sexta-feira, 31 de julho de 2009

redirecionando: Macos Sem Deus zine

O rock em Resende acabou. Yeap, os roqueiros acabaram com tudo. Já tinha ido embora então nem vi o babado, mas deixo aqui a postagem feita pela Ive Moco* sobre o evento:

Tamborete apresenta em Resende RJ como foi?





"Antes de chegar à confusão que foi o final do evento (que felizmente não cortou o show de ninguém) e à notícia de que a Subterranea Produções e a Zombie Crew não farão mais eventos nos moldes que têm sido feitos, devo falar do TAMBORETE APRESENTA. É um evento itinerante promovido pelo selo carioca Tamborete (de Leonardo Panço, músico e jornalista) em parceria com a também carioca Frequência Zero Produções. O Jr Abreu (da banda Os Abreus) entrou em contato querendo trazer esse rock pra Resende. Data acertada, o MSD Zine e a Subterranea Produções ajudaram a fazer esse rock por aqui, em 25/07.

Alguém em algum momento chegou a dizer que de acordo com o calendário Maia, em todo o ano há um dia que está fora do calendário e nesse dia tudo dá errado. Adivinha qual era o dia neste ano? Felizmente nem tudo deu errado, mas eu chego lá.

Resolvi não montar stand da Puppet’s dessa vez pra poder ficar mais livre pra tanto observar o evento e tentar escrever uma resenha, quanto pra ajudar as bandas em alguma coisa e preservar o horário, o máximo possível, de cada um, já que a direção da casa pediu que o show não fosse até muito tarde. Sabe como é, é Rock.

As bandas que participaram da sexta edição do Tamborete Apresenta foram: Elasticdeath (Resende RJ), Ricto Máfia (Resende RJ), Os Abreus (RJ) e Halé (RJ). Desde já agradeço demais a presença de cada banda!

Seguramos um pouco o início dos shows porque as pessoas só começaram a chegar lá pelas 19:30. É uma cultura muito ruim essa de chegar uma hora (ou mais) depois do marcado para o início do evento (no caso, 18:00). Isso atrasa o evento todo (pois não queremos que a primeira banda toque pra ninguém), este não termina no horário combinado, a vizinhança reclama do barulho até tarde da noite e... adivinha?

A primeira banda foi a Elasticdeath, de Resende RJ. Eles fazem um hardcore com influências de Tokusatsu (filmes live-action japoneses, como Jaspion e Jiraiya) nos temas das músicas. Robin, que mesmo com a mão machucada não deixou de tocar, Caio normalmente tão quieto que não sou a única pessoa a ficar um pouco impressionada quando ele grita, e Nicolas, batera canhoto e rápido, tocaram músicas da demo Monster Inside Us e 3 covers: WWF Rematch at The Cow Palace, Zodiak (Spazz) e Where is Jollibee? (Hoy Pinoy).

Termina a leitura no blog do MSD zine.

*Ive Moco é vocalista e guitarrista da Ricto Máfia, editora do Macacos sem Deus zine e organizadora de shows independentes.

domingo, 26 de julho de 2009

True Lies: algumas capas da quinta edição

As últimas capas que fiz pro True Lies. Como tem saido pouco tenho conseguido fazer uma diferente da outra.








terça-feira, 21 de julho de 2009

Faca Cega entrevista Jesus Mongolóide

Essa entrevista foi publicado em 2004, no Faca Cega, editado pelo Ruivo.

Eu não tenho qualquer participação nisso, ESTOU APENAS REPRODUZINDO O CONTEÚDO porque gosto do zine, da banda, e sei que o Fernando ouve o split com o Garrancho em Lápide semanalmente.
Estou apenas reproduzindo.
A entrevista está disponível na página do Faca Cega e no myspace do Jesus Mongolóide. (Eu não me canso de escrever Jesus Mongolóide, Jesus Mongolóide, Jesus Mongolóide!)

Curitiba, proveniente do meio punk que deu origem
a bandas como White Chirstian Disaster, Pluto, Morte Asceta e Garrancho em Lápide, entre muitos outros clássicos da cena punk nascida em meados dos anos 90, dois milênios depois da primeira aparição, com vocês: Jesus Mongolóide, o retorno do Messias.


Jesus, como você se virou no tempo de sua encarnação, já que não havia ainda uma "Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais"? Ou havia?

Chico- Ruivo, cara, a idéia de Jesus Mongolóide é puramente ilustrativa, não é uma pessoa de verdade, sacou? Ela quer dizer tipo, que essa coisa da religião institucionalizada, e do cristianismo de uma forma geral, não necessariamente enquanto uma espiritualidade, mas mais tipo como uma coisa que empurra um padrão moral goela abaixo das pessoas não tá com nada. É tipo coisa de retardado, ta ligado? Além é claro, de ser um nome punk bacana tipo Dead Kennedys ou Millions Of Dead Cops.

No fim de 2003, eu vi um ensaio de vocês, achei ótima a idéia de uma banda de hardcore com pouca distorção; era uma certa volta ao Teen Idles. Já na fita (split com Garrancho em Lápide) aparece uma distorção maior, mais próximo a um Black Flag do começo. Porque a mudança?

Chico: A distorção na fita tem mais a ver com o jeito que a gente gravou, usando um amplificador pequeno e o jeito que ele foi microfonado, no fim das contas, como ficou parecendo Reagan Youth, ninguém reclamou, mas ao vivo continua o mesmo cavaco de sempre.

No hardcore/punk inovar tem quase se tornado um sinônimo de tocar mais rápido e/ou mais pesado. É possível tocar não tão rápido ou com uma afinação em "mi" sem se tornar repetitivo? Qual seria um caminho para fugir da mesmice?

Chico- Eu não acho que tocar música implica necessariamente em evoluir, ou inovar. A gente tirou a distorção e fez esse tipo de som, porque a coisa que mais teve a ver pra todo mundo na banda é hardcore dos anos 80 e punk rock, então tinha a ver fazer isso com o som. Mas não era pra ser nenhum comentário sobre o estado da arte dentro do hardcore, foi só alguma coisa que nós queríamos fazer: tocar punk rock direto e
simples parecido com aquelas bandas que a gente ouve (SOA, Necros, Dicks...)
e pronto.

Como vocês entraram em contato com o punk rock?

Shu- O primeiro punk que eu vi na vida era um cara que morava perto da minha casa, o Vexame, todo mundo tinha medo dele por que o cara não se vestia igual a nenhum outro moleque da época, sempre de cara fechada, era encrenqueiro, usava um monte de facas na roupa, o skate dele tinha uns Grabber de ferro e por aí vai. Daí depois de vários
anos eu comecei a escutar Ramones e aí comecei a fazer aula de bateria pra fazer uma banda, fiz uns seis meses de aula e não aprendi nada, mais alguns se passaram e acabou que minha primeira banda de verdade eu tocava guitarra, essa banda era o White Christian Disaster.

Chico- Ouvindo sex pistols e ramones, e depois fazendo minha própria banda punk. Mas a coisa que mais me inspirou foi ver o White Christian Disaster ao vivo e ler o Apocalipse Wow, então de certa forma to passando pano pro Shu aqui, ui!

Quais mudanças perceberam em seu modo de agir e encarar as coisas dentro do punk?

Chico- O hardcore-punk me colocou em contato com várias coisas que eu não sei se pensaria vivendo uma vida "normal". Coisas tipo liberação animal, sexual, e a conexão entre todo tipo de exploração dentro do capitalismo. E mesmo tocar em uma banda punk é uma experiência diferente por envolver fazer sua própria música sem precisar tocar por dez anos um instrumento, falar o que se tem vontade sem agradar ninguém, organizar seus próprios shows, etc. Isso pode parecer uma coisa garantida,
mas é bastante diferente de ser um cidadão exemplar, ou pelo menos deveria
ser.

Julia, como é ser menina em uma comunidade onde predominam homens? Porque há tão poucas meninas neste meio?

Julia: Quando eu pego um ônibus carregando meu baixo tem uns idiotas que reparam, que acham grande coisa uma menina que toca rock, e dependendo do show, do ambiente, isso acontece do mesmo jeito, mas nos shows que nós mesmos organizamos eu não sinto essa mesma pressão e eu nem preciso me importar tanto com essa questão de gênero.

Jesus, você se viu no cinema? Mel Gibson fez um bom trabalho? Quem matou você de fato?

Chico: Então, a gente nem viu esse filme ai, mas ia ser legal chamarem o Mel Gibson pra dirigir algum filme sobre a Primeira Guerra Mundial, porque ia ser muito gore.

Depois que nós te socarmos, você oferecerá a outra face e nós o socaremos outra vez. O que você vai fazer então?

Chico e Shu: Disposição pra bater qualquer um tem,eu quero ver é disposição pra apanhar.

Você tem inimigos? Quem são? Você consegue amá-los?


Chico- Hmmm, parafraseando o Mário: mate o Jesus Mongolóide dentro de você!

Existe alguma novidade e/ou lançamento previsto?

Chico- Chuck pretende gastar tempo e dinheiro em uma parada chamada de Buraco de Cu Pretensioso, uma barca furada que pretende lançar música punk de qualidade de forma independente. Também estamos falando com nosso amigos do BUSH sobre fazer um split compacto limitado, e vai saber se isso aí vai dar certo... mas quem quiser nos escrever mande cartas.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

resenha: Pauta Lixo


Pauta Lixo é o novo zine do Fernando, além desse ele faz com John o Distorção. Segue a resenha que fiz do PL, aqui pro blog.
Acho que a capa do PL é de longe uma das minhas preferidas desses zines que tenho lido. Falando assim até parece que leio muitos zines novos. 2009, pô!
Claro, eles devem estar sendo produzidos, mas o Brasil é grande, não é verdade? Voltando..
A capa passa sensação de movimento, de energia. Não quer chocar, conscientizar, revoltar, entediar. A capa é uma ação. E como as águas daqui andam paradas, a capa chacoalhou, é boa de olhar. Diversão, sabe? E o contraste da Farrah no skate com o nome do zine, parece que está dizendo foda-se. A diagramação do zine é simples e organiza as três entrevistas: com os curitibanos do Teu pai já sabe?, com os capixabas* do Distúrbio Social e com a garota por trás do site Skate para Meninas, Evelyn Line.

As perguntas feitas para o Teu pai já sabe? São importantes, elas retomam a discussão sobre a homossexualidade e suas consequências, como por exemplo, o preconceito e ódio que sofrem e que algumas vezes resultam em morte. São importantes também porque além de abordar um tema importante ela é feita buscando uma resposta real. Não busca soluções, discurso ou sabedoria e sim perceber de como essas relações desiguais, de como as coisas são fudidas. Um zine em plena era do blog falar disso tudo é importante, trazer a política de volta e trazer o desconforto pro punk. Tem que haver algo mais além de óculos estilo 80, vinil raro e belas tatuagens.
A minha maior impressão do PL foi essa, de trazer simplicidade e de falar do que é importante. Com 20.000 blogs para 5 (bons) zines, isso é fundamental. Se somos os últimos a fazer zines a obrigação de fazer bem feito é maior. E não estou decretando a morte de zines nem nada disso, eu não sou da câmara.

O Distúrbio Social é Jean, Marcos e Bianca, eles se organizaram para organizar shows m Vitória. Parece que a "chama continua acesa" (sempre não gostei, e não gosto, dessa expressão) além dos zines do Fernando e do John tem o Distúrbio Social, tem o Heitor Riguette registrando os shows, os capixabas continuam produzindo as coisas. O primeiro show organizado por eles teve debate sobre homossexualidade, exibição de vídeo, além disso o show foi numa boate GLS. Eles se organizaram bem e espero ir em algum show organizado por elxs.


O Skate para meninas além de ser o maior veículo de divulgação e informação sobre o skate feminino organiza o "Skate para meninas street show", ele é "o único campeonato com estrutura profissional que junta tantas skatistas", disse Evelyn Line. O senso comum já absorveu o universo feminino (seja lá o que isso for e signifique) de maneira que é natural que garotas andem de skate, mas é raro noticia-las na grande mídia. Campeonatos, skatistas que foram pra gringa, não me lembro de muitas notícias na tv sobre essas garotas. O zine ainda tem resenhas e textos. Não deixe de pegar a sua cópia! (ou deixe, o problema é seu).

* "Capixaba Adj. m+f. (tupi kopisáua). Anat. Natural de Vitória, capital do Espírito Santo. Subs. m+f. Relativo ao Estado do Espírito Santo. Subs. m. Apelido extensivo a todos os naturais do Espírito Santo. Fonte: dicionário online Michaelis"

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Destemidxs




Dois corpos e Carla Vanessa e mais uma pessoa que não sei quem é se juntaram num blog: destemidxs. Se você conhece algo deles ou presta um pouco de atenção na palavra já pode imaginar o que será abordado: VEGetariANISM, feminismo, antiracismo e outras coisas que buscam a desnaturalização de inúmeros traços culturais, costumes e preconceitos.



O blog é novo, tem apenas duas publicações: uma divulgando o Histérica e outra falando sobre menstruação. Íris posta a tradução de um manifesto que reclama a visibilidade da regra menstrual, para que as mulheres repensem a relação com seus corpos e para repensar o que o senso comum diz sobre isso. É interessante pensar nisso porque muitas vezes algo que vai durar muito tempo e acontece dentro da gente é apenas um ato mecânico de limpeza, é o que tem sido para mim. Então fique espertx nesse blog, da pra ler coisas interessantes.

Aqui você encontra vários stencils para impressão criados e/ou traduzidos por antoníris.

Essa foto acima é um sticker delxs que colamos (nós, de Barra Mansa) em Volta Redonda, no Memorial Getúlio Vargas.

sábado, 4 de julho de 2009

Skate não é só para meninos

Skate para meninas é um daqueles projetos que valem muito a pena divulgar. O projeto foi criado em 2002 e consiste num site que é um dos mais acessados sobre skate feminino no mundo. Como diz no site, "a idéia principal era sanar as dúvidas das atletas e divulgar o skate feminino nacional".
Além do site, o skate para meninas promove campeonatos e dá aulas de skate para as meninas que querem aprender a andar.

Segue abaixo um trecho de uma pequena entrevista feita com a Evelyn Leine, editora do site, que sairá no zine Pauta Lixo.

"Skate não é só para meninos, as meninas também tem direito de se divertir, né não?" Essa frase eu li lá no site e faz a gente pensar o quanto as coisas estão estruturadas de maneira errada. É uma cultura machista que impede as meninas de viverem e sentirem coisas, de fazerem por elas e pra elas, que tem como base aquela construção maluca dos gêneros, que define o que é "coisa pra menino" e "coisa pra menina". Como você vê a participação das garotas no skate? E como você se vê fazendo parte disso, tanto com o projeto como com um skate nos pés?

Evelyn: É engraçado pensar nessa coisa de separação de gêneros, sempre fui muito contra isso, e acabei criando o “Skate Para Meninas”, que na verdade, é uma resposta, é um grito, um sinal de vida à mídia em geral que de certa forma sempre mostrou e incentivou muito menos o skate para as meninas. Nosso slogan é “Skate não é só para meninos!” justamente por isso. Hoje em dia não existe mais o preconceito moral, de sair na rua, ir à pista e se sentir discriminada, mas acho que ainda existe um certo preconceito em relação à mídia e mercado no geral em apoiar a skatista. Como skatista, mulher e pessoa, sempre tentei buscar o equilíbrio entre tudo isso, mostrando, explicando, incentivando. É um grande trabalho, mas que acabou sendo natural pra mim por já viver no meio, acreditar e gostar tanto.

Acessem o site: http://www.skateparameninas.com.br/

*(foto da Passeata Sobre Rodas, manifestação feita em Curitiba dia 21 de Junho, em prol do skate)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Elasticdeath


Nota introdutória: este post seria bem mais bacana se fosse escrito por Fernando. Foto tirada por mim, no Caffeine.

O Elasticdeath está com músicas novas, além da demo. Em março divulgaram a demo em São Paulo, no Impróprio e no Caffeine e em Campinas, em um bar duvidoso. Tocaram ainda mais rápido porque o Xopô estava na bateria. As novas músicas continuam (pelo menos pro meu ouvido leigo) na mesma linha das primeiras. Quase todo dia uma nova música é postada no myspace. O encontro do power violence californiano com o Ultraman.

Dia 18 próximo eu acho que eles deveriam tocar com os mossoroenses da Lei do Cão, em Itatiaia. Mas pelo que vi as bandas confirmadas são as dos mossoroenses e Zähc. E tem vários lançamentos com bandas da Indonésia, Canada, eps, lps. No myspace está bem mais e melhor explicado do que isso.