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quinta-feira, 21 de abril de 2016

resenha: A Arte de Pedir, de Amanda Palmer



Para saber pedir (e aceitar ajuda) é preciso agradecer. Amanda Palmer dedicou quatro páginas nos agradecimentos deste livro, citando o nome das pessoas que a apoiaram na escrita e em momentos da sua vida. De forma interessante, ela me fez ler toda a sessão de agradecimentos, tornado-a para mim, parte essencial do livro. Pois permitiu compreender que pedir e agradecer são dádivas. O agradecer é devolver o amor de quem, com amor, te ajudou.

A musicista fez lembrar que, agradecer e pedir estão conectados, e provavelmente serão testados ao longo da vida. Quando as coisas ficarem duras, quando você sentir o cansaço até nos ossos e quando você achar que o universo está de sacanagem com a sua cara. Não se trata do ‘oba oba’ da gratidão, que por vezes pode ser irritante, dependo da forma como falam. Trata-se de manter a fé, porque a experiência da Amanda também relata que para pedir é necessário ter fé. E para pedir é preciso perder a vergonha, ser sem vergonha.

Ser sem vergonha, neste contexto, compreende que você está diminuindo o medo de parecer vulnerável e de ser rejeitado. Afinal, pedir é aceitar a possibilidade do sim e do não.

“Muitas vezes, o que nos imobiliza é a própria sensação de que não merecemos ajuda. Nas artes, no trabalho, nos relacionamentos, muitas vezes a gente resiste em pedir não só por medo da recusa, mas também porque nem sequer achamos que merecemos o que estamos pedindo. Temos que acreditar sinceramente na validade do que pedirmos – o que pode dar muito trabalho e requer a habilidade de andar numa corda bamba estendida sobre o abismo da arrogância e da soberba. E, mesmo depois de encontrado esse equilíbrio, o jeito de pedir e de receber a resposta – admitindo e até acolhendo o não – é tão importante quando o sentimento de validação.”

De forma generosa, Amanda compartilha sua vida, angústias, alegrias, suas criações em um livro que nasceu após sua apresentação no TED Talk e que é tão intenso quanto a sua música. Se você a conhece pelo The Dresden Dolls, pela sua carreira solo ou por ela também ser a esposa de Neil Gaiman, não importa. Você merece aprender com ela e relembrar a importância da empatia, especialmente em tempos em que depressão, ansiedade, consumo e cidade nos entorpecem de maneira tão forte. É um livro para fãs e para quem não a conhece, é uma leitura que ajeita de forma carinhosa os seus sentimentos.




Não planejava escrever as minhas impressões sobre o livro, tão pouco publicar alguma coisa. Mas foi tão poderoso, tão generoso que apenas sentei e coloquei tudo pra fora. Obrigada, Amanda, por ter partilhado e ensinado tanto.

terça-feira, 29 de março de 2016

entrevista: Bah Lutz fala sobre o projeto 'Riot Grrrl Brasil'





Era uma vez, a muito tempo atrás, o movimento Riot Grrrl. A explosão punk feminista em Washington se espalhou pelos Estados Unidos, Europa e pelo Brasil. A partir de meados dos anos 1990, bandas como, Dominatrix, Bulimia, Kaos Kliotoriano, Keep on Rioting, Bertha Lutz (para nomear algumas) surgiram. Zines como, O Berro, Burn! Don't Freeze e Kaóstica circulavam inspirando as garotas a se organizarem e produzirem seus próprios projetos. Eventos foram realizados, bandas começaram e terminaram, tretas aconteceram e pessoas de distanciaram e se grudaram.

O que não muda é o fato do Riot Grrrl ter inspirado - e ainda ser - uma força forte para que garotas e mulheres se empoderem, criem e sobrevivam. Esta história está contada em zines, sites em html tosco, fotologs e nas nossas memórias. Claro, ele virou tema para várias pesquisas da área acadêmica (dá um confere no Scholar Google para ler alguns artigos) e muito tem se falado desde então.

O projeto 'RIOT GRRRL BRASIL: Memória, Registro e Afeto', que é a Tese de Conclusão de Curso em Design da Bah Lutz (da banda Bertha Lutz, de Belo Horizonte), e é o primeiro a resgatar a história do Riot Grrrl no Brasil de forma ampla. Audacioso, fundamental e colaborativo, estes são alguns dos adjetivos para caracterizar este registro, que contou com o relato de diversas pessoas que fizeram (ou fazem?) parte desta movimentação punk feminista no Brasil.

Bah explica que, o objetivo do projeto é conectar as participantes/leitoras às suas memórias afetivas relacionadas ao movimento através de: em primeiro lugar, do resgate e da centralização da sua história, e por se tratar de um movimento que se manifesta principalmente através da música e da ação política, através também da utilização de outros recursos além do textual para uma maior aproximação do leitor (ou da leitora) ao resultado final. 

Confira a entrevista em que ela explica mais sobre o processo de produção e babe nas fotos do livro experimental! 

Entrevista: Carla Duarte
Respostas e fotos: Bah Lutz


Cabeça Tédio) Por favor, apresente o seu TCC para as leitoras. Como ele foi organizado, feito e do que se trata?

Bah Lutz: Eu estou me formando em Design Gráfico e escolhi fazer meu tcc na área de design editorial/experimental. Demorei um pouco para decidir fazer sobre esse tema, mas fez muito sentido e me fez entrar em contato direto com a história do Riot Grrrl no Brasil e minha própria história de militância e feminismo. O projeto se chama “RIOT GRRRL BRASIL: Memória, Registro e Afeto” e a ideia central era reunir relatos sobre a história do Riot Grrrl através da perspectiva de quem participou e abordar essas histórias focando nas relações de afeto. O meu objetivo era transmitir através de experiências gráficas que dialogam com a estética do Riot Grrrl, essa aura nostálgica e de ligação de afeto instantânea com o livro/zine.

O projeto se dividiu em três etapas: 

- Coleta de referências. Eu mergulhei profundamente na história do Riot Grrl, tanto nos EUA quanto no Brasil, abri meu baú de recordações, procurei zines antigos, fotos, cds, fitas k7, desenterrei bandas e músicas que me marcaram. Foi uma grande imersão para de alguma forma me reconectar com aquela energia riot que me arrebatou quanto eu tinha 14 anos.

- Coleta de dados: Gerar conteúdo escrito para um trabalho essencialmente gráfico foi um grande desafio, pois apenas a minha versão da história não bastava para encorpar o projeto da maneira que eu gostaria, pois eu vivi um momento específico do riot grrrl e morando em Belo Horizonte/MG a minha referência de organização independente de shows e articulações riots era bem limitada a essa esfera. Surgiu então a vontade de reunir vozes diferentes para contar suas próprias experiências e levando em conta a clássica “chamada pública” muito característica do punk e do riot, eu decidi abrir um formulário online onde qualquer mina que participou de alguma forma do  movimento pudesse dividir sua história e suas lembranças. Também pude fazer algumas entrevistas pessoalmente o que enriqueceu muito o conteúdo.

- Produção gráfica: Eu já tinha as referências e o conteúdo textual, para finalizar precisava decidir o formato que o livro/zine teria. Para fugir um pouco do formato tradicional de publicações independentes eu trabalhei com uma conceituação temática. Eu dividi todo o conteúdo textual que havia obtido, em quatro categorias.

1) ORIGEM: que trata das origens do movimento no Brasil e o impacto do movimento na vida das participantes. Os conceitos associados são: Início, Empoderamento; Desafios

2) FEMINISMO E MILITÂNCIA: engloba as experiências a partir da perspectiva política e feminista do movimento. Os conceitos são: Enfrentamento, Ação Direta; Luta

3) GIRL LOVE: trata da parte afetiva e dos relacionamentos de amizades
entre as participantes. Os conceitos são: Sororidade; Laços; Afeto

 4) LEGADO E FUTURO: aborda a reflexão entre o passado, seus frutos e perspectivas para o futuro do movimento. E os conceitos associados são: Memória; Continuidade

Através dessa divisão pude trabalhar graficamente cada aspecto e conceito. O resultado final foi um livro/zine conceitual que se desdobra em outros objetos e suportes gráficos que fazem parte do universo Riot Grrrl. Zine, stickers, lâminas de stêncil, fichário de recordação, cd, fita k7. E através desses suportes eu fui distribuindo o conteúdo textual.









CT) Quantas mulheres responderam o questionário que faz parte dos livros? Há relatos de várias parte do país? Os relatos contemplam que período (em anos/décadas) do Riot Grrrl?

BL: Cerca de 30 mulheres responderam o questionário e o mais incrível foi a diversidade presente nas vivências e histórias delas dentro do Riot Grrrl. Houve a participação de figuras centrais do início do Riot Grrl nos anos 90 até meninas adolescentes que tiveram contato recente com o movimento. E muitas respostas fora do eixo Sudeste - SP/RJ. Fiquei muito contente com a repercussão do questionário. Obrigada Cabeça Tédio pela ajuda na divulgação.


CT) Como fazer o livro afetou a sua relação com o Riot Grrrl?

BL: O Riot Grrrl esteve presente na minha vida nos últimos 15 anos de maneira muito intensa, mas com o passar do tempo eu fui reconstruindo várias outras maneiras de vivenciá-lo no meu dia-a-dia. Mas esse trabalho me fez resgatar a minha história com o riot, como ele me influenciou desde muito cedo, como as grandes transformações e empoderamento ao longo da minha trajetória estavam essencialmente ligados ao Riot Grrrl, militância feminista e minha atuação com a minha banda riot. Resgatar esses momentos foi muito rico pra mim.







CT) O seu TCC é o primeiro registro em livro (mesmo que por hora sem tiragem) mostrando a infulência do Riot Grrrl no role Punk Feminista brasileiro. Você pretende lançar algum projeto ou financiamento coletivo para lançá-lo nacionalmente?

BL: Nesse momento quero só descansar a cabeça do desgaste profundo de fim de semestre e conclusão de curso ehehehhe. Mas penso em transformá-lo em um projeto maior, reunir mais depoimentos e histórias que o prazo do projeto do tcc não permitiu aprofundar. Penso em transformar em algo público e coletivo talvez um acervo digital de depoimentos.


CT) Depois de fazer este livro, quais são suas perspectivas em relação ao punk feminismo da atualidade? Estamos muito paradas ou ainda estamos criando alguma coisa?

BL: Tem muita coisa acontecendo, talvez o cenário musical esteja num momento mais parado, mas as ideias e preceitos do Riot Grrrl tão aí firme e forte. A minha banda ficou um ano e meio sem fazer show e quando tocamos em um festival feminista ano passado eu vi tantos rostos novos, tantas meninas adolescentes curtindo no mosh pit, foi muito massa ver que a cena ta se renovando, mesmo que bem lentamente.


CT) Use esse espaço pra qualquer consideração que queira fazer e eu não tenha perguntado antes.


BL: Brigada Carla e Cabeça Tédio pelo espaço, por acreditar no projeto e ajudar na divulgação.É noix e Riot Grrrls Will Never Die.

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E você, tem algum projeto ou artigo acadêmico falando sobre o tema? Conta pra nós nos comentários! 


quinta-feira, 15 de outubro de 2015

download: livros de Carolina Maria de Jesus e Bell Hooks

Carolina autografando "Quarto de Despejo"

Para as adeptas da leitura no computador e para aquelas que se aventurarem a imprimir, a dica é incrível. Da escritora brasileira Carolina Maria de Jesus, que mostrou para o mundo a sua escritora bonita e dolorida em "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada", é possível baixá-lo e também "Casa de Alvenaria", "Pedaços de Fome", "Provérbios", "Diário de Bitita" e "Antologia Pessoal".

No momento estou lendo Quarto de Despejo, e a rotina é sempre essa, não necessariamente nesta ordem: minha feição tranquila, minha feição alegre por alguma passagem com uma metáfora incrível e um suspiro com feição triste, em trechos como:

"Está chovendo. Eu não posso ir catar papel.O dia que chove eu sou mendiga. Já ando mesmo trapuda e suja. Já uso o uniforme dos indigentes"

O livro foi lançado em 1960 e mostrava como era a vida dela, de mulher negra, catadora de lixo e escritora morando na favela do Canindé, que já foi desapropriada e não existe mais. Ainda não terminei o livro, mas recomendo muito a leitura. Para saber mais se você tiver paciência confira este artigo do O Globo e conheça o projeto Carolina em HQ.

Download - livros Carolina Maria de Jesus



Já da escritora bell hooks, está disponível a livre tradução de "Não sou eu uma mulher. Mulheres negras e feminismo", para a Plataforma Gueto. A autora aponta as conexões entre sexismo e mulheres negras escravas; imperialismo do patriarcado e racismo e feminismo.

O primeiro texto de bell hooks que li, e um dos mais famosos, é "alisando o nosso cabelo" que fala sobre experiências de alisamento dos cabelos das mulheres negras e da dificuldade de aceitação do mesmo. Ela é uma autora interessante para quem quer fazer leituras que conectam racismo e feminismo. Para quem quiser saber mais sobre ela, recomendo esse tumblr.

Download - Não sou eu uma mulher. Mulheres negras e feminismo

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O livro "Riot Grrrl Brasil" precisa da sua ajuda, grrrl!



Em breve o feminismo contracultural, punk feminista, Riot Grrrl brasileiro vai ganhar seu primeiro livro. Trata-se de Riot Grrrl Brasil - Memória Afetiva & Registro. Ele é o produto da Tese de Conclusão de Curso (TCC) da Bah Lutz (da banda Bertha Lutz), que vai se formar em Design Gráfico.

Há anos envolvida com a cena punk feminista/riot grrrl do Brasil, nada mais natural do que a decisão de fazer um livro de memórias brasileiro. Colagens e mixtape fazem parte do projeto, que tem tudo para ser o grande registro do tema neste ano.

Mas, para se formar e fazer o TCC, precisamos ajudá-la. A Bah precisa que todas as minas, homens trans, mulheres trans, não-binráris, envolvidos com o Riot Grrrl participem respondendo algumas perguntas. Isso porque somos nós, que vivemos e construímos isso, que vamos escrever essa história.

Você fez algum zine? Flyer de show? Organizou evento? Vendeu rango vegan? Fez patche? Teve banda? Colou demais nos shows? Então responda a pesquisa até dia 15/10!

Bora escrever nossas própria história? Bora não ser apagada? Bora mostrar que a gente existe?!

Responda a pesquisa aqui. Até dia 15/10!

sábado, 18 de maio de 2013

Livro The Riot Grrrl Collection é lançado

O livro The Riot Grrrl Collection, editado por Lisa Darms acabou de ser lançado pela The Feminist Press (da Universidade de Nova Iorque).  Kathleen Hanna (Le Tigre), Molly Neuman (Bratmobile), Johanna Fateman (Le Tigre) doaram seus flyers, zines, escritos e cartas para Biblioteca de Fales (da Universidade de Nova Iorque). Os materiais doados foram batizados "Fales Riot Grrrl Collection", e foi criada pela arquivista Lisa Darms. A coleção é aberta a visitação pública. 

A capa do livro, gaveteiro de Kathleen Hanna

A publicação, escrita por Darms, compila o Riot Grrrl escrito e xerocado. O movimento Riot Grrrl desde os anos 90 tem sido porta de entrada para que garotas conheçam o feminismo e a cultura faça você mesma. A introdução é assinada por Lisa Darms, e há também um texto de Johanna Fateman Já é possível fazer preorder do livro por $27.96 dinheiros, e a edição limitada e autografada por Darms por $34,95 dinheiros.


Foto: Jens Mortensen

A fita é parte da coleção que ocupa 90 caixas, há 16 coleções individuais e quase 1000 zines na biblioteca. As informações são do New York Times. Fotos de parte das doações de Kathleen Hanna podem ser vistas aqui. Já haviamos publicado sobre o livro aqui. Lembrando que recentemente nós traduzimos e publicamos um texto escrito pela blogueira norte-americana Sophie Rae, em que ela conta como foi a visita e leitura dos zines na biblioteca Fales. Se você não tá entendendo lhufas desse post, a tradução pode ajudar, e esse post também. Você está no twitter? O Cabeça Tédio também.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

The Riot Grrrl Collection vai ser lançada em livro

Foi divulgado ontem, no Pitchfork, que a Coleção Riot Grrrl/The Riot Grrrl Collection - zines, papéis e cartas originais que foram doados por Kathleen Hanna, Johanna Fateman (Le Tigre) e Molly Neuman (Bratmobile) para a biblioteca Fales (NYU) - vai ser lançada em livro.

Vai ser lançado dia 5 de maio

E essa é, de longe, uma das notícias mais fodas do ano, pois o livro permite maior acesso à esse material que é lindamente guardado em uma biblioteca de Nova Iorque. Claro que visitar a biblioteca é um sonho, mas enquanto isso não é possível acontecer, ficamos felizes e sorridentes com o livro.

Ele será lançado - guarde a data - dia 5 de maio pela The Feminist Press. A edição fica por conta da arquivista Lisa Darms, a mesma responsável (e fundadora) pela coleção que está na biblioteca Fales, e que viveu em Olímpia nos anos 90. Além do material magnífico contido no livro (sacou a minha parcialidade né? ;) será publicado também um texto de Johanna Fateman (Le Tigre) que é uma das pessoas que doou seus originais.

A imagem que ilustra o post é a capa do livro, que nada mais é do que o gaveteiro da Kathleen Hanna que foi doado para a Fales. Lembrando que recentemente nós traduzimos e publicamos um texto escrito pela blogueira norte-americana Sophie Rae, em que ela conta como foi a visita e leitura dos zines na biblioteca Fales. Se você não tá entendendo lhufas desse post, a tradução pode ajudar, e esse post também.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

resenha: Lançamento do livro Perifeminas - Nossa História (guest post)

"PERIFEMINAS - Nossa História", foi lançado dia 6 de fevereiro em São Paulo, e traz textos de mulheres do hip hop

Guest Post por Larissa No Subtitle (CLIT zine - leia e curta o Clit)


Quem que ao imaginar a cena hip hop nunca teve em mente vários manos em um ambiente bem masculino? PERIFEMINAS, uma compilação de textos das mulheres dessa cena, vêm para contestar essa ideia de um ambiente - se não exclusivo- dominantemente masculino. A proposta de fazer um livro com mulheres da cena surgiu de Jô Maloupas, integrante do grupo de rap Odisséia das Flores, em uma reunião da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop. Foi elaborado um projeto em que 63 mulheres (de 11 estados) foram contempladas com a possibilidade de participar desta compilação. 


História e resistência - Foto: Larissa No Subtitle
Os textos são diversos, tanto em formato (prosa, poesia, desabafos) como em temas, que variam desde a questão da negritude, da mulher e do som. Os textos são acompanhados pela foto e um resumo da trajetória de cada autora na cena. A arte da capa (e algumas ilustrações internas) foram feitas pela grafiteira Risca e expressa muito bem o que esse livro trás para nós: periferia, arte e mulheres ativas contando suas histórias. " Um grito eternizado em páginas", foi a melhor definição que deram ao livro.

Lançamento do Perifeminas no espaço Ação Educativa - Foto: Larissa No Subtitle
O lançamento rolou no espaço Ação Educativa, um centro de cultura periférica no Centro de São Paulo. Foi um evento breve, mas intenso, já que a expectativa de ver o livro concretizado era grande. Além da venda do livro, cds e artesanatos das autoras estavam disponíveis. A cerimônia começou com uma homenagem a Dina Di, artista falecida em 2010 e que foi uma das guerreiras pelo reconhecimento da produção feminina dentro do hip hop. Uma das autoras proclamou uma das músicas de Dina em uma performace com dança afro.

Performance de dança afro - Foto: Larissa No Subtitle
Rolou uma explicação com slides do processo para a concretização do livro, desde a sugestão da Jô, até a aprovação do projeto pela VAI (Valorização de Iniciativas Culturais) e as oficinas de redação e edição de texto, ministradas por Raquel Almeida, escritora que coordenou a elaboração do material. Algumas das mulheres falaram sobre a experiência de participar do livro e todas as autoras se prontificaram a distribuir os autógrafos. 
As autoras - Foto: Dulce Figueiredo
O evento foi encerrado com um show da Odisséia das Flores, com muitas palmas, galera cantando junto, se emocionando e vibrando. Um som das minas pra imaginar:


"Não há democratização da cultura sem o reconhecimento da cultura periférica, negra, do hip hop e principalmente do protagonismo das mulheres" James, representante do VAI.
Quem quiser uma cópia do livro escreva para: 
projeto.perifeminas@gmail.com.

sábado, 2 de outubro de 2010

Girls to the Front: The True Story of the Riot Grrrl Revolution

É o livro escrito por Sara Marcus, sobre o Riot Grrrl, lançado dia 28 de setembro.



Kathleen Hanna disse que "é o primeiro livro que pesquisou meticulosamente o Riot Grrrl", e isso é algo que tem sido dito sobre o livro. Ainda não tive oportunidade de ler, mas é um livro que certamente deve ser lido por nerd chicks.É possível comprar no Amazon. Será que em breve algum coletivo bahiano o venderá?



A jornalista Sara Marcus cresceu nos subúrbios de Washington, DC, e lá ela se envolveu com o Riot Grrrl, participiando de reuniões, escrevendo zines e tocando em bandas.
As várias conversas sobre o RG e seu legado fez Sara ter a idéia de abrir um espaço no blog, perguntando para os outros: como descobriram o RG? Como isso mudou a sua vida? As pessoas responderam em vídeos, e um bem bacana é desse homem, pai, que fala sobre a relação dele e do desafio de criar uma criança numa perspectiva feminista.


MARK GOOD FATHER from cat on Vimeo.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Projeto Vegan pode virar livro

Acho que ainda não tinha falado sobre o Projeto Vegan. Não que fosse necessário, Pão e Bruna fizeram com que o blog fosse conhecido por muita gente, vegan e não vegan.
Mas, pra quem não sabe: o Projeto Vegan é Julie/Julia Vegan: após assistir o filme sobre a Julie Powell e Julia Child o Pão se inspirou para fazer o mesmo desafio: 365 receitas em 365 dias, mas na versão vegan.

Hoje ele está na receita 117. Todo dia ele faz e posta, e as super tecnologias e fotos bacanas são feitas pela Bruna, namorada do Pão. Parece que estou escrevendo apenas para quem mora em Barra Mansa, mas Pão é o Thiago, como vocês já perceberam.
Com a postagem diária de receitas eles desmistificam o "passar fome vegano" que muitos ainda acreditam existir. E te digo mais: não é só quantidade, é qualidade. A comida que o Pão faz é super gostosa, e até hoje ele me deve uma pizza. Boa hora para cobra-la!

Agora pouco vi no twitter: o blog poderia virar livro. Melhor momento para falar deles e pedir votos, não existe. Então entre no site, e vote! Ajude alguém que mora em Barra Mansa a lançar um livro que não seja pelo Grebal!



Sanduíche de Focaccia, faça e deguste-o, aqui.
Foto: Bruna Green

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Livro "Girls Zines: Making Media, Doing Feminism" fala sobre zines e Riot Grrrl

Girls Zines: making media, doing feminism [livre-tradução: Zines de Garotas: fazendo mídia, fazendo feminismo] é um livro escrito por Alison Piepmeier que compila e organiza 20 anos de zines feitos por garotas, zines que datam a época do Riot Grrrl e seu boom de zines feministas nos EUA.

Os zines como forma de expressão e a tomada deles por essas mulheres transformaram-o em um elemento importante dentro do Riot Grrrl, documentando e registrando a história que aquelas mulheres estavam fazendo, além de estimular tantas outras a fazerem o mesmo. Para o livro foram cedidos zines por suas editoras, como Jigsaw (Tobi Vail), I'm So Fucking Beautiful (Nomy Lamm), entre e outros.



Alison Piepmeier é professora universitária na Universidade de Charleston (Carolina do Sul) e além dela existem várias outras professoras e pesquisadoras feministas que estão resgatando esses zines e os levando para a academia. Não digo que a visibilidade acadêmica seja tão determinante para os zines, mas falando em zines feitos por garotas considero essa visibilidade importante e necessária, porque essas pesquisadoras estão analisando um pedaço específico da produção cultural feita por mulheres, além de incluir os zines e o movimento Riot Grrrl como parte da história. E isso é importante né, no senso comum não é frequente o registro e reconhecimento de cultura feita mulheres. Para uma prévia do livro (em inglês) veja aqui.

Originais doados por Kathleen Hanna para a Fales Library - Foto: HannaHorovitz
Para reiterar a importância do registro de zines, e de zines feministas vale comentar que Kathleen Hanna doou seu acervo pessoal e seus zines para a biblioteca de Fales, que fica na Universidade de Nova Iorque (NYU). Isso permite que qualquer pessoa visite os arquivos e veja os zines originais. Eles não estão presos em gavetas cheias de poeira e no esquecimento. Eles estão em um local público e dizendo que aquelas mulheres e aquela realidade existiu. Ainda no clima de registro e memória: foi criado o Bikini Kill Archieve, onde as BK convidam quem gosta da banda compartilharem como conheceram a banda, lembranças de shows e etc. É sobre dividir herstory.

Nesse vídeo Kathleen Hanna fala sobre as similaridades e diferenças entre blogar e escrever zines (em inglês)