quarta-feira, 3 de agosto de 2016

4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star será lançado pela Oxenti Recs

Montagem: Cabeça Tédio - Fotos creditadas: Trash No Star - Filipa Andreia e Ostra Brains - Fê Fotografia

Um álbum formado por quatro bandas brasileiras, com mulheres na formação, que são independentes/faça você mesma, não é algo corriqueiro. Não só porque não existem tantas bandas ativas que caibam dentro deste nicho, mas também porque não há muitos selos independentes brasileiros voltados para, conscientemente, registrar o que as mulheres tem tocado e criado ultimamente. Por isso, o 4way: Ostra Brains, Oldscratch, Raivä e Trash No Star, que será lançado em breve pela Oxenti Recs, chamou tanto a minha atenção.

As cariocas Trash No Star e Ostra Brains representam o lado do sudeste, já Oldscratch e Räivä o hardcore/punk de Alagoas, representando as boas bandas do nordeste. E isto torna o lançamento ainda mais relevante, pois há propositalmente, um recorte regional e de gênero. Outro disco que tem um pouquinho destas características e que me marcou muito (e uma legião de ouvintes de punk/hardcore) foi o 3way: Ofensa, Mais Treta e Triste Fim de Rosilene, lançado há pelo menos 10 anos, pela Estopim e Alea Recs. O cd tinha bandas politizadas, do sudeste e nordeste e que faziam o meu tipo de som preferido na época. Estou dizendo isso tudo porque, mesmo ainda não tendo visto nada de concreto sobre o 4way, acredito que ele será tão relevante quanto o anterior o 3way.

O que os splits têm em comum? Selos do nordeste, letras politizadas e sonoridade punk. A grande diferença entre eles é que no 3way havia apenas uma mulher nas bandas, a Daniela Rodrigues (TFR e hoje The Renegades of Punk) e no 4way há mulheres em todas as bandas. Segundo a Oxenti Recs, ainda não há uma data prevista para o lançamento. Nós torcemos para que seja breve. E para já deixar todas ainda mais ansiosas, conversamos com Ostra Brains e Oldscratch sobre o disco. Confira!


1way: lado Oldscratch da entrevista


Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

O selo que vai lançar é a Oxenti Rec. do Rio. Acho que começou no meio do ano passado, quando estávamos anunciando a gravação do nosso disco ainda. A Bárbara, que faz parte do selo aqui em Alagoas e sempre cola nos rolês com a gente, nos jogou a ideia do split com a Ostrabrains, isso inicialmente, coisa que curtimos muito porque já conhecíamos a Amanda e a banda bem de antes. Meio que na mesma época a Räivä se instigou pra gravar o próprio EP também, acho que aconteceu algo parecido com a Thrash No Star, e por sermos todas bandas próximas (a baixista e a baterista da Oldscratch tocam na Räivä e a Thrash é parceira da Ostra) foi fácil pensar em juntar todas num bonde só, e fico muito feliz por ser um disco que várias amigas fazem parte. O lançamento não tá previsto ainda, mas assim que as gravações de todas as bandas finalizarem, sai.

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?
Acho que pode tanto fortalecer as minas que já estão engajadas em projetos musicais, incluindo nós mesmas, quanto incentivar outras que por algum motivo ainda não começaram, além de demarcar nosso espaço do nosso jeito, dizendo e reivindicando o que nos interessa também. Quanto mais produção feminina, melhor. Vai formando um alicerce.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?
Posso dizer que já tá nos planos. Estamos trabalhando ao poucos a ideia.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?
Que a vontade tem que estar acima de todas essas coisas. Até porque se aprende mais fazendo do que se apropriando de teorias e regras. Na maioria das bandas que já fiz e faço parte, teve uma ou mais pessoas que tinham pego pouquíssimas vezes no instrumento e aprenderam nos ensaios. Pra isso é importante estar com pessoas que se sente confortável, que não vão embaçar, que estejam afim de fazer algo junto mesmo. Toquei guitarra sozinha em casa por uns 3 anos até a primeira banda, mas a pressãozinha de acompanhar os outros instrumentos nos ensaios é muito diferente, te adianta em muita coisa. Quanto à idade, isso também não tem nada a ver. Enquanto tiver necessidade de expressão e essa for melhor através da música, assuma, na moral!


CT) Vocês vão lançar músicas indéditas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do 'Padrões de Conserva'?
Então, serão duas músicas mais puxadas pra “There’s no Control” que, assim como essa, foram compostas ainda no início da banda, então têm uma levada mais grunge e são em inglês. Separamos elas pra o 4way, mas sempre tocamos nos shows. Nas demais músicas do nosso disco já preferimos abordar nossas questões com letras em português e o split vai contar com uma delas também.


CT) A cena musical independente de Maceió conta com mais mulheres produzindo música autoral? Indica mais alguma banda punk/hardcore para nós?
Sim sim, entre elas posso citar a Katty Winne (indie shoegaze); Lillian Lessa, tá com projeto solo mais psicodélico e toca na Necro; banda C.I.A., punk/hardcore, só de minas; tem a Arielly Oliveira, que fez parte do Biografia Rap – particularmente não ouço rap, hip hop, mas fui num show dela mês passado e achei incrível o trampo e a presença; e, claro, RÄIVÄ, que logo mais o EP sai da mixagem.



2way: lado Ostra Brains da entrevista

Cabeça Tédio) Como nasceu a proposta do 4way? 

A proposta do Fourway surgiu através da Bárbara Oliveira (Binha) e Klebson Silva, da Oxenti Recs. Fomos convidados a participar no dia que abrimos o show do RVIVR em 2015, na Audio Rebel. A ideia inicial era ser um split Ostra Brains (RJ) + Oldscratch (AL), mas a Binha teve a ideia de juntar RÄIVÄ (AL) + Trash No Star (RJ) no bolo e formar um fourway. Terão três faixas de cada banda no álbum, nós estamos gravando com o Ernesto Sena (Parte Cinza).

CT) Qual é a importância de lançar um ep em que todas as bandas contam com alguma mulher na formação?

Imensa importância, porque existem poucos registros de material feminista no punk/HC do Brasil. Fazer parte disso, é como se estivesse levantando milhões de possibilidades de novas bandas feministas surgirem daqui a meses.

CT) Há previsão de um tour em conjunto para divulgar o 4way?

Existe um interesse absurdo nessa tour, seria incrível tocarem as quatro bandas! Provavelmente aconteça lá pro final do ano, pelo sudeste mesmo. Ainda não sabemos ao certo.

CT) O que vocês poderiam falar para mulheres que, por acharem que não tocam bem ou que já não 'tem mais idade pra tocar', mas que querem montar uma banda?

Diríamos "Mete a cara!" rs. Brincadeiras a parte, mas eu, Amanda, faço isso diariamente quando encontro com qualquer menina num show. Acabo tendo uma postura de cobrança, rs. "Como assim você ainda não tem banda?! Você é incrível! O que tá faltando pra começar a tocar qualquer coisa?" Eu me sinto na obrigação de empoderar pessoas a tocarem, porque eu não tive incentivo nenhum, e esse lance de idade não tem limite! Não mesmo!

Quanto a ter banda, eu acredito no potencial de cada mulher. Vale a pena não limitar seus gostos musicais, digo isso por amar Karol Conka, Mc Carol e ouvir Anti-Corpos, sabe? Porque realmente faz falta, o RJ não tem uma banda de hardcore composta por mulheres, mas várias cantoras/musicistas feministas espalhadas por aí, tocando seus instrumentos e isso já me conforta bastante.

CT) O Ostra Brains vai lançar novas músicas no 4way? Elas seguem a mesma sonoridade do Gelato Luv?

Serão lançadas três faixas novas no fourway. Todas são de cunho feminista, uma delas fala sobre estupro, outra sobre não admitir ser silenciada e outra sobre ser uma mulher e ter total liberdade para ter relações sexuais com quantas pessoas quiser, sem ser julgada. A forma de compor as bases e as letras não mudaram, mas com a entrada do Roger (baixo) e Mario (bateria), a banda ganhou mais peso. O EP "Gelato Luv" tem uma bagagem "garage punk", um som bastante primitivo e "cru", porém ainda temos essa essência do Garage Punk e do Riot Grrrl, mas com mais presença devido a mudança na formação. O som acabou ficando mais explosivo.

Um comentário:

magdiel araujo disse...

Foda pra caraaaaalho! Não conhecia esse projeto.