mas dava pra ver e ouvir que estava bem da hora. Depois, foi a vez das Ratas Rabiosas (São Paulo) levarem o pogo punk pro show. Na sequencia, rolou a Oficina de Veganismo Popular com a Lauren Baqueiro, que além de fazer uma reflexão abolicionista e popular do veganismo, ensinou o pessoal a fazer sorvete com base de inhame. Teve degustação e todo mundo saiu lambendo o potinho. Não só é uma força de expressão, vi gente lambendo mesmo. 

O último show foi das Framboesas Radioativas (Bragança Paulista), o show que vi e dancei desde o início. Foi muito bom ver a ligação das meninas tocando, os riffs marotos e dançantes, a baterista tocando e cantando muito. Mas igualmente bom, foi ver todo mundo dançando, agitando, pogando de boa, sem dar problema nenhum. Ver as meninas ocupando todo o espaço e minhas migas suando, rindo e cantando  foi empoderador. 

Quando elas terminaram, rolaram os agradecimentos do coletivo e o momento mais carioca e fluminense (são coisas distintas) do role: uma session de funk, muitos das antigas, com todo mundo mexendo até o chão.

E olha.. já faz uma semana do evento e ele ainda está pulsando em muita gente. Mal posso esperar pelo próximo!

Veja mais fotos do evento, todas da Luiza Alves, aqui.




Rain Down My Miga On Me

Debate: Protagonismo Feminino no Punk


 





















Ostra Brains (RJ)

Ostra Brains por Luiza Alves


Oficina: Veganismo Popular por Lauren Baqueiro





 Ratas Rabiosas (SP)











Framboesas Radioativas (Bragança Paulista)









Fim do evento, agradecimentos, falatório e migas