quarta-feira, 18 de maio de 2016

Blindspot: Jane Doe, a destruidora que faltava na sua lista de séries



Uma bolsa endereçada ao FBI é deixada na Times Square sozinha. Por segurança, a Polícia de Nova Iorque isola a área para uma equipe analisar o material. O fecho da bolsa se abre sozinho e uma mulher coberta por tatuagens se levanta, tão assustada e confusa quanto os policiais e agentes a sua volta.

Assim começa Blindspot, que intriga – e se você é mulher pode te assustar – ao revelar o choque de uma mulher que se levanta, nua, de dentro de uma bolsa, sem entender o que está acontecendo. Na sede do FBI, a falta de informação sobre ela é a regra e a batizam de Jane Doe (Jaimie Alexander), uma mulher sem nome que não sabe nada sobre si mesma. Sua memória foi apagada quimicamente e a certeza é que o agente a cuidar do caso é Kurt Weller (Sullivan Stapleton), pois é o nome dele que, generosamente, está tatuado no início das costas da desconhecida.

Se as tatuagens são cheias de nomes, desenhos e coordenadas, o jeito assustado e desconfiado de Jane se justifica por ela não saber quem as fez, porque ela foi tatuada e o motivo desses acontecimentos todos. A equipe, liderada por Weller, começa a decifrar os significados das tatuagens e descobre que elas são pistas de diversos crimes que vão acontecer.

Se Jane não pode confiar nas pessoas e se sente frágil, é quando ela vai a campo com a equipe que ela descobre a sua força. Guiada por seu instinto, ela tenta ajudar uma mulher que está apanhando do marido e, enquanto luta, se dá conta que o sabe fazer, e dá uma bela coça nos dois homens que estavam agredindo a mulher.


Quanto mais ela passa por diferentes situações, mais ela aprende sobre si mesma e nos mostra que é a destruidora, a badass, que faltava na nossa vida. Sua intuição somada ao seu treinamento em artes marciais a tornam uma personagem que faz de tudo para proteger - a si mesma e os seus. Não em um estilo Jessica Jones de força, e sim no sentido humano, de quem teve treinamento para derrubar dois homens e conseguir sobreviver em meio a um tiroteio.

E acho que foi pela força (para mim crível) da personagem que me animei com a série. Em um mundo com estruturas que nos fragilizam o tempo todo - com o assédio, heterossexualidade compulsória, misoginia, estupros e demais violências de gênero – é reconfortante encontrar na ficção uma mulher que se defende como eu gostaria fazer na minha própria vida.

Martin Gero (diretor da série) e Alexander trazem com uma personagem que busca em si mesma força para continuar vivendo e luta para descobrir quem é – e esta é a beleza da série, que se afasta de estereótipos de gênero (batidos, chatos e sem graça) para representar novas formas de ser. E se você estava desconfiando: Gero é filho de uma feminista e já falou sobre a importância de ter aprendido sobre igualdade e feminismo com sua mãe, reforçando a importância dela na construção das personagens.

A série, da fall season de 2015, já garantiu sua segunda temporada (ainda sem data) e é uma das líderes de audiência nos EUA. Se você gosta de séries policiais, com anti-heróis, representatividade, mulheres negras em cargos de liderança e aquelas protagonistas que são creme de là creme, comece a assistir Blindspot! 

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Nota de Rodapé:

Assisti os 11 primeiros episódios de Blindspot de uma só vez. Pirei o cabeção e escrevi este texto. Não é um tema punk feminista que trato no blog, mas como fala sobre representatividade, achei justo aproveitá-lo aqui. Você assiste a série? Conta aí se você gosta ou não de Blindspot! O que achou do post e o que acha se publicarmos as vezes posts sobre séries e cinema? 


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