domingo, 20 de março de 2011

entrevista: Songs for Moms

Tenho algumas coisas para postar no blog, mas está faltando tempo para traduzir, escrever, checar informações e links. Boa era a época em que o Fernando estava aqui, que me surpreendia com os posts e tinham coisas diferentes sendo ditas e pensadas. Mas, chega de saudosismo, vamos falar da entrevista de hoje. 

Sim! Fazia tempo que não entrevistava, e recomei bem. Conheci a Songs for Moms através do scene report que a Naomi Violet escreveu, que publiquei no Histérica #2. Na verdade, essa não é a primeira postagem sobre elas, aqui falei sobre elas. Nesse post tem o link para fazer o download do segundo disco delas, I used to belive in the west. O primeiro é o The Worst it Gets the Better, que pode ser comprado no Starcleaner Rex. E elas estão finalizando uma nova demo com quatro músicas.

Como disse nesse mesmo post, não vou coloca-las em uma gaveta musical definida. A banda é: Molly e Alanna (vocal, guitarra e baixo, elas trocam de instrumentos) e Carey (bateria). Elas tem músicas folk, músicas melódicas e algumas letras tem tanto a ver com o que tenho visto, que até me assusta. Mandei as perguntas na cara de pau, sem antes nem ter as convidado. Minha sorte é que elas são simpáticas, e a Molly respondeu a entrevista. Como ela não conhecia bandas de/com garotas do Brasil, indiquei algumas bandas para ela.Perguntas e livre tradução: Carla, respostas, Molly. Todas as fotos retiradas do myspace da banda.


Cabeça Tédio: Apresentando a Songs for Moms para xs ouvintes brasileirxs: quando e porque vocês começaram a SFM? Porque esse nome? Música folk foi a trilha sonora da infância de vocês? Suas mães vão aos shows?

Molly: Alanna (guitarra e baixo) e eu começamos a tocar juntas em 2006. Nós eramos amigas há anos, e nós duas compunhamos músicas independentemente na guitarra. Nós decidimos formar a banda e pegamos emprestado um baixo de uma amigo e começamos a escrever juntas. Nós começamos tocando nas ruas de São Francisco. Na verdade, acho que nós nem pedíamos dinheiro, apenas procurávamos ouvintes. Nós estávamos procurando umx baterista, perguntando  para xs amigxs, colocando anúncios, mas ninguém queria tocar com a gente.

Nós costumávamos ensaiar no porão da casa dos pais da Alanna. Foi quando nós nos decidimos que a única pessoa que gostava da nossa banda era a mãe dela. Foi assim que criamos o nome. Nós pensamos que só as nossas mães gostariam da nossa música. 

Depois de ter tocado com alguns outros bateristas com diferenças pessoais e musicais, nós conhecemos a Carey, através de um amigx em comum, e foi amor a primeira vista. Agora as duas são minhas companheiras para vida. Nós todas crescemos ouvindo músicas diferentes. Eu ouvi muito folk e fui a muitos shows punks. Alanna ouvia muito punk também. Carey cresceu ouvindo muito grunge dos anos 90 e punk.

 
CT: Aqui no Brasil não há nada como o Girls Rock Camp. Existe o Ladyfest e algumas vezes elas realizam workshop de música. Aqui se você quiser aprender a tocar você tem que ir a uma escola de música, aprender com um amigx ou sozinho. Carey (bateria) é uma das garotas que começou o Girls Rock Camp da Bay Area, certo? Como é ensinar as meninas a tocar e fazer o Rock Camp acontecer? Alguma das meninas que foram aprender a tocar já conheciam uma banda de/com garotas?

Molly: Carey (bateria) é a fundadora e diretora executiva do Bay Area Girls Rock Camp. Ser um pedaço do Rock Camp mudou totalmente a minha vida. É incrível ser uma parte disso, ver isso se espalhar e crescer, capacitar garotas e mulheres tanto nos palcos como na vida diária, e acima de tudo, eu posso dizer “sim, minha melhor amiga começou isso”, hehe. 

Algumas meninas que vem aprender a tocar chegam sem qualquer experiência musical. A maioria chega sem conhecer bandas de garotas, já que elas não estão na rádio ou na mídia oficial. No Rock Camp as garotas aprendem a desafiar a socialização que nos ensina desde que nascemos a ser bonitas, quietas, frágeis, agradável, maliciosas e competitivas com outras garotas, etc. 

Ensinando no Rock Camp tem me ensinado que garotas e mulheres de todas as idades, habilidades, lugares e diferenças são capazes, fortes, inteligentes e são capazes de superar a discriminação de gênero e tocar muito bem. 


CT: Qual tipo de música influencia vocês? Vocês tocaram em outras bandas antes de tocar na Songs for Moms? Conte para nós um pouco sobre isso.

Molly: Essa é uma pergunta difícil. Nossa música é muito influenciada pelas bandas de nossas amigos da bay área e bandas que conhecemos durante a tour. Algumas bandas que nós todas gostamos bastante são: Screaming Females (Nova Jersey), Broken Water (Olímpia), Ghost Family (Bay Área de SF), Fleabag (Bay Área de SF). Acho que me influenciei muito pelas bandas que tocavam na Bay Área há uns cinco ou dez anos atrás, como 50 Milion e Full Moon Partisans. 

Agora, eu acho, que nós somos influenciadas por bandas com letras radicias sobre política, feminismo, gênero, sexualidade e anti-racismo. Letras são uma prioridade para mim e Alanna. Alanna tocava numa banda no ensino médio chamada Screaming Vaginas. Elas eram fodas. Fui em alguns shows delas. Punk raivoso, rápido e melódico.  

Carey tem tocado em várias bandas. Quando nós nos conhecemos ela tocava numa banda doida e legal chamada The Cars The Doors. Desde que começamos a tocar juntas ela tem tocado em outras bandas também, incluindo bandas de metal como Empty Buildings e Tesseract (bandas de metal formada por garotas).

CT: Como é a movimentação de grrls na sua cidade? Vocês tem novas bandas, zines e coletivos?


Molly: Existem muitas mulheres incríveis tocando na cena DIY da Bay Area. Novas bandas que eu gosto muito: Human Baggage, LIVID, Femme Teen, Deep Teens, Jeepneys, Cher Horrowitz. Todas essas bandas contam com garotas que são voluntárias no Rock Camp!  

Tem um coletivo novo, foda, chamado The Bay Area BookingCollective. Elxs organizam shows internacionais com enfase na inclusão queer, de pessoas trans e de diferentes cores e etnias.

CT: Vocês conhecem alguma banda brasileira? O que vocês conhecem sobre a cena punk feminista do Brasil?



Molly: Não sei nada sobre a cena DIY punk feminista do Brasil!! Eu adoraria saber! Por favor envie informações/o seu zine, bandas favortias, coletivos e etc. Sei que a Songs for Mons iria adorar tocar aí um dia!


It's has been quite a while that I don't post in english here. I dont know if that makes a difference anyway. But this is an anwesome interview with a great band so I had to share it in both english and portuguese. 
I first heard about Sons for Mons when Naomi Violet wrote the Bay Area Scene Report to the zine that I make, Histérica. I started listening to SFM and I was amazed with the mix of punk and folk. I don't think that they fit in a perfect musical box, and I think that's great. 

This is not the first time I post about SFM, here you can download I used to believe in the west, their second album. The first is The worse it gets the better. And they're finishing a four song demo, that will be out soon. I just send the questions and Molly was the greatest. She answered it fast and with good answers. She didnt know much about brazilian grrls bands, so I send her some links about it. Questions: Carla, answers: Molly. 

Cabeça Tédio: Introducing the Songs for Moms to brazilian listeners: when and why you started Songs for Moms? Why the name Songs for Moms? Folk music was the soundtrack of your childhood? And your moms come to your gigs?

Molly: Alanna (guitar and bass) and I started playing music together in 2006. We had been friends for years, and we both wrote songs independently on the guitar.  We decided to form a band and borrowed a bass from a friend and started writing together.We started by busking on the streets in San Francisco. Actually, I don’t even think we asked for money, just an audience.  We were looking for a drummer, asking friends, posting ads, but no one wanted to play with us.  

We used to practice in Alanna’s parents basement. That’s when we decided that the only person who liked our band was her mom. That’s how we came up with the name. We thought only our moms would like our music.  After playing with a few other drummers with some musical and personality differences, we were set up with Carey,  by a mutual friend, and it was love at first sight. Now they are both my life-long companions.

We all grew up listening to different music.  I listened to a lot of folk and went to a lot of punk shows. Alanna listened to a lot of punk too.  Carey grew up listening to a lot of 90s grunge and punk.




CT: Here in Brazil there's nothing like Girls Rock Camp. There's Ladyfest and sometimes they make music workshop. If you want to learn how to play here you have to go to a muscic school os learn with a friend, or by yourself. Carey (drums) was one of the girls that started BAGRC right? How is teaching and making the camp? Some of the girls that went to the camp knew some grrl band already?

Molly: Carey (drums) is the founder and executive director of the Bay Area Girls Rock Camp. Being a part of Rock Camp has totally changed my life.  It is amazing to be a part of this thing, watch it spread and grow, empowering girls and women both on stage and in their daily lives, and on top of it all, I get to say, “yeah, my best friend started that.” Hehe.  

Some campers come with no musical experience at all.  Most come with no knowledge of grrl bands, since they are not on the radio or in mainstream media. At Rock Camp, girls learn to challenge the socialization we are taught from birth: to be cute, quiet, agreeable, fragile, to be catty and competitive with other girls, etc. Teaching at the camp has taught me that girls and women of all ages, abilities, demographics, and differences are capable, strong, smart, and able to overcome gender discrimination and rock out so hard.

CT: What's your music influence? And do you girls played in another bands before SFM? Tell us a little bit about it. 

Molly: This is a hard question.  Our music is influenced a lot by our friends bands, both in the Bay Area, and that we have met on tour.  Some bands we all really like are Screaming Females (New Jersey), Broken Water (Olympia), Ghost Family (Bay Area), Fleabag, (Bay Area).  

I think I was influenced a lot by bands playing in the Bay Area five or ten years ago, like 50 Million, and Full Moon Partisans. Now, I think, we are really influenced by bands with radical lyrics about politics, feminism, gender and sexuality, and anti-racism.  Lyrics are a priority for Alanna and me in particular.
 
Alanna was in an all girl band in high school called the Screaming Vaginas. They totally ruled.  I saw them a few times.  Angry, fast, melodic punk.  Carey has been in lots of bands.  When we met her, she was in a crazy cool band called The Cars The Doors. Since playing with us she has been in several other projects including heavier bands like Empty Buildings and Tesseract (all girl metal).





CT: How's the grrrl movimentation in your city? Do you have new bands, zines and collectives?


Molly: There are so many amazing women playing music in the Bay Area DIY scene.  New bands I really like are Human Baggage, LIVID, Femme Teen, Deep Teens, Jeepneys, Cher Horrowitz.  All of these bands have rock camp volunteers in them too! 

There is an awesome new collective called the Bay Area Booking Collective. They book intentional shows with an emphasis on including queer and trans people and people of color. They have a blog: bookingcollective.wordpress.com.

CT: Do you know or like some brazilian band? What you know about the punk feminist scene in Brazil?



Molly: I don’t know anything about the DIY punk feminists in Brazil!!!! I would love to know! Please send us information/your zine, favorite bands, collectives etc.  I know Songs for Moms would love to come there on tour eventually! 

PS:O único motivo da entrevista não ser traduzida e publicada em espanhol é porque não falo espanhol, ainda. É, é bem comum no Brasil falar inglês ao invés de espanhol. Se você conhece alguém que queira traduzir pro Cabeça Tédio (não paga nada, óbvio) me avisa.

The only reason that the interview is not avaiable in spanish is because I dont speak spanish, yet. Yeah, it's pretty commom in Brazil speak english instead of spanish. But if you know anyone that want to translate to Cabeça Tédio (pays nothing of course) let me know.

2 comentários:

microser disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Camila Melo Puni disse...

Carla, como é bom entrevistas não é? pq ficamos sabendo, assim bem quentinho e fresco, sobre bandas e movimentos =)

Obrigada pela iniciativa, te admiro demais!
bjda Puni