Há um tempo atrás fiz uma pequena enquete na página do Cabeça Tédio, perguntando qual era o Top 5 Riot Grrrl das minas. A proposta era conhecer mais sobre as músicas e bandas que marcaram as garotas brasileiras. Recebi 11 respostas e foi a partir delas que montei a Mixtape#17: Top 10 Riot Grrrl.
Na votação, a música mais citada, no total de quatro vezes, foi "Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado", de Bulimia! É muito foda ver que uma banda brasileira ainda é uma referência tão forte assim. Na sequencia, "Words and Guitar" de Sleater Kinney tiveram três votos; "Rebel Girl" e "Double Dare Ya", do Bikini Kill tiveram dois votos cada; "Deceptacon" de Le Tigre tiveram 2 votos cada, e assim fechamos o Top 5!
O restante das bandas que participam da mixtape são as que foram mais citadas, mesmo que com músicas diferentes. São elas, Bratmobile, L7, Dominatrix, Cosmogonia e Team Dresch. Algumas dessas foram citadas apenas uma vez, junto com outras bandas. O critério que selecionei essas bandas foi dar espaço pra bandas lésbicas e brasileiras.
Foi muito legal organizar uma mixtape feita por quem lê o blog e meu muito obrigado à todas que responderam a enquete: Amanda Hawk, Danielle Sales, Dejane Grrrl, Elena David, Gabriela Gelain, Halina Gricha, Íris Nery, Jessica Nakaema, Luan Nascimento, Marcelo Rachmuth e Thais Nascimento.
Embora na arte esteja que esta é a mixtape15, ela é na verdade a 17 (depois acerto esses detalhes). Essa é a última mixtape de 2015, espero que gostem! Ah, e pra quem não sabe, estamos também no Instagram.
Tracklist Mixtape #17: Top 10 Riot Grrrl
01. Bulimia - Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado
02. Sleater Kinney - Words and Guitar
03. Bikini Kill - Rebel Girl
04. Le Tigre - Deceptacon
05. Bikini Kill - Double Dare Ya
Tem coisas que não mudam. Quando ouço um "tupá tupá" torto e uma voz gritada me sinto em casa e quando vejo já estou simulando um pogo. Quando esse "tupá tupá" racha macho então, aí a não tem preço. A mixtape#14: Grrrl Power II vem para nos lembrar - porque é gostoso, necessário e digno - que "uma mulher sem um homem é como um peixe sem bicicleta".
Uma vez que isso faz sentido para nós, acho que acontece um empoderamento forte (pelo menos foi assim comigo). E quando isso acontece, é muito mais fácil - e os laços se tornam mais fortes - quando você se engaja em construir comunidade com outras mulheres. Há alguns anos é assim para mim, e mesmo sendo poucas as vezes que consigo viver isso, é intenso demais. Por isso, os atos do 8 de março, os festivais feministas e a cultura feminista são fortes para mim.
E como estamos falando sobre empoderamento no mês da mulher, nada melhor do que celebrar as minas do punk-hardcore feminista.
Tracklist Mixtape 14: Grrrl Power II
01. Pagu Funk - A Missão Vai ser Cumprida 02. Kaos Klitoriano - Antipatriarca 03. Hitch Lizard - Girl Pride 04. Las Otras - Las Otras 05. Rape Revenge - More Mosh Less Macho 06. Bikini Kill - Don't Need You 07. Bulimia - Punk Rock Não É Só Pro Seu Namorado 08. Dominatrix - Die Die
O Dia do Orgulho LGBT é celebrado no dia 28 de junho. A data marca um evento histórico de resistência e combate à homofobia, o Stonewall Riots (em português, Rebelião de Stonewall), e foi comemorada na última sexta, e contou com diversas manifestações no país contra a "cura gay" de Feliciano. Para lembrar e homenagear a data, fizemos a Mixtape #7: Stonewall Riots. Mas antes de falarmos de música, vamos à história.
Bar Stonewall em 1969
O bar Stonewall (que fica em Nova Iorque, EUA), foi o palco do que tempos depois marcaria o dia do Orgulho Gay. Stonewall era frequentado pela comunidade LGBT, e em 1969 as batidas policiais em bar gays aconteciam regularmente. Segundo o site The Stonwall Inn NYC, era ilegal servir álcool em bar gays, e que homossexuais dançassem juntos. Durante as batidas policiais, as luzes eram desligadas, e os clientes eram colocados em fila para terem a identificação checada. Drags e pessoas sem identificação eram presas, e era pedido que mulheres vestissem três peças de roupas femininas. As que se recusavam a vestir eram e os empregados e gerentes normalmente eram presos.
As batidas tiveram um fim diferente no dia 28 de junho de 1969. Houve resistência as prisões, e para se defenderem da violência policial barricadas foram montadas durante três dias. Por isso, a data marca o dia de luta do orgulho gay. Alguém aí se lembra do álbum solo de Renato Russo The Stonewall Celebration Concert? Então, trata-se de uma homenagem do cantor à data histórica.
Na última quarta-feira, 26, Stonewall foi palco de comemoração a decisão favorável da Suprema Corte dos EUA, que a partir de agora reconhece o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo. Quer saber mais sobre Stonewall Riots? Leia a HQ feita por Mike Funk.
O preconceito, a violência - que as vezes resulta em morte, as piadas, a lesbofobia, transfobia, ainda se fazem presentes, e precisam ser destruídos, e para serem começa em você, que ainda é um preconceituosx toscx. E continua em todxs que estão atentxs a seus atos e sabem que não estão imunes ao erro, até porque desconstruir preconceitos é algo diário, e que nunca acaba. Respeito - e inteligência - não deveria ser assim tão difícil, e enquanto o patriarcado e homofobia são lentamente destruídos dá para ouvir muito som bom. Por isso, a Mixtape#7: Stonewall Riots, tem apenas música feita por queer, pra pra bater cabelo e pra pogar no queer punx style. Apesar do atraso, essa foi a homenagem que o Cabeça Tédio fez a essa data tão significativa.
Mixtape #7: Stonewall Riots
Tracklist Mixtape 7: Stonewall Riots
01. Mal Blum - Baltimore
02. Ilinx - Queer
03. The Butchies - The Galaxy Is Gay
04. Team Dresch - She's Amazing
05. Longstocking - Equator
06. Dominatrix - Homophobia On A Tray
07. Teu Pai Já Sabe? - Desejos
08. Limp Wrist - The Ode
09. Aye Nako - The Rind
10. High Dive - Tennessee
11. Gossip - Standing In The Way Of Control
12. Le Tigre - Dyke March 2001
13. Tegan and Sara - Closer
14. Men - Who Am I To Feel So Free
15. Gossip - Moving In The Right Direction
O próximo show do Dominatrix é neste sábado, dia 22, no Parque Ibirapuera. Voz e violão, canções clássicas e canções novas serão tocadas acústicas, com aquela sonoridade que só o violão permite.
Será o show de estréia da Sad Girls Por Vida, trio pop punk só violão composto por mim, Marcelo (sim, o da 'Coluna do Mama') e Luiza (do La Chatte)*. Temos uma página no tumblr também.
Aguardo mais do que ansiosa pelo lançamento do zine Sapatoons Queerdrinhos, um zine de quadrinhos feministas feito por Lina e Caro. E vai ter também leitura de zines feita pelas pessoas que fazem os zines: Histérica, Não Caia, No Make Up Tips e Clit. E claro, muita conversa sobre zines!
Flyer feito por mim
Tire o pó dos seus zines velhos, xeroque alguns e traga para trocar com nosotras. Vamos rever juntis papéis sobre o Riot Grrrl/Punk Feminista brasileiro. E podemos trocar também nossas comidas veganas, não deixe de levar alguma coisa!
Esse é o zine 'Bikini Kill', feito pela Jessica Nakaema, que também faz o 'No Make Up Tips', com a Gabriela Gelain. Além de participar da leitura, ela vai estar com o novo babyzine no show. Se der tudo certo, esse show vai ser a maior concentração de zineiras riot grrrls, feministas, pró-feministas que já fui.
Eu quero!!
No flyer o evento está com o horário de 16h,
mas achamos por bem adianta-lo para aproveitar mais o bate papo sobre
zines. Por isso, não esqueçamos, começa às 14:30h, dentro do
Parque do Ibirapuera, próximo ao Museu Afrobrasileiro. Quem não quiser
sentar no chão, leve sua canga!
* Observaçã: como é perceptível àqueles que leêm este blog, nossas postagens tem sempre alguma afinidade afetiva, política, de amizade ou por acharmos interessante. Não buscamos ser um grande glossário de conteúdo e bandas. Não pretendo usar o blog para promover meus projetos gratuitamente, apenas para informar que eles existem, a quem possa interessar.
Neste final de semana Dominatrix (SP), La Chatte (SP) e Rebel Shot Party (BSB) fazem uma mini turne em São Paulo - sexta, dia 3, e domingo, dia 5, - e Campinas, no sábado, dia 4.
Todos os cartazes da mini turne foram feitos por Luiza Kame
Rebel Shot Party é de Brasília, e conta com Bianca Martim (ex Bulimia e Pulso) no baixo e vocais, aléem de André Morale (ex High High Suicides e Filhos do Sistema), na guitarra e
vocal e Marcelo Melo
( ex Trezeromeia e Enema Noise) na bateria. A banda tem uma pegada mais rock'n'roll e é influenciada por MC5, Misfits e Sahara Hotnights.Recentemente lançaram o primeiro disco,
disponível para download gratuito no Trama Virtual. Confira aqui o cover da Rebel Shot Party de Punk rock não é só pro seu namorado, com a particiapação de Elisa Gargiulo (Dominatrix).
Anota na agenda: primeiro show: sexta, dia 3, no Outs (São Paulo)
La Chatte é de São Paulo, bateria e guitarra fazendo muito barulho, influenciado por bandas Riot Grrrls. Atualmente a banda é Luiza Kame (bateria e voz) e Marcelo Terreiro (guitarra e voz). 'Maybe we need a recall' é a primeira demo da La Chatte, ouça! Mas logo menos há material novo da banda. Confira o dip 'Dyke Jesus'
Dominatrix,
também é de São Paulo. Não preciso falar muito, né. Hardcore feminista
há mais de 15 anos, turnês na Europa e nos EUA. Se
'Beauville' não tocou até arranhar no seu aparelho de som você precisa
rever seus conceitos. Formação atual – Elisa Gargiulo (voz e guitarra),
Pitchu Ferraz (bateria), Marina Takahashi (guitarra) e Cléo Fogaça
(baixo).
Da um confere no ensaio delas pro Trama, tocando 'Vai lá', música do último disco da banda
Terceiro (e último) show: domingo, dia 5, Dynamite Pub, São Paulo
Cds
Cd de estréia da Ricto (banda de
Resende/RJ, antiga Ricto Máfia), chamado Máfia. Resenha aqui. Tem também o cd promo que será distribuído gratuitamente!
Vulva La Vida Blusa ($15), Dvd ($5), Bolsa ($15), Bottons e patches (feminismo, veganismo, bandas riot grrrls). Poucas unidades de cada item, quem tiver interesse é só nos procurar.
Além disso tuuuudo, na sexta, dia 3, tem lançamento do Tralha #2, com show do Albertinho dos Reis. É só programar o role!
Se você ainda não ouviu falar do Viva Viva, você deveria. É um filme sobre duas gerações de punks que com suas bandas, zines e projetos mudaram o punk brasileiro. Ele foi filmado - entre 2003 e 2005 - editado, produzido e dirigido por Carolina Pfister, que tocava na TPM (Trabalhar Para Morrer) e editava o zine Água.
Redson (Cólera) - Foto retirada do site do Viva Viva
Quem já ouviu TPM e leu o Água sabe como é inspirador o trabalho dela. Já espero ansiosa para assistir o filme. Quem ainda não conhece eu recomendo que procure, especialmente o zine, que é muito foda. Textos bem escritos e inspiradores, colagens, entrevistas e todo o espírito do zine é lindo. Se eu li várias edições diferentes do zine foi graças a Tate. Valeu muito, Tate! Caso alguém queira uma cópia podemos acertar isso por email.
Até quando você pode ajudar? Anota na agenda: 30 de junho.
Trailer
Viva Viva is a independent movie about two generations of São Paulo's punks (birthplace of brazilian's punks) done by Carolina Pfister (awesome zinister, she played at TPM (Trabalhar Para Morrer - Work for Die) and she needs our help to finish editing the movie. You can help donating in KickStarter and watch the trailler of the movie with english subtitles. She's fundraising for half of the cost to fully complete the film. The other half will be self-fund.
Quase um mês sem postar aqui, mas não abandonei. O titulo do post é o nome de uma coletânea organizada pelo Riot Grrrl Berlim, lançada dia 19 de dezembro, e traz mais de 50 bandas de garotas que estão na ativa, de várias partes do mundo. Cada banda participa da coletânea com uma música.
Arte: Jenny Eckermann
Na coleta Riot Grrrl is not Dead, representando o Brasil há o Dominatrix, que participou com a música 'Die die'. Segundo a postagem delas no tumblr é do Brasil também Marina Faé feat. Cine Mad in Chaos que toca a música Another Room, que não conheço. O mais foda dessa coletêna é conhecer uma pá de banda nova de vários cantos do mundo, como Ex-Best Friends da Alemanha, Gretel's Revenge da Itália, Dead by Pregnancy de Portugal, passando pelo The Mullettes do México, Hissyfit da Nova Zelândia, Squab dos Estados Unidos e Seahags do Canada. Para que quiser ajudar a divulgar pelo facebook!
CONVOCATÓRIA PARA V/A - RIOT GRRRL IS NOT DEAD Nº 2
Elas já estão se organizando para fazer a VA - Riot Grrrl is Not Dead nº2, que já tem deadline: 15 de fevereiro de 2012. Bandas que quiserem participar tem que ter pelo menos 50% de garotas tocando instrumentos. Se liguem: vocês devem enviar UMA música da sua banda para riotgrrrlberlin@gmail.com, junto com as seguintes informações:
Nome da banda, uma música da banda, seu país de origem e dois links da banda (pode ser do myspace, facebook..). Você só pode enviar música da sua própria banda. Se achar que a banda da amigue tem a ver com a compilação fala pra amigue mandar.
Segundo as informações que elas divulgaram, não importa o estilo da música, se é profissional ou não (e elas aceitam covers) mas é claro que não será aceito conteúdo sexista, homo/transfóbico, racista e todas essas merdas (não sei porque ainda me dou o trabalho de listar).
A Riot Grrrl Berlim não está procurando, para a compilação, bandas compostas por homens CIS*
(pessoa que tem a identidade de gênero em concordancia com seu aparato
genital onde seu comportamento reflete o que é socialmente aceitável)
com uma garota no vocal. Elas querem bandas/projeto onde as
mulheres/garotas toquem os instrumentos!
La Chatte (SP) tocando no Todasqueer (to devendo postagem sobre esse evento lhindo), exemplo de banda que NÃO É composta por homens CIS com garota no vocal
Ainda, elas aceitam contribuição da capa/arte para a nova compilação. E sabe o mais legal? Elas vão organizar essa compilação a cada dois meses, então se você é mucho enrolado e perder o prazo pode se organizar e enviar seu material na sequencia.
CALL FOR SUBMISSIONS FOR V/A RIOT GRRRL IS NOT DEAD Nº 2,ENGLISH AND DEUTSCH INFOS HERE.
* Se houver erro na definição me corrijam, por favor. Minha leitura sobre cisgênero está atrasada, errada e maluca.
Já tem um tempo que o pessoal do Homoground publicou a Mix Tape de bandas Queers brasileiras organizada pela Discos e Afins. O set é composto por 10 bandas e 10 músicas, de algumas 'seminais', como Dominatrix, The Biggs e Anti-Corpos, e por mais novas, como Pushmongos e La Chatte. Posso estar errada, mas acho que a mix conta com quatro bandas que já não tocam mais, mostrando como é mínima a quantidade de bandas, pelo menos no meio punk/diy que conhecemos, que se identificam como queers/pro-queers.Ouça aqui!
Além das músicas, o pessoal da Discos adiantou um assunto, uma convocatória para a compilação de zines e discos queers, que em breve será lançada. Um dos objetivos é justamente encontrar bandas/pessoas que se identifiquem nisso. Como eu não me aguento, já to nessa com eles, e já animada em finalizar os detalhes para começar a divulgar.
Vocês
com certeza se lembram do festival que iniciou 2011 juntando um monte de
garot@s fodas em Salvador, trata-se do Vulva La Vida. Pois é, durante quatro
meses deste ano o coletivo produziu o documentário “Vulva la Vida, Lá vou Eu”.
O documentário retrata a primeira edição do festival, que aconteceu em
Salvador, nos dias 19, 20, 21, 22 e 23 de janeiro deste ano. Ele mistura tanto
a fase de construção do festival, como os dias de show e oficinas e depoimentos
de algumas integrantes do grupo.Nós
conversamos com Íris Nery e Nívea Reis – que filmou boa parte do documentário e
o editou - a respeito. Perguntas:
Carla Duarte, repostas: Íris Nery e Nívea Reis, tradução: Carla Duarte e Íris Nery.
The interview is avaiable in english, just scrool and read!
1)
O coletivo Vulva La Vida produziu durante cerca de quatro meses o documentário
“Vulva La Vida, Vida lá vou Eu”, que retrata o festival que aconteceu em
janeiro de 2011 em Salvador. O registro do festival foi feito por Nívea Reis,
integrante do coletivo feminista. Como foi o processo de produção?
Íris:
Pra gente aquilo era tão novo que, desde o ano passado, nós tínhamos a ideia de
registrar o festival de alguma forma, e então, quando dava, a gente filmava
algumas reuniões e outras atividades relacionadas à construção do mesmo.
Daí até o festival em si, nós fomos acumulando alguns materiais audiovisuais,
que foram captados por uma variedade de câmeras, desde profissionais até
câmeras fotográficas digitais, sem um roteiro formalizado e por mais de uma
pessoa. Alguns meses após o festival, resolvemos gravar algumas falas de
mulheres que participaram dele e/ou da organização para estruturar o
documentário, que recebeu o nome de "Vulva La Vida, Vida Lá Vou Eu".
Nivea:Após ter filmado grande parte dos encontros promovidos
pela convocatória de construção do FVLV, eu percebi que uma parcela daquele
material captado poderia se perder na ociosidade e esquecimento, servindo
apenas como um registro mal acabado de um evento feminista e nada mais. Com a
intenção de levar em frente o projeto de documentário sobre o festival, graças
a sugestão e motivação dada por algumas meninas da organização, decidi
documentar todo o processo do festival e transformá-lo em um produto para
veiculação em mostras, festivais e internet.
Durante as reuniões pré-festival eu pude notar o conteúdo rico que algumas
discussões promoviam acerca do feminismo e a variedade de opiniões que cada
mulher trazia para aquele espaço. Pude registrar com a câmera momentos únicos
de solidariedade, conversas intensas e os conflitos saudáveis comuns à qualquer
convivência. Durante os dias do festival contei com a ajuda de Marina Paiva, já
que a mesma havia levado uma câmera e se propôs a capturar todos os dias do
Vulva la Vida.
Nessas filmagens, estavam registradas as oficinas, os momentos de descontração,
as discussões calorosas, a amizade entre as meninas e os shows com as bandas
convidadas. Mais de 10 horas de material gravado que precisava ser editado e
transformado em um documentário simples, despretensioso, mas com o espírito do
riot grrrl em sua cadência. Tendo em mãos todo o conteúdo filmado, partimos
para o processo de captura dos depoimentos de algumas das meninas que
participaram mais efetivamente da construção do evento. Com a ajuda de Íris
Nery, pudemos registrar a opinião de cada uma das participantes à respeito do
aprendizado referente ao festival e ao processo de trabalho que se teve em
produzí-lo.
Depoimento das integrantes do Coletivo Vulva La Vida
Esses depoimentos serviriam como fio condutor para costurar a narrativa do
curta e descrever melhor o processo; a partir das variadas opiniões de cada
entrevistada. Com um tempo aproximado de 17 minutos, o documentário Vulva la
Vida - Vida lá Vou Eu, demorou cerca de 4 meses para ser finalizado e a partir
de agora será exibido em diversos festivais do mundo, como o Lady Fest Bogotá e
o Lady Fest Berlim.
2)
O que o documentário traz para quem não participou do festival?
Íris: O documentário, ao meu ver, tenta levar a experiência do festival para
outras mulheres e coletivos, de modo a servir de inspiração e mostrar que é possível
fazer um evento do tipo sem patrocínio, sem editais, apenas com persistência,
união e criatividade! Ademais, o documentário é uma forma de dar visibilidade a
essas experiências autônomas que a gente não vê na grande mídia.
3) O
documentário será lançado fora do Brasil?
Íris: Graças à rede feminista que se formou de apoio ao festival, o
documentário terá legendas em inglês e espanhol, e estamos articulando a
exibição em outros países do nosso continente, como no Ladyfest Bogotá
(Colômbia) em outubro. O DVD será vendido à 5 reais, com as duas opções de
legenda.
4)
Quando e como será o lançamento do documentário no Brasil? Será possível comprá-lo?
Íris: No Brasil, o lançamento "oficial" será no dia 28 de setembro,
que além do mais é uma data simbolicamente importante pois é o Dia
Latinoamericano de Luta pela Descriminalização do Aborto. Em Salvador, o
lançamento será às 19h na Sala Alexandre Robatto, na Biblioteca Central dos
Barris e em breve teremos o cartaz de divulgação. Também estaremos lançando uma
Convocatória para receber propostas pra segunda edição do Festival bem como
para convocar voluntárias. Nos outros estados também haverá a exibição do
documentário na mesma data, e a partir disso vamos começar a vender o dvd
para arrecadar fundos pra esta segunda edição do Vulva La Vida, que será em
janeiro de 2012 em Salvador.
Nívea filmando uma das reuniões da convocatória 2010- Nívea recording one of the meetings in 2010
5) Vocês acabaram de lançar a convocatória para o Vulva La
Vida 2012. O que vocês podem contar para nós sobre os preparativos do festival do
próximo verão? Quem não vai comparecer ao festival pode enviar sugestões?
Provavelmente a segunda edição do festival será na última semana de janeiro de
2012, e terá mais dias de duração do que na primeira edição. Ademais, permanece
a intenção de fazer o verão mais quente, onde possam fervilhar valores e
práticas feministas e de solidariedade entre mulheres.
No período entre 28 de setembro e 28 de outubro, as interessadas em terem uma
participação no festival não só enquanto expectadora, podem enviar propostas de
oficinas, shows, palestras, bate-papos, e o quê mais vier à cabeça, para o
email vulvalavida@gmail.com . A intenção é construir a
programação do Vulva la Vida 2012 a partir dessas propostas, seguindo a ética
do faça-você-mesma.
Para quem quiser mais informações sobre a Convocatória 2012 leia no Destemidxs. Postarei aqui também, claro.
I think that everyone that
reads this blog remember Vulva La Vida festival, a feminist festival that took
place in Salvador, Bahia, in 2011 january. After four months the ladies
produced the documentary “Vulala la Vida, Vida Lá vou Eu”, that is a must watch
for everyone care about feminism, punk, queer, diy or everything together.
The documentary focus on
the production and in the festival, mixing the bulding process to the gigs and
workshop. And the woman of Vulva La Vida Collective they talk about the hard
and happy effort to make something like they did.
From 28 september to 28
october is open the call for submissions for Vulva La Vida 2012. So don’t waste
you time and write everything down and send it for those girls.
I interviewed Íris Nery and
Nivea Reis of the collective about the documentary. Translation: Carla Duarte
and Íris Nery.
Cabeça Tédio: Vulva La vida
collective produced the documentary “Vulva La Vida, Vida lá vou eu” that shows
the festival that happened in january at Salvador, Bahia, Brazil. The shootings
were done mostly by Nívea Reais, one of the girls of the feminist collective. How
it was the production process?
Íris: For us that project
was such a new thing and therefore, since last year (before the festival), we
had the idea of register the festival by some way and then, when we could, we
filmed some meetings and others activities envolving the construction of the
festival. So, untill the festival we accumulated some audiovisual materials
wich was captured by a variety of cameras, from profissionals to digital
cameras, without a formalized script and by more than a person. Some months
after the festival we decided to record some speechs from women who
participated or organized it and use them to structure the documentary, which
received the name "Vulva La Vida, Vida Lá Vou Eu".
Frame of the documentary that Nivea sent just for Cabeça Tédio
Nivea: I shooted a
big part of the meetings promoted from the call for submissions. With the
intention of making the documentary and with the support of other girls from
the organization I decided to record all the process of the festival. During the days of
the festival Marina Paiva helped me with the recording process because she
brought her own camera and she wanted to shoot everyday of Vulva la Vida.
We recorded more them
10 hours of material and we edited and we thought that de documentary should be
simple, unpretentious, but with the riot grrrl spirit
in its cadence. We also shooted
statements from some of the girls that were involved in the construction of the
event some time after the festival.
The girls’ statements is the thread conductor to sew the documentary
narrative and describe better the process based on the different opinions of
each girl.
The documentary last 17 minutes. It took about 4 months to be finished
and it will be exhibit at Ladyfest Bogotá and Ladyfest Berlin so far.
(CT) What the documentary
brings to those that didn’t attended to the festival?
Íris: The documentary, the
way i see it, try to show the festival expirience for other women and
colective, in a way that can inspire them and show that's possible to make a
festival like that without sponsorship, without without money help from
government or companies, only with persistence, union and criativity!
Furthermore, the documentary is a way to give visibility to these autonomous
experiences which we don't see in the mass media.
Girls meeting to build Vulva la Vida 2011
(CT) When and how it the
documentary will be exhibited in Brazil? Will you sell it?
Íris: In Brazil, the
"official" shooting
will be on september 28, which moreover is an important simbolic day because it
is the Latin American Day of Fight for legalization of Abortion. In Salvador,
where we live, the shooting will be at 7 pm at Sala Alexandre Robatto
(Bilioteca Central dos Barris) and we will have the publicity poster soon. Also
we will be releasing a call up
to receive propositions for the second issue of the festival and to call
volunteers. In other states also will happen exhibitions in the same day and
from this we will star to sell the dvds to raise founds to the second issue of
Vulva La Vida, that will happen in January in Salvador, 2012.
(CT) The documentary is going to be release outside of Brazil?
Íris: In goodwill of feminist network that supported the festival the
documentary will have subtitles in english and spanish and we are articulating
the exhibition in other countries of our continent like Ladyfest Bogotá
(Colômbia) in October. We will sell the dvd for U$ 5 with the two options fo
subtitle.
Teaser of the documentary with english subtitle!
(CT) You justed put out the
call for submissions of Vulva La Vida 2012. What can you tell for us about the
preparation of the festival of next summer? Those that wont be able to attend
can send suggestions for workshops?
Íris: Probably the second
issue of the festival is going to be in the last week of january and will have
more days of festival then the first edition. Furthermore
stays the intention of making the hottest summer where values and feminist
action can effervesce as well the solidarity between woman.
From 28
september to 28 october who wants to participate not only as an expectator can send proposals
of workshops, gigs, talks, lectures and anything else to the email vulvalavida@gmail.com. The intention
is build Vulva la Vida 2012’s schedule based on this proposals, following the
ethics of do it yourself.
Em outubro do ano passado aconteceu, em Salvador, a I Convocatória Riot Grrrl. O fruto da convocatória é o festival Vulva la Vida, organizado pelo coletivo Na lâmina da faca. O festival começa dia 19 de janeiro, e termina dia 23, e conta com uma longa programação, de oficinas, debates, filmes e shows.
Depois de quase dois anos, se não estou enganada, terminamos a segunda edição do Histérica, zine de papel interestadual feito por Carla, Íris e Julie. E é nesse evento foda que ele vai ser lançado. Sou uma das oficineiras do festival, junto com Camila Puni (nós fazíamos, trocando cartas, um zine chamado Dialética, há uns anos atrás), vamos realizar a Oficina de zines, dia 21, às 14h. Nossa oficina pré-internet vai contar com vídeo e mostra de zines velhos. Por isso, o Cabeça Tédio vai ficar parado durante esse tempo.
Dia 22 é o dia do show: Dominatrix (SP), Babi Lizz (CE), Endometriose, The Jezebels (SE), Macumba Love e Munegrale.
Confira o blog do VLV, para saber qual é a do festival, que promove a contra cultura feminista, e não deixe de assistir o vídeo produzido por Nívea Reis. Outro vídeo vinculado ao festival é o cover de Tegan and Sara, da música Northshore, feito por Jadih C.
O show foi ontem, 9 de janeiro, no Outs, Augusta. Esse foi o meu primeiro show do ano, não poderia começar melhor. Falando nisso, esse é o primeiro post de 2011. Ainda da tempo para desejar a tod@s um ano decente, né? Bom ano para todas!
O início do show não poderia ter sido melhor, a primeira música tocada foi Patriarchal Laws, terceira música do disco Girl Gathering.
Lá pelas tantas, tocaram Broken Glass Candy, do Beauville.
Pretendo escrever mais sobre o show, então devo editar esse post durante a semana. Os dois vídeos são os primeiros que encontrei no youtube. Mas adianto que rolou versão acústica de Redial (que foi perfeita), Jack Queen e Debora. Além das músicas do último disco, cantadas em português, elas tocaram muitas músicas antigas, coisa fina.
Ainda em tempo:
Quem gostou da primeira edição, não perde por esperar pela segunda. Pelo menos nós nos surpreendemos!
Stella Can (hard rock)from Porto Alegre. When they played Highway to heel, from ACDC, everybody dancend and enjoyed. They're a trio and the lead singer is the baterist (My very bad. Thinking in portuguesenglish and without attention is'nt good. baterista means drummer in portuguese). Its very good to see them playing. I didn't know them until Ladyfest, it was a good surprise. By Elaine Campos
Dominatrix by Elaine Campos
Dominatrix is a brazilian feminist hardcore band. I guess is the best known feminist hardcore brazilian band outside Brazil. They toured US with The Haggard some years back. One of the most important feminist band of Brazil.
Debora Biana, baterist of Dominatrix in her bery last show with the band. By Elaine Campos
May 21, in Centro Cultural da Juventude, São Paulo. By Elaine Campos
This one I took, and I can't take pics. She's amazing.
Team Dresch Sensação by Carol Ribeiro
My first and best Ladyfest. Ever? By Carol Ribeiro
Jody by Elaine Campos
Setlist by Carol Ribeiro
Lots of girls and sing alongs, and they were playing. By Isaac Filho
That's it. My photoreview, and I don't know if photoreview is actually a word. But ya know what I mean. Who cares about writing and reading it anyway. I have a few videos of the show to add, if it's not horrible I'll update here.
Elisa Gargiulo, organizadora do Ladyfest Brasil já anunciou as datas do festival desse ano, acontecerá em São Paulo e em Santos entre os dias 14 e 23 de maio. Márcia Tiburi está confirmada nos debates de abertura do Ladyfest. Mais informações em breve, com a programação completa e as bandas convidadas. A primeira edição do Ladyfest Brasil aconteceu em 2004,de lá pra cá o Brasil é representado dentro dos Ladyfests mundiais. O festival surgiu (claro, néam?) em agosto de 2000 em Olympia. Então, quem vai no Ladyfest 2010?
Estava procurando capas de zines antigos para ilustrar um texto meu que vai sair na segunda edição do Distorção (e não vai demorar muito). Não encontrei nenhuma capa além da que eu sabia que ia encontrar - as capas do Faca Cega que estão no site do zine - mas encontrei esse blog, Dodo Publicações, disponibilizando a #3 do O Idealista (zine de Belo Horizonte, hoje algumas pessoas que faziam o zine tocam na Você tem que desistir) e a #1 do Bendita (zine feito por garotas de São Paulo, eram publicados relatos verídicos sobre abuso sexual e violência contra a mulher). Tem também o Homoxidal 500, zine gay de Buenos Aires, nunca tinha ouvido falar, além desses dois existem outros zines que não conheço disponíveis. Eu não consegui baixar os zines, mas quem sabe você consegue!
*I was seraching covers of brazilian zines to ilustrate a text that's gonna be published in the second issue of Distorção. I didn't found much, but I found three interesting zines to download: O Idealista and Bendita (brazilian zines, personal is politcs and sexual abuse against woman) and Homoxidal 500 from Buenos Aires that's clearly a homo zine. I don't know why I can't download it but maybe someone else it's lucky, right? Links to download above.