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domingo, 14 de setembro de 2014

entrevista: Ive Seixas, a Andorinha Só

O vôo da cantora a leva para os céus de diversas cidades onde ela canta seu repertório autoral




Texto + fotos: Carla Duarte



Ela ainda não passou fome nem frio, e pensa que seu nome ainda não é conhecido e segue buscando e desejando a vida que ainda não tem. Seu canto, de Andorinha Só, de andarilha que carrega a casa e violão pelo mundo, faz pensar naquilo que Thoureau já disse uma vez, no livro A Desobediência Civil, “deves viver contigo e depender só de ti, sempre arrumado e pronto para partir”. Talvez essa seja uma forma de descrever uma andorinha, que segue seu caminho, sozinha.

O vôo pode ser solo, mas Ive Seixas, cantora e compositora nascida em Resende, nunca está só. As pessoas que passam pelas ruas em que ela se apresenta estão por perto, além daquelas que saem de casa somente para ouvi-la tocar alguma canção do álbum independente “Andorinha Só”, que foi lançado em janeiro e divulgado com exclusividade pelo blog Amplificador, do jornal O Globo.




O disco contém três músicas da artista, e cada música apresenta alguma faceta de Ive. O álbum começa com “Andorinha Só”, canção recheada de influências da Música Popular Brasileira. Na seqüência, “Cervejas Populares”, chega e mostra o lado samba, que esbarra no choro e traz a poesia e olhar da artista sobre os fatos cotidianos. Se a música anterior era sobre reflexão, “O Circo” fecha o álbum com a alegria de infância, com ludicidade e energia.



De acordo com Ive, além de álbum, Andorinha Só é também o projeto de levar apenas voz, violão e chapéu – que arrecada contribuições voluntárias – pelas ruas e locais que dêem espaço para a artista.

- Nesse projeto vou sozinha, só toco voz e violão e passo o chapéu, não cobro cachê. No caso, arrecado o que as pessoas quiserem dar. Acho que isso provoca uma troca e uma valorização interessante da arte. E eu faço esse trabalho na rua também, então, vou às cidades para vivenciar aquele momento, vivenciar viver da rua. Andorinha Só tornou-se isso. E tem também essa coisa do trovador solitário, que traço um paralelo, e é como se o Andorinha Só fosse o feminino do trovador solitário – explicou.

Para alguns, a rua é casa, é local de sobrevivência. Para outros, é espaço de trabalho, mas para Ive, a rua é palco desde novembro de 2013, quando a cantora participou do Tomada Urbana – evento promovido pelo coletivo teatral Sala Preta – e viu que esse era um dos locais para onde ela queria levar sua música.

- Antes de tocar na rua eu tive banda, e toquei em espaços fechados, com público que ia a esses locais para assistir o show. E é completamente diferente tocar na rua, já me senti muitas vezes engolida. Por exemplo, num domingo, que toquei em Copacabana, eles fecham a orla o dia inteiro e às 19h liberam o trânsito, e quando liberaram veio tudo. O trânsito, as pessoas, barulheira, vento, e eu tocando de frente para a rua e me senti engolida. Naquele momento é como se eu nem existisse. Foi uma experiência bem legal, te coloca em um local de reflexão mesmo – considerou.


Para Ive, estar se sustentando apenas com o que ganha com sua música reforçou a prática do desapego. E mesmo conseguindo pagar suas contas, a artista explica que tudo fica mais fácil por não ser consumista, o que ela considera ser benéfico e a ajuda em diversos aspectos. Ainda, a andarilha aponta que a estabilidade do trabalho formal não a encanta. 

- A estabilidade do emprego formal eu acredito que é uma enorme ilusão. Qualquer um pode ser mandado embora do emprego a qualquer momento. Talvez o salário que cai mensalmente, tal dia certo do mês, traga uma sensação de segurança, de estabilidade. Mas não creio que tal estabilidade exista realmente, uma mudança pode vir na vida de cada pessoa de uma hora pra outra – reforçou.

Ainda, a artista considera que, quem se agarra muito à sensação de permanência pode ficar sem chão quando algo inesperado acontecer. E ela explica que, trabalhando na rua aprendeu rápido que tudo pode acontecer e é preciso estar aberta às transformações.

Pelas ruas do estado do Rio de Janeiro e São Paulo, a andorinha já conheceu outros artistas de rua. Segundo ela, a maioria dessas pessoas são muito sonhadoras, que acreditam muito no que fazem e nas pessoas.

- Encontro pessoas que estão ali se doando mesmo e tem sido muito bonito. Se existe uma palavra boa para descrever essa experiência é beleza – salientou.

O talento e a voz de Ive permitem que ela voe sozinha, mas ainda assim ela conta com a ajuda de alguns amigos e amigas para tocar o Andorinha Só. Um deles é o jornalista Leonardo Cardoso, mais conhecido como “Panço”, que passa alguns contatos de pessoas, locais, estúdios para ela, e que custeou 50 camisas do Andorinha Só.




- Tento ajudar de vários modos porque gosto dela, da música, e vejo nela sonhos que não tenho mais, e espero que ela consiga realizar, algo como um irmão mais velho mesmo. Espero que ela possa viver de música, não ter um emprego normal, que ela possa acordar todos os dias respirando arte, vendo um filme, lendo, compondo, fazendo shows. Tudo por desejo, não por dinheiro como em um emprego – destacou.



Planos para o futuro? Ive quer tocar, voar, pousando nas cidades com a ajuda de gente amiga que ela já conhece e fazendo mais contatos para cantar sua música cada vez mais longe. Ainda não ouviu? Confira o álbum e demais informações sobre a artista em iveseixas.com.

Florianópolis: Ive faz sua última apresentação hoje aí. De16 a 29 de setembro ela vai tocar pelas ruas de Porto Alegre. Agende-se!

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Dois eventos feministas em janeiro

Falë será realizado no Rio de Janeiro e Vale Histeria em São José dos Campos




Punks feministas, bruxas, zineiras, peludas e lindas em geral já podem anotar na agenda - ou no aplicativo apropriado - que janeiro mal começou e dois eventos feministas serão realizados, um no Rio de Janeiro e o outro em São José dos Campos, interior de São Paulo.

O Falë - Festival de Artes Livres Raiotäge - organizado pelo coletivo carioca Raiotäge, será realizado no dia 18 de janeiro no Centro do Rio de Janeiro. Um dos principais objetivos do evento é discutir a invisibilidade das mulheres e pessoas Trans*, além de criar um espaço para mulheres e trans* (conforme é colocado na descrição do evento) possam desenvolver suas potencialidades. 

O evento começa de tarde, com oficina de zine, na sequencia rola exposição de Michelle Oliveira e Lizz Marino. De noite rola o show com LuvBugs (RJ), Benária (RJ), Belicosa e Ive Seixas (Resende/RJ).


Ive Seixas é a vocalista da Ricto, e nesse show ela levará seu projeto experimental solo, o Andorinha Só, no qual ela continua tocando músicas autorais, diferentes da Ricto, pois estas são influenciadas por MPB e são todas acústicas. 

O LuvBugs é uma dupla que faz um som lo-fizado e o Benária é um power trio especialista em punk rock. Se não estou enganada, este é o primeiro show do ano da banda. Rango vegan, bebidas e banquinha com materiais independentes vão rolar durante o evento.




Já no dia 25 de janeiro, em São José dos Campos, rola o primeiro Vale Histeria. Trata-se de um encontro faça você mesmax feminista apenas para lésbicas e mulheres - sejam elas cis ou trans - veja o teaser do evento aqui. No Vale Histeria também rola rango vegan e banquinha de zines, a organização do evento inclusive encoraja a todxs que levem seus materiais. 

É importante e necessário que homens cisgênero respeitam a política do evento - que não tem como foco eles - e não participem das atividades. Segundo a página do evento apenas o show é aberto para homens cis.

Uma coisa importante do evento é elas abrirem espaço para mulheres que são mães ao convida-las e informa-las que há espaço para as crianças, inclusive para elas pintarem, brincarem e ainda rola projeção de vídeos.

Durante o evento rolam duas exposições: Varal de Poesia Preta, de Formiga, "Não Calarás" por Tomate e fotografias de Natasha Mota. E ao longo das apresentações rola live painting com Leen Vandal, que vai grafitar durante os shows. 

Os shows começam a partir das 20h, e tocam, Daman (São José dos Campos), RTF  – “Reconoce Tu Fortaleza” (Argentina), Meire D'origem e Convidadas (São José dos Campos) e AtaFalha (São José dos Campos), banda nova que ainda não tem som disponibilizado na interweb, mas trata-se de um projeto feminista de rock instrumental com um tanto de poesia.


Programação:

13h – Bate-papo inicial com Coletiva Feminista Radical Manas Chicas 

15h – Oficina de saúda da mulher e lésbica + Oficina de Calendário Lunar


“A saúde é subversiva porque não dá lucro à ninguém" (Sonia Hirsch)
Conhecer nossos corpos e processos nos aproxima e ajuda a entender e ter mais autonomia sob nós mesmas. Nesta oficina-conversa vamos falar sobre alguns dos processos que acontecem em corpos biosociologicamente definidos como femininos: ciclos, menstruação, biopolitica, e demais cositas. Venha trocar experiências, aprendizados e conhecimentos!

Na oficina prática vamos confeccionar juntas abiosorventes de tecido, aprender algumas técnicas de alternativas menos invasivas e mais holísticas e sistêmicas para autocuidado.
Se possível, traga tesoura, linha/agulha, retalhos, papel, caneta

17h - Oficina de noções básicas de elétrica

Serão passadas noções básicas do sistema elétrico doméstico. Aprenderemos, na prática, a montar extensões, trocar resistência de chuveiro e fazer pequenos reparos gerais.
Quem puder trazer: fios de extensão, plugs de tomada, bocais para lâmpada, chave de fenda pequena. 

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Ricto lança "Máfia" no Sesc Barra Mansa

Ricto, banda de Resende, se apresentou em Barra Mansa no último sábado, dia 26, para lançar “Máfia”, seu primeiro full lenght. O evento aconteceu no Sesc Barra Mansa. Marcado para as 20h30, pontualmente Ive Seixas (vocal e guitarra) e Rafael Fralda (bateria) estavam no palco. Ambos têm mais de 10 anos de envolvimento com a música independente do Sul Fluminense, seja tocando ou organizando eventos, e a experiência contribui para uma apresentação consistente. Ouça e/ou baixe "Máfia"

Ricto 2013 - Foto: Matsumoto X
O álbum “Máfia” apresenta 10 canções autorais, cantadas em português e que exploram diversos elementos de subgêneros do rock, e foi lançado em julho do ano passado pelos selos Tamborete e Subterranea, e financiado por lei municipal de incentivo a cultura de Volta Redonda. O cd prensado e o encarte colorido, com as letras e logo da banda mostram que tudo foi construído com cuidado. O disco é o material de trabalho da dupla, que já o lançou em Resende, Volta Redonda, Juiz de Fora - no festival Mulheres no Volante, São Paulo - no Espaço Walden e agora em Barra Mansa. Nós já resenhamos o disco, confira. 


Ricto @ Sesc Barra Mansa - Foto: Matsumoto X
Com pontualidade britânica, a primeira música executada foi “Porco Espinho”, que abre o álbum. Com riff forte da guitarra e viradas certeiras na bateria, a canção chega sem pedir licença e em pouco menos de dois minutos é executada. No início, Ive já avisa que as músicas serão tocadas na ordem do cd. Na seqüência são tocadas “Rat” e “Como outros, paredes”, que é um convite a dançar.

As 10 músicas do álbum foram tocadas, dele destacamos “Múltiplas Personalidades”, a que passeia pelo ska “Tabun” e “Defensiva”, uma das canções mais novas da dupla, que tem clipe em sua versão acústica. E, rolaram também as mais antigas “Lugar a Salvo”, “Piolho de Cobra” e “Love”. Ainda deu tempo para a banda dar nova cara a duas músicas, trata-se dos covers de "There There", do Radiohead e a "Let's Rage" da Nouela.

Ricto - Como os Outros, Paredes @ Sesc Barra Mansa
(Fiz videos de algumas músicas. Na medida em que formos upando vamos colocando eles nesse post)




Ricto - Vidas Fictícias e Sentimos o Tempo Todo @ Sesc Barra Mansa



Ricto - Perguntas @ Sesc Barra Mansa


“Perguntas”, música da primeira demo da banda, foi a que mais animou o público, e com razão. Letra e música se uniram de tal forma que é difícil não ser mexido por ela. Inclusive, convido os que gostam da banda a organizarem uma petição eletrônica, solicitando que uma versão 2013 – tal qual a do show – seja disponibilizada na rede. (Ok, eu já fiz isso, não lembrava que tinha gravado ela, porque a bateria acabou do nada..)

A qualidade do áudio e do teatro do Sesc acrescentaram muito a apresentação da Ricto, que soube utilizar com talento a estrutura oferecida. Músicas bem executadas, músicos talentosos, profissionalismo e pontualidade. A pergunta que fica é: onde será o próximo show?

Confira a versão acústica de "Múltiplas Personalidades" e entrevista gravadas para a TvTédio


De Ricto Máfia para Ricto

A banda existe há 10 anos. Por um longo tempo se chamavam “Ricto Máfia”, mas recentemente a banda mudou de nome. O “Máfia”, do novo álbum, é justamente uma referência ao nome antigo da banda. Segundo o Dicionário Michaelis, Ricto significa contração que descobre os dentes, dando à boca o ar de riso. 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Jair Naves se apresenta hoje, dia 15, na Subterranea

O cantor e compositor Jair Naves (SP) (que antes tocava no Ludovic), tocará hoje, dia 15, na Subterranea, em Resende, no show que faz parte dos shows de lançamento no Rio de Janeiro de seu novo cd "E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas", que saiu pela Travolta Discos e Popfuzz Records.Tocam também duas bandas locais: Ricto e Lamadart (que participaram da Mixtape #2 do Cabeça Tédio).

Subterranea no facebook

Ricto é uma dupla - Rafael Fralda na bateria, e Ive Moco na voz e guitarra - influenciada pelo rock dos anos 80 e 90, que tem quase 10 anos de existência, e estão divulgando seu primeiro full lenght, "Máfa" (resenha). Confira aqui a canção "Multiplas Personalidades" gravada acústica, para a TvTédio. A Lamadart, também de Resende, traz letras reflexivas, por vezes poéticas, com melodias marcantes. Recentemente abriram um show para o Dance of Days.


Conheci tanto Ludovic quanto o trabalho solo de Jair Naves recentemente. Acho que isso foi positivo, porque se tivesse conhecido há uns anos atrás seria possível não gostar, em função dos meus ouvidos viciados (apenas) em barulho. Por falar em barulho, o baterista da banda de Naves é Babalu, que tocava na Triste fim de Rosilene - aka uma das melhores bandas de thrashcore, que tem um dos melhores 3 ways desse Brasel (junto com Ofensa (ES) e Mais Treta (BA).

Ao Vivo no Studio SP - Foto: Oswaldo Corneti

Letras bem construídas em português, melodias no violão que casam perfeitamente são as características que mais chamam minha atenção das canções autobriográficas. Se você não conhece ainda, indico as canções, do álbum Araguari (cidade natal de Naves), "Araguari II" (Meus dias de vândalo - que é pra quem, como dizia o falecido Velho de Câncer, "raiva de espírito"), a bela "Um passo por vez", do "E você se sente..", "Covil de Cobras",  "Maria Lúcia, Santa Cecília e eu".

E já adianto, que ele fez duas versões de duas canções muito emblemáticas para as punks: "Medo", do Cólera, e "Rebel Girl", do Bikini Kill. O vídeo do cover do Cólera é bacana porque ele fala da influência (para além da sonoridade) do punk na vida dele, além de homenager Redson Pozzi, confira:

Cover


Cólera


Rebel Girl (que parece outra música!)


Além do show, rola no evento a exposição fotográfica "Olho de Peixe", que retrata a cena independente do Sul do Rio de Janeiro, principalmente de Barra Mansa, Volta Redonda e Resende, ainda rola antes e depois das bandas e a tradicional discotecagem de Mauro Dourado. Se der tudo certo vai rolar uma resenha do evento.

Confira o teaser:



Serviço

15 de dezembro de 2012, 18:00
- JAIR NAVES (SP) - http://jairnaves.bandcamp.com/
Lançamento do álbum "E você se sente numa cela escura, planejando a sua fuga, cavando o chão com as próprias unhas"
Divulgando o álbum "Máfia"
Exposição fotográfica do rock sul fluminense "Olho de Peixe". Curadoria: Caio Conceição e discotecagem de Mauro Dourado.

Ingressos:
Antecipados: R$5 (disponíveis!).
Na portaria até 20h: R$10.
Na portaria após as 20h: R$15.

Na Subterrânea haverá plantão de venda de ingressos antecipados (por $5) de 10h às 16h!

Pontos de Venda:
Resende: Klein Tattoo, Campos Elíseos - www.facebook.com/kleintattoo - 24 3354 7269
Volta Redonda: Overall Skaterock, Pontual Shopping, Vila - www.facebook.com/overallskate - 24 3342 5254

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ricto & Doppelgangers tocam juntas neste sábado


Esse sábado tem show da Discos e Afins em São Paulo. Duas bandas que gosto vão tocar: Ricto (Resende, RJ) e Doppelgangers! (São Paulo). Vou perder esse show, mas se você gosta das bandas, não perca. E claro, toca no show também a Ema Stoney. É uma oportunidade massa para conhecer bandas novas e, também, o espaço Walden, que fica na República.

Arte: Danie Hogrefe (Tralha zine)

 
Ouça a Mixtape Dpplgngrs, que tem algumas canções gravadas de forma diferente da demo "This shit is not for Pablo".

Não ter vinte anos é isso - Vestibugangers

A Ricto (quem lê o blog já deve até ter decorado isso) lançou em junho seu primeiro full lenght, chamado Máfia, e esse show do dia 13 é o lançamento dele em São Paulo. Recentemente a TvTédio entrevistou a banda, e ainda elxs tocam  uma versão acústica de "Multiplas Personalidades". Confira:






sexta-feira, 14 de setembro de 2012

TvTédio #2 entrevista Ricto

A Ricto é uma banda de quase 10 anos de estrada, e este ano passou por algumas mudanças (que você vai saber no vídeo!). Eles são Ive Moco, na guitarra e voz e Rafael Fralda, bateria, e organizam shows independentes em Resende (RJ), cidade que residem, há anos, também.

Foto de divulgação 2012 da banda


A banda é referência para quem é do Sul Fluminense, e para aquelas que ouvem música independente. A TvTédio aproveitou o lançamento do primeiro full lenght da banda, "Máfia", e fez uma rápida entrevista com Ive. Leia a resenha do cd "Máfia".

Além disso, aproveitamos o espaço gentilmente cedido pela Casa Subterrânea, para gravar uma versão acústica da canção "Multiplas Personalidades". O Cabeça Tédio agradece muito o Matsumoto, que filmou tudo, editou o vídeo da música, e co-editou a entrevista conosco.

TvTédio#2 - Ricto


Para quem vai estar no sábado, dia 13 de outubro, em São Paulo: a Ricto vai tocar no Espaço Walden, em um evento organizado pela Discos e Afins. E talvez role a confirmação de outro show, fica espertx! Tocam no dia 13, também, a Doppelgangers! e Ema Stoned.

Flyer: Daniel Hogrefe
Página do evento no Facebook.


sábado, 28 de julho de 2012

resenha: Ricto lança seu primeiro álbum, Máfia


Capa do álbum "Máfia" - Foto: Cabeça Tédio
Identificação nunca foi meu forte. Aquele sentimento de partilhar algo especial, algo valioso com outras pessoas sempre foi delicado. Afinal, as pessoas têm sensibilidades e prioridades diferentes, e por isso, e há algum tempo, entendo que se identificar com alguém – ou com algo – é uma experiência das não corriqueiras. 
Foto: Cabeça Tédio
Entende? É algo “como alguém que não se envolve”. Pense nos seus motivos de identificação e não envolvimento, para quem sabe, você se identificar minimamente com o que escrevo.

Mas bem, estou falando isso tudo porque é isso que me remeteu o primeiro álbum da banda  Ricto, lançado no dia 7 de julho, na Subterrânea, em Resende (RJ). A banda existe com o nome Ricto há pouco tempo, mas a estrada e as cordas de guitarra arrebentadas são mais antigas do que isso. Máfia é o nome do álbum de estréia que reúne 10 canções.

Ricto no show do dia 7 de julho, na Subterrânea -
Foto retirada da página da Subterrânea no facebook
Antes de adotar somente o nome Ricto, foram Ricto Máfia, e, em 2012 a banda mudou seu nome. Mas se você já os conhece vai ver que o ritmo da bateria é a de Rafael Fralda, é a voz – característica que mais identifica a banda – é a de Ive Moco. O álbum físico foi lançado pelos selos Subterrânea e Tamborete, e financiado por lei municipal de incentivo a cultura de Volta Redonda. O cd foi prensado, conta com encarte colorido e com as letras das músicas, percebe-se que foi construído com cuidado.

O álbum é composto por canções antigas (época da Ricto Máfia), como Tabun, e por canções novas, como Defensiva, já como Ricto. A bateria e guitarra que dão o ritmo tanto para músicas mais dançantes, quanto para músicas que permitem um leve “pogo”, também criam melodias mais lentas, e são somadas ao piano (tocado por Ive) e a escaleta e trompete (tocado por Nicolai Lamin, da banda Não Fique Triste). Cada música tem seu próprio tom, mas a influência do rock – de bandas variadas dos anos 80 e 90 – que permeia as músicas é perceptível na primeira ouvida.

Não deixe de assistir o clip de Defensiva, da Ricto


Não sei se os que sofrem e são portadores de felicidade patológica e cinismo irão gostar do álbum. Infortúnios, perdas, pedras de todos os dias – as experiências que deixam o olhar mais apurado para com a (o) outra (outro) – é o que é cantado. Ainda bem. Se assim não fosse difícil seria “convulsionar diante do mundo”, e não se faria jus ao significado do nome Ricto -  contração que dá à boca o ar de riso. 

Parque onde foi gravado o clip de Defensiva - Foto: Dudu Moscoso

Ricto toca "Cenas Repetidas", no show de lançamento de Máfia e de 1 ano da Subterrânea

"Máfia” mal acabou de ser lançado e eu já aguardo o próximo álbum. Não coma inseto mosca no inverno (nem no verão) – a não ser que você seja consumidorx de cochonilha - ouça o álbum – está disponível na íntegra no bancamp da banda. Se quiser radicalizar em tempos de virtualidade apóie a banda comprando o cd físico. Se envolva neste disco, vale a pena!

Botton para quem é de botton! - Foto: Cabeça Tédio
Não é a primeira vez - nem será a última - que posto sobre  Ricto. Na estréia da Tv Tédio, a música que conduz a entrevista é "Vidas Fictícias", da Ricto. E, há um tempo atrás, acabei de ver que já se foram duas primaveras!, foi Ive quem entrevistei pela primeira vez em video.

Amanhã tem Freakshow  às 18h em Volta Redonda (RJ) a Ricto se apresenta com o set list do novo álbum. Vamos? 

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ricto Máfia tocando Jealous Girls

Esse show é de setembro desse ano, o primeiro show que a Ricto Máfia tirou cover de Jealous Girls, do Gossip. O vídeo é curtinho, mas vale pelo registro. Se não me engano, esse é o show que rolou Estudantes e Homem Elefante.



Se você ainda não ouviu as novas músicas deles, do Single Paredes, ouça! A minha preferida é Vidas Fictícias. Baixae!

sexta-feira, 31 de julho de 2009

redirecionando: Macos Sem Deus zine

O rock em Resende acabou. Yeap, os roqueiros acabaram com tudo. Já tinha ido embora então nem vi o babado, mas deixo aqui a postagem feita pela Ive Moco* sobre o evento:

Tamborete apresenta em Resende RJ como foi?





"Antes de chegar à confusão que foi o final do evento (que felizmente não cortou o show de ninguém) e à notícia de que a Subterranea Produções e a Zombie Crew não farão mais eventos nos moldes que têm sido feitos, devo falar do TAMBORETE APRESENTA. É um evento itinerante promovido pelo selo carioca Tamborete (de Leonardo Panço, músico e jornalista) em parceria com a também carioca Frequência Zero Produções. O Jr Abreu (da banda Os Abreus) entrou em contato querendo trazer esse rock pra Resende. Data acertada, o MSD Zine e a Subterranea Produções ajudaram a fazer esse rock por aqui, em 25/07.

Alguém em algum momento chegou a dizer que de acordo com o calendário Maia, em todo o ano há um dia que está fora do calendário e nesse dia tudo dá errado. Adivinha qual era o dia neste ano? Felizmente nem tudo deu errado, mas eu chego lá.

Resolvi não montar stand da Puppet’s dessa vez pra poder ficar mais livre pra tanto observar o evento e tentar escrever uma resenha, quanto pra ajudar as bandas em alguma coisa e preservar o horário, o máximo possível, de cada um, já que a direção da casa pediu que o show não fosse até muito tarde. Sabe como é, é Rock.

As bandas que participaram da sexta edição do Tamborete Apresenta foram: Elasticdeath (Resende RJ), Ricto Máfia (Resende RJ), Os Abreus (RJ) e Halé (RJ). Desde já agradeço demais a presença de cada banda!

Seguramos um pouco o início dos shows porque as pessoas só começaram a chegar lá pelas 19:30. É uma cultura muito ruim essa de chegar uma hora (ou mais) depois do marcado para o início do evento (no caso, 18:00). Isso atrasa o evento todo (pois não queremos que a primeira banda toque pra ninguém), este não termina no horário combinado, a vizinhança reclama do barulho até tarde da noite e... adivinha?

A primeira banda foi a Elasticdeath, de Resende RJ. Eles fazem um hardcore com influências de Tokusatsu (filmes live-action japoneses, como Jaspion e Jiraiya) nos temas das músicas. Robin, que mesmo com a mão machucada não deixou de tocar, Caio normalmente tão quieto que não sou a única pessoa a ficar um pouco impressionada quando ele grita, e Nicolas, batera canhoto e rápido, tocaram músicas da demo Monster Inside Us e 3 covers: WWF Rematch at The Cow Palace, Zodiak (Spazz) e Where is Jollibee? (Hoy Pinoy).

Termina a leitura no blog do MSD zine.

*Ive Moco é vocalista e guitarrista da Ricto Máfia, editora do Macacos sem Deus zine e organizadora de shows independentes.