Mostrando postagens com marcador ratas rabiosas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ratas rabiosas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de março de 2016

listamos: 15 bandas punks/hardcore brasileiras com mulheres para ouvir já!

DEF (Rio de Janeiro)

Feliz 2016!! =) Ainda tá podendo? Sem planejar, acabei tirando mais de dois meses de 'férias' do blog. E fazia muito tempo que eu não ficava tanto tempo assim sem atualizar. Superei o cansaço, o desânimo, a estafa causada pelo trabalho e estou aqui. É provável que neste ano as atualizações sejam ainda menos frequentes, devido ao meu ritmo de trabalho. Fico torcendo para que vocês não desistam do blog e de mim, pois vou sempre tentar atualizar o CT.

Mas falando do que interessa: bandas contraculturais brasileiras que tenham mulheres em sua formação. Mea culpa, mea maxima culpa. Assumo que falhei gloriosamente durante um tempo, pois postei pouco sobre a nossa terrinha e muito mais sobre os gringos. Com o blog, gostaria de inspirar garotas e mulheres a criar e divulgar cultura e contracultura feminista. E sei que para isso, é essencial nos sentirmos representadas, com bandas que partilham a nossa realidade e que falam a nossa língua. Claro que é viável nos inspirarmos com mulheres de qualquer lugar, mas sei que retratei pouco as brasileiras por aqui.

Confesso que as tretas que envolvem as punks/feministas/hardcoreanas/coloqueaquiseuadjetivo foi o que me desanimou. Mas o que há de se fazer? Largar isso e focar nas mulheres que estão compondo, tocando e sendo representativas no punk/hardcore. E o critério de seleção das bandas foi esse mesmo, focando em bandas que estão ativas, sejam elas exclusivamente femininas ou mistas! Bora?


Def 

Sem dúvida, a banda que mais mexeu comigo recentemente é a Def, do Rio de Janeiro. Assisti a banda ao vivo no #2 Ah! Que Isso! Elas Estão Empoderadas!, evento realizado no dia 6 de março pelo Coletivo Tiamät, em Volta Redonda. Não conhecia a banda, logo, não tinha expectativas. Qual foi o meu assombro quando elas começaram a tocar e poder verouvir aquele peso, aquele timbre, aquilo tudo que eles fizeram. Foram muitos feelings. É visível que todos tocam muito bem, mas além disso, o que dá beleza pra coisa é ver o entrosamento deles. Se for pra arriscar dizer alguma coisa, diria que eles ouviram um bocado de Sonic Youth, Fugazi e Hurtmold. A boa notícia é que em breve eles vão gravar! Enquanto isso pega este teaser:




Post

Pode sentar na sua cadeira confortável, pegar o café - a.k.a a bebida ideal para te acompanhar - para uma audição de um som experimental. Post é um duo, formado por Vanessa de Michelis (guitarra e trompete) e Jiulian Gonçalves (bateria), que comunica questionamentos e posicionamentos político-afetivos de inúmeras formas. O som é pra pirar! Além desta sessão ao vivo, uma k7 da banda foi lançada pelo selo Dama da Noite, ouça aqui.





Belicosa

Mais uma banda do Rio de Janeiro na lista! Para quem gosta de som torto e gritado, pra ficar chacoalhando a cabeça a pedida é pegar o Soundcloud delas. A banda, formada por Letícia (Trash No Star), Rosário, Sofia e Bonnie já avisou que em breve terá novidades. Acompanhe as aventuras da banda pelo Facebook também.



A Vingança de Jennifer

Foto: Felipe Mertens Brancher

Estamos falando de punk rock torto, gritado, com vozes agudinhas que seguem a escola de punk rock feminista brasileira. E dá mais gosto ainda porque a banda, de Canoas (RS), é todinha formada por mulheres. Fico na torcida por uma demo delas logo! Enquanto isso, pega o Soundcloud e Facebook.




Oldscratch




Sabe como eu conheci este power trio de Maceió? Pela #punkfeminista, que eu uso em alguns posts no Instagram do blog, haha. Que bom que elas também usam, pois assim ouvi aquele hardcore cadenciado daquele jeitinho bom pra pogar. As letras são feministas, e a banda também se denomina assim. 'Padrões de Conserva', disco da banda, está disponível no bandcamp e em formato físico, ouça logo!




Ratas Rabiosas

Punk rock sem firulas de São Paulo. A banda é toda formada por mulheres e fez uma música criticando os 'Kings' - grupo de whatsapp formada por homens da cena Straight Edge de São Paulo que, sem consentimento, vazavam fotos de mulheres com as quais eles se relacionaram - que nos representa. Elas já tem uma demo lançada e alguns zines. Para quem se interessar, esta é a fan page delas e este o soundcloud.



She Hoos Go

Ativa há 6 anos, hoje a She Hoos Go (Pelotas/RS) tem uma nova formação e prepara um EP para este ano. 'Por La Libertad' é a música que dá título ao lançamento e já foi liberada, e é bem diferente das outras músicas da banda. Se antes elas tocavam um rock delícia que lembra The Donnas, agora elas mostram o lado hardcore, bem tocado e pesado. Inclusive, a música 'Nothing' saiu na Coletânea Histérica, apenas de bandas contraculturais do Brasil. Ouça e siga!




Nuclëar Fröst

Curto também D-Beat e Thrash Metal, apesar de não postar muito sobre sons assim. Por isso, aproveitei para indicar a Nuclëar Fröst, banda de São Paulo que tem o vocal fodido da Gaby. Ouça mais no bandcamp.







Framboesas Radioativas 

De Bragança Paulista (SP), as Framboesas Radioativas vão te fazer pular, dançar e pogar com músicas muito bem executadas e um show que é uma belezinha. Pega o Facebook delas e o bandcamp!



Pagu Funk

Periféricas, perigosas, as funkeiras mais babado do país não podiam faltar nesta lista. Pagu Funk fala de resistência, sobrevivência e empoderamento usando a música que as perifas do Rio de Janeiro mais entendem, o funk. E é bom demais! Facebook e Soundcloud.






Trash No Star



Lo-fizera, punk, dancinhas e aquela pessoa maravilhosa que é a Letícia Lopes na guitarra e voz. Tá bom ou quer mais? TNS é do Rio de Janeiro, pega o bandcamp!


Deb And The Mentals

Esta banda de São Paulo não se encaixa muito bem em 'punk/hardcore', maaaas, é aquele rock meio 70, meio dançante, com a super presença de palco da Deb Babilônia. Por isso, acho válido uma ouvida e uma dançada. Assisti um show deles que foi loucura, por isso se tiver a chance, aproveite! Bandcamp.




Catilinárias

Power trio do Rio de Janeiro que tem uma sonoridade punk/grunge. A banda é formada somente por mulheres! Pega o Facebook delas.



Deskraus 

Também de Bragrança Paulista, elas fazem um punk/hardcore cadenciadinho e lançaram no ano passado o EP 'Deskraus'. Bandcamp e Facebook.





Ostra Brains

Os Cabeças de Ostra são do Rio de Janeiro, e se embriagaram nas bandas clássicas de Hardcore dos anos 1980 e começaram a tocar. Já estou numa fase de ouvi-los e praticar a famosa modalidade de 'pogo na cadeira'. O vocal poderoso é da Amanda Hawk, que lacra muitas e muitas vezes. Bandcamp e Facebook.





Conhece alguma banda massa que não está na lista? Indica aí nos comentários! =)

sábado, 14 de novembro de 2015

Fotoresenha: #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas por Coletivo Tiamät

Debate sobre Protagonismo Feminino no Punk


Todas as fotos por Ana Laura Leardini
Texto por Carla Duarte

Primeiramentche: isso não é uma resenha. É um textão, não só sobre o evento mas também sobre Feminismo Sul Fluminense, punk e amizadje.

Segundamentche: a fotoresenha é da Ana Laura, fotógrafa que admiro e que sempre mostra com muita beleza o que retrata. Ela já colaborou outra vez, com duas fotoresenhas do RVIVR, essa e essa. A foto do Ostra Brains é da Luiza Alves, coloquei para mostrar todas as bandas que tocaram.

--------------------------------------------------------------

Por muitos anos me senti sozinha no role punk/hardcore do Sul Fluminense. Tinham poucas minas, eu não tinha muito contato com elas e essa região por muitos anos não teve uma articulação feminista jovem, dentro ou fora da contracultura. Por um tempo me senti uma feminista solitária também. Não conhecia nenhum grupo de feministas com as quais podia me articular ou apenas conversar. A internet não era o suficiente, era urgente ocupar a cidade, conversar com quem conhece os problemas regionais e construir coisas aqui.

Mas em 2011 as feministas de Barra Mansa, Volta Redonda, Barra do Piraí e cidades dos arredores começaram a se organizar e fazer atos e marchas, principalmente para celebrar o 8 de março. Ao menos, foi nesse ano que as conheci e tive contato com elas. Quando vi essa movimentação, logo me aproximei, pois era (e é) fundamental para mim construir laços afetivos e políticos onde vivo. Desde então, além de ocuparmos a cidade, esse feminismo jovem começou a agregar muitas mulheres, mesmo de forma pontual. Por isso em 2012 e 2013 foi realizado um ato do 8 de março em Volta Redonda, em 2014 a Marcha das Vadias de Volta Redonda e neste ano um dia de rodas de conversa. 

Nessa época, eu já tinha me afastado bastante do role punk/hardcore porque não havia nada lá pra mim. Não tinha representatividade, não tinha feminismo, só tinha uma pá de boy otário e os meus amigos e amigas. Claro que ainda me sentia parte (uns boyzinho despolitizado não interferiram nisso), mas sentia falta, principalmente de garotas querendo construir um espaço menos sexista no punk/hardcore. 
Mas o fato de existir na época (e até hoje) uma construção feminista na cidade, era algo imenso.












Mas porque diabos estou falando tudo isso? É porque vejo uma conspiração de fatores que se entrelaçam e que hoje colocam num mesmo debate as minas do role punk, as minas da marcha e outras tantas que não conheço e que acho incrível elas terem colado. Hoje vejo muitas garotas que estão se aproximando para fazer coisas juntas. Hoje eu vejo boy otário no canto e no fundo do show. Vejo um coletivo só de garotas fazendo algo histórico: um show todo pautado no feminismo e nas minas. Isso ainda não tinha rolado por aqui.

No dia 8 de novembro (domingo) não me senti sozinha no role. Foi o primeiro show do Coletivo Tiamät, o #1 Ah! Que isso! Elas estão empoderadas, que rolou na Toca do Arigó em Volta Redonda. Não me senti sozinha porque eu era a dona do role. Todas as minas eram! E olha, era muita, mas muita mulher. Havia um clima de diálogo, de abertura, de empatia que tomou o espaço e tornou aquilo meio mágico. E isso não é o meu olhar de pisciana mucho loca, isso é o que todas falaram durante e depois do evento. Todas fizeram algo incrível e foi muito foda poder estar lá.

As banquinhas estavam lindas! A Drunken Butterfly saiu do Rio especialmente pro show e trouxe zines, adesivos, colagens e fotografias incríveis. A Maracujá Roxa, também do Rio, trouxe zines, marcadores de livros, cadernos artesanais que se esgotaram num piscar de olhos. O Tiamät vendeu pão de mel, alfajor, coxinha, tudo vegan, claro. E também levou blusas do coletivo e patches maravilhosos. Também rolou a exposição de colagens da Luana Beez e o bazar do Tiamat.

E o que falar da decoração? Ela deu uma identidade ainda maior e mais forte pro evento. Pra onde você olhava tinha pisca pisca, bandeirinhas, cartazes definindo a política do coletivo e dizendo que espaço era aquele. Por exemplo, em vários locais tinha o "Vaza nudes? Sai fora". Já na porta do banheiro, tinha o "Ah, que isso, você está empoderada!". É o tipo de cuidado que não se vê muito e é algo muito importante. E eu não digo isso enquanto alguém que agora faz parte do coletivo, e sim enquanto pessoa que cola em eventos feitos por garotas e caras e que não via algo cuidadoso assim há muito tempo.










Eu estava com a minha banquinha e ajudando no corre, por isso não vi muitas coisas. Mas o que eu vi no debate sobre Protagonismo Feminino no Punk, foi uma sala com umas 100 mulheres com uma urgência gigantesca para desabafar e ouvir. O tema que dominou (para a surpresa de ninguém) foi a violência misógina, a partir de vários recortes. A presença das minas no punk (e a eterna mania dos caras agirem como se nós não estivéssemos lá) também foi conversado, assim como as milhares de pressões que as mulheres sofrem no cotidiano. 

Depois, rolou o show do Ostra Brains (Rio de Janeiro) que lançou recentemente o Gelato Luv (EP), não consegui pegar o show, mas dava pra ver e ouvir que estava bem da hora. Depois, foi a vez das Ratas Rabiosas (São Paulo) levarem o pogo punk pro show. Na sequencia, rolou a Oficina de Veganismo Popular com a Lauren Baqueiro, que além de fazer uma reflexão abolicionista e popular do veganismo, ensinou o pessoal a fazer sorvete com base de inhame. Teve degustação e todo mundo saiu lambendo o potinho. Não só é uma força de expressão, vi gente lambendo mesmo. 

O último show foi das Framboesas Radioativas (Bragança Paulista), o show que vi e dancei desde o início. Foi muito bom ver a ligação das meninas tocando, os riffs marotos e dançantes, a baterista tocando e cantando muito. Mas igualmente bom, foi ver todo mundo dançando, agitando, pogando de boa, sem dar problema nenhum. Ver as meninas ocupando todo o espaço e minhas migas suando, rindo e cantando  foi empoderador. 

Quando elas terminaram, rolaram os agradecimentos do coletivo e o momento mais carioca e fluminense (são coisas distintas) do role: uma session de funk, muitos das antigas, com todo mundo mexendo até o chão.

E olha.. já faz uma semana do evento e ele ainda está pulsando em muita gente. Mal posso esperar pelo próximo!

Veja mais fotos do evento, todas da Luiza Alves, aqui.




Rain Down My Miga On Me

Debate: Protagonismo Feminino no Punk


 





















Ostra Brains (RJ)

Ostra Brains por Luiza Alves


Oficina: Veganismo Popular por Lauren Baqueiro





 Ratas Rabiosas (SP)











Framboesas Radioativas (Bragança Paulista)









Fim do evento, agradecimentos, falatório e migas