Sabe o que acontece quando eu faço muita hora extra? O Links da Semana fica menorzinho. Mas estamos aqui, apesar de tudo. Para vocês terem noção, o meu velhobook demora tanto para um site que dá até pra eu pentear o meu cabelo. E eu tenho cabelo pra caralho! Digo isso porque de fato eu aproveitei o tempo pra desembaraça-lo. Mas o post foi feito com o mesmo carinho de sempre. Espero que vocês gostem!
Worriers
Não shippo apenas personagens de séries e filmes não. Shippo bandas (com outras e comigo mesma) e os casais que tocam juntes. E já estou num nível da vida de desprendimento que falo que eu shippo e acho muito lindo, criativo, inspirador e maravilhoso o casal Lauren e Lou, do Worriers. Aí essa semana a Lauren atualizou a fanpage do Worriers dizendo que "Esta música é sobre relacionamentos a distância e sobre o quanto eu amo nossa guitarrista". Eu gritei e amei muito a gravação, feita durante o SXSW. A qualidade nem é tão diva assim, mas Worriers é minha crush band (quem lê aqui sabe) e claro que esse vídeo entra no Links da Semana!
Filmes dirigidos por mulheres para vez este mês
Mensalmente o Mulher no Cinema seleciona filmes dirigidos por mulheres.Eu não conhecia e nem tinha ouvido falar em nenhum deles.Bora celebrar mais diretoras e roteiristas e menos diretores sexistas e pedófilos? Confira aqui!
Trabalho para as mulheres que vivem na periferia
Há algumas semanas vi um post/anúncio de emprego que me perguntei se era real, e acho que é sim. A empresa queria contratar mulheres que vivem na periferia de SP, com filhos e com horários diferentes. Ela queria contratar as mulheres que mais precisam de renda dentro do espaço delas. Em um mundo em que algumas pessoas acordam 4h antes do horário do trabalho, iniciativas assim são mais do que urgentes e fundamentais. Leia aqui. Ressignificando transtornos de ansiedade
Espero que você não tenha vivido isso e que nunca viva. Mas para quem já passou por ataques de ansiedade, esta leitura é interessante. Claro, pode ser muito acionadora de experiências traumáticas. Ao mesmo tempo, pode oferecer novas perspectivas. A ideia de Ralph Rocha ée pensar nelas como crises de sentido, nas quais inúmeras sensações são avalancadas de uma só vez. Acho que vale a reflexão, leia aqui.
Planejando um mochilão autônomo
O blog Viaje por Si preparou este pequeno guia com muitas dicas para quem está planejando uma viagem independente, sem hotéis, agências ou coisas assim. Por causa do meu 'punk way' a forma autônoma sempre foi a que usei, embora nunca tenha viajado para o exterior. E eu nunca planejei uma viagem longa, então não posso opinar muito no post. Mas pelo que li, era bem coerente e com dicas interessantes. Leia aqui.
Mulheres viajando juntas
Quando mulheres viajam juntas é comum ouvirem 'mas vocês não têm medo de irem sozinhas'? A máxima de ensinar as mulheres a temer e não os homenes a não estuprarem, perseguirem e matarem é levada em todas as esferas da vida, infelizmente. E é sobre isso que a Brena escreve neste post. Uma reflexão urgente para pessoas que não entendem que mulheres podem viver sem a tutela masculina. Arminina
Não deixe de ler esse zine recheado de ilustrações lindas. Arminina é um coletivo cearense e esta é a primeira publicação delas. Leia aqui. A geração de pessoas que se sabotam emocionalmente
Você está em luto porque alguém destruiu você ou seu coração? Você afasta pessoas legais porque não quer se magoar? Você acha que está quebrada e por isso precisa se afastar de quem gosta de você? Você fica trepando com quem já deixou claro que só quer sexo e você quer mais? Torço para que você consiga superar isso e cultivar amo próprio, que é difícil pra caralho. E ler este texto pode te ajudar, vai que né.
Framboesas Radioativas
Vou fazer aquela divulgação do meu texto na Ovelha sim! Se você ainda não conhece, ouça Framboeas Radioativas, power trio feminista de Bragança Paulista que faz aquele punk rock gostosinho. Leia o texto e ouça a banda!
Você importa
Sempre que vejo essa imagem fico feliz. Não sei a autoria, mas nesse mundo capitalista do cão é sempre fundamental lembrar que "Você vale muito mais do que a sua produtividade".
Esta é a terceira lista de 'melhores de ano' que publicamos! Mas ela já começa diferente das outras duas pelo título: abandonamos o 'melhores' e adotamos o 'destaques'. Pode parecer ridículo, mas ainda não tinha caído a ficha que é ruim usar 'melhores' do ano, pois implica que há 'piores' e também pode soar autoritário.
Nessa lista não constam indicações de zines, mas pretendemos fazer um post só pra eles. Outra diferença desta lista para as outras, é que esta é a primeira que escrevo sozinha. E poxa, dá um friozinho grande na barriga.
O objetivo do Destaques de 2015 é compartilhar os clipes, shows e álbuns que mais gostamos neste ano, feitos por mulheres e feministas. A lista sempre é construída a partir de uma perspectiva contracultural, DIY, punk, feminista, não homofóbica e não racista. A proposta não é fazer um post masturbatório, exibindo 'bandas desconhecidas' ou qualquer bosta do tipo.
Queremos ajudar a dar visibilidade a uma parte da música faça você mesma que muitas vezes não é celebrada. Por isso, por mais que eu goste do álbum novo do Slayer ou queira falar sobre o Bitch, Better Have My Money, da Riri, não vou fazer isto porque foge do nosso objetivo. Tanto que alguns álbuns da lista ouvi demais, outros bem pouco, mas resolvi colocar todos esses prol da visibilidade.
Como esta lista foi organizada? Primeiro, as categorias 'clipe', 'música', 'show' e 'álbuns favoritos', sempre em ordem alfabética. E o mais legal: compartilha nos comentários a sua lista de destaques do ano? :D
Downtown Boys, Wave of History
O single 'Wave of History', do álbum Full Comunism, é uma aula de história dançante sobre alguns fatos da política norte-americana, que linka o curso da história com a violência policial. Além de uma música energética, com sax e tudo, cantada pela furiosa Victoria Ruiz, o clipe tem o mérito de deixar infográficos ainda mais legais. Downtown Boys é uma banda bi lingue de Providence (Rhode Island) que teve seu ábum lançado pela Don Giovanni Records. Bandcamp
Hemming, Some of My Friends
As primeiras vezes que assisti este clipe chorei largada. Simples assim. Acredito em "amor a primeira ouvida" e mesmo já sendo fã da Candice Martello (Omar), Hemming me pegou de jeito. Isso porque poucas músicas já chegam chutando a porta do coração e mandando a realzona, sabe? E 'Some of My Friends' fez isso. A espontaneidade e amizade que o clipe transborda chamou as minhas lembranças de 'some of my friends' e de mim mesma. Site.
Sheer Mag, Fan the Flames
Sensacional. Pra dançar lynda até ficar suada (o que não é difícil nesse verãozinho, né?)
Worriers, Chasing
O clipe mais divertido do ano me fez dançar sozinha no quarto incontáveis vezes em 2015. 'Chasing' é a baladinha fofa do Worriers, que dá o papo: 'It was addictive to be wanted like that, for a moment, to be wanted like that'. A letra super crush, mais o figurino setentista, o clima do clipe, a história, a banda.. tudo é foda! Bandcamp.
MC Carol - Não foi Cabral
Ela quebrou tudo ao contestar as narrativas sobre o 'descobrimento' do Brasil. A música despertou um debate importante entre os estudantes e ainda permitiu uma boa requebração. Ouça.
Lilian Lessa - O Mal Pela Raiz
Não gosto de sons psicodélicos ou de bandas dos anos 1970, mas abro uma bela exceção para 'O Mal Pela Raiz', da musicista Lilian Lessa, de Maceió. Isso porque essa sonoridade combinou perfeitamente com o deboche feminista e a letra que reconta a origem da humanidade a partir de uma perspectiva feminista. Sabe aquele papo de maçã, costela? Já aprendemos todas que todos vieram do útero. Na verdade, melhor do que ler minha micro resenha é ouvi-la. Lilian Lessa também toca no Messias Elétrico e Necro. Bandcamp.
Luana Hansen - Negras em Marcha
'Negras em Marcha' é uma música incrível composta pela MC e DJ Luana Hansen para a Marcha das Mulheres Negras. É uma aula de história, empoderamento e justiça social. Assista o clipe.
MC Soffia - Menina Pretinha
Se as feministas atuais incomodam.. o que dizer das que estão chegando e as que vão chegar? MC Soffia é uma criança empoderada e que abraçou uma linda missão: empoderar outras crianças. Nessa letra ela critica a exotificação das meninas negras. Ouça!
RVIVR no Rock Together (São Paulo)
Já passaram mais de seis meses deste show e ainda consigo sentir o calor concentrado do show. Aquela quase vertigem causada pelo calor e que foi vencida de tanto dançar. Para mim, música é medicina e RVIVR é um dos melhores remédios. Os sorrisos que a banda troca enquanto afina os instrumentos, os "uô, uô, uô", o suor, as músicas novas e antigas exorcizando demônios: tudo isso fez com que esse fosse o melhor show que fui este ano. Bandcamp.
RVIVR @ Porão da San Fran (SP) - Foto: Ana Laura Leardini
Against Me! - 23 Live Sex Acts
Se o álbum White Crosses (2010) quase retirou a importância política de Against Me!, Transgender Dysphoria Blues (2014) a devolveu e fez deste álbum um dos mais relevantes da década. É o álbum após Laura Jane Grace anunciar publicamente que é uma mulher trans e carrega toda esta subjetividade. O mesmo acontece com 23 Live Sex Acts, que conta com músicas do álbum anterior e outros clássicos da banda. É o álbum que mistura passado e presente com a mesma voz maravilhosa da Laura. É uma audição importante pra todas as viciadas em música punk. Ouça.
All Dogs - Kicking Every Day Kicking Every Day tem 10 músicas e traz um All Dogs mais cadenciado, lento e com riffs que se constroem aos poucos. Ainda é All Dogs, ainda é pop punk, ainda tem um vocal bonitasso. A mudança só deixou a banda mais interessante e boa para os ouvidos. Bandcamp.
Aye Nako - The Blackest Eye The Blackest Eye é mais um lançamento fera da Don Giovanni Records. O álbum é o mais diferente de Aye Nako, que a distanciou do pop punk e a aproximou de um som mais experimental, com toques lo-fi. Destaque para 'Human Shield', a menor música do disco. Bandcamp.
Chastity Belt - Time to Go Home
Que vozes, que guitarra! A música que dá nome ao álbum me remeteu a três cenários: um dia chuvoso qualquer, uma tarde de chapação e também a um som pra deixar rolando na hora de trepar. A proposta não é ser uma Portishead da vida (nem de longe), mas as dedilhadas longas e preguiçosas com toda aquela distorção e reverb já jogaram essas vibes. Elas são de Seattle e olha, fazia tempo que uma banda não me deixava de cara assim. Já vai pra minha lista de ~bandas a secar em 2016~ porque vai ter harmônica e criar climão assim lá longe. Bandcamp.
Downtown Boys, Full Comunism
Algumas palavras são sedutoras. Para esta punk feminista, 'punk', 'dançante' e 'político' funcionam assim. Ainda mais quando a banda em questão é a competente Downtown Boys, que personifica o "Seu eu não puder dançar, não é a minha revolução". Some a isso a lindíssima língua espanhola e você tem uma bandas bandas punks mais criativas de 2015. Bandcamp.
Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo "Coração do mar é terra que ninguém conhece. Permanece ao largo e contém o próprio mundo como hospedeiro". Poucas bandas e cantoras tem a gana de começar o álbum cantando sem acompanhamento instrumental e claro que Elza Soares tem gana pra isso e muito mais. Embora não seja um álbum da contracultura feminista, ele precisa estar nesta lista porque há muitos anos Elza Soares (junto com outras artistas) é a resistência da mulher negra na música brasileira, porque ela cantou a primeira música que ouvi que critica abertamente a violência contra a mulher num cenário musical que é famoso justamente por romantizá-la (já que 'pancada de amor não dói'). Este é o meu álbum brasileiro preferido de 2015. Se ainda não ouviu, faça isso por você. Ouça.
Framboesas Radioativas - Gastropoda
Bragança Paulista (SP) tem a feliz tradição de ter boas bandas e as Framboesas Radioativas não foge desse clichê. Formada por duas Marinas e uma Sofia, elas dão conta de um punk rock requebrante com passagens lo-fi. Com algumas letras non-sense embaladas por solinhos marotos, ao vivo elas são melhores do que na gravação. É boa a surpresa de ver que todas, dependendo da música, cantam e tem uma boa química. Se tiver oportunidade de pegar um show delas, faça isso. Bandcamp
Framboesas Radioativas. Foto: Karina Lumina
Girlpool - Before The World Was Big
Este álbum conta com delicadeza, e de forma crua, o processo de entrar nos vinte e poucos anos. Os vocais intercalados de Harmony e Cleo se combinam aos riffs e dão muita sinceridade para o disco, que parece ter nascido no quarto delas. Já resenhamos o álbum, confira o soundcloud. Hemming - ST
Se você está procurando por um álbum cheio de músicas animadas e que vão te inspirar os passinhos mais incri, acho que você não vai encontrar isso em Hemming. Isso porque o álbum é cheio de lindas músicas, pra ouvir nos dias que estamos cultivando aquela badzinha. Este é o atual projeto da Candice Martello (Omar) e mostra um outro lado dela, mais introspectivo e muito bem tocado, com uma sonoridade que me levou para as vibes tristes do folk. PS: A voz dela é maravilhosa, vale demais ouvir! Destaco: 'Some of My Friends', 'I'll Never be the Man For You' e 'Pins and Needles'. Site
High Dive - New Teeth
A primeira vez que eu ouvi.. chorei largada. Sou um clichê ambulante? O fato é que New Teeth acertou bem em cheio (como todos os álbuns do High Dive), naquele lugar que a gente deixa bem protegido pra não foder de novo. Este é o segundo full lenght da banda, que hoje conta com a Ginger (Good Luck) e Richard, que mudaram o som para melhor. Para ouvir e amar! Bandcamp
Homewreckers, The - I Statements
Que saudade desse vocal vomitadinho da Cristy Road! Homeweckers é uma banda pop punk queer, em que o punk sempre pesa mais um pouco. Tanto que é o som ideal pra pogar sem parar naquela festchinha com as amiges. I Statements dá um belo foda-se pra vida e pros dias ruins. Ouça! Bandcamp
Mercenárias - Demo 1983
As Mercenárias são uma das maiores bandas punks do Brasil e este ano o selo Nada Nada Discos relançou em versão compacto 7" a fita demo lançada em 1983. Com direito a fanzine e um box especial, o áudio foi restaurado pelo Estúdio Rocha e traz toda a 'tortice' que só as Mercenárias tem. Ainda, a banda - que voltou a tocar - foi capa da edição de novembro da Maximum RocknRoll. Bandcamp
Ostra Brains - Gelato Luv
Pode preparar os ouvidos para uma overdose de distorção garageira. Gelato Luv (Transfusão Noise)é um punk rock carregado de uma lofi-zera forte, que embala e chama pros passinhos. O disco é o primeiro registro da banda do Rio de Janeiro que tem a frontwoman Amanda Hawk, que tem um vocal certeiro. Destaco as tracks 'Belabee' e 'Tabaca Flames'. Bandcamp.
Preta Rara - Audácia
A resistência da mulher negra, a afirmação da identidade da mulher negra e não da 'mulata', a celebração da cultura africana: todos estes temas e outros estão apresentes em 'Audácia'. O álbum é pesado e tem músicas fodas, com ritmos e batidas diferentes entre si. Não sou "fluente" em resenhar rap e hip hop, muito pelo contrário. Por isso não vou forçar a barra pra tentar definir nada. Destaco: 'Jericó', 'Filha de Dandara' e 'Falsa Abolição'. Ouça.
Potty Mouth - S/T EP
Este power trio, formado por Abby (guitarra e voz). Victoria (bateria) e Ally (bass) leva as inspirações noventistas a sério, tanto que a influência grunge é forte e perceptível nessa gravação. A música grudentinha do ep é 'Long Haul'. Ah, e pelo que sei sobre elas, o nome da banda não é uma referência ao Bratmobile. Bandcamp.
Sheer Mag - Foto: Amanda Hatfield
Sheer Mag - II 7"
Para mim, o som setentista só fica bom quando combinado com punk rock. E é isso que o Sheer Mag faz de maneira muito competente. É difícil resistir ao vocal cheio de distorção da Tina Halladay, um dos instrumentos mais importantes da banda. Pode preparar pra dançar vários solos transantes. Destaco o hit 'Fan the Flames' e 'Button Up'. Bandcamp.
Sleater Kinney - No Cities To Love
O oitavo full lenght de Sleater Kinney, lançado pela Sub Pop, marca a volta da banda após um hiato de quase 8 longos anos. Este não é o meu disco preferido, mas claro que é ótimo. Ele segue uma sonoridade na linha do The Woods (2005), embora tenha músicas que não se encaixam muito bem aí. E isso é ótimo, porque é a essência de Sleater Kinney: a dificuldade de categorizar e a diferença entre as músicas. O álbum conta com canções que já são clássicas, como 'A New Wave', 'Gimmie Love', 'No Cities To Love' e 'Bury Our Friends'. Ele também está na categoria de álbuns que 'dancei sozinha no quarto'. Soundcloud.
Try The Pie - Domestication
Sabe aquela calmaria que até dá uma tristeza? Domestication é um álbum cheio de beleza, lo-fi e de riffs que te carregam pelas tuas lembranças e pela sonoridade da Bean Kaloni Tupou (Sourpatch, Crabapple). Altamente recomendável. Bandcamp.
Vexx - Give and Take
Um 7" com quatro músicas que já chega chutando a porta com a música 'Black/White'. Impossível resistir àquela junção linda do punk, os solos barulhentos e a cadência rockandroll que algumas bandas têm, e definitivamente Vexx é uma dessas bandas. O power trio de Olimpia é a banda que pegou, nesta lista, a característica de banda cheia de intensidade e que a cada acorda dá uma porrada. Audição essencial. Bandcamp.
Waxahatchee - Ivy Tripp Ivy Tripp é o álbum mais introspectivo e lento de Waxahatchee. Não é o meu preferido, mas suas qualidades são aparentes. É o disco, musicalmente falando, mais diferente dos outros dois anteriores (American Weekend, 2012 e Cerulean Salt (2013), que se aproxima de uma cadência triste como as letras. Katie Crutchfield, acompanhada por sua banda, fez muitos shows pelos EUA para divulgar o álbum (lançado pela Merge Records) e até abriu alguns shows de Sleater Kinney. A música que destaco é 'Half Moon', que me pegou com seus pianos. Site e Soundcloud.
Worriers - Imaginary Life
Se você me perguntar qual é o meu disco preferido deste ano, a resposta vem muito fácil: Imaginary Life, o primeiro full length de Worriers, lançado pela Don Giovanni Records.
Sinceramente? Não sei como ainda não enjoei, ouvi centenas de vezes. Talvez seja o álbum que mais ouvi este ano, e não por acaso. Estamos falando de um disco redondo, com letras e músicas impecáveis. Não há música "longa demais", que tenha um riff usado em excesso ou um refrão chato. Como o Mama comentou uma vez, a banda "fica cada vez melhor" e o mérito não é ser formada pelo 'creme de la crème' do Pop Punk.
Imaginary Life é um álbum que fala por ele mesmo, que não precisa se ancorar nos integrantes para ser bom. Com letras sobre violência policial ('Yes All Cops'), futuro ('Plans') e gente cínica ('Good Luck'), o disco trata com ironia suficiente o machismo ('Most Space'), as voltas que a vida dá, o 'crescer' e ainda tentar existir sendo punk. É o álbum que mais dancei sozinha, fiz air guitar (e todos 'air' instrumentos) e que me faz lembrar que apesar de duro, esse ano ensinou lições que não vou precisar me foder de novo para aprender.
Não tenho como destacar apenas uma música desse disco, pega ele aí: bandcamp.
---------------------------------
Outros lançamentos que não estão na lista (porque ouvimos muito pouco) e que talvez você goste: Don't Wanna Lose (clipe de Ex Hex), Art Angels (Grimes), Rose Mountain (Screaming Females), Selvática (Karina Buhr).
--------------------------------
Ilutração por: Teenage Micha - Me defino uma ilustradora auto didata de meia tigela,tentando vender minhas artes na praia. Meu amor por ilustração vem de cedo, principalmente meu gosto por anatomia,independente de gênero. Sempre com cautela,buscando ser fiel na representatividade, ainda no caminho da estrada das descobertas. Veja mais trabalhos dela, são incríveis: Facebook
Worriers (de Brooklyn, Nova Iorque) está em tour pelos Estados Unidos, e esse é o plano de fundo principal do clipe de "Plans", feito por Jordan Swartz. O único "defeito" é ser tão curtinho, porque a gente quer ver sempre mais trechos de shows e imagens da tour. Esse é o terceiro clipe do Worrries, os outros dois são de "Most Space" e "Chasing". A música faz parte de Imaginary Life primeiro full lenght da banda, lançado em agosto pela Don Giovanni Records e produzido pela Lauren Jane Grace (Against Me!)
Bandas com letras pessoas e políticas são as minhas preferidas. A escrita de Worriers é assim e "Plans" não poderia ser diferente, ao menos na minha interpretação.
"Repetition becomes so comforting,Barely notice when someone stops listening.Can I admit that we are better off independently?Can’t stop now cause we’ve got plans, we’ve got plans, we’ve got plans."
Esses trechos me remetem à rotina de trabalho, que por mais desgastante e enjauladora seja, acaba se tornando confortável - não porque é macio e não aperta - mas porque as outras possibilidades estão longes demais e no fim do mês você continua tendo que pagar contas. E o refrão salva, falando sobre planos, e para mim possibilidade deles trazerem a nossa vida real um dia. Tão real quanto como nos sentimos no show da nossa banda preferida. Imagina sentir isso várias vezes!! Isso é vida real.
Queria não precisar fazer um recorte de gênero sobre música. Isso significaria que existiria um número de mulheres tão alto quanto de homens na música (seja ela independente ou não); que bandas extremas formadas por mulheres seriam algo corriqueiro; que provavelmente (eu gostaria disso) teríamos menos conteúdo sexista, machista para ouvir.
Mas, enquanto esse dia não chega, faço essa lista para ajudar quem está procurando referências de minas fodas e que mandam muito. Ah, e sem contar que essa é mais uma chance pra você se apaixonar por Pop Punk, caso ainda esteja apenas flertando!
PS: O objetivo desta lista é indicar bandas faça você mesma, contraculturais, de/com mulheres, que toquem apenas Pop Punk e que ainda não comentamos (ou falamos pouco) aqui no blog. Como não conhecemos bandas Pop Punk brasileiras, não colocamos nenhuma no post.
Cayetana
Prepare-se para guitarras com uma distorção à moda Robert Smith, vozes lindas e clipes maravilhosos. Allegra (baixo), Kelly (bateria) e Augusta (voz e guitarra) são de Filadélfia e lançaram o último álbum, Nervous Like Me em 2014. Bandcamp.
Colour Me Wednesday
Esse quarteto que faz música grudante é de Uxbridge (Londres) e tem dois álbuns. O primeiro, I Thought It Was Morning é pra você dançar e rodar aquele vestidinho e o segundo, o split com Spoonboy, tem uma sonoridade diferente, menos grudenta e que me agrada bem. Escrevi sobre elas para o Ovelha (tenho uma coluna sobre música lá). Bandcamp.
Worriers
Aí, gente! Se você lê esse blog sabe que eu já declarei meu amor por Worriers algumas vezes. A banda só tem "pro" do Pop Punk (pessoas de Caves, The Ergs, The Measure S/A) e na verdade isso nem faz jus ao que sinto quando ouço as músicas deles. Todas devem ouvir porque acho que vocês vão amar.
Caves
Caves, é de Bristol (UK) e faz aquele pop punk empolgante e que pesa mais o punk do que o pop. Os vocais, que tem um timbre foda, são da Lou Hanman, que também toca guitarra no Worriers. Bandcamp.
All Dogs
Eles são de Columbus (Ohio) e fazem aquele pop punk alto, com vocais fofos e distorções que ficam dando looping na cabeça. O último lançamento deles é o full lenght Kicking Every Day, uma lindeza pra grudar em você. Bandcamp.
Radiator Hospital
Essa banda tem como uma das vocalistas a Cynthia Schemmer, que já tocou na minha queridíssima Very Okay. Acho que VO foi a primeira banda pop punk que pirei mesmo. A Cynthia também é editora da revista She Shreds e vale a pena ouvir Radiator Hospital, é chorante. Bandcamp.
Chumped
Chumped (do Brooklyn, New York) com seu Teenage Retirement sempre faz as tardes do trampo passarem mais rápido! É fofo, bonito e fala sobre crushes. Bandcamp.
Thin Lips
Ouvir Thin Lips (da Pensilvânia, Filadélfia) dá vontade de pogar e abraçar a sua melhor amiga, tudo ao mesmo tempo! Bandcamp.
Martha
Diretamente de Durham (UK), Martha já é uma clássica banda poop punk da atualidade. Não é a que faz o meu coração bater mais forte, mas eles mandam bem demais. Ah, e o último lançamento deles é um split com o Radiator Hospital! Bandcamp.
Diet Cig
De todas, é a banda que conheci mais recentemente. O vocal dela é blaster fofo e se você gosta dessa pegada vai curtir bem. Eles são de New Paltz (Nova Iorque). Bandcamp.
Worriers, banda do Brooklyn (NY), lançou mais um clipe! Desta vez foi "Chasing" que ganhou a versão audiovisual. A música faz parte do novo álbum Imaginary Life, lançado em agosto pela Don Giovanni Records.
"Chasing"foi dirigido e produzido por David Combs e Ben Epstein (que tocam no The Max Levine Ensemble) e mostra o mundo com e sem os óculos da Lauren. Sem, a vida é o mais do mesmo. Com o óculos, Emilyn Brodsky com seu cabelo turquesa flerta com ela, vários amigos da banda dançam no show e tudo é muito mais divertido. A grande sacada do clipe é investir num visual mezzo gangster mezzo cafona. Ah, e a música é incrível!
Imaginary Life é o primeiro full length de Worriers, banda do Brooklyn (NY) que tem letras politizadas, sonoridade pop punk e o vocal inconfundível de Lauren Dentizio (The Measure S/A).
O álbum, lançado no início deste mês pelo selo Don Giovanni Records traz 12 músicas, e foi produzido por Laura Jance Grace (Against Me!).
Na nossa lista de 15 músicas lançadas em 2015 que você precisa ouvir , "They/Them/Theirs" ocupava o segundo lugar. Essa foi a primeira vez que falei sobre a banda no blog, e acredito que o álbum deles é um grande candidato a entrar na lista de Melhores de 2015. Isso porque Cruel Optimist, gravação deles de 2013 é incrível, assim como as músicas disponíveis na interwebs do primeiro álbum. Dá uma ouvida:
A música não é o mais interessante nos Worriers. As letras, politizadas e que refletem a experiência de Lauren, de ser mulher e queer na comunidade punk de New Jersey e outros estados dos EUA, são um sopro que diz que é possível resistir, ser criativx e tentar construir projetos que no fim das contas façam bem para nós mesmas, em primeiro lugar.
Para quem se interessa pela banda, indico algumas entrevistas (essa e essa ambas em inglês) em que é possível captar toda a atmosfera e o trabalho de Lauren, que gravou e editou o clipe de "Most Space". E no final do post, aproveitem uma das melhores músicas do álbum ao vivo!
Seis meses deste ano já foram embora, e nesse meio tempo, muitos álbuns e EP's foram lançados. Muitas vezes, não conseguimos escrever sobre todos os álbuns novos que estamos ouvindo, mas isso não quer dizer que não temos boas dicas para compartilhar. Por isto, indicamos aqui 10 músicas que foram lançadas neste ano que você precisa ouvir. O critério de seleção é aquele que você já conhece: bandas feministas e/ou formadas por mulheres e/ou queer. Isso é tudo sobre visibilidade!
15 - Kitten Forever - Nightmare O power trio de Minneapolis continua com seu punk torto e pogante. "Nightmare", pode ser tranquilamente confundida com alguma música bside de Bratmobile, mas com o vocal mais Mika Miko e menos Allison Wolfe. A música faz parte do split do Kitten Forever e Whatever Forever.
14 - Slutever - Open Wide
Almost Famous é o novo disco de Slutever, banda de Los Angeles. Com uma mistura de punk lo-fi com uma voz cheia de reverb, a dupla é mais uma da safra de novas bandas de garotas dos EUA.
13 -Upset - Glass Ceiling Upset é a banda atual de Ali Koehler (que já tocou bateria no Best Coast e Vivian Girls) foi lançado pela Lauren Records o novo disco '76, que começa com a redonda "Glass Ceiling". Com vocal e refrão grudante, com certeza é um álbum que vale a pena ouvir.
12 - Waxahatchee - Breathless
Este ano foi lançado Ivy Tripp, o terceiro full lenght de Waxahatchee, projeto solo de Katie Crutchfield, que atualmente também toca Allison, sua irmã gêmea. As duas despontaram na cena faça você mesmo dos EUA com PS Eliot, banda incrível que você deve procurar. "Breathless" é o primeiro single do novo álbum que já tem clipe.
11 - LuvBugs - Dissolver Sensações
Os cariocas Paloma Vasconcellos (bateria) e Rodrigo Pastore (guitarra e voz) fazem um lo-fi garageiro com pitadinhas de shoegaze no LuvBugs, que vale a pena dar um confere. Enxaqueca é o novo álbum da banda, que em "Dissolver Sensações" descreveu muito bem como me sinto andando pelo Rio de Janeiro em dezembro ou janeiro.
10 - Oshun - #
Esta lista está cheio de duos de garotas, e com certeza Oshun, musicalmente, é o mais diferente deles. Thandiwe e Niambi Sala têm menos de vinte anos (assim como as garotas do Girlpoll e Slutever) e fazem hip-hop carregado de influencias do reggae e soul, fazendo referência as cultura e religiões africanas. Elas são de Nova Iorque e vale muito a pena buscar o som delas.
9 - GxLxOxSxS - G.L.O.S.S. (We're From The Future) Diretamente de Olympia (mesma cidade do RVIVR), GxLxOxSxS é a única banda de hardcore d-beat da lista. A música, que fala sobre mulheres trans e feminilidades, abre a demo lançada em janeiro. Fundamental ouvir.
8 - Tomboy - I'm In The Fucking Band
A punk garageira lo-fi Tomboy, lançou em abril deste ano, pela Ride the Snake Records, seu primeiro full lenght. "I'm in the Fucking Band" é a música autoexplicativa que as garotas de Boston (Massachuselts) criaram para ajudas os omi a entenderem que:
1) Elas não estão no show esperando os namorados tocarem
2) Elas não estão perdidas
3) Elas são da porra da banda e não precisam de ajuda para montar os instrumentos para tocarem
Me sinto repetitiva e num túnel do tempo por, nesta lista, por motivos políticos dar destaque pra essa música. Igualmente boa e antisexista é "Sweetie", que você pode conferir no bandcamp delas.
7 - Hop Along - Powerful Man
Hop Along (banda de Filadélfia) lançou o excelente Painted Shut em maio, pelo Saddle Creek Recs. No mesmo dia, o vídeo de "Powerful Man", que traz a inconfundível voz de Francis Quinlan, também foi lançado. Álbum e música mostram o lado mais inconformado da banda, que mescla as guitarras melódicas, aos quase gritos de Francis de forma muito boa.
6 - Try The Pie - Unpronounced
Domestication com certeza é um álbum importante para o CT. O Fernando já falou sobre o álbum e a relação que tem com ele. Try The Pie é o atual projeto de Bean Kaloni Tupou (a Christine da Sourpatch e Crabbaple) e tudo que ela faz tem aqueles riffs que embalam letras bonitas e reflexivas.
5 - Girlpool - Before the World was Big
O segundo full lenght do duo Girlpool, Before the World was Big, me cativou na primeira ouvida. Mas não mais do que a música que dá nome ao álbum, que me leva a locais inóspitos e me surpreende, sempre. Mesmo sendo delas, parece que a música é minha.
4 - Sheer Mag - Fan the Flames
Pensa em uma banda de rock n' rool, com guitarras muito fodidas e uma voz maravilhosamente pop e convidativa para dançar. É exatamente isso Sheer Mag (Filadélfia), com a sua vocalista Christina Halladay fazem. Eu duvido que você não vai ter vontade de levantar e dançar. E por favor, faça isso, porque essa é uma banda "one of a kind". Original e sem se parecer com outras bandas contemporâneas.
3 - Ms. Lauryn Hill - Feeling Good
Para mim, poucas pessoas podem se dar ao luxo de fazer um cover de Nina Simone de qualidade. Por mais que eu saiba que Ms. Lauryn Hill é incrível, ainda me surpreendi com seu "Feeling Good" e "I've Got Life", que são poderosas, vivas e audazes, assim como as originais. A música foi gravada para o álbum Nina Simone Revisited: A Tribute To Nina Simone, que serve como um complemento ao documentário What Happened, Miss Simone?" lançado pelo Netflix em junho.
2 - Worriers - They/Them/Theyrs
Guitarras cheias de sentimento dão vazão para a voz potente, grave e linda de Lauren Dentizio (The Measure S/A) que canta sobre pronomes e gênero neutro em "They/Them/Theyrs'. Worriers (do Brooklyn/NY), que já tem um LP e dois EP's, vai lançar em breve o primeiro full lenght, Imaginary Life, produzido por Laura Jane Grace (Against Me!). Com certeza esse disco vai entrar para a nossa lista de melhores de 2015.
1 - Downtown Boys - Wave of History
Este é o melhor clipe que assisti este ano. Somente ele, e suas imagens, conseguem tirar a minha atenção da voz poderosa e rasgada de Victoria Ruiz, frontwoman de Downtown Boys, que dá uma aula de política. A banda, de Providence (Rhode Island), fez um vídeo crucial e urgente, que pode ser exibido nas aulas de História e também para aqueles que duvidam da efetividade política do punk.