sábado, 28 de julho de 2012

resenha: Ricto lança seu primeiro álbum, Máfia


Capa do álbum "Máfia" - Foto: Cabeça Tédio
Identificação nunca foi meu forte. Aquele sentimento de partilhar algo especial, algo valioso com outras pessoas sempre foi delicado. Afinal, as pessoas têm sensibilidades e prioridades diferentes, e por isso, e há algum tempo, entendo que se identificar com alguém – ou com algo – é uma experiência das não corriqueiras. 
Foto: Cabeça Tédio
Entende? É algo “como alguém que não se envolve”. Pense nos seus motivos de identificação e não envolvimento, para quem sabe, você se identificar minimamente com o que escrevo.

Mas bem, estou falando isso tudo porque é isso que me remeteu o primeiro álbum da banda  Ricto, lançado no dia 7 de julho, na Subterrânea, em Resende (RJ). A banda existe com o nome Ricto há pouco tempo, mas a estrada e as cordas de guitarra arrebentadas são mais antigas do que isso. Máfia é o nome do álbum de estréia que reúne 10 canções.

Ricto no show do dia 7 de julho, na Subterrânea -
Foto retirada da página da Subterrânea no facebook
Antes de adotar somente o nome Ricto, foram Ricto Máfia, e, em 2012 a banda mudou seu nome. Mas se você já os conhece vai ver que o ritmo da bateria é a de Rafael Fralda, é a voz – característica que mais identifica a banda – é a de Ive Moco. O álbum físico foi lançado pelos selos Subterrânea e Tamborete, e financiado por lei municipal de incentivo a cultura de Volta Redonda. O cd foi prensado, conta com encarte colorido e com as letras das músicas, percebe-se que foi construído com cuidado.

O álbum é composto por canções antigas (época da Ricto Máfia), como Tabun, e por canções novas, como Defensiva, já como Ricto. A bateria e guitarra que dão o ritmo tanto para músicas mais dançantes, quanto para músicas que permitem um leve “pogo”, também criam melodias mais lentas, e são somadas ao piano (tocado por Ive) e a escaleta e trompete (tocado por Nicolai Lamin, da banda Não Fique Triste). Cada música tem seu próprio tom, mas a influência do rock – de bandas variadas dos anos 80 e 90 – que permeia as músicas é perceptível na primeira ouvida.

Não deixe de assistir o clip de Defensiva, da Ricto


Não sei se os que sofrem e são portadores de felicidade patológica e cinismo irão gostar do álbum. Infortúnios, perdas, pedras de todos os dias – as experiências que deixam o olhar mais apurado para com a (o) outra (outro) – é o que é cantado. Ainda bem. Se assim não fosse difícil seria “convulsionar diante do mundo”, e não se faria jus ao significado do nome Ricto -  contração que dá à boca o ar de riso. 

Parque onde foi gravado o clip de Defensiva - Foto: Dudu Moscoso

Ricto toca "Cenas Repetidas", no show de lançamento de Máfia e de 1 ano da Subterrânea

"Máfia” mal acabou de ser lançado e eu já aguardo o próximo álbum. Não coma inseto mosca no inverno (nem no verão) – a não ser que você seja consumidorx de cochonilha - ouça o álbum – está disponível na íntegra no bancamp da banda. Se quiser radicalizar em tempos de virtualidade apóie a banda comprando o cd físico. Se envolva neste disco, vale a pena!

Botton para quem é de botton! - Foto: Cabeça Tédio
Não é a primeira vez - nem será a última - que posto sobre  Ricto. Na estréia da Tv Tédio, a música que conduz a entrevista é "Vidas Fictícias", da Ricto. E, há um tempo atrás, acabei de ver que já se foram duas primaveras!, foi Ive quem entrevistei pela primeira vez em video.

Amanhã tem Freakshow  às 18h em Volta Redonda (RJ) a Ricto se apresenta com o set list do novo álbum. Vamos? 

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