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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Retrospectiva: Destaques de 2015

Por Teenage Micha


Ilustração: Teenage Micha
Texto: Carla Duarte

Esta é a terceira lista de 'melhores de ano' que publicamos! Mas ela já começa diferente das outras duas pelo título: abandonamos o 'melhores' e adotamos o 'destaques'. Pode parecer ridículo, mas ainda não tinha caído a ficha que é ruim usar 'melhores' do ano, pois implica que há 'piores' e também pode soar autoritário. 
Nessa lista não constam indicações de zines, mas pretendemos fazer um post só pra eles. Outra diferença desta lista para as outras, é que esta é a primeira que escrevo sozinha. E poxa, dá um friozinho grande na barriga.

O objetivo do Destaques de 2015 é compartilhar os clipes, shows e álbuns que mais gostamos neste ano, feitos por mulheres e feministas. A lista sempre é construída a partir de uma perspectiva contracultural, DIY, punk, feminista, não homofóbica e não racista. A proposta não é fazer um post masturbatório, exibindo 'bandas desconhecidas' ou qualquer bosta do tipo.

Queremos ajudar a dar visibilidade a uma parte da música faça você mesma que muitas vezes não é celebrada. Por isso, por mais que eu goste do álbum novo do Slayer ou queira falar sobre o Bitch, Better Have My Money, da Riri, não vou fazer isto porque foge do nosso objetivo. Tanto que alguns álbuns da lista ouvi demais, outros bem pouco, mas resolvi colocar todos esses prol da visibilidade.

Como esta lista foi organizada? Primeiro, as categorias 'clipe', 'música', 'show' e 'álbuns favoritos', sempre em ordem alfabética. E o mais legal: compartilha nos comentários a sua lista de destaques do ano? :D







Downtown Boys, Wave of  History
O single 'Wave of History', do álbum Full Comunism, é uma aula de história dançante sobre alguns fatos da política norte-americana, que linka o curso da história com a violência policial. Além de uma música energética, com sax e tudo, cantada pela furiosa Victoria Ruiz, o clipe tem o mérito de deixar infográficos ainda mais legais. Downtown Boys é uma banda bi lingue de Providence (Rhode Island) que teve seu ábum lançado pela Don Giovanni Records. Bandcamp



Hemming, Some of My Friends
As primeiras vezes que assisti este clipe chorei largada. Simples assim. Acredito em "amor a primeira ouvida" e mesmo já sendo fã da Candice Martello (Omar), Hemming me pegou de jeito. Isso porque poucas músicas já chegam chutando a porta do coração e mandando a realzona, sabe? E 'Some of My Friends' fez isso. A espontaneidade e amizade que o clipe transborda chamou as minhas lembranças de 'some of my friends' e de mim mesma. Site.



Sheer Mag, Fan the Flames
Sensacional. Pra dançar lynda até ficar suada (o que não é difícil nesse verãozinho, né?)




Worriers, Chasing
O clipe mais divertido do ano me fez dançar sozinha no quarto incontáveis vezes em 2015. 'Chasing' é a baladinha fofa do Worriers, que dá o papo: 'It was addictive to be wanted like that, for a moment, to be wanted like that'. A letra super crush, mais o figurino setentista, o clima do clipe, a história, a banda..  tudo é foda! Bandcamp.








MC Carol - Não foi Cabral
Ela quebrou tudo ao contestar as narrativas sobre o 'descobrimento' do Brasil. A música despertou um debate importante entre os estudantes e ainda permitiu uma boa requebração. Ouça.

Lilian Lessa - O Mal Pela Raiz
Não gosto de sons psicodélicos ou de bandas dos anos 1970, mas abro uma bela exceção para 'O Mal Pela Raiz', da musicista Lilian Lessa, de Maceió. Isso porque essa sonoridade combinou perfeitamente com o deboche feminista e a letra que reconta a origem da humanidade a partir de uma perspectiva feminista. Sabe aquele papo de maçã, costela? Já aprendemos todas que todos vieram do útero. Na verdade, melhor do que ler minha micro resenha é ouvi-la. Lilian Lessa também toca no Messias Elétrico e Necro. Bandcamp.

Luana Hansen - Negras em Marcha
'Negras em Marcha' é uma música incrível composta pela MC e DJ Luana Hansen para a Marcha das Mulheres Negras. É uma aula de história, empoderamento e justiça social. Assista o clipe.

MC Soffia - Menina Pretinha
Se as feministas atuais incomodam.. o que dizer das que estão chegando e as que vão chegar? MC Soffia é uma criança empoderada e que abraçou uma linda missão: empoderar outras crianças. Nessa letra ela critica a exotificação das meninas negras. Ouça!




RVIVR no Rock Together (São Paulo)
Já passaram mais de seis meses deste show e ainda consigo sentir o calor concentrado do show. Aquela quase vertigem causada pelo calor e que foi vencida de tanto dançar. Para mim, música é medicina e RVIVR é um dos melhores remédios. Os sorrisos que a banda troca enquanto afina os instrumentos, os "uô, uô, uô", o suor, as músicas novas e antigas exorcizando demônios: tudo isso fez com que esse fosse o melhor show que fui este ano. Bandcamp.

RVIVR @ Porão da San Fran (SP) - Foto: Ana Laura Leardini





Against Me! - 23 Live Sex Acts
Se o álbum White Crosses (2010) quase retirou a importância política de Against Me!, Transgender Dysphoria Blues (2014) a devolveu e fez deste álbum um dos mais relevantes da década. É o álbum após Laura Jane Grace anunciar publicamente que é uma mulher trans e carrega toda esta subjetividade. O mesmo acontece com 23 Live Sex Acts, que conta com músicas do álbum anterior e outros clássicos da banda. É o álbum que mistura passado e presente com a mesma voz maravilhosa da Laura. É uma audição importante pra todas as viciadas em música punk. Ouça.

All Dogs - Kicking Every Day
Kicking Every Day tem 10 músicas e traz um All Dogs mais cadenciado, lento e com riffs que se constroem aos poucos. Ainda é All Dogs, ainda é pop punk, ainda tem um vocal bonitasso. A mudança só deixou a banda mais interessante e boa para os ouvidos. Bandcamp.

Aye Nako - The Blackest Eye
The Blackest Eye é mais um lançamento fera da Don Giovanni Records. O álbum é o mais diferente de Aye Nako, que a distanciou do pop punk e a aproximou de um som mais experimental, com toques lo-fi. Destaque para 'Human Shield', a menor música do disco. Bandcamp.

Chastity Belt - Time to Go Home
Que vozes, que guitarra! A música que dá nome ao álbum me remeteu a três cenários: um dia chuvoso qualquer, uma tarde de chapação e também a um som pra deixar rolando na hora de trepar. A proposta não é ser uma Portishead da vida (nem de longe), mas as dedilhadas longas e preguiçosas com toda aquela distorção e reverb já jogaram essas vibes. Elas são de Seattle e olha, fazia tempo que uma banda não me deixava de cara assim. Já vai pra minha lista de ~bandas a secar em 2016~ porque vai ter harmônica e criar climão assim lá longe. Bandcamp.

Downtown Boys, Full Comunism
Algumas palavras são sedutoras. Para esta punk feminista, 'punk', 'dançante' e 'político' funcionam assim. Ainda mais quando a banda em questão é a competente Downtown Boys, que personifica o "Seu eu não puder dançar, não é a minha revolução". Some a isso a lindíssima língua espanhola e você tem uma bandas bandas punks mais criativas de 2015. Bandcamp.

Elza Soares - A Mulher do Fim do Mundo
"Coração do mar  é terra que ninguém conhece. Permanece ao largo e contém o próprio mundo como hospedeiro". Poucas bandas e cantoras tem a gana de começar o álbum cantando sem acompanhamento instrumental e claro que Elza Soares tem gana pra isso e muito mais. Embora não seja um álbum da contracultura feminista, ele precisa estar nesta lista porque há muitos anos Elza Soares (junto com outras artistas) é a resistência da mulher negra na música brasileira, porque ela cantou a primeira música que ouvi que critica abertamente a violência contra a mulher num cenário musical que é famoso justamente por romantizá-la (já que 'pancada de amor não dói'). Este é o meu álbum brasileiro preferido de 2015. Se ainda não ouviu, faça isso por você. Ouça.

Framboesas Radioativas - Gastropoda
Bragança Paulista (SP) tem a feliz tradição de ter boas bandas e as Framboesas Radioativas não foge desse clichê. Formada por duas Marinas e uma Sofia, elas dão conta de um punk rock requebrante com passagens lo-fi. Com algumas letras non-sense embaladas por solinhos marotos, ao vivo elas são melhores do que na gravação. É boa a surpresa de ver que todas, dependendo da música, cantam e tem uma boa química. Se tiver oportunidade de pegar um show delas, faça isso. Bandcamp

Framboesas Radioativas. Foto: Karina Lumina

Girlpool - Before The World Was Big
Este álbum conta com delicadeza, e de forma crua, o processo de entrar nos vinte e poucos anos. Os vocais intercalados de Harmony e Cleo se combinam aos riffs e dão muita sinceridade para o disco, que parece ter nascido no quarto delas. Já resenhamos o álbum, confira o soundcloud.

Hemming - ST
Se você está procurando por um álbum cheio de músicas animadas e que vão te inspirar os passinhos mais incri, acho que você não vai encontrar isso em Hemming. Isso porque o álbum é cheio de lindas músicas, pra ouvir nos dias que estamos cultivando aquela badzinha. Este é o atual projeto da Candice Martello (Omar) e mostra um outro lado dela, mais introspectivo e muito bem tocado, com uma sonoridade que me levou para as vibes tristes do folk. PS: A voz dela é maravilhosa, vale demais ouvir! Destaco: 'Some of My Friends', 'I'll Never be the Man For You' e 'Pins and Needles'. Site

High Dive - New Teeth
A primeira vez que eu ouvi.. chorei largada. Sou um clichê ambulante? O fato é que New Teeth acertou bem em cheio (como todos os álbuns do High Dive), naquele lugar que a gente deixa bem protegido pra não foder de novo. Este é o segundo full lenght da banda, que hoje conta com a Ginger (Good Luck) e Richard, que mudaram o som para melhor. Para ouvir e amar! Bandcamp

Homewreckers, The - I Statements
Que saudade desse vocal vomitadinho da Cristy Road! Homeweckers é uma banda pop punk queer, em que o punk sempre pesa mais um pouco. Tanto que é o som ideal pra pogar sem parar naquela festchinha com as amiges. I Statements dá um belo foda-se pra vida e pros dias ruins. Ouça! Bandcamp

Mercenárias - Demo 1983
As Mercenárias são uma das maiores bandas punks do Brasil e este ano o selo Nada Nada Discos relançou em versão compacto 7" a fita demo lançada em 1983. Com direito a fanzine e um box especial, o áudio foi restaurado pelo Estúdio Rocha e traz toda a 'tortice' que só as Mercenárias tem. Ainda, a banda - que voltou a tocar - foi capa da edição de novembro da Maximum RocknRoll. Bandcamp

Ostra Brains - Gelato Luv
Pode preparar os ouvidos para uma overdose de distorção garageira. Gelato Luv (Transfusão Noise)é um punk rock carregado de uma lofi-zera forte, que embala e chama pros passinhos. O disco é o primeiro registro da banda do Rio de Janeiro que tem a frontwoman Amanda Hawk, que tem um vocal certeiro. Destaco as tracks 'Belabee' e 'Tabaca Flames'. Bandcamp.

Preta Rara - Audácia
A resistência da mulher negra, a afirmação da identidade da mulher negra e não da 'mulata', a celebração da cultura africana: todos estes temas e outros estão apresentes em 'Audácia'. O álbum é pesado e tem músicas fodas, com ritmos e batidas diferentes entre si. Não sou "fluente" em resenhar rap e hip hop, muito pelo contrário. Por isso não vou forçar a barra pra tentar definir nada. Destaco: 'Jericó', 'Filha de Dandara' e 'Falsa Abolição'. Ouça.

Potty Mouth - S/T EP
Este power trio, formado por Abby (guitarra e voz). Victoria (bateria) e Ally (bass) leva as inspirações noventistas a sério, tanto que a influência grunge é forte e perceptível nessa gravação. A música grudentinha do ep é 'Long Haul'. Ah, e pelo que sei sobre elas, o nome da banda não é uma referência ao Bratmobile. Bandcamp.



Sheer Mag - Foto: Amanda Hatfield

Sheer Mag - II 7"
Para mim, o som setentista só fica bom quando combinado com punk rock. E é isso que o Sheer Mag faz de maneira muito competente. É difícil resistir ao vocal cheio de distorção da Tina Halladay, um dos instrumentos mais importantes da banda. Pode preparar pra dançar vários solos transantes. Destaco o hit 'Fan the Flames' e 'Button Up'. Bandcamp.

Sleater Kinney - No Cities To Love
O oitavo full lenght de Sleater Kinney, lançado pela Sub Pop, marca a volta da banda após um hiato de quase 8 longos anos. Este não é o meu disco preferido, mas claro que é ótimo. Ele segue uma sonoridade na linha do The Woods (2005), embora tenha músicas que não se encaixam muito bem aí. E isso é ótimo, porque é a essência de Sleater Kinney: a dificuldade de categorizar e a diferença entre as músicas. O álbum conta com canções que já são clássicas, como 'A New Wave', 'Gimmie Love', 'No Cities To Love' e 'Bury Our Friends'. Ele também está na categoria de álbuns que 'dancei sozinha no quarto'. Soundcloud.

Try The Pie - Domestication
Sabe aquela calmaria que até dá uma tristeza? Domestication é um álbum cheio de beleza, lo-fi e de riffs que te carregam pelas tuas lembranças e pela sonoridade da Bean Kaloni Tupou (Sourpatch, Crabapple). Altamente recomendável. Bandcamp.

Vexx - Give and Take
Um 7" com quatro músicas que já chega chutando a porta com a música 'Black/White'. Impossível resistir àquela junção linda do punk, os solos barulhentos e a cadência rockandroll que algumas bandas têm, e definitivamente Vexx é uma dessas bandas. O power trio de Olimpia é a banda que pegou, nesta lista, a característica de banda cheia de intensidade e que a cada acorda dá uma porrada. Audição essencial. Bandcamp.

Foto: Ellen Rumel

Waxahatchee - Ivy Tripp
Ivy Tripp é o álbum mais introspectivo e lento de Waxahatchee. Não é o meu preferido, mas suas qualidades são aparentes. É o disco, musicalmente falando, mais diferente dos outros dois anteriores (American Weekend, 2012 e Cerulean Salt (2013), que se aproxima de uma cadência triste como as letras. Katie Crutchfield, acompanhada por sua banda, fez muitos shows pelos EUA para divulgar o álbum (lançado pela Merge Records) e até abriu alguns shows de Sleater Kinney. A música que destaco é 'Half Moon', que me pegou com seus pianos. Site e Soundcloud.

Worriers - Imaginary Life
Se você me perguntar qual é o meu disco preferido deste ano, a resposta vem muito fácil: Imaginary Life, o primeiro full length de Worriers, lançado pela Don Giovanni Records.

Sinceramente? Não sei como ainda não enjoei, ouvi centenas de vezes. Talvez seja o álbum que mais ouvi este ano, e não por acaso. Estamos falando de um disco redondo, com letras e músicas impecáveis. Não há música "longa demais", que tenha um riff usado em excesso ou um refrão chato. Como o Mama comentou uma vez, a banda "fica cada vez melhor" e o mérito não é ser formada pelo 'creme de la crème' do Pop Punk.

Imaginary Life é um álbum que fala por ele mesmo, que não precisa se ancorar nos integrantes para ser bom. Com letras sobre violência policial ('Yes All Cops'), futuro ('Plans') e gente cínica ('Good Luck'), o disco trata com ironia suficiente o machismo ('Most Space'), as voltas que a vida dá, o 'crescer' e ainda tentar existir sendo punk. É o álbum que mais dancei sozinha, fiz air guitar (e todos 'air' instrumentos) e que me faz lembrar que apesar de duro, esse ano ensinou lições que não vou precisar me foder de novo para aprender.

Não tenho como destacar apenas uma música desse disco, pega ele aí: bandcamp.


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Outros lançamentos que não estão na lista (porque ouvimos muito pouco) e que talvez você goste: Don't Wanna Lose (clipe de Ex Hex), Art Angels (Grimes), Rose Mountain (Screaming Females), Selvática (Karina Buhr).

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Ilutração por: Teenage Micha - Me defino uma ilustradora auto didata de meia tigela,tentando vender minhas artes na praia. Meu amor por ilustração vem de cedo, principalmente meu gosto por anatomia,independente de gênero. Sempre com cautela,buscando ser fiel na representatividade, ainda no caminho da estrada das descobertas. 

Veja mais trabalhos dela, são incríveis: Facebook 

domingo, 3 de maio de 2015

entrevista: High Dive

High Dive por Daniel Ryan Balderas

(Interview in portuguese and english)

Existem bandas que trato apenas no superlativo de superioridade. Não é como se eu quisesse só fazer elogios. É que a banda é tão boa e do coração, que não dá para fugir disso. Percebi isso hoje, ao começar a escrever sobre uma das minhas bandas preferidas, High Dive. Há algum tempo eu e Marcelo entrevistamos elxs e só hoje fui fazer a introdução da entrevista. Tá, faz tempo que entrevistamos, então tenha isso em mente ao ler o post!

High Dive é uma banda, como elxs mesmo se intitulam, "pop queer positive" de Bloomington (Indiana). Os riffs das músicas te levam para longe e quando você percebe tinha um sax ou um piano que deixou tudo mais lindo. As letras falam sobre crescer, se enganar e ser enganadx, sobre querer beijar alguém e ter medo porque alguém pode ver, sobre redenção, sobre ter mais de vinte anos e ser punk. É por essas e por outras que só consigo tratá-lxs no superlativo. É uma banda foda, música medicina!

Em 2011 foi lançado o full lenght "High Dive", que tem clássicos como "Tennessee" e "Thank You". Nesta época, a banda era Toby Foster (voz e guitarra), Ryan Woods (baixo e voz - Defiance, Ohio) e Nick Romy (bateria). Pense na energia de um power trio, com músicas com momentos mais suaves e com guitarras dedilhadas e outros com tudo mais rápido e uma bateria que não dá descanso. Em 2013, o ep "These Are Days" chegou, e com ele Richard Wehrenberg Jr, que acrescentou nas músicas seu vocal, piano e sax. O pop punk com energia está presente, mas agora está mais bonito. É a mesma banda, só que encontrou mais elementos para dizer tudo aquilo que eles dizem.



No final do ano passado eles terminaram de lacrar tudo quando lançaram um ep sem título, mas que falou muita coisa, especialmente porque a Ginger Alford (Good Luck) entrou para a banda nesse álbum. Ela tem aquela voz (e aquela guitarra) que não passa despercebida. Para mim, é uma das vozes mais bonitas do pop punk. Aqui High Dive já está um pouco diferente do primeiro álbum, mas tão bom quanto. Se liga no bandcamp e no tumblr delxs.

Perguntas por Carla e Mama, respostas por Toby Foster. 

Cabeça Tédio (CT) O que me chamou atenção desde o início foi a descrição da banda no bandcamp, que diz que vocês são uma banda pop punk queer positive. Porque para vocês é importante destacar essa característica?

High Dive (HD) Nós nos intitulamos como "queer positive" porque é uma parte importante do porque que nós tocamos música juntxs e o que nós queremos alcançar com essa banda. Mesmo se nem todas as nossas músicas são especificamente sobre questões queer, todas elas são configuradas pelas nossas experiências enquanto indivíduos queers, e nós esperamos dar uma voz e ser capazes de relatar para outras pessoas que talvez nos tenhamos tidos experiências parecidas. 



(CT) O novo ep do High Dive, "There Are Days", traz piano,sax e trompete e soa muito bem, combinando com o estilho Pop Punk. Gostaria de saber se há algo em particular que tenha te dado a ideia, ou te inspirado, para incluir esses instrumentos no ep. E vocês já tocaram alguma música do novo álbum ao vivo com esses instrumentos (ou planejam fazer isso)? Ah, e vocês tocam algum cover nos shows?

(HD) Nós fomos suficientemente sortudos de gravar com um amigo nosso, então nós tivemos mais tempo para tocar e incluir instrumentos e outras partes, o que foi divertido. Agora nós tocamos em 5 (2 guitarras, baixo, bateria e teclado), portanto a forma que as músicas foram gravadas estão bem próximas do jeito que tocamos elas ao vivo. A única música que nós fizemos cover foi "I Think We're Alone Now", de Tommy James e The Shondells. 
(CT) Você pode nos contar como é o processo criativo de criação de músicas da banda?

(HD) É comum eu chegar para a banda com uma música 90% pronta, e aí nós conversamos e tentamos incluir mais partes interessantes e outros vocais. Embora pela primeira vez em um tempo nós todxs moramos na mesma cidade de novo, portanto eu gostaria de começar a trabalhar nas músicas de forma  mais colaborativa.

(CT) Qual é a política do show de vocês? Quero dizer, vocês tocam apenas em espaços queer positive ou tocam também em outros espaços?

(HD) Eu não acho que nos tenhamos um padrão específico dos shows que nós tocaríamos e não tocaríamos. Nós todos temos tocando pelos Estados Unidos por muitos anos, então nós conhecemos os locais onde nós estamos nos metendo, e é muito raro que nós nos encontremos sendo mal acolhidos por causa das nossas políticas ou estilo de vida. 



(CT) “Tennessee”, música do primeiro álbum da banda, fala sobre homofobia e crescer, e parece haver uma história por trás da letra. Há alguma? Você nos contaria um pouco sobre? E o que você poderia dizer aquelxs que estão lutando com a homofobia e com a pressão de amigxs que solicitam que hajam de uma certa maneira?

(HD) Bom, a música foi inspirada pelo projeto "It Getts Better", que foi iniciado por Dan Savage e basicamente busca levar a mensagem para a juventude queer que as coisas ficam melhores na medida em que ficamos mais velhxs, especificamente em consideração a forma que as pessoas te tratam por ser queer. Eu ouvi várias críticas ao projeto, dizendo que é muito simples sentar e esperar, é uma abordagem muito passiva para combater a homofobia, e embora eu acredito que algumas das críticas sejam válidas, eu também acho que para mim, naquela época, e para várias pessoas jovens e queers, a luz no fim do túnel é clara o suficiente para te fazer querer continuar. Tendo dito isso, ainda existem momentos que eu me sinto desconfortável, e aonde eu sinto como se as coisas não tivessem melhorado tanto, e essa música é sobre lidar e superar essas inseguranças. 


Clipe de "Untouched", do último ep do High Dive


(CT) O que é necessário mudar na comunidade punk/queer/faça você mesmo para que respeite e seja amigável aqueles que não fazem parte de um grupo privilegiado?

(HD) Hmm... Eu não tenho certeza se eu realmente sei a resposta para isso, infelizmente.


(CT) Falar sobre comunidade é algo constante nas letras do High Dive. Porque comunidade é um conceito importante na prática faça você mesma? Quais ações são necessárias para criar uma comunidade que respeite e seja amigável à todxs?

(HD) Bom, eu acho que a razão de muita gente se interessar no "punk" é porque estão infelizes com o jeito que o mundo funciona, e querem tentar melhorar isso. Mas para melhorar, eu acho que você precisa começar pequeno e ter um grupo forte de pessoas que te apoie, para que você possa confiar e e importar com eles, e você pode começar a construir daí. 

High Dive por Chris Eaves

(CT) Qual é a melhor coisa de fazer parte de um grupo de pessoas que são amigas e podem criar algo forte e grande juntas?


(HD) Ter um grupo de amigos forte e que te apoie e que te dê a confiança para ir em frente com novos projetos e ideias. High Dive tem muita sorte nisso, nós estamos todos realmente tentando fazer com que grande ideias aconteçam, tanto com nossas bandas quanto nas nossas vidas pessoais. 

(CT) Quando eu ouço High Dive eu me divirto e fica fácil ignorar as coisas chatas que estão ao meu redor, se eu escolho fazer isso. Não que essas coisas ruins vão desaparecer, mas o som me dá um estado de espírito melhor para lidar com isso. Geralmente melhora o meu humor. Como vocês se sentem tocando suas músicas?

(HD) Eu acho que vários temas sobre os quais eu escrevo tem algo de "As coisas estão meio ruins, mas elas estarão okay, e existem várias coisas boas também" e acho que quanto mais eu as canto, mais eu me sinto desse jeito. Eu estou contente de ouvir que você sentiu algo parecido. 





(CT) O Hardcore Melódico e o Pop Punk em suas raízes são famosos por ter letras misóginas e sexistas. Por outro lado, atualmente, há muitos queers, mulheres e trans, folks, no genders, fazendo Pop Punk e dando um novo significado a ele. Sabendo que vocês são uma parte dessa mudança e viram isso acontecer, porque isso aconteceu, na opinião de vocês?

(HD) Eu não sei se eu sou qualificadx para responder essa pergunta. Eu não ouvi muitas bandas punk ou poppunk quando eu era mais novo.


(CT) Toby e Ryan são donos de um restaurant VEGetariaANO chamado The Owlery, certo? Você poderia nos contar mais a respeito?

(HD) Bom, nós começamos o restaurante porque é o tipo de trabalhos que nós gostamos, e parece que é um jeito honesto de se sustentar. Eu não sei se nós cobrimos uma agenda política, mas nós tentamos criar um ambiente positivo de trabalho aonde as pessoas se sintam valorizadas e possam lucrar mais do que elas lucrariam em um primeiro emprego.


(CT) Ok, muito obrigado por ter respondido nossas perguntas. Esperamos que não tenha sido muito confuso, como algumas perguntas podem ser. Vocês querem dizer mais alguma coisa?

(HD) A única pessoa que eu conheço do Brasil é o meu amigo Victor, que se mudou para lá há alguns anos. Ele tem falado conosco sobre talvez ir para o Brasil algum dia, o que eu acho que seria incrível.

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English

Cabeça Tédio (CT): One of the first things that got me was the band’s description on the bandcamp page, stating that you are a pop punk queer positive band. Why do you feel it is important to put it there? Is it just because that represent yourselves, or do you felt that’s important for other reasons also, such as lyrics interpretations and/or for a greater political stand with your sounds?


High Dive (HD): We self-describe ourselves as "queer positive" because it is an important part of why we play music together and what we hope to achieve with this band.  Ever if not all of our songs are specifically about queer issues, they are all shaped largely by our experiences as queer individuals, and we hope to give a voice to and be able to relate to other people that might have had similar experiences.
High Dive por Daniel Ryan Balderas

(CT) High Dive’s new ep, “There Are Day’s”, brings piano sax and trumpet and its sounds amazing and suits pop punk style. I wanted to know if there’s any particular thing that gave you the inspiration/idea to do so. And do you played some song of the new album live with these instruments (or plan to do so)? Oh, and do you play any cover in shows?

(HD) We were lucky enough to be able to record with a friend of ours, so we had more time to play around with adding instruments and parts, which was fun.  Right now we play as a 5-piece (2 guitars, bass, drums, keyboard), so the way those songs are recorded is pretty close to how we play them live.  The only song we've ever covered is "I Think We're Alone Now" by Tommy James and the Shondells.  It's also recorded on the first album we put out.

(CT) Could you tell about the process of creating the songs inside high dive? Is there anything different that you feel that you do or a different state of mind you get in?

(HD) Usually I will come to the band with a song that's 90% finished, and then we'll talk about it and try to add more interesting parts of other vocals.  Although for the first time in a while we all live in the same town again, so I would like to start working on songs more collaboratively.

(CT) What’s your show politics? I mean do you only play on queer positive festivals/shows/spaces, or do you try to get your message out there on what might be considered unstable places? Do you feel it’s important to do so?

(HD) I don't think that we have a particular set of standards for which shows we will and won't play.  We have all been touring in the U.S. for a lot of years, so we pretty much know what we are getting into wherever we go, and it's pretty rare that we find ourselves unwelcome because of our politics or lifestyle.


(CT) “Tennessee”, song from the band’s first album talks about homophobia and growing up and it seems to have a story behind the lyric. There is? Would you tell us a little about it? And what could you say to those who are struggling with homophobia and with friends requesting to them to act in a certain way?

(HD)
Well, the song was inspired by the It Gets Better Project, which was started by Dan Savage and basically aims to get the message out to queer youth that things get better as you get older, specifically in regards to the way that people treat you for being queer.  I have heard a lot of criticism of the project, saying that to simply sit and wait is too passive of an approach to combating homophobia, and although I think some of that criticism is valid, I also think that for myself at that time, and for a lot of queer youth, the light at the end of the tunnel is bright enough to want to keep going.  That being said, there are still times that I feel uncomfortable, and where I feel like things haven't gotten that much better, and dealing with and overcoming those insecurities is what the song is about.

(CT)  What have to change in punk/queer/diy community to be more respectfull to those that aren’t part of a privileged group?
(HD) Hmm... I'm not sure that I really know the answer to that, unfortunately.

(CT) One constant in High Dive’s lyrics is the discussion of community. Why community is an important concept to DIY practices? What actions are important to create a community that’s respectful and friendly to everyone?

(HD) Well, I think that the reason a lot of people get interested in "punk" is because they are unhappy with the way the world works, and want to try to make it better.  But in order to make it better, I believe that you need to start small, and have a strong, supportive group of people that you can trust and that you care about, and then you can start to build from there.

High Dive por Daniel Ryan Balderas

(CT)  What’s the best thing about being a part of a group of people that are friends and are able to create something strong together?

(HD) Having a strong group of supportive friends can give you the confidence to go forward with new projects or ideas.  High Dive is very lucky in that we are all really into trying to make big ideas happen, both with our band and our personal lives.


(CT) When I listen to High Dive I feel like having lots of fun and that is very easy to ignore bad things around me if I choose to, not that these bad things will go away, but that I bring myself on a better state of mind to deal with them. It usually puts me in a better mood. How do you feel when you lay this songs?

(HD) I think a lot of the themes I write about are something along the lines of "Things are kind of bad, but they will be okay, and there are a lot of good things too," and I think the more times I sing them, the more I really feel that way.  I'm glad to hear that you have felt something similar.

(CT) Melodic Hardcore and Pop Punk in its roots are famous for having misoginy, sexist lyrics. In the other hand, nowadays, there are plenty of queers, woman and folks making pop punk and giving a new sense for it. Seein’ that you are a part of that change and saw it happening, why do you think that happened? It was something that felt natural between people trying to base this sense of community and a more politicized scene inside the diy, or was something the continuation of a struggle, such as we’ve seen with the Riot Grrrl movement for example.

(HD) I'm not sure if I'm really qualified to answer that question.  I didn't get into a lot of older punk or pop-punk music when I was younger.

High Dive por Garret Walters

(CT) Toby and Ryan owns a vegetarian/vegan restaurant called the Owlery, right? Could you say more about it? And still on this subject, how do you feel queer and vegan issues are related? Do you try to expose this with the restaurant/band more openly? Do you have strategies on taking these issues to other people who might not realize a connection between intolerance on gender/sexuality, animal exploration and even capitalism for that matters?

(HD) Well, we started the restaurant because it is the kind of work we like, and it seems like a pretty honest way to try to make a living.  I don't know that we have any overarching political agenda, but we try to create a positive working environment where people feel valued and can make more than what they would make at a minimum wage job.


(CT)
Ok, thanks a lot for taking the time to answer us! I hope it wasn’t very confusing, as sometimes questions can be. Do you have anything else that you want to say? Please feel free tto talk about anything in your minds.
(HD) The only person I know in Brazil is my friend Victor, who moved there a couple of years ago.  He has talked to us about maybe someday going on tour in Brazil, which I think would be amazing.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Mixtape#12: Melhores de 2014


Foto: Downtown Boys
Nada melhor do que começar o ano com uma nova mixtape! Foi a lista dos Melhores de 2014 que pautou a seleção da Mixtape #12: Melhores de 2014, que é justamente com as bandas da lista. Hardcore, lo-fizeira, eletropunk, pop punk: tem sons para todos os momentos na tracklist. Pode aumentar o som e chamar azamiga pra dançar!


Tracklist 

01. Hysterics - Outside In
02. Downtown Boys - Haz Algo
03. Trash No Star - How Are You
04. Fleabite - Maybe Call Me
05. MEN - Making Art
06. Sleater Kinney - Bury Our Friends
07. Lily Richeson - Fast or Slow
08. Parasol - At Bay
09. High Dive - Seventeen
10. Martha - Bubble In My Bloodstream
11. VYVYAN - That's Not The Way We Do Things Anymore

Mixtape #12: Melhores de 2014 - Download


sábado, 3 de janeiro de 2015

Retrospectiva: Melhores de 2014

Bandas, discos, clipes, banda revelação, melhor show: tudo girlcentric! 


Por Carla Duarte


Já passou da hora da nossa lista dos melhores de 2014! Eu e Nandolfo compartilhamos com vocês a nossa lista, que é o crème de la crême do que lemos, vimos e ouvimos, lançado no ano que passou. O formato da lista é igual a outra que fizemos: cada uma com suas categorias. O critério é o de sempre: produzido por mulheres (cis e trans), feminista, elegêbetêtêtê. Bora?! 









Melhor banda
Parasol (Boston, Massachusetts,EUA)

O álbum Not There, lançado em janeiro, me conquistou na primeira ouvida. Com um ritmo uniforme, o disco mantém a sonoridade da banda, com riffs abafados que se conectam com a bateria e dão espaço pros solinhos que casam com a voz da Lily harmonicamente. Quanto mais ouvi, mais gostei, e acho que deve ter sido o lançamento que mais ouvi no ano. Minha música preferida é "At Bay", a baladinha que toda vez que eu ouvia dava uma dançadinha. As músicas, o posicionamento político e as letras fofas: tudo me faz gostar desse álbum. Ouça já!



Melhor disco
"EP", High Dive (Bloomington, Indiana, EUA)


É uma das minhas bandas preferidas? Sim. Tem o Toby Foster? Sim. Se a Ginger Alford entrou para a banda nessa gravação? Com certeza. É por essas, e por outras já vou falar delas, que o EP lançado em setembro pela Yoyo Recs me ganhou. Além da Ginger (Good Luck), Richard Wehrenberg Jr também entrou para a banda, que deixou de ser um power trio para ter cinco pessoas. O grande diferencial do álbum é o vocal, que agora Toby compartilha com a Ginger, que também toca guitarra. A voz dela é foda, e deu muita vida para as músicas. Claro que esse disco não é ótimo por acaso, não dá para serem ruim músicas feitas por quem toca/va no Defiance, Ohio e Good Luck. Claro, os pianos do Richard também deram outra sonoridade, que nesse disco diminui a velocidade e a "crudeza" dos sons. O álbum tem apenas cinco canções, e Seventeen é a minha preferida por motivos de "And i am getting used to growing up / but i still believe in the same things that i did when i was seventeeeen". Cheia de amor, essa música descreveu onde me encontro e foi muito reconfortante nos dias em que as responsabilidades e o "crescer" pisaram na minha cabeça. Quando o que queria era voltar no tempo, só um pouquinho. Ouça o álbum e assista o clipe de Untouched.



Melhor clipe
Making Art, JD Samson & MEN (Nova Iorque, EUA)
Como eu sou punk, vou quebrar uma regra porque. Making Art, de JD Samson & MEN, foi lançado em outubro de 2013, mas recentemente não encontrei outro mais bacana que esse. Não é novidade que MEN lacra muito nos clipes. Um réptil maravilhoso que não sei o nome se souber me conta? é a primeira imagem, e no fundo JD canta "my friends are making art and i wanna", como quem mostra para a sua comunidade o quanto ela é incrível. Conceitual, o vídeo - que mostra o processo de construção de algo - me fez pensar em todas as minhas amigas que mudam o meu mundo com o que criam. A música é incrível e só reforça a qualidade da banda. Em 2013, foi lançado o último álbum do MEN, Labor.





Melhor show
Trash No Star no Mais Rock, Mais Bichos (show em Volta Redonda, banda do Rio de Janeiro)

Trash No Star é uma banda lo-fizeira, garageira, com sujeiras, distorções no talo e músicas curtas. O show delas foi tudo isso só que elevado até a décima potência. As músicas são fodas, o show tinha um clima ótimo, mas nada foi mais massa do que ver uma banda que toca com vontade e que está presente. Sem afetação, sem palhaçada e com muita simpatia. A cereja do bolo foi o cover de One More Our (Sleater Kinney) fiel à sonoridade da TNS, que destruiu tudo. Só sobrou muito suor e amor. Quando esse power trio do Rio de Janeiro tocar na sua cidade faça esse favor a você mesma: cole!
O último lançamento deles é "Stay Creep (No) Summer Hits", do ano passado. How are you?, Miss me e Misses Digger são as melhores (difícil escolher uma só).


Melhor vocalista
Stephie Crist (Hysterics)


Falo até umas horas de pop punk, mas meu coração bate forte, há anos, pelo hardcore punk. Foi assim que me meti nisso tudo, inclusive. Stephie Crist e seu vocal rasgado, gritadeiro e potente é bom desde sempre. Mas no EP Can't I Live? está ainda melhor, com seus gritos rasgados que embalam riffs, solos e deixam qualquer um com vontade de pogar. Lançado em 2014 pela M'Lady's Recs, não poderia deixar de falar do Hysterics, que representa as punks feministas no role hardcore punk. Please Sir é o som mais foda, e se ainda não ouviu, vemk.




Banda revelação
VYVYAN (Bloomington, Indiana, EUA)

Punk com pegadas pop, folk e uma pitadinha country. Um baixo que é uma lindeza e a pepita de ouro que é a voz da Garret Walters. Bastaram apenas quatro músicas para eu passar mal com VYVYAN, que é da terra em que banda boa parece ser uma regra. A sinceridade das letras junto com as músicas formam algo lindo demais. Queria ouvir um full lenght deles logo, mas enquanto isso não rola, a demo fica no repeat. Parece ser injusto dizer qual é a melhor música, mas a minha preferida é Saint Mary's River. Ouça!!




Zines de 2014 que recomendo
Bikini Kill, O Viés, XXX, Manzanna*, Ciborgue de Pele, Liturgia das Bruxas, Vênus e Gata Pirata


Bikini Kill, zine-homenagem com colagens e desenhos da Jessica Nakaema. Ela também faz O Viés, com Régis Bezerra. Esse é recheado de colagens fodas. Com cinco volumes de quadrinhos feitos por mulheres, impresso em gráfica e com qualidade profissa, indico o zine XXX, que marca o boom da cena dos fanzines de quadrinhos feito por minas. O zine de papel craft é da Manzanna, e tudo que li dela até hoje gostei bastante. Essa publicação tem  desenhos incríveis que retratam questões existenciais e misantrópicas. *O zine não tem nome, mas para identificá-lo citei o nome da autora.  Ciborgue de Pele, da Halina Gricha, é uma viagem pela saudade feita com a ajuda de Donna Haraway, que samba na cara da heteronormatividade. É cheio de coração. Liturgia das Bruxas e Vênus, são poderosos. A liturgia é uma profanação de sororidade, com desenhos em aquarela gatos demais. Vênus é sobre garotas que despertam a vontade de fazer coisas proibidas. Ambos feitos pela Desalineada (Aline Lemos), e você precisa comprá-los logo. O Gata Pirata, da Maiara Moreira, mistura desenhos e textos que falam sobre olhar para você mesma e se reconstruir. E sobre a importância da amizade entre mulheres nesse processo, é bem lindo. Não sei se ele é de 2014, mas entra para a lista mesmo assim. E se você me perguntar quais zines eu fiz em 2014 eu te digo: o Histérica #3 e o Ainda Não. E deixando um comentário você pode comprá-los ou fazemos uma troca.


Melhor música
Bury Our Friends (do álbum No Cities To Love, Sleater Kinney)
Essa foi a primeira música do Sleater Kinney divulgada após o hiato de 10 anos. Não preciso mais dizer porque é a melhor música, é apenas o primeiro som divulgado depois de uma década de não músicas de Janet, Corin e Carrie. Ouça, logo!!








Melhor banda 
Downtown Boys (Providence, Rohde Island) 

Quando ganhei a demo dels no meio do ano já tinha ouvido falar do entusiasmo em torno da banda. Afinal, é punk com saxsofone, né gente! Punk político e latino numa cena branca também política, mas que ainda parece ser separada. Shows fodas, interação público-banda, tudo aquilo que faz uma banda ser considerada a melhor do ano. E ainda não falei da Victoria Ruiz, vocalista da banda, que é encantadora e passa uma força enorme, pela vivência e pela forma como apresenta a banda. Há quem a considere a KH de hoje. Foda? Sim! E sim, é a melhor banda do ano, né! Ouça, ouça! 





Melhor disco
Courting Strong da banda Martha (Durham, UK)

É um disco de trajeto. O melhor disco de trajeto desse ano. Me acompanhou um semestre inteiro e assim consegui ouvir cada faixa como se deve. Tem balada, reefs poppunks, pianos na intro, tudo isso acompanhado de guitarrinhas sem distorção e vocais fodas da Naomi, JC, Daniel e Nathan (esses dois da ONSIND também). Esse é um disco que não perde o pique, músicas sobre amores queers, pessoal-político, um clima anarco e uma brisa pop daquelas que te faz sentir bem por ter uma relação mínima que seja com tudo isso. Disco ótimo pra ouvir numa viagem entre cidades, numa visita a uma amiga querida que te faz falta nos dias. Ouça aqui! 



Banda revelação
Fleabite (Boston, MA)
Gente, não é banda nova. Acho até que foi criada no final de 2013, por aí. Mas comecei a acompanhar com o lançamento da demo Over It, no primeiro semestre desse ano. Grunge, punk, pop, distorção e gatxs. Misturinha ótima, que me fez voltar a ouvir música com distorção nas alturas depois de ter abraçado as guitarras suaves.  A banda é de Boston e fazem parte a Chelsea, Ali (da Tomboy e Springsteen) e Vick (da Peeple Watchin e Parasol S2!!). Mas pelo que li a Vick saiu, por ter mudado de cidade. Enfim, melhor novidade pra mim que espero virar melhor banda. Ouça!! 




Melhor projeto solo
Lily Richeson 
(Boston, Massachusetts,EUA)
 
Passei um bom tempo da minha vida ouvindo música feita apenas com guitarra, voz e sentimento. É o tipo de música que explora mais que a sonoridade, notas e melodias. Eu aprendi muito de mim com a energia que a música feita com alma passa e sempre quando ouço o projeto solo da Lily Richeson me volto a mim e a uma parte da minha vida. Reverb, coração e o peso de uma vida estão aqui. Recomendo muito! Ouça.



Zine de 2014 que recomendo
Sentidos Transmutados em Textos (de Bianca Amorim, Serra, Espírito Santo, Brasil)


Esse ano passou com poucos zines por aqui, não consegui acompanhar um sequer, nem mesmo procurar por novos. Mas no finalzinho do ano recebi um que me encantou, muito por eu ter estado “por perto” enquanto estava sendo feito. Sentidos transmutados em textos é um zine de poemas/inquietações feito pela Bianca Amorim, no melhor estilo zine punk. Corta e cola muito bom, gosto do jeito como foram feitas as colagens. E ler as impressões que o mundo deixa nela me faz pensar nas minhas próprias, de uma forma bem amiga. Ela escreve de uma forma única, sempre digo que há uma identidade muito boa ali. Nunca acompanhei um zine nesse formato, mas não vejo a hora do número dois sair. Para saber um pouco mais é só escrever pra ela: sentidostransmutadosemtextos@hotmail.com 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Mixtape #9: Mais Pop Punk

Quebra-cabeça das bandas pt I

Há um ano atrás, nós postamos a Mixtape#8: Pop Punk eita que o tempo passou rápido, para mim, tinha bem menos tempo.Pouco tempo depois, eu,Nandolfo e Marcelo nos animamos em fazer uma outra mixtape só com Pop Punk, porque curtimos muito a primeira. Organizar o tempo para dar conta da vida toda é foda, né? E é por isso que não estou conseguindo atualizar tanto o blog. Ainda assim, vou ouvindo meus pop punks e aprendendo a dar conta de várias coisas ao mesmo tempo.

E com as frustrações da vida adulta - e vai, as partes boas também - vou descobrindo mais bandas. E já era, preciso compartilhar com vocês. O critério da Mixtape#9: Mais Pop Punk foi selecionar bandas de (ou que tenham) mulheres, queer/próqueer, feminista e que não tenham participado da mixtape anterior. Enfim, bandas que tornem as minas visíveis tipo, é o mesmo critério de sempre desse blog. Para a Mixtape#9: Mais Pop Punk escolhemos 13 bandas que honram o rolê. Uma pena que todas sejam dos Estados Unidos e que ainda - pelo menos que eu conheça - não tenham tantas bandas nessa pegada no Brasil. 


Quebra-cabeça das bandas pt II

Temos o tradicional Pop Punk fofolete, com vocais açucarados e riffs grudentos, da Very Okay, Crabapple, Sourpatch, Very Happy e All Dogs. Mas o primeiro som é aqueles que são tão fodas que merecem um cupcake de chocolate junto. Tô falando do som "Speech Patterns" do maravitudo Toby Foster. Os vocais de minas com voz mais arranhada e que dá vontade de ouvir até umas horas também estão rolando, com Slingshot Dakota, Hop Along, Good Luck, This Is My Fist, VYVYAN, e The Measure (SA).Se liguem: quem baixar a mixtape vai conseguir ouvir "Cynthia Ann", som do Sourpatch. Como deu um erro no 8track, essa música linda não subiu pra mixtape online.


Nesse um ano, aconteceram umas coisas né? O Mamá não escreve mais no blog por motivos de indo para gringolândia e vida acontecendo demais. O Nandolfo tem uma filhota amada demais e está fazendo um zine novo. Então em breve vamos lê-lo novmente. Eu estou com um zine novo e com o Witchcraft Collage, em que faço colagens com a talentosa Laíza Ferreira. Eu sei que estou falando demais, maaas.. fazia tanto tempo que não postava. Estava sentindo falta. Para quem leu até aqui sem cochilar, valeu :)
E sem mais palavras, bora se viciar no pop punk que não é de macho? 



Foto de um show do Hop Along


Tracklist Mixtape#9: Mais Pop Punk

01 - 
Toby Foster - Speech Patterns
02 - Very Okay - Where Do You Go 
03 - Sourpatch - Cynthia Ann 
04 - Crabapple - By Your Side
05 - All Dogs - Love Song
06 - 
Hop Along - Tibetan Pop Stars
07 - 
Slingshot Dakota - The Golden Ghost
08 - Good Luck - Novel Figure   
09 - VYVYAN - Saint Mary's River
10 - Very Happy - May Day
11 - This Is My Fist - I'm Not Even Trying
12 - The Measure (SA) - Drunk By Noon
13 - RVIVR - Wrong Way, One Way