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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Flashes da Feira Tesoura #1

Da esquerda para direita: Cabeça Tédio, Ju Gama e Maracujá Roxa - Foto: Letícia Ferreira

Fotos: Carla Duarte e Letícia Ferreira

Há algo muito poderoso em feiras de fanzines autônomas e feministas. Ver colagens, fanzines, adesivos, panfletos, desenhos originais, patches, poesias e um mundo de criações de pessoas trans, sapatânikes, feministas, bis - ver as criações de quem escapa da norma - é fortalecedor. Pode ser porque estes espaços não existem sempre, e quando eles acontecem, trazem muita resistência e modos de ser que transformam aqueles que participam.

Foi com esta sensação que saí da Feira Tesoura #1, que rolou no sábado (28), na Casa Nem (Beco do Rato, na Lapa/RJ). Com mais banquinhas e expositoras do que consigo me lembrar, tudo que vi eram publicações de pessoas que ousam (r)existir. O evento começou com o lançamento do fanzine Quimer(d)a/Sapattons Queerdrinhos. Uma publicação colaborativa de quadrinhos que mostra experiências de pessoas trans. Foi feita uma leitura coletiva em voz alta do zine, que potencializou ainda mais as histórias de vida do fanzine. Saí com aquela certeza de quem a despeito de qualquer característica, a função primeira do fanzine é criar comunidade e contar a história de pessoas que sofrem com apagamento e silenciamento.

Foto: Letícia Ferreira

Banquinha Cabeça Tédio - Foto: Carla Duarte

Exposição de colagens da minha banquinha. A colagem do meio é da Ju Gama - Foto: Letícia Ferreira
Maracujá Roxa - Foto: Carla Duarte
Banquinha Drunken Butterfly - Foto: Letícia Ferreira
Banquinha Sapatoons - Foto: Letícia Ferreira

Foto: Letícia Ferreira

Bordados da Letícia, foto dela mesma

A feira rolou dentro de uma sala que ficou super cheia e ainda rolaram muitas comidas veganas, discotecagem, festa e uma apresentação musical (que por enquanto não sei o nome). Lá pelas 19h a feira ficou abarrotada de gente esquisita e linda, que inspira. Bratmobile, Julie Ruin, Bikini Kill rolava na discotecagem e eu só queria levar todos os zines pra casa.

A feira foi um respiro pra mim. Uma pausa na rotina do trabalho que a gente não ama (mas que paga as contas), nos problemas em todas as situações que me sugam ao invés de me fortalecerem. Há algo muito poderoso nas sapatão, nas bis, nas trans, nas bicha, nas feministas, naqueles que ousam ser quem são. Como já disse o zine Manifesto da Peludinha:

O importante é sermos o mais próximo daquilo que sonhamos de nós mesmaxs.

Veja mais fotos lindas que a Letícia Ferreira fez da feira. 
Conheça - Drunken Butterfly // Maracujá Roxa // Teenage Micha

Trocas + compras da Feira - Foto: Carla Duarte

quinta-feira, 21 de abril de 2016

resenha: A Arte de Pedir, de Amanda Palmer



Para saber pedir (e aceitar ajuda) é preciso agradecer. Amanda Palmer dedicou quatro páginas nos agradecimentos deste livro, citando o nome das pessoas que a apoiaram na escrita e em momentos da sua vida. De forma interessante, ela me fez ler toda a sessão de agradecimentos, tornado-a para mim, parte essencial do livro. Pois permitiu compreender que pedir e agradecer são dádivas. O agradecer é devolver o amor de quem, com amor, te ajudou.

A musicista fez lembrar que, agradecer e pedir estão conectados, e provavelmente serão testados ao longo da vida. Quando as coisas ficarem duras, quando você sentir o cansaço até nos ossos e quando você achar que o universo está de sacanagem com a sua cara. Não se trata do ‘oba oba’ da gratidão, que por vezes pode ser irritante, dependo da forma como falam. Trata-se de manter a fé, porque a experiência da Amanda também relata que para pedir é necessário ter fé. E para pedir é preciso perder a vergonha, ser sem vergonha.

Ser sem vergonha, neste contexto, compreende que você está diminuindo o medo de parecer vulnerável e de ser rejeitado. Afinal, pedir é aceitar a possibilidade do sim e do não.

“Muitas vezes, o que nos imobiliza é a própria sensação de que não merecemos ajuda. Nas artes, no trabalho, nos relacionamentos, muitas vezes a gente resiste em pedir não só por medo da recusa, mas também porque nem sequer achamos que merecemos o que estamos pedindo. Temos que acreditar sinceramente na validade do que pedirmos – o que pode dar muito trabalho e requer a habilidade de andar numa corda bamba estendida sobre o abismo da arrogância e da soberba. E, mesmo depois de encontrado esse equilíbrio, o jeito de pedir e de receber a resposta – admitindo e até acolhendo o não – é tão importante quando o sentimento de validação.”

De forma generosa, Amanda compartilha sua vida, angústias, alegrias, suas criações em um livro que nasceu após sua apresentação no TED Talk e que é tão intenso quanto a sua música. Se você a conhece pelo The Dresden Dolls, pela sua carreira solo ou por ela também ser a esposa de Neil Gaiman, não importa. Você merece aprender com ela e relembrar a importância da empatia, especialmente em tempos em que depressão, ansiedade, consumo e cidade nos entorpecem de maneira tão forte. É um livro para fãs e para quem não a conhece, é uma leitura que ajeita de forma carinhosa os seus sentimentos.




Não planejava escrever as minhas impressões sobre o livro, tão pouco publicar alguma coisa. Mas foi tão poderoso, tão generoso que apenas sentei e coloquei tudo pra fora. Obrigada, Amanda, por ter partilhado e ensinado tanto.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Cayetana lança 'Tired Eyes' e clipe de 'Freedom1313'




Quem me conhece sabe o quanto adoro flores desanimadas e acho que elas combinam com tudo, o tempo todo. Qual foi a minha surpresa ao ver que a arte de Tired Eyes, do power trio Cayetana, é um belo desenho do rosto de Allegra, Augusta e Kely cobertos pelo que eu chamo de 'flores desanimadas'. A arte do novo EP da banda de Pensilvânia casa muito bem com as duas músicas, 'Freedom 1313' e 'Age of Consent'. Se em Nervous Like Me, elas chegaram impetuosas, no volume alto, com riffs malemolentes, em Tired Eyes elas soam mais trevosas, mais climão, como quem não deve hits pop punks a ninguém.




O EP foi lançado em janeiro pela Asian Man Records, mas eu só fui ouvir em abril. No momento certo para mim, em que as duas músicas se fazem mais do que suficiente. Sem aquela ansiedade de 'mas meu deus, apenas duas músicas? elas estão fazendo um jogo comigo?'. Tired Eyes me mostrou uma nova faceta da banda, que mantém sua sonoridade, mas agregando novas vibrações e tempos de maneira agridoce.

'Freedom 1313' já tem clipe, e a fotografia dele tem tudo a ver com a arte do álbum e com a sonoridade da banda. Uma mistura de tons pastéis, uso de escuros, projeções, raios de sol e aquela sensação ruim de quando você está ficando bêbada em uma festa que não deu bom.



No bandcamp da banda, é possível fazer o download de forma gratuita. E elas estão trabalhando em novas músicas, quem sabe, talvez neste ano role um outro lançamento.

quinta-feira, 24 de março de 2016

resenha: As paixões em silêncio no filme “Carol”, baseado na obra de Patrícia Highsmith



Guest post: resenha intimista por Juno Griz*

A resenha não traz muitos spoilers, mas se você ainda não assistiu o filme 'Carol' e não gosta de ler sobre o filme antes de assisti-lo, recomendamos que você só leia a resenha depois de vê-lo! Na primeira parte do post, Juno fala sobre a sua relação com o livro que deu origem a o filme. Na segunda, sobre o longa em si. Aproveite!


“Comecei a chorar sem saber porque, sem nenhum diálogo ter se passado, sem a aparição de nenhuma das personagens, talvez por me dar conta das espirais de existência que cruzamos e observar - feliz - que o universo continua sempre a conspirar a nosso favor, pregando peças com os nomes, jogando com pequenos acontecimentos extraordinários.” 

As sensações

Quando eu tinha quinze anos, eu morava numa espécie de kitnet com a minha mãe, no interior do Rio Grande do Sul. Volta e meia nós viajávamos pra uma cidade vizinha onde o restante da minha família morava, e também, o meu amor platônico na época: Carol.

Nós nos víamos aproximadamente uma vez por mês ou a cada quinze dias, mas isso era o suficiente pra alimentar meus sentimentos por aquela garota de vinte e dois anos que falava tantas coisas interessantes sobre músicas, pessoas e sexualidade. Acho que esse último assunto me tocava especialmente porque até então eu nunca tinha beijado uma garota, apesar de já ter aprendido a palavra "lésbica" e também de já saber que toda aquela proximidade a mais que eu desejava com algumas das minhas amigas de colégio era em razão das minhas paixonites - que na época me rendiam muitas poesias, cartas secretas e lágrimas. A verdade é que até então eu nunca tinha tido a chance de conhecer alguém com quem eu pudesse conversar sobre tudo o que eu sentia, mas já sentia no mundo os indícios de que eu devia esconder de todxs minhas fantasias amorosas e minhas paixões não correspondidas.

Foi mais ou menos nesse período que eu fui a uma feira de livros com a minha mãe, na cidade onde morávamos. Lá, perdido entre uma das inúmeras bancas com edições de bolso, eu vi um livro com título cor de rosa em lombada lilás: "CAROL". Quando o peguei, a imagem borrada de duas mulheres abraçadas na capa fez com que eu rapidamente procurasse algum resumo. Na parte de trás encontrei então o que eu desejava, as letras em vermelho diziam "Um thriller sobre o amor proibido entre duas mulheres". Olhei ao meu redor para ver se minha mãe não estava por perto e comprei o livro.

A partir daquele momento eu estava encantada. Eu lia o romance sempre à espera das respostas, dos conselhos sobre esse modo de vida que habitava em mim e que jamais conseguia encontrar meios de se realizar. Ora eu o levava para o colégio e o lia entre os cadernos pra que ninguém me visse, ora eu lia escondida da minha mãe. O que, dadas as configurações da nossa casa, só me permitia ou lê-lo no banheiro, ou numa espécie de closet, um armário sem portas onde eu me sentava e lia enquanto minha mãe dormia, de modo que eu teria uma mínima vantagem, caso ela acordasse, para não ser pega em flagrante.

Foram nessas leituras - literalmente dentro do armário - que começou a se tornar palpável um mundo em que eu pudesse habitar. Havia pessoas que escreviam sobre o que eu sentia, havia quem sentisse o que eu sentia - saber dessas coisas era muito diferente de tê-las materializadas, nas minhas mãos, me companhando onde quer que eu fosse - eu não precisava mais me sentir tão sozinha.

Li e reli "Carol" inúmeras vezes. Marquei as páginas das minhas cenas favoritas, decorei algumas frases. Agora, quase dez anos depois, fiquei sabendo que o filme seria relançado. Fiquei muito empolgada e fui à estreia. Que loucura que é ver na realidade algo que só existia dentro de mim. Era quase como se "Carol" nunca tivesse sido lido por nenhuma outra pessoa no planeta, quase como se fosse fruto da minha imaginação, isolando-se do mundo pra dentro de mim e ficando inacessível a todo mundo... Mas a questão é que na primeira cena do filme, as primeiras notas da música tocando, naquele momento eu tive certeza de que não era só eu, mas o mundo também havia se transformado de alguma forma só porque aquele livro existia, porque aquele filme estava ali. Comecei a chorar sem saber porque, sem nenhum diálogo ter se passado, sem a aparição de nenhuma das personagens, talvez por me dar conta das espirais de existência que cruzamos e observar - feliz - que o universo continua sempre a conspirar a nosso favor, pregando peças com os nomes, jogando com pequenos acontecimentos extraordinários.

Namore com alguém que..


Uma resenha

"Carol" se passa na década de 50, nos Estados Unidos. Therese é uma garota de 19 anos que se apaixona perdidamente e à primeira vista pela personagem título. É da perspectiva de Therese que o livro é narrado, acompanhamos seus pensamentos sobre tudo o que ela está sentindo e como ela reage a isso e às pessoas ao seu redor. A história toda é basicamente sobre se apaixonar e sobre descobrir esse lugar outro para o qual nos descolamos quando "we fall in love".

O filme é maravilhoso. Despenquei pra dentro da história relembrando os diálogos mentais de Therese no livro quando o silêncio reinava na tela. Os olhares, os gestos, a delicadeza, cada palavra não dita se transportou pra essa outra linguagem de um jeito absurdamente simbiótico e sinestésico.

A Carol interpretada por Cate Blanchet é fisicamente um pouco diferente daquela imagina por mim há anos atrás – obviamente -, mas depois de assistir o filme pela segunda vez, me dei conta de que nenhuma outra pessoa viva poderia interpretá-la com mais fidelidade dos não ditos. Seu charme é absoluto e transbordante e acho que é quase impossível sair do cinema depois do filme sem estar apaixonada pela Carol interpretada por ela. Rooney Mara também está incrível como Therese. Ela encarnou com perfeição o rosto invisível que me acompanhou durante tanto tempo pelas minhas várias leituras do livro e - porque não dizer - foi um pouco o rosto que assumi durante todo esse tempo.

Acho que vale observar também tudo o que rodeia essas duas personagens ao longo do filme: desde o enquadramento peculiar que o diretor coloca, os figurinos divinos e todo o cenário cuidadoso, até a ambientação comportamental dos anos 50, os flertes lésbicos daquela época, o comportamento hiper-sexista dos homens (que infelizmente não ficou restrito apenas àquela década). Acho que Carol e Therese nos mostram muito dos diferentes tipos de força que somos capazes de assumir, das maleabilidades das nossas potências, e sobretudo das revoluções silenciosas que se operam no nosso íntimo e se desdobram no mundo quando estamos apaixonadas.

Essa resenha acabou sendo muito mais sobre a minha experiência com o livro e com o filme do que sobre o filme "Carol" em si. Mas na verdade não poderia ser de outra forma, "Carol" é como as paixões sobre as quais nunca seremos capazes de falar, pelo menos não completamente.


E além disso tudo, a nossa Carrie Brownstein atua no longa! Confira o trailer:



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Juno Griz é feminista, faz colagens, zines e bruxaria. Se ineressa por pedras, plantas, planetas e gatxs. Se quiser trocar ideias, fanzines ou carts é só procurar o tumblr: junogriz.tumblr.com

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O documentário "Girlpool - Things Are OK" vai te fazer querer amassar sua melhor amiga

Ship forte: Cleo (esquerda) e Harmony (direita) do Girlpool

Você sabe muito bem que a amizade tem poderes mágicos. Falar a mesma língua, entender a outra pessoa, saber cuidar dela quando ela está bêbada e prestes a pegar o celular ligar para alguém, fazer uma cópia a mais de um zine só pra dar de presente, gastar um tempão fazendo uma mixtape e sair da sua casa correndo para acudir a pessoa no meio da tarde. Tudo isso é mágico por ser uma doação que faz bem para você e pra outra pessoa.

A Cleo e a Harmony sabem disso até melhor que a gente  e elas mostram isso para o mundo no Girlpool, banda em que elas alternam baixo e guitarra e cantam juntas, transformando os poderes mágicos da amizade em força criativa com distorção.

E em janeiro deste ano, foi lançado o mini-documentário Girlpooll - Things Are OK, dirigido por Cory McConnell, que fala sobre o processo criativo, amizade e música delas. Ao longo de 25 minutos, são exibidos shows, trechos de viagens e elas falam sobre como uma conhecer a outra é fundamental para que elas cantem as músicas.



Enquanto você assiste, você vai sentir vontade de amassar sua melhor amiga, gravar áudios fofos, fazer uma viagem e rever todas as pessoas que de alguma forma te conectam ao próprio Girlpool. É o tipo de coisa que só amigas e bandas com amigas conseguem fazer.

Sobre os discos delas: em 2014 elas lançaram o primeiro EP da banda, Girlpoolem outubro do mesmo ano elas lançaram um split tape com Slutever, onde cada banda faz cover de uma música da outra, e em 2015 elas lançaram Before the World was Big primeiro álbum incrível que já resenhamos aqui.

Por hora, não há nenhuma legenda para o documentário, infelizmente. Uma ideia é você assistir e contar tudinho pra sua amiga, outra é vocês fazerem um grupo de estudos para ficarem feras no inglês e mais uma é você e sua amiga fazerem a legenda dele! Se ajeita aí confortavelmente, e aproveite:


quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Há 13 anos, "One Beat", sexto álbum de Sleater Kinney, era lançado




Todas as fotos por Carla Duarte





"One Beat" foi a música que acompanhou a minha entrada na colação de grau, há exatos 364 dias. Amanhã, terei um ano de formada e ainda hoje - dia de lançamento do sexto álbum de Sleater Kinney - consigo me lembrar a mistura de sensações que foi andar naquele corredor lotado, ouvindo uma das músicas mais poderosas delas e que mais mexe comigo. Depois disso, "One Beat" nunca mais foi a mesma coisa para mim.

Se tornou um pedaço de mim ao se personificar em forma de música no rito de passagem mais importante da minha vida. A batida da bateria, torta e cadenciada, os riffs perfeitamente simples e ainda complexos, aquela voz da Corin Tucker que saí direto do estômago direto na minha cara explodindo todas as borboletas com "oh, oh, oh". Tudo isso ficou totalmente impregnado em mim. Minutos depois da música ter parado de tocar, ela ainda dava o ritmo do meu coração e deixava a minha cabeça cheia. Este mês, o zine se tornou mais um pedaço de mim. Foi quando terminei meu primeiro zine sleaterkinneyniano, o não por acaso One Beat, que em meio a colagens registra trechos de algumas letras delas.






Hoje me dei conta da relação cósmica, do acaso e linda que entrelaça a minha história a delas. Em 2002 elas lançavam o álbum pela Kill Rock Stars e um dia depois, em 2015, eu me formava ouvindo a música que dá nome ao álbum. Hoje também é aniversário de uma das minhas melhores amigas, a qual eu presenteei com uma cópia do One Beat em cd em seu último aniversário. Isso pro meu olhar pisciano é significativo e mágico demais. Por isso, não tinha como esse texto não ser ainda mais pessoal do que os meus textos já costumam ser. E isso é incrível. É um sonic push for energy porque I decided to show myself. Oh oh. 

Na minha história de ouvinte e apaixonada por Sleater Kinney, demorei muito para ouvir o One Beat. Passei muito, muito tempo ouvindo All Hands On The Bad One, naquela frequência absurda e que hoje não me permite ouvir da mesma forma, pois meus ouvidos ficaram desgastados. Me lembro da Puni, por carta, dizendo que este era um de seus álbuns preferidos e que eu deveria ouvi-lo com atenção, pois este era extremamente politizado e crítico, e sonoramente ele já é diferente do All Hands. Guardei o conselho no meu coração e esperei o tempo apresentar o melhor momento para ouvir o disco. E quando a hora chegou...

Aquele clima soturno (como o de The Remainder) que habita o álbum e perpassa todas as músicas entrou na minha cabeça. O clima de instabilidade política de 2002, com Bush e cia envergonhando a humanidade pode ser um pouco dessa materialização pesada do álbum, nas músicas "Far Away" e "Combat Rock". Esse disco não é leve, não há nada leve nele. Não é fácil. Tem o peso de Corin, Carrie e Janet e quem manja sabe o quanto é pesado e bonito e intenso e mágico. Tem o peso de uma década. De uma bateria forte, de riffs que horas são vulneráveis e hora se protege de um soco que está prestes a chegar. One Beat não é uma coleção de clássicos. É quase um fim. Depois dele, The Woods foi lançado em 2005 e ficamos quase 9 anos aguardando elas saírem do hiato. É o oposto de All Hands e Dig Me Out.  One Beat termina como poucos outros, numa sequencia de explosão, em "Hollywood Ending" e de perigo eminente, em "Sympathy". One Beat é uma anunciação de força, de presença, de desconfiança que ratifica que Sleater Kinney não tem a capacidade de produzir algo mediano ou bom. 






segunda-feira, 17 de agosto de 2015

resenha: Girlpool - "Before the World was Big" (2015)

Capa: Jaxon Demme

Há algo sobre músicas que começam com guitarra e baixo dedilhados e aquela distorção mezzo lo-fi mezzo barulho que sempre me fazem sentir melhor. E é assim que começa "Ideal World", música que abre o álbum "Before The World Was Big", primeiro full lenght da duo Girlpool (de Los Angeles e hoje Philadelphia, EUA), que saiu este ano pelo selo Wichita Recs.

As vozes de Harmony Tividad e Cleo Tucker, que sempre alternam baixo e guitarra, se intercalam com as notas secas, enquanto as letras sobre existir e suas experiências são carregadas de sentimento. E como é bom ouvir isso!

Girlpool é o tipo de som que remete a duas amigas num quarto, compartilhando experiências e uma se apoiando na outra, para não caírem na espiral do mundo. As músicas têm muita honestidade, por isso, acho que para canções assim existirem, é fundamental a amizade entre as duas.

As músicas, como "Emily", "Ideal World", "Pretty" e "Cherry Picking", são viscerais e falam especialmente àquelas pessoas que se sentem por fora das maneiras convencionais de existir. Que se sentem por fora dos esquemas de sucesso, de poder, das listas de regras que temos que seguir. E por estarem em contato com sua própria estranheza, ao se distanciarem do convencional, se sentem vulneráveis.

"Before the World was Big" foi a primeira música delas que ouvi e foi a suficiente para me conquistar. Você vai entender exatamente o que estou dizendo quando ouvir aqueles riffs junto com a voz delas.

Há algo sobre as duas, que nem 20 anos têm, cantando de olhos fechados e mostrando as criações delas pro mundo que me agrada muito. Elas são um sopro de sinceridade num mundo feito de aparências e conexões interesseiras.

Dê o play quando tiver com tempo e confortável para ouvir, você não vai se arrepender. E recomendo também gastar um tempo vendo os vídeos delas.



terça-feira, 11 de agosto de 2015

resenha: #1 Bazar de Garagem do Coletivo Tiamät


Todas as fotos por Ana Luísa Flores

O inesperado demora, mas acontece. E hoje vou falar sobre ele: rolou no sábado, dia 08, em Volta Redonda (RJ) o primeiro bazar de garagem do Coletivo Tiamät. O coletivo é formado por mulheres envolvidas na cena punk/hardcore do Sul Fluminense, é para "punks e feministas" e quer justamente criar um espaço de diálogo e criação com as mulheres dessa região.

É inesperado porque, mesmo que mulheres participem dessa cena há tempos, até hoje elas não tinham se organizado em número e de forma politicamente feminista-mulherista. Há um tempo vagueio por essa cena com meus zines e banquinha, mas eu era só uma. E tinham outras que faziam o mesmo, de forma descentralizada. E o bonito desse evento foi justamente o propósito político feminista que ele coloca, que é acolher as punks e feministas e juntar as garotas todas. Por eu ser de onde o evento é, e por poder participar dessa movimentação na minha área, esse texto se torna um tanto pessoal. MAAAS, eu prometo tentar manter a objetividade e manter um número baixo de divagações. 

A proposta do evento era arrecadar dinheiro, com a venda de roupas e comidas, para que o coletivo tenha estrutura para organizar shows, eventos e debates com recorte de gênero, para empoderar as mulheres que estiverem por ali. O bazar rolou na garagem da casa de uma das meninas do Tiamät, em Volta Redonda.




O clima era acolhedor e bonito. Vi garotas que participam do coletivo Feminismo Sul Flu, que debate feminismo e gênero, vi meninas que colam no role punk/hardcore, vi meninas que eu não conhecia e isso tudo foi massa, porque conectou diversos universos das minas que flutuam por Volta Redonda e Barra Mansa; universos que têm tudo a ver e que ainda estão um pouco distantes. Sabe como é, juntas somos mais fortes, respeitando nossas diferenças e experiências de vida, sempre.

Além de abrir a casa, o coletivo lançou o fanzine PROFANA - #1 Manual de acessórios eróticos femininos e outros devaneios. E você o via logo na entrada, quando assinava a lista de presença do evento. Na garagem rolou o encontro do grupo Sagrado Feminino (olha os universos das minas se esbarrando de novo!), que era fechado para homens cis. Nenhum deles interferiu ou agiu de maneira que eu pudesse criticar, e isso me surpreendeu. No quintal da casa, muitas roupas cheirosinhas, pisca pisca, banquinhas de zines e muita muita comida vegana gostosa. Todas as minas do coletivo estavam com um crachá se identificando e tudo estava lindamente sinalizado e organizado. Você podia se sentir confortável.

VitaVeg por Lauren Baqueiro 

Participei com a banquinha Cabeça Tédio, e lancei o zine Ainda Não #2 e o meu novo zine, One Beat, e em algum momento falarei mais sobre eles aqui. Colada comigo, estava a banquinha da coletiva Maracujá Roxa, que veio do Rio de Janeiro especialmente para o evento. Estou falando de zines feministas faça você mesma, de riot grrrl, de patches, de colagens e materiais feitos (visivelmente) com muito cuidado e atenção. A Maracujá Roxa são Gricha, do zine Ciborgue de Pele, Puni, do zine Grrrito Mouco e que faz colagens lindíssimas e publicou resenha do show do Sleater Kinney aqui e também a Tássia, que não pode ir ao evento.   bazar foi mais especial para mim porque pude compartilhar dias e espaço com a Maracujá Roxa, minhas aliadas políticas afetivas. Ah, e Gricha e Puni também são autoras da Didática Zine, publicação que aponta metodologias para debater gênero e sexualidade com estudantes!

Ainda Não #2 

Maracujá Roxa e seus cadernos artesanais

Patches Maracujá Roxa

Foi extremamente empoderador encontrar muitas amigas - as mega íntimas, as zineiras, as que eu vejo pouco - todas juntas num mesmo lugar. Se antes o punk/hardcore daqui tem sido há muito tempo um local com o qual eu não me identifico mais, no bazar eu me senti em casa. Porque ali falavam a minha língua. Foi muito bonito reencontrar mulheres criativas interessantes e com trampos fodas, como a Ana Luísa Flores e a Thamyrys de Mattos. Eu nunca tinha vivido isso aqui e foi especial demais. É porque refletir o nosso tempo e o local geográfico que estamos inseridas é importante demais. É dizer: "nós existimos", é nos aproximarmos porque compartilhamos afinidades.

Colagens de Tamyrys de Mattos


E se isso não está com "cara" de uma resenha no sentido mais clássico, é porque rolou um feminismo intimista, um troço cheio de sentimento, que para mim sobre criar algo com as suas pares no crime. Aquelas que estão com você há mais tempo do que você se lembra. Aquelas que você não tem tanta intimidade mas tem carinho e tenta ajudar na vida e no role, tanto quanto possível. O Tiamät viabilizou para mim um encontro de muitas coisas empoderadoras e lindas. Ah, e teve a Ive Seixas, a Andorinha Só, cantando e tocando também!

Ive Seixas 

Eu passei (e passo) muito tempo falando sobre os outros locais e os outros países e é muito foda pelo menos uma vez falar sobre a minha área. Por isso talvez esse texto não seja inteligível para tantas pessoas. Mas no fim das contas, isso é sobre nós que mesmo com uma chuva de misoginia continuamos ocupando esse espaço do punk/hardcore e sendo feminista. É porque esse espaço é nosso.

E que mais e mais afetos politicamente conscientes e que querem falar das garotas e para as garotas apareçam.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

O que eles fizeram, Miss Simone?


Querida Miss Simone,

Assisti o documentário "What Happened, Miss Simone", que fala sobre a sua vida. Estou, até agora, com um gosto ruim por dentro, um engasgo, uma tristeza pela forma que retrataram a sua trajetória de vida, de musicista, de pianista e de mulher negra que "queria refletir o seu tempo", como você mesma disse.

Você, Eunice Waymon, queria ser a primeira pianista negra a tocar música clássica dos Estados Unidos. Isso não aconteceu. Mas com o seu talento, apoio de familiares e amigos e com muita força, você se tornou uma das maiores cantoras de blues do mundo. O seu piano clássico transformou a forma em que o blues era tocado, o seu vocal com as várias mudanças de tom mostra toda a sua capacidade. A sua música impactou e impacta as pessoas até hoje. Ouvir "Ain't Got No, I Got Life" e "To Be Young, Gifted and Black", para citar poucas músicas, é ver toda a sua força e da comunidade negra, materializada em sua voz e no seu piano. Quem não é tocado por essas músicas é feito de uma coisa estranha por dentro.

O mundo deve ser grato pelo que você fez. Mas, infelizmente, o documentário sobre a sua vida não me mostrou gratidão. O retrato que pintaram foi de uma artista geniosa, deprimida, talentosa e que em algum momento se perdeu pelo caminho. Como meu pai diz, te fizeram como "madeira de dar em doido", foi assim que - para mim - construíram a sua imagem. Uma mulher que tinha tudo: a família, o talento, o empresário, o status, o dinheiro e que ainda assim, sabe-se lá Deus porque, "descarrilhou" na vida e terminou indecifrável e sozinha.

Não conheço as suas razões e tão pouco você, e ainda assim, me pergunto "o que eles fizeram, Miss Simone?", mesmo sabendo que você não vai me responder. Em uma das entrevistas do documentário, dirigido por Liz Garbus, você diz "Liberdade para mim é não ter medo". Enquanto mulher latina - sabida que o machismo afeta de forma muito mais contundente e explícita as mulheres negras - me arrisco dizer que a partir da sua definição (que acho muito apurada) mulheres, especialmente as negras, não experimentarão muita liberdade nessa vida. Apesar disso, a sua música carrega tanta liberdade. E o que falar sobre a sua música? 

Pelas suas entrevistas, a música se tornou o remédio e a doença. A cura e a morte. A prisão e a liberdade. O seu objetivo maior - ser a primeira pianista clássica negra dos EUA - parece ter sido interrompido quando o seu empresário-marido (aquele que abandonou a Polícia de Nova Iorque para administrar a sua carreira) conseguiu projetar o seu caminho como a de uma artista popular. Muito lucrativa, por sinal. Com muito dinheiro, vinham muitos shows, muitos ensaios, a manutenção de um estilo de vida que não te permitia descansar. É difícil parar e mudar, Nina. Isso exige coragem e enfrentamento, eu sei. 

As suas cartas mostram que a depressão chegou. Como alguém com o seu talento, com tantas pessoas dependendo de você, poderia se dar ao luxo de não tocar? Como enfrentar todas essas questões de forma solitária nos anos 1960? Como um empresário-marido permitira que você diminuísse o ritmo se isso significaria menos dinheiro?
Como você mesma disse, você achava que o Andy deixaria você descansar, mas ele nunca deixava. Sinto muito, Nina. Até hoje milhares de mulheres têm as vidas sendo controladas pelos maridos, até hoje (infelizmente) muitas mulheres vivem o que você também viveu. E isso não é culpa de nenhuma de nós. 


O que eles fizeram, Miss Simone? Porque as pessoas que fizeram o documentário sobre a sua vida não questionaram o seu ex-marido por tudo que ele fez com você? Claro, a manutenção do privilégio machista, pois é sempre muito melhor e óbvio criar a imagem da mulher quebrada e indomável, que "teve o que merecia".

Porque os produtores não perguntaram "Andy, porque você batia, apontava armas, perseguia e estuprava a sua esposa? Aquela esposa a qual você administrava uma carreira muito lucrativa?". Eu gostaria muito de ter visto isto no documentário. Mas eles fizeram o  oposto disso. O que eles fizeram com você, Nina? Ter terminado o casamento assim que a violência começou não era apenas sua responsabilidade, porque nenhuma de nós é criada para repudiar relacionamentos abusivos, muito pelo contrário, nos ensinam a aguentar, porque é amor. Você foi uma sobrevivente, Nina. Infelizmente, você não é a única artista negra da cultura popular a ter sofrido violência doméstica.

Porque demonizaram a imagem de uma artista negra excepcional? Porque perguntaram "O que aconteceu, Srta Simone" o documentário inteiro ao invés de perguntar "O que eles fizeram, Srta Simone"? Eles insultaram a sua memória, Nina. Você merecia muito mais do que isso.
E não vou nem comentar sobre o tom deles ao falaram que você se envolveu ""excessivamente"" com a militância do Movimento Negro. Não mencionaram nem o nome dos Panteras Negras, você acredita? Você deveria abrir mão da sua política, identidade e da sua maior substância em nome do dinheiro, Nina. De certa forma, foi isso o que eles disseram. Mas o que prevalece, é que a sua música foi sobre amor e política e se tornou - até hoje - um dos maiores hinos dos direitos civis e da luta do povo negro.

Enquanto eu via o documentário, Nina, torcia para que a Angela Davis te ajudasse a superar o abuso e a violência. Torcia como alguém que torce pela protagonista da série preferida, esperando uma reviravolta empoderada na sua vida. Não aconteceu. Você deixou os Estados Unidos, se separou, viveu sozinha cantando na Europa e se sustentando da forma que podia. Claro que a vida não é justa, mas o seu ex-marido poderia ter sido menos desgraçado. Espero que você não tenha se arrependido da militância, porque você sempre será "Young, Beautiful and Black". Você sempre será uma sobrevivente, pelo menos aos olhos desta feminista.

O que eles fizeram, Nina, foi vergonhoso. Fizeram a manutenção do status quo: perguntaram para a sobrevivente porque isso aconteceu com ela e não com o abusador porque ele cometeu atos criminosos. Sua trajetória deve ser celebrada, sua voz, seus cabelos, sua cabeça, sua vida. Mas, muito maior do que o que eles fizeram no documentário, é a sua história. A sua vida. A sua resistência. A celebração da sua origem e do seu povo. O seu talento. E isso é maior do que qualquer documentário mal intencionado. Espero que esteja bem onde estiver, Nina.

Afetuosamente,

Carla.

terça-feira, 16 de junho de 2015

resenha: RVIVR na Audio Rebel (RJ)



Todas as fotos por Carla Duarte

Eu sei, gente. Mais um post sobre RVIVR no Brasil. Espero que vocês não estejam de saco cheio e eu até perguntei se vocês ainda estavam querendo ler sobre isso. Acabei arriscando e fazendo mais esta resenha. E dessa vez, não temos o registro foda da Ana Laura Leardini (aqui e aqui), só as fotos que fiz com meu celular.


Este foi meu segundo e último mega snif snif show da tour de 2015. Também assisti o show de 2012 que rolou na Audio Rebel, então foi bem especial poder e conseguir estar lá no show que rolou na quinta-feira, dia 11. Ao contrário do show do Rock Together, na Rebel o show não foi tão quente. Lá também é um estúdio, mas a ventilação ajudou a deixar o show ainda melhor.

Eles tocaram um set list bem parecido com o show de São Paulo, e pelo que conversei com outras pessoas, há uma similaridade entre os sets. O meu destaque é para "Paper Thin", que não rolou em São Paulo. "Grandma", "Change on Me", "Real Mean", "Wrong Way One Way", entre outras, foram as figurinhas repetidas (ainda bem!). Do ep Bicker and Breath acho que rolaram todas, posso estar errada. As que tenho certeza absoluta que tocaram: a incrível "In Waves", "Goodbyes", "20 Below" e "The Sound".

Mais uma vez o entrosamento e troca de olhares entre a banda chamou a minha atenção. Maaaas, teve uma parte chata. A Erica não conseguia ver o pessoal curtindo o show, pois estava um pouco escuro. Então, ela pediu no microfone que aumentassem um pouco a quantidade de luz, para que a banda visse tudo melhor. Não sei o motivo, mas não rolou. Durante o show, por vezes, ela chegava um pouco para a esquerda, se agachava um pouco e colocava a mão na testa para tentar ver o público, e o show rolou assim.







Aí tinha um omi curtindo muito o show, tipo muito mesmo. Toda hora ele voava lá pra frente e destrambelhava em cima das garotas que estavam pirando demais. Me pergunto se a banda tivesse visto o omi fazendo omisse se ele teria continuado assim por muito tempo. Claro que as garotas não precisavam de proteção, e elas mesmas colocaram o babaca mais pra trás. Mas é uma característica muito própria do RVIVR, de olhar pra casos assim no show. Isso durou pouco tempo e obviamencthe não foi um buzzkiller, e nem sei se incomodou outras pessoas, mas achei justo comentar.

O fato é que o show foi bem animado, cheio de minas dançantes. Até que um pouco antes da Erica falar que a "música era sobre mulheres fortes" - ela sempre fala algo assim antes de "Grandma*" -, uma menina subiu no palco e em 30 segundos tinham umas 10 garotas (ou mais) lá em cima. O Mattie ficou no fundo do palco e a Erica, meio sem reação, ficou olhando e disse "tudo bem, nós somos RVIVR e meninas para frente". *Pelo que me lembro.

[Na tour de 2012 "meninas para frente" virou um grande mote, porque a banda deu de cara com a macho cena brasileira e encontrou essa forma de visibilizar a presença e a diversão das minas em seus shows]

Elxs tocaram "Grandma" e as "meninas para frente" ficaram umas duas músicas lá em cima, pulando, cantando e curtindo. Foi muito foda ver aquilo tudo! No meio tempo, deu ruim na distorção do baixo da Sue e o som não foi mais o mesmo, mas isso não interferiu na animação e na pogação. Ah, e tocaram também Panorama Dreams e Ostra Brains, mas não consegui pegar esses shows. E o que também foi legal é que as bandas terminaram em tempo para todo mundo pegar o ônibus e voltar para casa.

domingo, 14 de junho de 2015

fotoresenha: show do RVIVR, dia 7 de junho, em São Paulo



Todas as fotos por Ana Laura Leardini

É amigas, a turnê do RVIVR no Brasil acabou ontem. Assim como em 2012, o último show da banda de Olimpia foi em Piracicaba. Hoje, eles ainda vão tocar em Buenos Aires (Argentina) e depois disso não rolam mais shows em terras tupiniquins pelo menos a partir do que foi divulgado no evento.

Aqui no blog as postagens sobre os shows continuam, yay! No domingo, dia 7, rolou o segundo e último show da banda na cidade de São Paulo, no Porão da SanFran. Como não fui (snif, snif), não consigo fazer comentários sobre, mas nossa super colaboradora Ana Laura preparou essa fotoresenha bonita pro Cabeça Tédio. 





Como não podia deixar de ser, neste show eles também tocaram "Goodbyes" e "Real Mean", sons clássicos e "must play". "Goodbyes", do ep Bicker and Breath (2014), já nasceu hit pois fala sobre uma constante punk rock: se despedir de amigues com os quais você construiu um mundo. É a trilha ideal para quando você volta de um role muito poderoso, e vai ouvindo a música e lembrando das amigas e de tudo que rolou. Goodbyes tem clipe, veja aqui.

"Real Mean" é um dos hinos do full lenght de 2010, o sem título, que tem também "Grandma", "Cut the Cord"e "Change on Me". A música fala sobre um grande desafio no qual muitas pessoas falham com maestria: crescer sem se tornar alguém que fere os outros propositalmente. No primeiro show, os três primeiros versos do som rolaram só com guitarra e voz e na sequencia foi uma explosão de todo mundo pirando junto. 

Faça como eu, ouça uma música ou álbum que você gosta muito enquanto lê o post, assim ele fica melhor!