Mostrando postagens com marcador coleção riot grrrl. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador coleção riot grrrl. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

The Riot Grrrl Collection vai ser lançada em livro

Foi divulgado ontem, no Pitchfork, que a Coleção Riot Grrrl/The Riot Grrrl Collection - zines, papéis e cartas originais que foram doados por Kathleen Hanna, Johanna Fateman (Le Tigre) e Molly Neuman (Bratmobile) para a biblioteca Fales (NYU) - vai ser lançada em livro.

Vai ser lançado dia 5 de maio

E essa é, de longe, uma das notícias mais fodas do ano, pois o livro permite maior acesso à esse material que é lindamente guardado em uma biblioteca de Nova Iorque. Claro que visitar a biblioteca é um sonho, mas enquanto isso não é possível acontecer, ficamos felizes e sorridentes com o livro.

Ele será lançado - guarde a data - dia 5 de maio pela The Feminist Press. A edição fica por conta da arquivista Lisa Darms, a mesma responsável (e fundadora) pela coleção que está na biblioteca Fales, e que viveu em Olímpia nos anos 90. Além do material magnífico contido no livro (sacou a minha parcialidade né? ;) será publicado também um texto de Johanna Fateman (Le Tigre) que é uma das pessoas que doou seus originais.

A imagem que ilustra o post é a capa do livro, que nada mais é do que o gaveteiro da Kathleen Hanna que foi doado para a Fales. Lembrando que recentemente nós traduzimos e publicamos um texto escrito pela blogueira norte-americana Sophie Rae, em que ela conta como foi a visita e leitura dos zines na biblioteca Fales. Se você não tá entendendo lhufas desse post, a tradução pode ajudar, e esse post também.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Aqueles zines dos anos 90: I (heart) Amy Carter (+ download)

Recentemente li o texto "Riot Grrrl Weekend: poison girls", escrito por Sophie Rae, que fala sobre a visita que Sophie fez à biblioteca Fales, da Universidade de Nova Iorque (NYU). Essa biblioteca guarda em suas especiais estantes um pedaço da história do Riot Grrrl. Lá estão doações de zines, cartas, colagens  de pessoas como Kathleen Hanna e Tammy Rae Carland, e o material fica aberto ao público para consulta e leitura. 
Em seu texto, Sophie conta como foi a visita a biblioteca e como foi ver, em mãos esse zine, que é um pedaço de algo que é tão importante para ela. Alguma parte de mim se sentiu um pouco lá também (bem que eu gostaria), e instantaneamente - e segurando a vontade de começar a fazer um zine novo - comecei a traduzir o relato dela, que fala sobre a #1 do zine I (heart) Amy Carter, escrito em 1992 por Tammy Rae Carland. 
Tammy Rae é artista, e além de escrever esse zine é co-fundadora do selo Mr.Lady Records - junto com sua ex-companheira Kaia Wilson, do Team Dresch -, fotógrafa - a foto da capa do álbum Pussy Whipped, do Bikini Kill, é dela -, diretora de vídeo, enfim, uma mulher inspiradora. Sophie Rae, que não é parente de Tammy Rae, é blogueira e toca guitarra na Care Bears on Fire. Leia o texto em inglês, e abaixo a minha tradução. 
A própria Tammy Rae Carland em uma de suas fotografias


RIOT GRRRL WEEKEND: POISON GIRLS

Texto: SOPHIE RAE
Tradução: CARLA DUARTE

Final de semana Riot Grrrl: garotas veneno
Por Sophie Rae
Eu estava um pouco nervosa em ir ao arquivo riot grrrl, que está arquivado na biblioteca Fales, na Universidade de Nova Iorque (NYU). Eu tinha acabado de assistir Cidadão Kane na noite anterior, e a cena em que o jornalista vai aos arquivos de Kane e ele está sentado sozinho naquele cômodo gigante observando documentos com aquele segurança esquisito assistindo ele me assustou um pouco. Mas eu sabia que vendo os zines de perto, lendo-os, e sendo inspirada por eles faria valer aquele sentimento meio incomodo. 
Após alguns minutos vagando pela sala de periódicos da biblioteca Bobst eu encontrei a Fales, onde eu me surpreendi ao perceber que eu era a única pessoa na sala mais nova que os próprios documentos. Depois de guardar minha bolsa no armário (não é permitido entrar com bolsas) e trocar minha caneta por lápis (não é permitido entrar com canetas) eu me sentei à mesa, caderno aberto e preparada para ser preenchida por pedacinhos do conhecimento Riot Grrrl.
Zines eram a voz do movimento Riot Grrrl, uma forma faça-você-mesma para as Riot Grrrls do país dividirem seus pontos de vista, publicarem sua arte, e organizarem projetos e eventos. Eles eram distribuídos pelas bandas Riot Grrrl nos shows e enviados pelo correio para seus contatos. Eles eram divididos entre amigxs e grupos Riot Grrrls.
Comecei com a primeiríssima edição do zine de Tammy Rae Carland, I (heart) Amy Carter – Eu (amo) Amy Carter. Eu realmente não conhecia muito a respeito de Tammy Rae, exceto a música do Bikini Kill dedicada a ela e que nós temos o mesmo nome do meio.    
Capa da #1 edição do zine
A publicação do zine Amy Carter (com cinco edições, publicadas entre 92 e 94) acompanhou o término de “Amy Carter”, uma banda que consistia em Tammy Rae, Kathleen Hanna e Heidi Arbogast. Os zines, que eram vendidos e enviados pelo correio por $2.50 ou mais dependendo da edição, eram focados na paixão de infância de Tammy em Amy Carter (filha do presidente Carter) e na importância de mulheres inspiradoras* para outras garotas e mulheres.
Em uma entrevista publicada na terceira edição de um zine diferente, chamado Thorn, de Keroscene Kelly e Tammy, Tammy diz que “garotas e mulheres são treinadas para idealizar pessoas do sexo oposto. É importante para nós termos heroínas mulheres porque isso aumenta nossa perspectiva de poder”.  Essa é uma idéia que eu acho que é crucial para o feminismo e eu venho pensando muito nisso ultimamente. Eu tenho amigxs cuja coisa mais próxima a uma mulher inspiradora é a Katy Perry, e isso realmente faz uma diferença.

Então, cativada pela idéia por trás do zine, eu continuei lendo. Os zines, que eram os layouts originais, são bem básicos: artigos datilografados e desenhos colados no papel com letras escritas com caneta preta e decoradas com adesivos de estrelas azuis como as que Rachel Berry** coloca perto do nome dela (ok, você me pegou, eu sou totalmente gleek). Nessa primeira edição Tammy define Amy como “uma garota artista politicamente ativa que faz pinturas sobre raça e gênero” e lamenta o fato de que Amy não é queer.

Ainda que Tammy deixe claro que ela é obcecada com Amy (como evidenciado pelos artigos e teorias que ela desenvolve ao longo das edições do zine), ela escreve que ela não “deseja ela” mas ao invés disso “queria ser ela. Eu queria me tornar ela porque ela não era eu”.




As páginas dos zines são misturadas com arte e desenhos: uma foto de uma motosserra com as palavras “girl power” escrita nela, uma foto de uma garota em cima de um cavalo. Há artigos retirados de jornais e revistas, principalmente colunas de fofocas sobre celebridades e seus romances lésbicos. Um artigo particularmente hilário é de um jornal sobre a população lésbica de Northampton, Massachussets, renomeado “vilalésbica”.

O zine original inclui um artigo sobre mulheres soropositivas, estatísticas de casos de estupro, entrevistas com garotas artistas e musicistas. Há um glossário de “termos gays”, trechos de cartas de amor, citações de autoras incluindo a minha preferida de Dorothy Allison, “lésbicas com armas, é isso que vai os assustar”.
Na segunda edição, Tammy escreve que “zines são um ótimo sistema de rede de contatos para projetos e idéias bem como uma das melhores formas de se apropriar da representação”.

A idéia de “rede de contatos” é clara, do começo ao fim, ao longo do I (heart) Amy Carter. Toda edição inclui pedidos de contribuições, novidades a respeito de tours de bandas de garotas, e nas últimas edições, propagandas e flyers de outros zines e organizações de mulheres ativistas. Mais do que uma rede de contatos, esse zine tem como objetivo apoiar outras garotas e mulheres seja em seus projetos criativos ou em sua saúde física. Uma edição pergunta se algumx leitorx tem alguma informação sobre uma assassina em série lésbica, Aileen Wuornos para um projeto que Tammy estava fazendo sobre mulheres que tinha cometido assassinato. 

"It's my zine and I'll cry if I want to" - um dos textos da #1 edição do I (heart) Amy Carter

I (heart) Amy Carter é em partes iguais feminismo, direitos gays e criatividade artística. É o ativismo em seu melhor: uma rede de contatos de garotas e mulheres de todo o país com o objetivo comum de compartilhar informações, opiniões e arte umas com as outras. Nas palavras de Tammy:

“É sobre ter borboletas no seu umbigo e bíceps no seu coração.É sobre amor entre garotas + garotas empoderadas + sexo entre garotas + amizade entre garotas”

O arquivo Riot Grrrl mora na biblioteca Fales, que fica na Universidade de Nova Iorque (NYU). Para mais informações clique aqui. 


*Nota da tradutora: “mulheres inspiradoras” foi a forma que encontrei para traduzir o termo “ female role model”. Role model fala de alguém que é um exemplo e pode inspirar outras pessoas por conta de suas atitudes e crenças.

**Nota da tradutora: se você, como eu, não sabia quem era Rachel Berry (até ler “gleek = geek + glee”)  ela é uma personagem da série Glee. 

Se você chegou até aqui e quiser baixar ou ler o I (heart) Amy Carter #1leia aqui, que está no arquivo do Queer Zine Archive Projetct.  

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Livro "Girls Zines: Making Media, Doing Feminism" fala sobre zines e Riot Grrrl

Girls Zines: making media, doing feminism [livre-tradução: Zines de Garotas: fazendo mídia, fazendo feminismo] é um livro escrito por Alison Piepmeier que compila e organiza 20 anos de zines feitos por garotas, zines que datam a época do Riot Grrrl e seu boom de zines feministas nos EUA.

Os zines como forma de expressão e a tomada deles por essas mulheres transformaram-o em um elemento importante dentro do Riot Grrrl, documentando e registrando a história que aquelas mulheres estavam fazendo, além de estimular tantas outras a fazerem o mesmo. Para o livro foram cedidos zines por suas editoras, como Jigsaw (Tobi Vail), I'm So Fucking Beautiful (Nomy Lamm), entre e outros.



Alison Piepmeier é professora universitária na Universidade de Charleston (Carolina do Sul) e além dela existem várias outras professoras e pesquisadoras feministas que estão resgatando esses zines e os levando para a academia. Não digo que a visibilidade acadêmica seja tão determinante para os zines, mas falando em zines feitos por garotas considero essa visibilidade importante e necessária, porque essas pesquisadoras estão analisando um pedaço específico da produção cultural feita por mulheres, além de incluir os zines e o movimento Riot Grrrl como parte da história. E isso é importante né, no senso comum não é frequente o registro e reconhecimento de cultura feita mulheres. Para uma prévia do livro (em inglês) veja aqui.

Originais doados por Kathleen Hanna para a Fales Library - Foto: HannaHorovitz
Para reiterar a importância do registro de zines, e de zines feministas vale comentar que Kathleen Hanna doou seu acervo pessoal e seus zines para a biblioteca de Fales, que fica na Universidade de Nova Iorque (NYU). Isso permite que qualquer pessoa visite os arquivos e veja os zines originais. Eles não estão presos em gavetas cheias de poeira e no esquecimento. Eles estão em um local público e dizendo que aquelas mulheres e aquela realidade existiu. Ainda no clima de registro e memória: foi criado o Bikini Kill Archieve, onde as BK convidam quem gosta da banda compartilharem como conheceram a banda, lembranças de shows e etc. É sobre dividir herstory.

Nesse vídeo Kathleen Hanna fala sobre as similaridades e diferenças entre blogar e escrever zines (em inglês)