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domingo, 8 de janeiro de 2017

Retrospectiva: Destaques de 2016




Vocês acharam que eu tinha morrido depois do golpe, né? Hahaha. Eu tinha comentado com vocês que o meu notevelho estava morrendo. E, apesar dele ainda ligar, é impossível usá-lo. Ele desliga de tempos em tempos, tornando este hobby prazeroso algo bastante irritante. Isto, mais os 'ossos do ofício' e os acontecimentos da vida contribuíram para que o blog ficasse com muitas moscas durante 4 meses! Ainda assim, espero que o conteúdo publicado tenha sido relevante para alguém. Eu não podia deixar de escrever este post. Esta é a quarta lista de Melhores/Destaques do Ano publicada no Cabeça Tédio e acho que é sempre bom olhar para trás e ver o que ouvimos.

No Destaques de 2016 compartilho os álbuns que mais gostei. O critério de seleção é aquele que você já está careca de saber: bandas de mulheres ou com mulheres na formação, punk feminista, independente, faça você mesma, que não seja homofóbica, racista, especista, capacitista, enfim - toda característica que causa prejuízo para alguém. Ao contrário do Destaques de 2015, neste ano não teremos comentários sobre clipes e shows. Era isso ou abandonar de vez o post, visto que eu continuo sem um computador apropriado. Risos de desespero. Por isso, já adianto que o post vem mais curto e objetivo, sem os meus floreios e viagens de costume. E a organização dos discos foi feita em ordem alfabética mesmo. Vamos lá!



Actual Crimes - Ceramic Cat Traces
Conheci essa banda este ano, mas rapidamente ela me ganhou. Isso porque quando ouço uma banda que é visivelmente inspirada em Sleater Kinney só consigo pensar nisso. Não diminuo o talento e criatividade da banda, mas adoro ouvir os diálogos musicais existentes entre quem inspira e quem é inspirado. E a Actual Crimes, de Londres, se encaixa neste contexto, que também carrega referências post-punk, e de alguma forma, ainda me lembra de Cadallaca. 





Against Me! -  Shape Shift With Me
Dizem que quanto mais velho o vinho, melhor o sabor. Eu não sei, porque não bebo vinho. Mas ao ouvir 'Shape Shift With Me', do Against Me! pensei logo nisso. Não que este seja o melhor disco deles, não é. Mas tem ótimos sons. E sabemos que a banda passou por muita coisa, e mesmo assim, não parou de criar boas músicas até hoje. Que continue assim! Ouça também no Spotify.



Alice Bag - ST
Ela é uma das fundadoras do The Bags - uma das primeiras bandas punks de Los Angeles - e sempre pautou questões de raça, classe e gênero. Hoje, ela carrega mais representatividade ainda, por ser uma pequena parcela da música independente de cabelos brancos que faz jus à sua juventude. Lançado pela Don Giovanni Records que não está para brincadeira, o disco tem momentos rock and roll, sempre carregado de punk rock e requebrância.




Cayetana - Tired Eyes
Olha só, são só duas músicas no EP, mas que musicões da porra! Elas lançaram também um EP ao vivo também, ouça aqui!




Chico de Barro - Nogueira
Chico de Barro é do Rio de Janeiro e bastou um single, Nogueira, para já grudar nos ouvidos. Trata-se de um projeto paralelo de Nathanne Rodrigues, que também toca no DEF. Espere uma letra sobre crush, muitas distorções e uma bela voz. O show de lançamento do EP será no dia 27 de janeiro, no Motim. Assista o clipe.






DEF - Sobre Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia - Parte 1
Para mim, hoje esta é a melhor banda ativa do Rio de Janeiro. O disco de estreia foi lançado pela Bichano Recs. Ouça logo!




Dyke Drama - Up Against The Bricks
Para quem ainda não sabe, Dyke Drama é o projeto solo de Sadie Switchblade (G.L.O.S.S. e Peeple Watchin') e é aquele pop punk cheio de qualidade e ainda tem as letras no Bandcamp. É foda!





GxIxRxLxSx - Trans Day of Revenge
Essencial para quem gosta de punk/hardcore.




In Venus - Mother Nature
Eu só quero pegar esse show ao vivo. Viva a distorção, a natureza e São Paulo e suas bandas boas.




Mc Carol - Bandida 
Esta é a MC de Niterói que você mais respeita! Foi bom demais a primeira ouvida de '100% Feminista', feat com Karol Conka. Logo, nada mais natural do que incluir o disco da Mc Carol na lista!



Oldscratch - Padrões de Conserva
Hardcore direto, sem firulas de Alagoas. Formado por quatro garotas, a única coisa que está faltando é um tourzão para vermos o show ao vivo.




The Renegades of Punk e Tuna - Split 7"
Se você gosta de punk rock BR você já ouviu esse split muuuuuuuuuuuitas vezes.







Savages - Adore Life
Toda a crudeza e força pós-punk deste quarteto maravilhoso está presente em 'Adore Life'. Se você ainda não ouviu este disco, por favor clica aí no play logo.Confira o site, ouça no Spotify e tente conter o seu crush na banda.




Sheer Mag - III 
Parece que na Filadélfia (EUA) não tem banda ruim. E Sheer Mag talvez seja uma das melhores de lá!



Somnia - How the Moon Shines on the Shit
Mais uma banda da lista 'pop punk pro', e que é boa de verdade. É a banda nova da dupla dinâmica Erica Freas e Matt Canino com David Combs (Spoonboy). Bom demais né gente, dá o play aí e aproveita!




Algumas observações:


Se você conhece o blog, sabe que aqui é um espaço sobre protagonismo feminino há algum tempo, principalmente do independente/faça você mesma. Creio que desde que esta mudança aconteceu, não demos mais destaque nem espaço para projetos formados por homens. Mas, chegou o dia de quebrar esta regra. Nada mais justo do que uma menção honrosa ao álbum póstumo de Sabotage. Extremamente criativo e inteligente, ele misturou samba e MPB antes de qualquer outro por aí. E fez isso bem e trilhou o caminho do sucesso que ele sabia que iria conquistar. A história de vida dele é arrebatadora e triste, mesmo sendo cheia de alegria e de toda a sagacidade das ruas. Reconheço todo o talento dele, mas o que chamou a minha atenção no disco não foi apenas a qualidade da rima, a criatividade dele ou a história de vida. E sim o fato dele ter escrito e gravado o disco há 13 anos e veja só, ele não precisou objetificar nenhuma mulher ou ser machista para fazer um bom álbum. Por toda a história dele e por admirá-lo, nada mais natural do que essa homenagem simples, mas de coração.

Também não é possível finalizar este post sem falar sobre a limonada que Beyoncé fez este ano. 'Lemonade' é uma obra fundamental para pensar racismo, sexismo e as possibilidades de tornar a cultura pop um espaço também de discussão política. Especialmente por estes temas muitas vezes ficarem restritos a determinados espaços. Agora pensa, se ela e o Sabota tivessem oportunidade de gravar algo juntos? Seria meu sonho mesmo! =) Outro feat dos sonhos seria Sabota e Elza Soares, que lançou 'A Mulher do Fim do Mundo' em 2015 e nesse ano ela colheu os frutos do trabalho dela. Ela foi eleita pela BBC de Londres, A Cantora do Milênio - 2007 e pelo APCA - "A Mulher do Fim do Mundo" - Melhor álbum 2015. Também não seria possível este post não mencioná-la! Leia aqui o texto que publicamos sobre ela.

Sentiu falta do 'Hit Reset' (The Julie Ruin) na lista? É que sinceramente o álbum ainda não me conquistou. Não estou dizendo que não irá, muito pelo contrário. Talvez em algum momento eu apaixone e compartilhe com vocês aqui várias coisas sobre ele. Mas, isso ainda não aconteceu. Por isso, não fazia sentido incluí-lo nesta lista. E para fechar, te convido a ler as três listas feitas pelo ótimo Preta, Nerd e Burning Hell. Com certeza é um dos melhores blogs brasil1eiros atuais.

Que 2017 traga coisas boas para você, e que você também mexa essa bunda para conquistar o mundo! E me conta, quais álbuns estão na sua lista?

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

10 álbuns lançados em 2016 que você precisa ouvir

Arte e texto: Cabeça Tédio

Faltam apenas três meses para o ano acabar! E este ano não decepcionou no quesito música, pois bons álbuns foram lançados até agora. Por isso, como no ano passado, listamos 10 discos que você precisa ouvir. A nossa lista compila música feita por mulheres (ou que tenha mulheres na banda); música independente e contracultural e também alguns grandes álbuns que mesmo não sendo contraculturais se destacaram pela representatividade e força que carregam. A lista contempla full lenghts e eps e não seguiu nenhuma ordem específica, ok?
E para você, quais discos de 2016 são importantes?


DEF - Sobre Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia - Parte 1
A primeira vez que ouvi a carioca DEF foi ao vivo, em um show em Volta Redonda/RJ. Os primeiros acordes já chamaram atenção, não era uma sonoridade comum nos roles faça você mesma. Era notável que as músicas eram intensas, resultado de experiências delicadas. Sobre Prédios que Derrubei Tentando Salvar o Dia - Parte 1, lançado pela Bichano Records, não decepciona. Muito pelo contrário. O quarteto, influenciado por Ludovic e Cap'n Jazz, de alguma forma me lembrou da atmosfera de Gigante Animal, só que com uma visceralidade mais latente. Destaco "Dissolvendo" que realmente faz jus ao nome. Apoie a banda comprando camiseta, ep e indo aos shows, isso permite que eles continuem fazendo música.



Actual Crimes - Ceramic Cat Traces
Ainda falando em bandas catárticas, que levam você para os sentimentos conflituantes, está a Actual Crimes. De Londres, o power trio é claramente influenciado por Sleater-Kinney.  A música deles resgata boas referências sleaterkinneynianas, como alguns riffs e os encontros dos vocais de Ruth, Kirsty e Aaron em "Heavy Air". Claro, este não é o único mérito da banda. Actual Crimes tem sua própria identidade e força, fazendo um post-punk cheio de qualidade, que de alguma forma ainda me faz lembrar também da sonoridade de Cadallaca. E no bandcamp elas também usam a tag "queercore", um plus a mais pela representatividade.



Savages - Adore Life
Toda força, toda violência de Savages se materializa de forma única em Adore Life. Lançado em janeiro pela Matador Records, o disco torna impossível não elogiarovular Jehnny, Ayse, Gemma e Fay. Desta lista, é certamente a banda mais catártica, que fala sobre amor e humanidade de forma única. De punhos cerrados na capa, o álbum começa com "The Answer", o jeitinho romântico e caótico savaginiano. Melhor do que tentar descrever, é você mergulhar neste álbum. Não sou particularmente boa com tecnologias como Spotify ou Deezer, mas encontrei este link. Para quem gosta do bom e velho Soulseek, lá você encontra o disco.



Alice Bag - ST
2016 foi o ano do lançamento do primeiro álbum solo da lenda viva Alice Bag. A vocalista e uma das fundadoras do The Bags - uma das primeiras bandas punks de Los Angeles - sempre colocou em suas músicas questões de raça, classe e gênero. Hoje, a chicana carrega mais representatividade ainda, por ser uma pequena parcela da música independente de cabelos brancos que faz jus à sua juventude. Lançado pela Don Giovanni Records que não está para brincadeira, o disco tem momentos rock and roll, sempre carregado de punk rock e requebrância. Mas ela não se agarra a um gênero de música, "Suburban Home", por exemplo, chama atenção pelo piano e violino. Ah, a Allison Wolfe (Bratmobile) é uma das colaboradoras deste disco que você deve ouvir já! Confira também esta entrevista para a Bitch Media.



Tacocat - Lost Time
A banda de Seatlle lançou pela Hardly Art Records o álbum Lost Time. A sonoridade punk com pegadinha pop continua a mesma, assim como os bons vocais do quarteto. Não é o meu álbum preferido delas, mas tem boas músicas, que fazem piada/links com cultura pop. Um exemplo é 'Dana Katherine Scully', apenas uma das referências que a banda faz ao seriado Arquivo X. "FDP" fala sobre o famigerado primeiro dia da menstruação, e é a segunda música da Tacocat que fala sobre menstruar. A primeira é a muito boa "Crimson Wave". Já "Men Explain Things To Me" é uma crítica ao "homexplicanismo", o conceito que define quando um homem explica coisas que uma mulher já sabem a fim de ridicularizá-la.



Kitten Forever - 7 Hearts
A crudeza do punk, da escola Bratmobile-Mika Miko, a força do baixo e muita irreverência. Essa é sempre a constância do power trio de Minneapolis. 7 Hearts é o terceiro álbum de Kitten Forever, que já saiu em tour com Babes in Toyland e tocou com JD Samson, e mantém a mesma cadência dos discos anteriores. Destaque para a dançante "200X" que junto com "Nightmare", vão agradar profundamente as fãs de Allison Wolfe.



Thin Lips - Riff Hard
Depois da demo Divorce Year, Thin Lips nos presenteia com Riff Hard, primeiro full lenght da banda da Filadélfia, lançado pela Lame O Records. O instrumental todo é muito bom e segue toda a boa cartilha pop punk. Por isso, sinto que talvez eu injustice um pouco a banda, mas o que mais brilha nos meus ouvidos é o vocal da Chrissy, que é aquele vocal feminino não muito agudo que não tem como não amar nos pop punk.



The Julie Ruin - Hit Reset
Todas estávamos com saudades de Kathleen Hanna, né? Após três anos do lançamento de Run Fast, a ícone do punk feminista e Kathi Wilcox, Kenny Mellman, Carmine Covelli e Sara Landeau lançam Hit Reset pela Hardly Art Recods, em julho deste ano. Este não é um álbum de grandes hits e sim uma boa volta de Kathleen aos palcos, uma vez que ela vem se recuperando da Doença de Lyme. Espere muitos tecladinhos e aquele vibe Le Tigre, no sentido dança de robô do termo. Run Fast me agrada mais, mas o disco atual tem ótimas músicas, como, Mr So and So, que critica os rapazes feministos que são desconstruídos enquanto isto é conveniente para eles. Você já sabe onde baixar a versão gratuita, né?


Tegan and Sara - Love You to Death
Love You to Death (Warner) afundou os pés das irmãs canadenses no pop. A energia e vibe dos sintetizadores dos anos 1980 e uma pegadinha meio Cindy Lauper dão o tom da nova fase de Tegan and Sara. Se você gostou de Heartthrob, pode preparar para amar e requebrar bastante com o novo álbum. Até agora, os sons que mais gostei foram, "Boyfriend", "Stop Desire" e "100x".



Beyoncé - Lemonade
Facilmente este é um dos discos que mais ouvi este ano. Não sou profunda conhecedora do mundo Pop, tão pouco da indústria musical, mas considero Lemonade um álbum completo. Além de mostrar um lado musicalmente diferente de Beyoncé, ele é propositalmente politizado, colocando questões que talvez demorariam muito mais tempo para chegar à muita gente. Apesar da produção do disco ser assinada por muitos homens, diminuindo a visibilidade de outras produtoras e profissionais da área, ele fala de forma pertinente sobre feminismo, racismo, genocídio da juventude negra e empoderamento da mulher. Um exemplo é a letra de "Hold Up". O reggae do álbum fala sobre gaslighting, que é uma forma de abuso psicológico no qual as informações são distorcidas, inventadas ou omitidas de forma seletiva para que a vítima duvide de sua memória e sanidade. Por isso, "What's worse, lookin' jealous or crazy?" (livre tradução: "o que é pior, parecer ciumenta ou louca?"). Este é realmente um álbum visual, pois ao assistir o filme, a narrativa estética complementa muito as músicas. E no fim do dia, estamos vendo Beyoncé performar, dançar e dar muitos mais sentidos às canções. E claro, Lemonade não deve nada em termos de rebolation. Dá para sarrar bastante mesmo. É difícil destacar algumas músicas, mas se você ainda não ouviu recomendo começar por "Don't Hurt Yourself", "Sorry" e "Freedom".


quinta-feira, 17 de março de 2016

listamos: 15 bandas punks/hardcore brasileiras com mulheres para ouvir já!

DEF (Rio de Janeiro)

Feliz 2016!! =) Ainda tá podendo? Sem planejar, acabei tirando mais de dois meses de 'férias' do blog. E fazia muito tempo que eu não ficava tanto tempo assim sem atualizar. Superei o cansaço, o desânimo, a estafa causada pelo trabalho e estou aqui. É provável que neste ano as atualizações sejam ainda menos frequentes, devido ao meu ritmo de trabalho. Fico torcendo para que vocês não desistam do blog e de mim, pois vou sempre tentar atualizar o CT.

Mas falando do que interessa: bandas contraculturais brasileiras que tenham mulheres em sua formação. Mea culpa, mea maxima culpa. Assumo que falhei gloriosamente durante um tempo, pois postei pouco sobre a nossa terrinha e muito mais sobre os gringos. Com o blog, gostaria de inspirar garotas e mulheres a criar e divulgar cultura e contracultura feminista. E sei que para isso, é essencial nos sentirmos representadas, com bandas que partilham a nossa realidade e que falam a nossa língua. Claro que é viável nos inspirarmos com mulheres de qualquer lugar, mas sei que retratei pouco as brasileiras por aqui.

Confesso que as tretas que envolvem as punks/feministas/hardcoreanas/coloqueaquiseuadjetivo foi o que me desanimou. Mas o que há de se fazer? Largar isso e focar nas mulheres que estão compondo, tocando e sendo representativas no punk/hardcore. E o critério de seleção das bandas foi esse mesmo, focando em bandas que estão ativas, sejam elas exclusivamente femininas ou mistas! Bora?


Def 

Sem dúvida, a banda que mais mexeu comigo recentemente é a Def, do Rio de Janeiro. Assisti a banda ao vivo no #2 Ah! Que Isso! Elas Estão Empoderadas!, evento realizado no dia 6 de março pelo Coletivo Tiamät, em Volta Redonda. Não conhecia a banda, logo, não tinha expectativas. Qual foi o meu assombro quando elas começaram a tocar e poder verouvir aquele peso, aquele timbre, aquilo tudo que eles fizeram. Foram muitos feelings. É visível que todos tocam muito bem, mas além disso, o que dá beleza pra coisa é ver o entrosamento deles. Se for pra arriscar dizer alguma coisa, diria que eles ouviram um bocado de Sonic Youth, Fugazi e Hurtmold. A boa notícia é que em breve eles vão gravar! Enquanto isso pega este teaser:




Post

Pode sentar na sua cadeira confortável, pegar o café - a.k.a a bebida ideal para te acompanhar - para uma audição de um som experimental. Post é um duo, formado por Vanessa de Michelis (guitarra e trompete) e Jiulian Gonçalves (bateria), que comunica questionamentos e posicionamentos político-afetivos de inúmeras formas. O som é pra pirar! Além desta sessão ao vivo, uma k7 da banda foi lançada pelo selo Dama da Noite, ouça aqui.





Belicosa

Mais uma banda do Rio de Janeiro na lista! Para quem gosta de som torto e gritado, pra ficar chacoalhando a cabeça a pedida é pegar o Soundcloud delas. A banda, formada por Letícia (Trash No Star), Rosário, Sofia e Bonnie já avisou que em breve terá novidades. Acompanhe as aventuras da banda pelo Facebook também.



A Vingança de Jennifer

Foto: Felipe Mertens Brancher

Estamos falando de punk rock torto, gritado, com vozes agudinhas que seguem a escola de punk rock feminista brasileira. E dá mais gosto ainda porque a banda, de Canoas (RS), é todinha formada por mulheres. Fico na torcida por uma demo delas logo! Enquanto isso, pega o Soundcloud e Facebook.




Oldscratch




Sabe como eu conheci este power trio de Maceió? Pela #punkfeminista, que eu uso em alguns posts no Instagram do blog, haha. Que bom que elas também usam, pois assim ouvi aquele hardcore cadenciado daquele jeitinho bom pra pogar. As letras são feministas, e a banda também se denomina assim. 'Padrões de Conserva', disco da banda, está disponível no bandcamp e em formato físico, ouça logo!




Ratas Rabiosas

Punk rock sem firulas de São Paulo. A banda é toda formada por mulheres e fez uma música criticando os 'Kings' - grupo de whatsapp formada por homens da cena Straight Edge de São Paulo que, sem consentimento, vazavam fotos de mulheres com as quais eles se relacionaram - que nos representa. Elas já tem uma demo lançada e alguns zines. Para quem se interessar, esta é a fan page delas e este o soundcloud.



She Hoos Go

Ativa há 6 anos, hoje a She Hoos Go (Pelotas/RS) tem uma nova formação e prepara um EP para este ano. 'Por La Libertad' é a música que dá título ao lançamento e já foi liberada, e é bem diferente das outras músicas da banda. Se antes elas tocavam um rock delícia que lembra The Donnas, agora elas mostram o lado hardcore, bem tocado e pesado. Inclusive, a música 'Nothing' saiu na Coletânea Histérica, apenas de bandas contraculturais do Brasil. Ouça e siga!




Nuclëar Fröst

Curto também D-Beat e Thrash Metal, apesar de não postar muito sobre sons assim. Por isso, aproveitei para indicar a Nuclëar Fröst, banda de São Paulo que tem o vocal fodido da Gaby. Ouça mais no bandcamp.







Framboesas Radioativas 

De Bragança Paulista (SP), as Framboesas Radioativas vão te fazer pular, dançar e pogar com músicas muito bem executadas e um show que é uma belezinha. Pega o Facebook delas e o bandcamp!



Pagu Funk

Periféricas, perigosas, as funkeiras mais babado do país não podiam faltar nesta lista. Pagu Funk fala de resistência, sobrevivência e empoderamento usando a música que as perifas do Rio de Janeiro mais entendem, o funk. E é bom demais! Facebook e Soundcloud.






Trash No Star



Lo-fizera, punk, dancinhas e aquela pessoa maravilhosa que é a Letícia Lopes na guitarra e voz. Tá bom ou quer mais? TNS é do Rio de Janeiro, pega o bandcamp!


Deb And The Mentals

Esta banda de São Paulo não se encaixa muito bem em 'punk/hardcore', maaaas, é aquele rock meio 70, meio dançante, com a super presença de palco da Deb Babilônia. Por isso, acho válido uma ouvida e uma dançada. Assisti um show deles que foi loucura, por isso se tiver a chance, aproveite! Bandcamp.




Catilinárias

Power trio do Rio de Janeiro que tem uma sonoridade punk/grunge. A banda é formada somente por mulheres! Pega o Facebook delas.



Deskraus 

Também de Bragrança Paulista, elas fazem um punk/hardcore cadenciadinho e lançaram no ano passado o EP 'Deskraus'. Bandcamp e Facebook.





Ostra Brains

Os Cabeças de Ostra são do Rio de Janeiro, e se embriagaram nas bandas clássicas de Hardcore dos anos 1980 e começaram a tocar. Já estou numa fase de ouvi-los e praticar a famosa modalidade de 'pogo na cadeira'. O vocal poderoso é da Amanda Hawk, que lacra muitas e muitas vezes. Bandcamp e Facebook.





Conhece alguma banda massa que não está na lista? Indica aí nos comentários! =)

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva: Destaques de 2015

Por Teenage Micha


Ilustração: Teenage Micha
Texto: Carla Duarte

Esta é a terceira lista de 'melhores de ano' que publicamos! Mas ela já começa diferente das outras duas pelo título: abandonamos o 'melhores' e adotamos o 'destaques'. Pode parecer ridículo, mas ainda não tinha caído a ficha que é ruim usar 'melhores' do ano, pois implica que há 'piores' e também pode soar autoritário. 
Nessa lista não constam indicações de zines, mas pretendemos fazer um post só pra eles. Outra diferença desta lista para as outras, é que esta é a primeira que escrevo sozinha. E poxa, dá um friozinho grande na barriga.

O objetivo do Destaques de 2015 é compartilhar os clipes, shows e álbuns que mais gostamos neste ano, feitos por mulheres e feministas. A lista sempre é construída a partir de uma perspectiva contracultural, DIY, punk, feminista, não homofóbica e não racista. A proposta não é fazer um post masturbatório, exibindo 'bandas desconhecidas' ou qualquer bosta do tipo.

Queremos ajudar a dar visibilidade a uma parte da música faça você mesma que muitas vezes não é celebrada. Por isso, por mais que eu goste do álbum novo do Slayer ou queira falar sobre o Bitch, Better Have My Money, da Riri, não vou fazer isto porque foge do nosso objetivo. Tanto que alguns álbuns da lista ouvi demais, outros bem pouco, mas resolvi colocar todos esses prol da visibilidade.

Como esta lista foi organizada? Primeiro, as categorias 'clipe', 'música', 'show' e 'álbuns favoritos', sempre em ordem alfabética. E o mais legal: compartilha nos comentários a sua lista de destaques do ano? :D







Downtown Boys, Wave of  History
O single 'Wave of History', do álbum Full Comunism, é uma aula de história dançante sobre alguns fatos da política norte-americana, que linka o curso da história com a violência policial. Além de uma música energética, com sax e tudo, cantada pela furiosa Victoria Ruiz, o clipe tem o mérito de deixar infográficos ainda mais legais. Downtown Boys é uma banda bi lingue de Providence (Rhode Island) que teve seu ábum lançado pela Don Giovanni Records. Bandcamp



Hemming, Some of My Friends
As primeiras vezes que assisti este clipe chorei largada. Simples assim. Acredito em "amor a primeira ouvida" e mesmo já sendo fã da Candice Martello (Omar), Hemming me pegou de jeito. Isso porque poucas músicas já chegam chutando a porta do coração e mandando a realzona, sabe? E 'Some of My Friends' fez isso. A espontaneidade e amizade que o clipe transborda chamou as minhas lembranças de 'some of my friends' e de mim mesma. Site.



Sheer Mag, Fan the Flames
Sensacional. Pra dançar lynda até ficar suada (o que não é difícil nesse verãozinho, né?)




Worriers, Chasing
O clipe mais divertido do ano me fez dançar sozinha no quarto incontáveis vezes em 2015. 'Chasing' é a baladinha fofa do Worriers, que dá o papo: 'It was addictive to be wanted like that, for a moment, to be wanted like that'. A letra super crush, mais o figurino setentista, o clima do clipe, a história, a banda..  tudo é foda! Bandcamp.








MC Carol - Não foi Cabral
Ela quebrou tudo ao contestar as narrativas sobre o 'descobrimento' do Brasil. A música despertou um debate importante entre os estudantes e ainda permitiu uma boa requebração. Ouça.

Lilian Lessa - O Mal Pela Raiz
Não gosto de sons psicodélicos ou de bandas dos anos 1970, mas abro uma bela exceção para 'O Mal Pela Raiz', da musicista Lilian Lessa, de Maceió. Isso porque essa sonoridade combinou perfeitamente com o deboche feminista e a letra que reconta a origem da humanidade a partir de uma perspectiva feminista. Sabe aquele papo de maçã, costela? Já aprendemos todas que todos vieram do útero. Na verdade, melhor do que ler minha micro resenha é ouvi-la. Lilian Lessa também toca no Messias Elétrico e Necro. Bandcamp.

Luana Hansen - Negras em Marcha
'Negras em Marcha' é uma música incrível composta pela MC e DJ Luana Hansen para a Marcha das Mulheres Negras. É uma aula de história, empoderamento e justiça social. Assista o clipe.

MC Soffia - Menina Pretinha
Se as feministas atuais incomodam.. o que dizer das que estão chegando e as que vão chegar? MC Soffia é uma criança empoderada e que abraçou uma linda missão: empoderar outras crianças. Nessa letra ela critica a exotificação das meninas negras. Ouça!




RVIVR no Rock Together (São Paulo)
Já passaram mais de seis meses deste show e ainda consigo sentir o calor concentrado do show. Aquela quase vertigem causada pelo calor e que foi vencida de tanto dançar. Para mim, música é medicina e RVIVR é um dos melhores remédios. Os sorrisos que a banda troca enquanto afina os instrumentos, os "uô, uô, uô", o suor, as músicas novas e antigas exorcizando demônios: tudo isso fez com que esse fosse o melhor show que fui este ano. Bandcamp.

RVIVR @ Porão da San Fran (SP) - Foto: Ana Laura Leardini





Against Me! - 23 Live Sex Acts
Se o álbum White Crosses (2010) quase retirou a importância política de Against Me!, Transgender Dysphoria Blues (2014) a devolveu e fez deste álbum um dos mais relevantes da década. É o álbum após Laura Jane Grace anunciar publicamente que é uma mulher trans e carrega toda esta subjetividade. O mesmo acontece com 23 Live Sex Acts, que conta com músicas do álbum anterior e outros clássicos da banda. É o álbum que mistura passado e presente com a mesma voz maravilhosa da Laura. É uma audição importante pra todas as viciadas em música punk. Ouça.

All Dogs - Kicking Every Day
Kicking Every Day tem 10 músicas e traz um All Dogs mais cadenciado, lento e com riffs que se constroem aos poucos. Ainda é All Dogs, ainda é pop punk, ainda tem um vocal bonitasso. A mudança só deixou a banda mais interessante e boa para os ouvidos. Bandcamp.

Aye Nako - The Blackest Eye
The Blackest Eye é mais um lançamento fera da Don Giovanni Records. O álbum é o mais diferente de Aye Nako, que a distanciou do pop punk e a aproximou de um som mais experimental, com toques lo-fi. Destaque para 'Human Shield', a menor música do disco. Bandcamp.

Chastity Belt - Time to Go Home
Que vozes, que guitarra! A música que dá nome ao álbum me remeteu a três cenários: um dia chuvoso qualquer, uma tarde de chapação e também a um som pra deixar rolando na hora de trepar. A proposta não é ser uma Portishead da vida (nem de longe), mas as dedilhadas longas e preguiçosas com toda aquela distorção e reverb já jogaram essas vibes. Elas são de Seattle e olha, fazia tempo que uma banda não me deixava de cara assim. Já vai pra minha lista de ~bandas a secar em 2016~ porque vai ter harmônica e criar climão assim lá longe. Bandcamp.

Downtown Boys, Full Comunism
Algumas palavras são sedutoras. Para esta punk feminista, 'punk', 'dançante' e 'político' funcionam assim. Ainda mais quando a banda em questão é a competente Downtown Boys, que personifica o "Seu eu não puder dançar, não é a minha revolução". Some a isso a lindíssima língua espanhola e você tem uma bandas bandas punks mais criativas de 2015. Bandcamp.

Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
"Coração do mar  é terra que ninguém conhece. Permanece ao largo e contém o próprio mundo como hospedeiro". Poucas bandas e cantoras tem a gana de começar o álbum cantando sem acompanhamento instrumental e claro que Elza Soares tem gana pra isso e muito mais. Embora não seja um álbum da contracultura feminista, ele precisa estar nesta lista porque há muitos anos Elza Soares (junto com outras artistas) é a resistência da mulher negra na música brasileira, porque ela cantou a primeira música que ouvi que critica abertamente a violência contra a mulher num cenário musical que é famoso justamente por romantizá-la (já que 'pancada de amor não dói'). Este é o meu álbum brasileiro preferido de 2015. Se ainda não ouviu, faça isso por você. Ouça.

Framboesas Radioativas - Gastropoda
Bragança Paulista (SP) tem a feliz tradição de ter boas bandas e as Framboesas Radioativas não foge desse clichê. Formada por duas Marinas e uma Sofia, elas dão conta de um punk rock requebrante com passagens lo-fi. Com algumas letras non-sense embaladas por solinhos marotos, ao vivo elas são melhores do que na gravação. É boa a surpresa de ver que todas, dependendo da música, cantam e tem uma boa química. Se tiver oportunidade de pegar um show delas, faça isso. Bandcamp

Framboesas Radioativas. Foto: Karina Lumina

Girlpool - Before The World Was Big
Este álbum conta com delicadeza, e de forma crua, o processo de entrar nos vinte e poucos anos. Os vocais intercalados de Harmony e Cleo se combinam aos riffs e dão muita sinceridade para o disco, que parece ter nascido no quarto delas. Já resenhamos o álbum, confira o soundcloud.

Hemming - ST
Se você está procurando por um álbum cheio de músicas animadas e que vão te inspirar os passinhos mais incri, acho que você não vai encontrar isso em Hemming. Isso porque o álbum é cheio de lindas músicas, pra ouvir nos dias que estamos cultivando aquela badzinha. Este é o atual projeto da Candice Martello (Omar) e mostra um outro lado dela, mais introspectivo e muito bem tocado, com uma sonoridade que me levou para as vibes tristes do folk. PS: A voz dela é maravilhosa, vale demais ouvir! Destaco: 'Some of My Friends', 'I'll Never be the Man For You' e 'Pins and Needles'. Site

High Dive - New Teeth
A primeira vez que eu ouvi.. chorei largada. Sou um clichê ambulante? O fato é que New Teeth acertou bem em cheio (como todos os álbuns do High Dive), naquele lugar que a gente deixa bem protegido pra não foder de novo. Este é o segundo full lenght da banda, que hoje conta com a Ginger (Good Luck) e Richard, que mudaram o som para melhor. Para ouvir e amar! Bandcamp

Homewreckers, The - I Statements
Que saudade desse vocal vomitadinho da Cristy Road! Homeweckers é uma banda pop punk queer, em que o punk sempre pesa mais um pouco. Tanto que é o som ideal pra pogar sem parar naquela festchinha com as amiges. I Statements dá um belo foda-se pra vida e pros dias ruins. Ouça! Bandcamp

Mercenárias - Demo 1983
As Mercenárias são uma das maiores bandas punks do Brasil e este ano o selo Nada Nada Discos relançou em versão compacto 7" a fita demo lançada em 1983. Com direito a fanzine e um box especial, o áudio foi restaurado pelo Estúdio Rocha e traz toda a 'tortice' que só as Mercenárias tem. Ainda, a banda - que voltou a tocar - foi capa da edição de novembro da Maximum RocknRoll. Bandcamp

Ostra Brains - Gelato Luv
Pode preparar os ouvidos para uma overdose de distorção garageira. Gelato Luv (Transfusão Noise)é um punk rock carregado de uma lofi-zera forte, que embala e chama pros passinhos. O disco é o primeiro registro da banda do Rio de Janeiro que tem a frontwoman Amanda Hawk, que tem um vocal certeiro. Destaco as tracks 'Belabee' e 'Tabaca Flames'. Bandcamp.

Preta Rara - Audácia
A resistência da mulher negra, a afirmação da identidade da mulher negra e não da 'mulata', a celebração da cultura africana: todos estes temas e outros estão apresentes em 'Audácia'. O álbum é pesado e tem músicas fodas, com ritmos e batidas diferentes entre si. Não sou "fluente" em resenhar rap e hip hop, muito pelo contrário. Por isso não vou forçar a barra pra tentar definir nada. Destaco: 'Jericó', 'Filha de Dandara' e 'Falsa Abolição'. Ouça.

Potty Mouth - S/T EP
Este power trio, formado por Abby (guitarra e voz). Victoria (bateria) e Ally (bass) leva as inspirações noventistas a sério, tanto que a influência grunge é forte e perceptível nessa gravação. A música grudentinha do ep é 'Long Haul'. Ah, e pelo que sei sobre elas, o nome da banda não é uma referência ao Bratmobile. Bandcamp.



Sheer Mag - Foto: Amanda Hatfield

Sheer Mag - II 7"
Para mim, o som setentista só fica bom quando combinado com punk rock. E é isso que o Sheer Mag faz de maneira muito competente. É difícil resistir ao vocal cheio de distorção da Tina Halladay, um dos instrumentos mais importantes da banda. Pode preparar pra dançar vários solos transantes. Destaco o hit 'Fan the Flames' e 'Button Up'. Bandcamp.

Sleater Kinney - No Cities To Love
O oitavo full lenght de Sleater Kinney, lançado pela Sub Pop, marca a volta da banda após um hiato de quase 8 longos anos. Este não é o meu disco preferido, mas claro que é ótimo. Ele segue uma sonoridade na linha do The Woods (2005), embora tenha músicas que não se encaixam muito bem aí. E isso é ótimo, porque é a essência de Sleater Kinney: a dificuldade de categorizar e a diferença entre as músicas. O álbum conta com canções que já são clássicas, como 'A New Wave', 'Gimmie Love', 'No Cities To Love' e 'Bury Our Friends'. Ele também está na categoria de álbuns que 'dancei sozinha no quarto'. Soundcloud.

Try The Pie - Domestication
Sabe aquela calmaria que até dá uma tristeza? Domestication é um álbum cheio de beleza, lo-fi e de riffs que te carregam pelas tuas lembranças e pela sonoridade da Bean Kaloni Tupou (Sourpatch, Crabapple). Altamente recomendável. Bandcamp.

Vexx - Give and Take
Um 7" com quatro músicas que já chega chutando a porta com a música 'Black/White'. Impossível resistir àquela junção linda do punk, os solos barulhentos e a cadência rockandroll que algumas bandas têm, e definitivamente Vexx é uma dessas bandas. O power trio de Olimpia é a banda que pegou, nesta lista, a característica de banda cheia de intensidade e que a cada acorda dá uma porrada. Audição essencial. Bandcamp.

Foto: Ellen Rumel

Waxahatchee - Ivy Tripp
Ivy Tripp é o álbum mais introspectivo e lento de Waxahatchee. Não é o meu preferido, mas suas qualidades são aparentes. É o disco, musicalmente falando, mais diferente dos outros dois anteriores (American Weekend, 2012 e Cerulean Salt (2013), que se aproxima de uma cadência triste como as letras. Katie Crutchfield, acompanhada por sua banda, fez muitos shows pelos EUA para divulgar o álbum (lançado pela Merge Records) e até abriu alguns shows de Sleater Kinney. A música que destaco é 'Half Moon', que me pegou com seus pianos. Site e Soundcloud.

Worriers - Imaginary Life
Se você me perguntar qual é o meu disco preferido deste ano, a resposta vem muito fácil: Imaginary Life, o primeiro full length de Worriers, lançado pela Don Giovanni Records.

Sinceramente? Não sei como ainda não enjoei, ouvi centenas de vezes. Talvez seja o álbum que mais ouvi este ano, e não por acaso. Estamos falando de um disco redondo, com letras e músicas impecáveis. Não há música "longa demais", que tenha um riff usado em excesso ou um refrão chato. Como o Mama comentou uma vez, a banda "fica cada vez melhor" e o mérito não é ser formada pelo 'creme de la crème' do Pop Punk.

Imaginary Life é um álbum que fala por ele mesmo, que não precisa se ancorar nos integrantes para ser bom. Com letras sobre violência policial ('Yes All Cops'), futuro ('Plans') e gente cínica ('Good Luck'), o disco trata com ironia suficiente o machismo ('Most Space'), as voltas que a vida dá, o 'crescer' e ainda tentar existir sendo punk. É o álbum que mais dancei sozinha, fiz air guitar (e todos 'air' instrumentos) e que me faz lembrar que apesar de duro, esse ano ensinou lições que não vou precisar me foder de novo para aprender.

Não tenho como destacar apenas uma música desse disco, pega ele aí: bandcamp.


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Outros lançamentos que não estão na lista (porque ouvimos muito pouco) e que talvez você goste: Don't Wanna Lose (clipe de Ex Hex), Art Angels (Grimes), Rose Mountain (Screaming Females), Selvática (Karina Buhr).

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Ilutração por: Teenage Micha - Me defino uma ilustradora auto didata de meia tigela,tentando vender minhas artes na praia. Meu amor por ilustração vem de cedo, principalmente meu gosto por anatomia,independente de gênero. Sempre com cautela,buscando ser fiel na representatividade, ainda no caminho da estrada das descobertas. 

Veja mais trabalhos dela, são incríveis: Facebook 

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

listamos: 10 bandas Pop Punk com mulheres que você precisa ouvir já!

Augusta (Cayetana) - Foto: Jeff Ryan

Queria não precisar fazer um recorte de gênero sobre música. Isso significaria que existiria um número de mulheres tão alto quanto de homens na música (seja ela independente ou não); que bandas extremas formadas por mulheres seriam algo corriqueiro; que provavelmente (eu gostaria disso) teríamos menos conteúdo sexista, machista para ouvir.

Mas, enquanto esse dia não chega, faço essa lista para ajudar quem está procurando referências de minas fodas e que mandam muito. Ah, e sem contar que essa é mais uma chance pra você se apaixonar por Pop Punk, caso ainda esteja apenas flertando!

PS: O objetivo desta lista é indicar bandas faça você mesma, contraculturais, de/com mulheres, que toquem apenas Pop Punk e que ainda não  comentamos (ou falamos pouco) aqui no blog. Como não conhecemos bandas Pop Punk brasileiras, não colocamos nenhuma no post.


Cayetana

Prepare-se para guitarras com uma distorção à moda Robert Smith, vozes lindas e clipes maravilhosos. Allegra (baixo), Kelly (bateria) e Augusta (voz e guitarra) são de Filadélfia e lançaram o último álbum, Nervous Like Me em 2014. Bandcamp.




Colour Me Wednesday

Esse quarteto que faz música grudante é de Uxbridge (Londres) e tem dois álbuns. O primeiro, I Thought It Was Morning é pra você dançar e rodar aquele vestidinho e o segundo, o split com Spoonboy, tem uma sonoridade diferente, menos grudenta e que me agrada bem. Escrevi sobre elas para o Ovelha (tenho uma coluna sobre música lá). Bandcamp.


Worriers

Aí, gente! Se você lê esse blog sabe que eu já declarei meu amor por Worriers algumas vezes. A banda só tem "pro" do Pop Punk (pessoas de Caves, The Ergs, The Measure S/A) e na verdade isso nem faz jus ao que sinto quando ouço as músicas deles. Todas devem ouvir porque acho que vocês vão amar.




Caves

Caves, é de Bristol (UK) e faz aquele pop punk empolgante e que pesa mais o punk do que o pop. Os vocais, que tem um timbre foda, são da Lou Hanman, que também toca guitarra no Worriers. Bandcamp.




All Dogs

Eles são de Columbus (Ohio) e fazem aquele pop punk alto, com vocais fofos e distorções que ficam dando looping na cabeça. O último lançamento deles é o full lenght Kicking Every Day, uma lindeza pra grudar em você. Bandcamp.




Radiator Hospital

Essa banda tem como uma das vocalistas a Cynthia Schemmer, que já tocou na minha queridíssima Very Okay. Acho que VO foi a primeira banda pop punk que pirei mesmo. A Cynthia também é editora da revista She Shreds e vale a pena ouvir Radiator Hospital, é chorante. Bandcamp.





Chumped

Chumped (do Brooklyn, New York) com seu Teenage Retirement sempre faz as tardes do trampo passarem mais rápido! É fofo, bonito e fala sobre crushes. Bandcamp.






Thin Lips

Ouvir Thin Lips (da Pensilvânia, Filadélfia) dá vontade de pogar e abraçar a sua melhor amiga, tudo ao mesmo tempo! Bandcamp.




Martha

Diretamente de Durham (UK), Martha já é uma clássica banda poop punk da atualidade. Não é a que faz o meu coração bater mais forte, mas eles mandam bem demais. Ah, e o último lançamento deles é um split com o Radiator Hospital! Bandcamp



Diet Cig

De todas, é a banda que conheci mais recentemente. O vocal dela é blaster fofo e se você gosta dessa pegada vai curtir bem. Eles são de New Paltz (Nova Iorque). Bandcamp.


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

listamos: Todos os lyric videos de The Julie Ruin

The Julie Ruin @ Eletric Ballroom 

Você sabia que The Julie Ruin lançou lyric videos de todas as músicas de seu primeiro álbum, Run Fast? São 14 lyric videos e nós listamos todos eles neste post porque são maravilhosos e é uma onda assistir todos, na sequencia.

Alguns vídeos têm filmagem original, como "Kids in NY", que foi filmado em Nova Iorque (risos). Já "Right Home", conta com trechos dos Mupets e em outros vídeos são usadas cenas de filmes antigos.
Além dos lyric vídeos, a banda lançou dois clipes oficiais. Nós já falamos sobre isso aqui no Cabeça Tédio, mas colocamos eles no post também. Os clipes são do hit manjado "Oh, Come On" e da super fofa "Goodnight, Goodbye".

A banda tem tocado um pouco menos por causa das condições de saúde de Kathleen Hanna, mas atualmente já tem alguns shows agendados. Para saber mais sobre a KH, clique aqui. Para não perder nenhum vídeo da banda, assine o canal no youtube.












































Clipes oficiais





sábado, 12 de setembro de 2015

listamos: As 15 músicas mais pesadas de Sleater-Kinney



Para quem é viciada em música, não basta apenas ouvir e/ou saber a letra, ir aos shows da banda, ter a blusa e um poster na parede. E nem de longe tentaria definir como uma viciada em música age pois isso não me interessa. Identifico esse tipo de pessoa a partir da relação que ela estabelece com a banda e as várias implicações disso. Dito isso, acredito que o termo "música pesada" tem significados múltiplos e distintos para cada ouvido. Pode ter uma conotação puramente sonora, relacionada às letras e a mais interessante para mim é quando o termo designa a carga emocional de uma canção.

O "música pesada" desta lista significa justamente isso, a carga emocional que a música carrega - tanto de quem a fez quanto a de quem ouve - e que a torna diferente das outras. Nem melhor, nem pior, apenas diferente. Esse peso é aquela fagulha que te permite sentir a ligação cósmica entre as vozes e guitarras de Corin-Carrie e a bateria da Janet. E essa ligação entra em você como se fosse uma força, como se fosse futuro, como se fosse a sua droga preferida, como se fosse a memória feliz que te ajuda a conjurar o seu patrono, como se fosse a sua infância e aqueles sentimentos e sensações que você só consegue entender com música. Em uma entrevista para a Rolling Stone em janeiro deste ano a Carrie disse isso:

"I feel like Corin knows the map of my veins. And you don’t always want someone to know those things"

E é isso também um pouco o que uma "música pesada" é para mim.

Arrisco a dizer que os carros chefes de músicas pesadas de Sleater-Kinney são os álbuns Call The Doctor (1996) e The Hot Rock (1999). Mas claro que em outros álbuns encontramos esses sons que nos deixam no chão, porque esse peso é inerente à música que está dentro delas. Acho que é possível chegar a um consenso sobre quais são as músicas pesadas delas, mas não a qual é a mais ou menos. Essa lista não tem interesse em sugerir a mais pesada, por isso a ordem será de acordo com os álbuns. Os critérios de seleção das "músicas pesadas", foram: carga emocional da música, letra e o climão que o som proporciona.

PS: Talvez essa lista tenha mais sentido pra mim e minhas amigues porque a categoria de "música pesada" é abstrata e subjetiva. O objetivo dessa lista não é ser definitiva ou um tratado. 
Achou que faltou algum som? Como seria a tua lista? 


Vamos lá?


Self Titled (1995)

Slow Song - Aquele respiro, sabe? Os melhores riffs da vida já no primeiro álbum. Elas são deusas assim.



Call The Doctor (1996)

Anonymous - é uma tentativa. Da garota que falou de mais. Tudo o que ela tinha eram as palavras, mas no fim ela estava apenas enganando a si mesma. Corin e Carie repetindo "anonymous" é quase uma espiral que te suga pra você olhar pro que você fez. Pro que você se tornou e pro que você fugiu.




Good Things - Não há absolutamente nada de leve nessa música. O riff inicial é de deixar o coração fazendo um movimento estranho enquanto ele bate. É a música que ensina: "some things you lose, some things you give away".



My Stuff

"Leave me without a God, without belief, without a cause
Without a path that I should take, without a choice that I should make
Such an easy thought and now I had it but I lost it
I guess I need your help and now I guess I need your help and now I"












Dig Me Out (1997)

Dig Me Out - Hits podem ser pesados sim. Especialmente quando estamos falando desta música.



One More Hour -  Dançar sobre nossos corações partidos é purificador.



Things You Say - Essa não é nem tão pesada, mas quando ouço sempre dou uma murchadinha. Fica um pouco de vida pra fora me lembrando que "it is brave to feel to be alive".







The Hot Rock (1999)

God is a Number - Se você ouve rápido talvez não se ligue no peso. Mas a partir de 2 minutos de som tudo fica mais obscuro. Os riffs se intensificam, Corin começa a murmurar e depois a gritar "I need something to believe". O que as vezes penso ser uma verdade universal.



Don't Talk Like - Don't Talk Like está para Good Things no quesito peso assim como No Cities To Love está para A New Wave no quesito animação. Os solinhos destruidores de um lado, do outro a guitarra abafada e a Janet só nos pratos enquanto a Corin nos mostra que há uma parte de todo mundo que funciona como se fosse uma criança. Isso é belo pela leveza de ser criança e pode ser venenoso por não conseguir deixar de ser essa criança.



Get Up"Do you think I'm an animal? Am I not?"






The Size of our Love - Pelo amor da deusa né gente, eu não preciso falar absolutamente nada sobre essa música que até um violino depret de fundo tem, que se mescla na voz da Carrie como aquele gole de uma bebida que desce do jeito que você precisa.




Memorize Your Lines - Se eu explicar essa é porque a gente não está entendendo nada sobre Sleater-Kinney.





All Hands on the Bad One (2000)

Was it a lie - Elas sabem deixar a gente no chão.




One Beat (2002)

One Beat - A música fala por ela mesma. Fiz um post todo só sobre a música e o álbum, bem aqui.





The Woods (2005)

What's Mine Is Yours - Essa música é more than a feeling. Quem não se meche ouvindo o riff inicial é porque olhou no olho da Medusa e foi transformada em pedra.





E o alívio de terminar a lista e de ouvir esses somzão pesadão: