quarta-feira, 23 de março de 2011
domingo, 20 de março de 2011
entrevista: Songs for Moms
Tenho algumas coisas para postar no blog, mas está faltando tempo para traduzir, escrever, checar informações e links. Boa era a época em que o Fernando estava aqui, que me surpreendia com os posts e tinham coisas diferentes sendo ditas e pensadas. Mas, chega de saudosismo, vamos falar da entrevista de hoje.
Sim! Fazia tempo que não entrevistava, e recomei bem. Conheci a Songs for Moms através do scene report que a Naomi Violet escreveu, que publiquei no Histérica #2. Na verdade, essa não é a primeira postagem sobre elas, aqui falei sobre elas. Nesse post tem o link para fazer o download do segundo disco delas, I used to belive in the west. O primeiro é o The Worst it Gets the Better, que pode ser comprado no Starcleaner Rex. E elas estão finalizando uma nova demo com quatro músicas.
Como disse nesse mesmo post, não vou coloca-las em uma gaveta musical definida. A banda é: Molly e Alanna (vocal, guitarra e baixo, elas trocam de instrumentos) e Carey (bateria). Elas tem músicas folk, músicas melódicas e algumas letras tem tanto a ver com o que tenho visto, que até me assusta. Mandei as perguntas na cara de pau, sem antes nem ter as convidado. Minha sorte é que elas são simpáticas, e a Molly respondeu a entrevista. Como ela não conhecia bandas de/com garotas do Brasil, indiquei algumas bandas para ela.Perguntas e livre tradução: Carla, respostas, Molly. Todas as fotos retiradas do myspace da banda.
Cabeça Tédio: Apresentando a Songs for Moms para xs ouvintes brasileirxs: quando e porque vocês começaram a SFM? Porque esse nome? Música folk foi a trilha sonora da infância de vocês? Suas mães vão aos shows?
Molly: Alanna (guitarra e baixo) e eu começamos a tocar juntas em 2006. Nós eramos amigas há anos, e nós duas compunhamos músicas independentemente na guitarra. Nós decidimos formar a banda e pegamos emprestado um baixo de uma amigo e começamos a escrever juntas. Nós começamos tocando nas ruas de São Francisco. Na verdade, acho que nós nem pedíamos dinheiro, apenas procurávamos ouvintes. Nós estávamos procurando umx baterista, perguntando para xs amigxs, colocando anúncios, mas ninguém queria tocar com a gente.
Nós costumávamos ensaiar no porão da casa dos pais da Alanna. Foi quando nós nos decidimos que a única pessoa que gostava da nossa banda era a mãe dela. Foi assim que criamos o nome. Nós pensamos que só as nossas mães gostariam da nossa música.
Depois de ter tocado com alguns outros bateristas com diferenças pessoais e musicais, nós conhecemos a Carey, através de um amigx em comum, e foi amor a primeira vista. Agora as duas são minhas companheiras para vida. Nós todas crescemos ouvindo músicas diferentes. Eu ouvi muito folk e fui a muitos shows punks. Alanna ouvia muito punk também. Carey cresceu ouvindo muito grunge dos anos 90 e punk.
CT: Aqui no Brasil não há nada como o Girls Rock Camp. Existe o Ladyfest e algumas vezes elas realizam workshop de música. Aqui se você quiser aprender a tocar você tem que ir a uma escola de música, aprender com um amigx ou sozinho. Carey (bateria) é uma das garotas que começou o Girls Rock Camp da Bay Area, certo? Como é ensinar as meninas a tocar e fazer o Rock Camp acontecer? Alguma das meninas que foram aprender a tocar já conheciam uma banda de/com garotas?
Molly: Carey (bateria) é a fundadora e diretora executiva do Bay Area Girls Rock Camp. Ser um pedaço do Rock Camp mudou totalmente a minha vida. É incrível ser uma parte disso, ver isso se espalhar e crescer, capacitar garotas e mulheres tanto nos palcos como na vida diária, e acima de tudo, eu posso dizer “sim, minha melhor amiga começou isso”, hehe.
Algumas meninas que vem aprender a tocar chegam sem qualquer experiência musical. A maioria chega sem conhecer bandas de garotas, já que elas não estão na rádio ou na mídia oficial. No Rock Camp as garotas aprendem a desafiar a socialização que nos ensina desde que nascemos a ser bonitas, quietas, frágeis, agradável, maliciosas e competitivas com outras garotas, etc.
Ensinando no Rock Camp tem me ensinado que garotas e mulheres de todas as idades, habilidades, lugares e diferenças são capazes, fortes, inteligentes e são capazes de superar a discriminação de gênero e tocar muito bem.
CT: Qual tipo de música influencia vocês? Vocês tocaram em outras bandas antes de tocar na Songs for Moms? Conte para nós um pouco sobre isso.
Molly: Essa é uma pergunta difícil. Nossa música é muito influenciada pelas bandas de nossas amigos da bay área e bandas que conhecemos durante a tour. Algumas bandas que nós todas gostamos bastante são: Screaming Females (Nova Jersey), Broken Water (Olímpia), Ghost Family (Bay Área de SF), Fleabag (Bay Área de SF). Acho que me influenciei muito pelas bandas que tocavam na Bay Área há uns cinco ou dez anos atrás, como 50 Milion e Full Moon Partisans.
Agora, eu acho, que nós somos influenciadas por bandas com letras radicias sobre política, feminismo, gênero, sexualidade e anti-racismo. Letras são uma prioridade para mim e Alanna. Alanna tocava numa banda no ensino médio chamada Screaming Vaginas. Elas eram fodas. Fui em alguns shows delas. Punk raivoso, rápido e melódico.
Carey tem tocado em várias bandas. Quando nós nos conhecemos ela tocava numa banda doida e legal chamada The Cars The Doors. Desde que começamos a tocar juntas ela tem tocado em outras bandas também, incluindo bandas de metal como Empty Buildings e Tesseract (bandas de metal formada por garotas).
CT: Como é a movimentação de grrls na sua cidade? Vocês tem novas bandas, zines e coletivos?
Molly: Existem muitas mulheres incríveis tocando na cena DIY da Bay Area. Novas bandas que eu gosto muito: Human Baggage, LIVID, Femme Teen, Deep Teens, Jeepneys, Cher Horrowitz. Todas essas bandas contam com garotas que são voluntárias no Rock Camp!
Tem um coletivo novo, foda, chamado The Bay Area BookingCollective. Elxs organizam shows internacionais com enfase na inclusão queer, de pessoas trans e de diferentes cores e etnias.
CT: Vocês conhecem alguma banda brasileira? O que vocês conhecem sobre a cena punk feminista do Brasil?
Molly: Não sei nada sobre a cena DIY punk feminista do Brasil!! Eu adoraria saber! Por favor envie informações/o seu zine, bandas favortias, coletivos e etc. Sei que a Songs for Mons iria adorar tocar aí um dia!
It's has been quite a while that I don't post in english here. I dont know if that makes a difference anyway. But this is an anwesome interview with a great band so I had to share it in both english and portuguese.
I first heard about Sons for Mons when Naomi Violet wrote the Bay Area Scene Report to the zine that I make, Histérica. I started listening to SFM and I was amazed with the mix of punk and folk. I don't think that they fit in a perfect musical box, and I think that's great.
This is not the first time I post about SFM, here you can download I used to believe in the west, their second album. The first is The worse it gets the better. And they're finishing a four song demo, that will be out soon. I just send the questions and Molly was the greatest. She answered it fast and with good answers. She didnt know much about brazilian grrls bands, so I send her some links about it. Questions: Carla, answers: Molly.
Cabeça Tédio: Introducing the Songs for Moms to brazilian listeners: when and why you started Songs for Moms? Why the name Songs for Moms? Folk music was the soundtrack of your childhood? And your moms come to your gigs?
Molly: Alanna (guitar and bass) and I started playing music together in 2006. We had been friends for years, and we both wrote songs independently on the guitar. We decided to form a band and borrowed a bass from a friend and started writing together.We started by busking on the streets in San Francisco. Actually, I don’t even think we asked for money, just an audience. We were looking for a drummer, asking friends, posting ads, but no one wanted to play with us.
We used to practice in Alanna’s parents basement. That’s when we decided that the only person who liked our band was her mom. That’s how we came up with the name. We thought only our moms would like our music. After playing with a few other drummers with some musical and personality differences, we were set up with Carey, by a mutual friend, and it was love at first sight. Now they are both my life-long companions.
We all grew up listening to different music. I listened to a lot of folk and went to a lot of punk shows. Alanna listened to a lot of punk too. Carey grew up listening to a lot of 90s grunge and punk.
CT: Here in Brazil there's nothing like Girls Rock Camp. There's Ladyfest and sometimes they make music workshop. If you want to learn how to play here you have to go to a muscic school os learn with a friend, or by yourself. Carey (drums) was one of the girls that started BAGRC right? How is teaching and making the camp? Some of the girls that went to the camp knew some grrl band already?
Molly: Carey (drums) is the founder and executive director of the Bay Area Girls Rock Camp. Being a part of Rock Camp has totally changed my life. It is amazing to be a part of this thing, watch it spread and grow, empowering girls and women both on stage and in their daily lives, and on top of it all, I get to say, “yeah, my best friend started that.” Hehe.
Some campers come with no musical experience at all. Most come with no knowledge of grrl bands, since they are not on the radio or in mainstream media. At Rock Camp, girls learn to challenge the socialization we are taught from birth: to be cute, quiet, agreeable, fragile, to be catty and competitive with other girls, etc. Teaching at the camp has taught me that girls and women of all ages, abilities, demographics, and differences are capable, strong, smart, and able to overcome gender discrimination and rock out so hard.
CT: What's your music influence? And do you girls played in another bands before SFM? Tell us a little bit about it. Molly: This is a hard question. Our music is influenced a lot by our friends bands, both in the Bay Area, and that we have met on tour. Some bands we all really like are Screaming Females (New Jersey), Broken Water (Olympia), Ghost Family (Bay Area), Fleabag, (Bay Area).
I think I was influenced a lot by bands playing in the Bay Area five or ten years ago, like 50 Million, and Full Moon Partisans. Now, I think, we are really influenced by bands with radical lyrics about politics, feminism, gender and sexuality, and anti-racism. Lyrics are a priority for Alanna and me in particular.
Alanna was in an all girl band in high school called the Screaming Vaginas. They totally ruled. I saw them a few times. Angry, fast, melodic punk. Carey has been in lots of bands. When we met her, she was in a crazy cool band called The Cars The Doors. Since playing with us she has been in several other projects including heavier bands like Empty Buildings and Tesseract (all girl metal).
CT: How's the grrrl movimentation in your city? Do you have new bands, zines and collectives?
Molly: There are so many amazing women playing music in the Bay Area DIY scene. New bands I really like are Human Baggage, LIVID, Femme Teen, Deep Teens, Jeepneys, Cher Horrowitz. All of these bands have rock camp volunteers in them too!
There is an awesome new collective called the Bay Area Booking Collective. They book intentional shows with an emphasis on including queer and trans people and people of color. They have a blog: bookingcollective.wordpress.com.
CT: Do you know or like some brazilian band? What you know about the punk feminist scene in Brazil?
Molly: I don’t know anything about the DIY punk feminists in Brazil!!!! I would love to know! Please send us information/your zine, favorite bands, collectives etc. I know Songs for Moms would love to come there on tour eventually!
The only reason that the interview is not avaiable in spanish is because I dont speak spanish, yet. Yeah, it's pretty commom in Brazil speak english instead of spanish. But if you know anyone that want to translate to Cabeça Tédio (pays nothing of course) let me know.
PS:O único motivo da entrevista não ser traduzida e publicada em espanhol é porque não falo espanhol, ainda. É, é bem comum no Brasil falar inglês ao invés de espanhol. Se você conhece alguém que queira traduzir pro Cabeça Tédio (não paga nada, óbvio) me avisa.
sábado, 12 de março de 2011
International Girl Gang Underground é lançado hoje
Algumas zineiras/grls/folks que colaboraram enviando material para o IGGU: Osa Atoe (colunista da Maximum RocknRool, editora do zine Shotgun Seamstress), Billy Cheer (This is Fag City), Lo (Heartsrevolution), Carla Duarte aka BoredCarla (Histérica), Mimi Thi Nguyen (Evolution of a Face Riot e Punk Planet), Hadass Ben-Ari (Fallopian Falafel), Katie Crutchfield (P.S. Elliot, Bad Banana) e outras treze escritoras, ativistas, musicistas, zineiras dos EUA e de outros cinco países. A arte da capa é autoria de Sonrisa Rodriguez-Harrison.
Existe uma possibilidade de distribuição do IGGU na terra do carnaval. Mas não sei se quero me comprometer.. afinal, quem compraria e leria esse zine? Se você conhecer alguém, me avisa, porque seria legal distribuir um zine tão assim foda aqui. Quem diria que traduzir um scene report traria tantas coisas novas?
Não sabe lhufas sobre o IGGU? Leia a entrevista que Kate Wadkins, uma das editoras do zine, deu pro Cabeça Tédio.
terça-feira, 8 de março de 2011
Festival Mulheres no Volante
Mulheres no Volante é um festival organizado em Juiz de Fora (MG), de caráter feminista e independente. Existe há quatro anos, e, sua quarta edição é agora em março. De 16 a 20 de março o festival acontece no Centro Cultural Bernardo Mascarenhas (CCBM), com apoio da Funalfa e do CCBM.
Rolam várias oficinas - stencil, guitarra e pedais, defesa pessoal para mulheres e outras - além de curtas e shows.
Os shows ficam por conta de: Quinteto São do Mato (JF), Top Surprise (JF), Cherry Pie (JF) e, fechando para todas se perderem nesse tempo, As Mercenárias. Confira a programação musical completa aqui.
Os shows ficam por conta de: Quinteto São do Mato (JF), Top Surprise (JF), Cherry Pie (JF) e, fechando para todas se perderem nesse tempo, As Mercenárias. Confira a programação musical completa aqui.
Além do festival, as organizadores realizaram o curta Mulheres em Movimento, sobre o Festival Mulheres no Volante de 2008. Na edição de 2008 a Ricto Máfia (Resende/RJ) tocou lá, no curta, rolam comentários da Ive. Não deixe de conferir:
quarta-feira, 2 de março de 2011
Vulva la Diva
Vulva La Diva
Resenha/testamento sobre o festival Vulva La Vida
O festival de contra cultura feminista que mobilizou algumas brasileiras começou dia 19/01. Cheguei dia 20/01, sobre o dia 19/01 o que escrevo é baseado no que era comentado. O festival trouxe garotas de vários lugares: Barra Mansa, Curitiba, Distrito Federal, Sergipe, Ceará, Salvador, Natal e João Pessoa.
Dia 19 rolou a Oficina sobre mulheres e a bicicleta como meio de transporte, realizada por Marília e Iara, que vieram pedalando de Goiânia até Salvador. Essa foi a única oficina aberta a garotos. Como eu cheguei no dia seguinte não tenho como falar muito, mas as outras garotas disseram que foi bem legal. As facilitadoras distribuíram um zine sobre o role de bike que elas estavam (estão?) fazendo. As oficinas aconteceram no Espaço Raul Seixas, no Centro.
| Oficina de Bike |
Depois, na sala Alexandre Robatto, perto de onde rolou a oficina, foi exibido o documentário Don’t Need You: The Herstory of Riot Grrrl. É bem legal, vários depoimentos sobre quem fez o Riot Grrrl acontecer, como Allison Wolf e Corin Tucker, e alguns trechos de shows.
Dia 20: a primeira oficina Oficina de Dança de Rua– B.Girling e Rap uma pergunta para cada resposta em altura por Simone Gonçalves. Ela é uma das vocalistas da Munegrale. Pequenos grupos de garotas foram formados, e elas comporam letras e depois cantaram/rimaram. Eu nunca teria conseguido, pela timidez, mas foi muito legal ver a criatividade delas e a coragem para cantar/rimar perto de outras pessoas. Depois rolou uma roda, e as meninas lançaram uns passinhos mucho marotos. Carla, outra vocalista da Munegrale disse uma coisa que ficou na minha cabeça. Foi sobre o ritmo, o estilo de música, nos separar ao invés de nos aproximar. Era uma oficina de hip hop, e algumas meninas não tinham/tem contato com hip hop, como eu. Depois dos papos que rolaram na oficina fiquei na pilha de aprender mais sobre. ![]() | ||
| Oficina de Break |
Depois, foi a vez da Oficina de Moda e Feminismo e Estética na Contra Cultura, facilitada por Taline Pimenta. O debate foi legal, dando espaço para quem vê a moda como uma imposição de valores e regras, e para quem vê a moda como uma construção social, feita por pessoas comuns e estilistas. Falou-se também sobre a história da moda e indústria da moda.
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| Oficina de Moda |
Depois da oficina, fomos para a sala Alexandre Robatto, assistir o filme Girls Rock. O filme fala sobre o Rock 'n' Roll Camp, acampamento conta com voluntárias, que ensinam garotas de 7 a 18 anos a tocarem instrumentos. O filme foca na história de algumas meninas, meninas mesmo, de 7 anos, e de adolescentes. Através da música elas tentam superar problemas familiares e entender as mudanças pelas quais elas estão passando. Em dado momento Beth Ditto (Gossip) facilita uma oficina de canto, e aproveita para falar sobre auto estima. Além de Ditto, vemos no filme Carrie Brownstein (Sleater Kinney) . Me peguei em vários momentos pensando “ah, ela ta lá, ela! Ela que fez as músicas mais fodas, que me deram vontade de tocar guitarra. O tempo passou e ela faz o que acredita”. Filme que tod@s devem ver.A primeira oficina que rolou na sexta, dia 21, foi a Oficina de Fanzine, facilitada por mim e Camila Puni. Primeiro conversamos com as meninas sobre o que era um fanzine, qual contexto ele apareceu, como faze-lo. Nós levamos vários zines e deixamos a disposição para quem quisesse ver. Enquanto algumas liam zines, outras conversaram sobre os zines que tínhamos levado, sobre as possibilidades de usa-los como ferramenta educacional. Logo depois começamos a produzir alguns. Algumas meninas deixaram o zine conosco, nós os levamos e eles já estão disponíveis para download. Foi muito bom ver garotas que não conheciam zines e garotas que são zineiras juntas, participando da oficina. Não tinha aquela postura de “já conheço isso, isso não me interessa mais”.
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| Oficina de Fanzine |
| Zines produzidos na oficina |
Depois, foi a vez de começar a mais polêmica das oficinas, a de Feminismo e Pornografia, facilitada por Natália Soares, graduanda em Antropologia pela UFBA. A questão central do debate: é possível criar uma pornografia feminista? O debate deu espaço a todas presentes: hétero, bi e lesbianas/dykes/queers. Além disso discutiram algumas autoras que reprovam a pornografia. Mas acima de tudo falou-se que é necessário que exista uma pornografia onde possa-se, de alguma forma, se indentificar.
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| Oficina sobre Pornografia e Feminismo |
Mais uma vez, na sala de arte foi exibido um documentário. Foi a vez de Ladyfilmine, curta que fala sobre o Ladyfest Roma, que em 2010 completou dez anos.
Após o festival houveram conversas sobre o porque das oficinas terem sido fechadas, exceto a de bike. Todas foram exclusivas para mulheres, ou seja, nenhum cara pode participar. Essa opção foi dada pela organização do evento, e cada facilitadora escolheu se sua oficina seria fechada ou aberta. O debate foi saudável. Algumas diziam que as oficinas poderiam ser abertas, dependendo do assunto. Outras diziam que concordavam que fossem todas fechadas. Por exemplo a minha e da Camila poderia ter sido aberta. Nós escolhemos que não fosse. Não é um tema exclusivamente feminino, porém, nos demos o direito de ter esse espaço exclusivo, de fortalecimento. Nunca tinha estado em uma oficina exclusiva para mulheres, me dei o direito de estar. Se alguém me convidar para facilitar uma oficina de fanzines somente para homens, para mulheres e homens, para mulheres, gatos, crianças e homens, vou com a mesma disposição.
Sexta feira a noite rolou a festa TOP TOP, realizada para ajudar a custear o festival. Quem conseguiu, acordou no sábado para a oficina de inicialização de WenDo, facilitada pelo Grupo WenDo Salvador. Não pude participar, mas tenho certeza que foi muito boa.
De tarde, antes do show, rolou uma conversa sobre ativismo radical e Riot Grrrl no Brasil. Contando suas experiências no rock, estavam: Daniela Rodrigues (vocal e guitarra, das bandas Triste fim de Rosilene, xReverx, The Renegades of Punk e Jezebels), Ludmilla Gaudad (vocalista da Estamira, tocou também na Poena), Elisa Gargiulo (Dominatrix) e a moderadora/faz tudo do Vulva La Vida/menina dos olhos de Íris, Marina Paiva (tocou na Sundae, e ta com zine novo: Avessa). Cada uma das garotas falou um pouco sobre sua história, as bandas que já tocaram.
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| Dani, Elisa, Mah e Ludmilla |
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| Bilheteria |
A noite, era a hora do show. O espaço era a Casa de Arte,no Pelourinho. Desce ladeira, vira ladeira e chega. Um espaço grande, com venda de comida vegana (feita pelo pessoal da Rango Vegan), espaço para as várias banquinhas, varal cheio de zines antigos e pro show. Tinha muito matéria foda lá. Na Entorte tinham vários CDs do Le Tigre, Bratmobile, discos do Spitboy e Good Luck. Queria todos.
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| Fotos de Fiama Delmondes |
A primeira banda foi Endometriose, de Feira de Santava (BA). A banda é: Ilani Silva (Baixo), Gabriela Fernandes (Voz e Guitarra) e Norma Juliete (Bateria). Não conhecia, o show não foi o meu preferido, mas elas executaram bem o punk/hardcore que se propuseram tocar. Além das músicas próprias, rolaram covers de Bikini Kill e Bulimia.A única banda que não tocou foi Macumba Love.
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| Endometriose |
Na sequência, vieram as The Jezebels (Dani – vocal e guitarra, Paloma – bateria e backing, Fábio – baixo). Jezebels é a outra banda de Daniela Rodrigues (vocal e guitarra da The Renegades of Punk). Ouço as bandas de Dani desde a época da fodona, Triste fim de Rosilene. Quem nunca ouviu o 3 way Ofensa, Mais Treta e Triste fim de Rosilene até cansar? Mas, voltando a Jezebels. Já tinha ouvido a demo, e estava ansiosa para vê-las ao vivo, principalmente para ouvir a música Amigas. O som estava ótimo, a cada música era mais difícil se manter parada, por causa das guitarras marotas. Além do vocal de Dani ser afinado e bem cantado (alguém comentou que em alguns momentos lembrou o de Jello Biafra), a baterista, Paloma, chamou a atenção. Ela não poupou a bateria, e enquanto tocava demais fazia backings e ainda balançava o cabelo. Coordenação motora é tuda. Tour no sudeste com a Renegades já!
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| The Jezebels |
Em seguida, veio a Baby Lizz, banda de Maracanaú, CE. A banda é: Jaque (vocal), Thais (baixo/vocal), Dejane (guitarra) e Nita (bateria). Elas passaram muitas horas das vidas delas ouvindo Kólica e Kaos Klitoriano, ainda bem. O som rápido com vocal forte foi o que mais chamou minha atenção. Se não me engano, elas tiraram um cover de Cólera.
| Baby Lizz - Foto de Fiama Delmondes |
Munegrale existe desde 2005, e mistura Rap, blues, samba, cordel e outros ritmos afrobrasileiros. A banda é: Simone Gonçalves (Negramone), Carla Santos (Kaianapaz), Deyse Ramos e elas contam com a parceria com DJ Bandido. Não conheço muito sobre rap, então faltam as referências. Mas o show foi animado demais, bom demais, gostei bastante. Elas cantaram muito, e as letras políticas e divertidas. Acho que não tinha ninguém parado nesse show, tanto que quando elas disseram que o show tinha acabado, tod@s pediram bis, e elas tocaram mais uma.
| Munegrale - Foto de Fiama Delmondes |
A quinta e última banda da noite foi a Dominatrix. Tava bem, bem cheio de gente. A frente do palco, dominada pelas garotas/loucas de Aracaju. O meio pelas garotas que quase derrubaram o pedestal. Elas começaram o show com as músicas novas, em português. Logo no a corda do baixo de Adriessa arrebentou, por isso ela pegou emprestado o baixo de Thaís (Baby Lizz). A qualidade do som continuava boa, e elas foram alternando músicas novas, Quem defende pra calar, Vai lá, as fodonas do Beauville, Knowlege, Flat Earth, Broken Glass Candy. O calor tava insuportável, a quantidade de gente também. O único jeito era dançar/pogar/cair. Pedimos muito Patriarchal Laws, mas não rolou porque nem todas da banda sabiam tocar. Gentchi, ta na hora de aprender, a música é um hino! Enchemos o saco por Redial, e elas tocaram, foi foda demais. A noite não poderia ter terminado melhor.
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| Dominatrix |
No domingo rolou a Oficina de Comensalidade, Veganismo e Mulheres, facilitada pelas garotas do Rango Vegan. Confesso que esqueci o real significado de Comensalismo que elas explicaram porque fiquei viajando nos Comensais da Morte, do Harry Potter. Mas.. elas fizeram um Bobó vegano, arroz, Salada com pepino, brócolis, tomate gratinada. Muito gostoso, comi até ficar triste. E depois ainda rolou um Musse de Limão vegan que a Mah fez.
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| Rango (: |
Mais tarde rolou a Oficina de Arte de Rua e Grafite, facilitada pela Kátia Sista K. Foi bem bacana, rolou um papo sobre street art, sua história, o envolvimento de garotas. Kátia levou e explicou as diferenças e indicações para usar determinado spray e canetão. Depois cortamos alguns stencils. De noite algumas meninas saíram pra vandalizar.
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| Oficina de Grafite |
No domingo ainda rolou assembléia de auto avaliação, sobre o festival. Muitas réplicas e tréplicas sobre o que aconteceu, como poderia ter sido, o que podemos mudar e etc.
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| Vulva la Diva |
As meninas que participaram do festival, enviaram relatos, leia aqui. Mais fotos do festival aqui. Foi assim, uma mistura de conversa, debate, música, colas, papéis, zines, correria e açaí que rolou o festival. Se você gosta desse babado, ouça meu conselho: junte dinheiro, vá para Salvamor, porque 2012 não está muito longe.
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