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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

True Lies, Cinisca, I did it! e Água para ler online

Já havia falado aqui do 365 fanzines - blog criado para disponibilizar um zine por dia ao longo de 2013 - e esses dias eles postaram a #4 edição do True Lies, zine que eu editava e que é um dos motivos deste blog existir. Essa edição eu gostei muito de fazer porque várias pessoas feras contribuíram.
A ausência de colagens me irrita demais (sei lá porque na época não fiz), e há uns tempos atrás eu tinha ensaiado uma reedição com colagens do zine. Mas para a surpresa de ninguém essa ideia foi para um local aonde moram as minhas ideias: a gaveta. Mas, mimimi a parte, acho que da para aproveitar algo deste zine. Leia aqui.

Fiquei com preguiça de desenterrar os True Lies para foto, aí peguei esses zines novos que peguei pelo mundão a fora. 

Além do True Lies, eles uparam mais zines com temática feminista e que indico aqui: o Cinisca, zine de colagens, arte e textos feito por Laíza Ferreira e Rafaela Fontoura, e com contribuição de garotas de vários estados. Estou devendo resenha tanto da #1 edição quanto da #2, que tenho aqui em casa. Leia aqui



Tem também o I did it!, que conheci hoje pelo post deles (feito por Carol Brandi, que com Kaue Garcia tocam o 365 fanzines) que é de 2010, e ele mostra garotas - desenhadas por Carol Brandi - dos primórdios da cena punk de Los Angeles, que frequentavam o Masque. Leia aqui

E o mais antigo de todos: o Água #2, feito por Carol Pfister, lá do fim dos 90, falando de feminismo, colagens, quadrinhos, mimimi de cena, e tem uma entrevista com David Hilliard, ex integrante dos Panteras Negras, pra ler ontem. Leia aqui.

 

Essa é a edição mais foda do Água. Se consegui-la, não a deixe escapar

Todas as fotos deste post por Carla Duarte. Pode usar a vontade, mas seja bacaninha e coloque os créditos e o link. 

sábado, 30 de janeiro de 2010

Resenhas atrasadas



Em 23 de novembro de 2009 o Maikon postou a resenha do True Lies #5 na página do mau humor, o tempo passou e eu acabei não comentando aqui. Hoje a Gabi, iniciando seu blog, resenhou o Histérica #1 e o Pouco Viável. Ela fala na resenha do zine antes do True Lies que eu fazia, o Chato, que só as pessoas que eu trocava carta conheceram. Se alguém tinha alguma dúvida que essa Carla era aquela Carla, sim, apesar das diferenças, da idade e do humor, ainda habitamos o mesmo corpo.

Essa semana criei um perfil no twitter, mas fiquem tranquilos, vou priva-los de todo conteúdo segreto-piadinha-problemasecansaços, obviamente. Tá lá pra ser mais uma forma de divulgação do blog e dos zines que faço, e para ter acesso à algumas notícias.

Para quem não sabe: toda atualização de resenha de show, entrevista e tradução, eu mando um email pra algumas pessoas comentando. Quem quiser receber o email deixe-o nos comentários, ou no cbox, ou me manda uma carta.

Two blogs posted reviews of True Lies #5 and Histérica #1, and I didn't coment about it here, so I doing it know. I gotta tell you that I'm so curious to know more about you guys that read my english posts. I mena, you're queer, punk, feminist? You found the blog how? If anyone answers it I sure will read.
This cover I did thinking about Asia, she lives in Poland and Fernando sent her True Lies #5. She has a feminist group and the revenge of the nerds myspace page to spread her distro of books. I just don't know if she got this stuff. The reviews are in portuguese, just click on the link of the blog to take a look.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

entrevista: Arma Laranja

Entrevistei o Arma Laranja (Curitiba) na #4 do True Lies, em 2008, na época a banda ainda não tinha acabado. A banda era composta por pessoas que já tocaram (ou tocam) em outras bandas, como: Infect, Jesus Mongolóide, Regime Tentáculo. Eles lançaram um split 7" com o Besta Fera (SP) em duas versões diferentes de arte e capa. A banda acabou e a entrevista é antiga, mas acho válido disponibilizar aqui.

*As much as I can I'll translate some things that I'm posting here because I've seen visitors that probably don't understand portuguese. I can't translate the interview cause there's no time, but it's a band from Curitiba (BR) that played energetic punk rock with female vocal. It's very good and you can listen to their music on myspace. I interviewed then in 2008, I guess, to the issue number four of True Lies, zine that I used to do. You'll probably note some english mistakes but I guess you'll be able to understand. True Lies was a paper zine that I wrote with Marcela from 2004-2007 and 2008-2009 by myself. Interviews, reviews, texts of people that have what to say and know how to do it good.

Porque o nome arma laranja? Existe algo por trás das cores nos nomes das bandas?
Chico: O nome da banda originalmente era Câncer Kids, que era um dos nomes da mesma leva do Jesus mongolóide, Gente feia na tv e etc. Mas aí descobrimos que tinha uma outra banda com esse nome e decidimos mudar, na mesma época nossos amigos do Alzheimer também queriam mudar de nome, aí como tinha o Falso Branco eu sugeri colocarmos nomes com cores, pra iniciar uma nova era das bandas pós Terrorismo Brando. Assim o Alzheimer virou Duplo Cinza e nós roubamos um nome que o Mário já usava que é Arma Laranja. Sobre o nome em si, o Mário é bem melhor em teorizar a respeito dessas coisas do que eu, mas pra mim o importante é que esse nome é uma referência ao folclore punk daqui (uma vez um amigo nosso, o Nils portava uma arma de brinquedo e foi parado pela polícia, ao ser questionado sobre o motivo de carregar o artefato respondeu “eficácia simbólica”). Pra mim essa coisa toda de cores era uma celebração da nossa cena, que ainda conta com Choque Rosa, Olho Roxo e Preto Com Arma.

"E eu odeio sua economia, mas basicamente eu odeio você,odeio sua mãe seu pai, seu deus,mas principalmente seu pai" (trechos de Pressão,pressão,pressão). Porque principalmente o pai?
Chico: Essa letra é aquela coisa punk de mandar todo mundo tomar no cu ao mesmo tempo. Seu chefe, sua professora, sua mãe, seu pai, e por aí vai. Não tem muita reflexão, é um jeito de extravasar bastante adolescente. Mas esse destaque pro pai é porque o papel padrão do “macho- pai- de família-homem de verdade”, é pra mim, muito deprimente, uma espécie de panaca se matando por um pedaço de nada. E também porque é o que está mais próximo de mim.

”Perco o controle, você não sabe o que fazer, ansiedade, dor de cabeça! Não venha me dizer o que é melhor pra mim” (trechos de Sangue no Olho).
O que inspirou vocês a escrever essa letra? A letra é direcionada a que/quem?

Bianca: A letra é sobre um tipo de situação que acredito que muitas pessoas passam, em diferentes tipos de relações íntimas, seja com o namorado (a), marido, esposa, mãe, pai, irmão... É sobre a nossa dificuldade de relacionamento, de diálogo, de comunicação. “Perder o controle” funciona como uma catarse sofrida, com raiva no sentido mais puro da palavra, angústia. Ao mesmo tempo é uma condição para seguir em frente, tocando o foda-se ao tipo de comportamento que nos é imposto, através de uma espécie de “crise” constante, sem esperança.

Com essa explosão do termo ‘hardcore’ nos grandes meios de comunicação, bandas pop punk, emo, bandas que de alguma forma começaram ‘independente’, e que agora estão fazendo fama e fortuna, que estilo vocês palpitam que seja a próxima onda do momento?
Chico: Se eu soubesse eu apostaria e ganharia dinheiro com isso, meu palpite é que o grunge tem tudo pra encontrar uma onda de renascimento nos próximos anos.
Mas a real, é que essa coisa do hardcore agora não tem nada a ver, é como rock e ROCK sabe? Uma coisa é a expressão máxima de liberação sexual, mental, espiritual da juventude, a outra é uma musica ligada a um estilo qualquer que é baseada em profissionalismo, quer o dinheiro da molecada e investe o lucro em obras de arte ou ações.Hardcore significa um milhão de coisas, mas originalmente é ser mais punk do que os punks, ser um punk hardcore, tipo pornô hardcore.

2007, trinta anos depois da primeira explosão punk, muitos depois do hardcore, e até o verão da revolução já ficou um adulto inteiro pra trás. Por que o punk rock é relevante hoje?
Chico: Eu tinha feito essa pergunta pro Mário do Duplo Cinza, bom...seguinte, tomara que não me entendam errado, mas tanto faz ser punk. Porque, sob um certo ponto de vista, até o Bam Margera é punk hoje em dia, então não é como se fosse uma questão de honra ser considerado punk ultimamente. O que isso quer dizer originalmente é (além do cara que dá o rabo na cadeia) um tipo de idéia subversiva dentro do rock, que não busca apoio no mainstream e por conta disso você faz sua própria arte, lança, grava, desenha, fotografa, tira xérox e vende pros outros sem esperar alguém te “descobrir” ou validar o que você produz. Eu particularmente gosto dessa idéia, e de ser parte de uma rede de comunicação com pessoas com práticas semelhantes. Eu gosto de saber que se eu for pra SP tocar em algum lugar que o Ruivo ou o Bá escolherem eu vou tocar com bandas que sentem essa mesma coisa. E a gente não pretende assinar nenhum contrato nem nada, então se isso é punk, se isso não é, pouco me importa. O Arma Laranja é uma banda de garagem, não de garage rock, mas uma banda punk de rock, que ensaia depois do trabalho. A gente gosta de Agent Orange, the Saints, Radio Birdman, Adolescents, the Dicks, Mercenárias, Dead Moon e Wipers. E somos espiritualmente ligados ao Bush, Velho de Cancer, Besta Fera, Duplo Cinza e Falso Branco.

O número de meninas ativas dentro do punk/hardcore é muito pequeno, salvando as exceções. Porque vocês acham que isso acontece,como "reverter" isso?
Bianca: Eu acho que isso acontece devido à nossa educação mesmo, que ainda é bastante machista. Ainda temos os papéis designados para meninas e para meninos, desde a infância. E o que acontece é que, se não rola um esforço individual, normalmente na adolescência, o negócio não vai pra frente. Ao menos no meu caso, foi difícil começar a tocar, por exemplo. Eu já ia em shows há alguns anos, e junto com algumas amigas que também não sabiam tocar, resolvemos montar uma banda pra gente aprender junto, e também foi difícil, porque o ambiente, no caso a cena hardcore era bem hostil em relação às meninas. Mas aí eu acho que tem que curtir bastante pra continuar. Com o passar do tempo eu fui percebendo que é tipo uma condição, não dá pra ser muito diferente disso, não dá pra se adaptar a um estilo de vida muito convencional, e fazer parte de uma banda punk é uma maneira de negar todo o resto, uma forma de assumir que eu não pertenço, ou ao menos tento não pertencer a um tipo de cultura “mainstream”. É um lance mais contracultural mesmo, que implica em várias dificuldades, principalmente em um país como o Brasil. Isso rola independente de ser homem ou mulher, é claro, mas acredito que seja mais difícil para a mulher estar inserida nesse ambiente, pois a pressão da sociedade é muito forte, e impõe valores e ideais que parecem já estar enraizados na nossa cabeça, é horrível mesmo. E é difícil porque acaba se tornando uma coisa marginal. Agora, vai de cada uma saber o que vale a pena. Eu prefiro abrir mão da segurança de uma vida mais convencional e arcar com as dificuldades, tendo outro tipo de satisfação. O que é triste mesmo é ver que a maioria das mulheres é bem machista, e realmente aceita o papel que lhes é imposto, na maioria das vezes essa cultura é tão lá embaixo que elas nem têm consciência da sua existência. Pra falar a verdade, não penso tanto mais nisso como antes, acho só que se mais mulheres tivessem mais coragem, seria bem melhor.

Depois do ep 7" (split com Besta Fera) quais são os planos, próximos discos?
Chico: Ainda esse ano deve sair pelo selo Criminal IQ um compacto só da gente chamado Pressão pressão pressão, com quatro músicas inéditas gravadas na mesma sessão de gravação do split. Fora isso, nós estamos fazendo músicas novas e tocando por aqui de vez em quando, e o plano é gravar de novo em janeiro do ano que vem.

domingo, 26 de julho de 2009

True Lies: algumas capas da quinta edição

As últimas capas que fiz pro True Lies. Como tem saido pouco tenho conseguido fazer uma diferente da outra.








quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Zines dos 90/00 - entrevista: Danielle Sales

Na #5 edição consegui fazer algo que realmente gostei de ter feito, que é de fato relevante. Que foi entrevistar pessoas que faziam zines, que me inspirariam a fazer fanzine e a procurar outros zines. Esse tema todo me interessa bastante, não só pela dificuldade que é conseguir, seja o próprio zine, seja infomação, seja contato com os editores, mas porque da acesso a maneiras de fazer zine e de pensar bem mais interessantes que as formas que vejo (e encontro pra fazer) hoje. 







Na #5 entrevistei o Pedro Carvalho, que fazia o Angry Voice. Acho que o AxVx foi o primeiro zine hardcore que li que era redondo. Que tinha boas entrevistas com boas bandas, que falava sobre política, que fazia isso tudo de um jeito interessante e não desestimulador. Li uma única edição, a que tem o Woody Guthrie na capa. Logo no início tem uns pequenos textos, que ainda é relevante, é ver alguém com uma postura que condena o consumismo pagando muito em calças de marca. Não pela atitude das pessoas que torna o texto interessante, mas falar disso num zine, isso deixa perceptível que nos idos dos fins dos anos 90 o hardcore, as discussões tinham âmbito local, inclusive.



Essa edição tem um texto que nunca fica velho, foi escrito pela Carol Pfister (zine Água/TPM) que se chama "Roda violenta". O que ela descrevia no texto, a dificuldade de conseguir ver e cantar na frente num show de uma banda querida, no caso dela, queria cantar um cover do SSD tocado pelo Newspeak, no meu caso, queria cantar um cover do Circle Jerks tocado pelo I Shot Cyrus no último Festival Hardcore de SP. A mesma cidade, a mesma dificuldade. Certamente o texto vai bem mais além do que isso, e como eu disse, é um tema que sempre necessário, porque tem sempre alguém te dando headwalk com mais força do que o necessário. Mas o assunto aqui não é roda...



Entrevistei também a Tate, que junto com a Alice e outras pessoas escreviam o La Carnissa. Zine do DF que foi o que mais me motivou a seguir mesclando o gosto pelo som sujo com o feminismo, foi o que me mostrou que esse binômio capenga talvez não seja tão assustador quanto parece. Esse eu nunca li em papel, o que é uma pena. Mas no Carnissa também, a grande maioria dos temas além de serem pertinentes são importantes e relevantes. Sobre as escolhas que você fez e o que você tem que fazer pra se adaptar no mundo real, sobre vivência. É meu zine feminista preferido. 


Entrevistei também o Felipe Ruivo, que fez o Faca Cega. O que eu mais gostava era que ele fazia muitas perguntas sobre política pras bandas. Gostava de ler sobre hardcore, ou aquele clássico texto que ele escreveu, que está logo no início da segunda edição, se não me engano. Sobre olhar o punk por debaixo da ponta do iceberg. E aquele tom das resenhas, uma ranzinissee sempre presente era engraçado. 


Entrevistei também o Daniel Villaverde, que faz o Nuclear Yogurte, e é colecionador de zines. O Villaverde tinha uma coluna no Bodega, que era o que mais gostava no Bodega, e a primeira (e até então, única) edição do NxYx tem entrevista muito boa com Morto Pela Escola. 


O Maikon K também foi entrevistado, e ele faz o Mau Humor. Não gosto do zine só pelo nome, não. A forma que o Maikon descreve o punk, e as entrevistas valem a pena, sem contar nos textos, resenhas. O Mau Humor e o Nuclear Yogurte comparados com os zines falados anteriormentes são mais novos, mas os dois editores por trás leêm zines a longos anos. 


E porque eu disse tudo isso? Porque a Danielle Salles (que fazia o Paraphernalia) enviou a entrevista dela depois que o zine já estava pronto. Não sei se incluo mais uma página na quinta edição, mas sei que de cara já vou deixar aqui a entrevista. Escrever sobre zines é a única forma de mantê-los vivos.

Entrevista: Danielle Sales - Paraphernalia

Qual zine você fez, porque? qual matéria,entrevista,texto você mais gostou de ter feito (ou publicado) ?

 
Na década de 90 eu fazia um zine chamado Paraphernalia, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Eu fazia porque queria escrever sobre as bandas que me agradavam e sabia que não iria achar nada sobre elas em revistas do tipo Rock Brigade, pois eram bandas mais pesadas, mais radicais (rs). Queria criar uma publicação mesmo sem ter grana, queria que as pessoas lessem o que eu escrevia. A entrevista que eu mais gostei de fazer foi com o Wojcek - aí eu já morava em São Paulo. Deu um trabalhão pra fazer, pois meu inglês não era grande coisa, mas os dois caras da banda foram bem legais comigo, assim como o Marcelo, do Rot, que me deu a maior força e ainda cedeu a casa dela pra entrevista. Depois tive que transcrever tudo em inglês, depois traduzir... Mas o resultado, com as fotos que tirei no show, ficou bem legal!

Qual foi o primeiro zine que foi realmente bom ter lido, que talvez tenha te animado a produzir o seu? e qual seu zine preferido?

 
Na cidade onde eu morava eu não conhecia nenhum zine. Zines preferidos? Do Nordeste, tinha o "Sociedade dos Mutilados", o primeiro zine de atitude que eu li na vida. Eu também gostei muito do Kaóstica, que a Elisa do Dominatrix fazia com a irmã dela, mas infelizmente só saiu um número. Era feito em papel jornal, muito legal, e a temática me interessava totalmente. Eu também gostava do Punto de Vista Positivo, foi o primeiro zine brasileiro com escritos pessoais que eu vi, gostei muitíssimo. Tenho receio de esquecer de algum, mas eu doei uns 400 fanzines para um amigo há alguns anos, de modo que não vou conseguir lembrar de nada de cabeça (rs).




Existia algo dos meados dos anos 90/começo dos 00 que para você tenha ajudado ou estimulado essa produção de zines?
Olha, pode parecer brega, mas o que me incentivou a fazer zines foi a seção de zines da revista Rock Brigade (hahahaha). Eu comprei uns números, escrevi pro povo da seção de zines pedindo a publicação do pessoal e logo estava fazendo o meu.

Atualmente você tem feito algo relacionado a escrita, a fanzines?

Atualmente eu sou editora, então meu trabalho tem tudo a ver com publicação, escrita... E depois que meu filho nasceu eu comecei a fazer um outro zine, o "Maria Sogna Tutti le Notti", que é voltado para mulheres e o trabalho delas. Só consegui publicar três números até agora, mas logo terei um número quentinho saindo do forno.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

True Lies 5


A edição final já está em seu formato de papel.

Entrevistas: Colligere, Ataque ou Fuga e Solange, tô aberta!

Textos - Run, run, run, Dina fala sobre Kerouack, sobre falar e viver e fazer tudo ao mesmo tempo e na mesma intensidade tomando cuidado pra não colocar vírgulas onde não é necessário, fazer as coisas num suspiro. Tate e seu O silêncio que podemos fazer é o silêncio que não podemos fazer ligam os pontinhos entre raça, classe social e aborto. Esse texto está também disponível no confabulando.
Fernando fala sobre a cidade e a relação com o momento, com a fotografia. L.P e o sujeito da crise e textos sobre a relação da cidade com a bicicleta, por Yuri Gama e Juliana Ferreira.
E tem também aquela parte, sobre os clássicos zines dos anos 90, o que a Era Pré Internet tinha ou não tinha que facilitou, possibilitou a feitura de tantos zines importantes,bons e difíceis de encontrar? Nossa equipe de detetives na procura pelas respostas ouviu:Angry Voice, Nuclear Yogurt, Mau Humor, La Carnissa, Faca Cega, Classe contra Classe e Paraphernália. E uma outra surpresa.
Sobre preço: o preço do zine muda conforme a capa. Algumas capas são únicas, outras tem versões, outras envelopes, outras... As capas foram feitas por vários amigxs que ajudaram nessa edição, aliás, OBRIGADO!
Flyer da quinta edição foi feito por Caio Conceição.


quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

artigo da alice sobre conflict

no último ano fiquei obcecada numa busca frenética por bandas antigas que contassem com mulheres em sua formação. tenho uma posição meio ambígua quanto a espaços (mídias, eventos, etc) privilegiados para bandas com mulheres: ao mesmo tempo que acho politicamente interessante que existam – porque muitas vezes ouço de diferentes bocas (com ou sem batom) que nossa cena não é um espaço amigável para mulheres – também acho problemático que o político sobrepuje a sonoridade. acho que esse é quase sempre o dilema de uma banda de hardcore: como equilibrar essas duas coisas. e o que vejo freqüentemente é que esse mesmo nicho politicamente interessante tende a desequilibrar essas duas coisas. mas no último ano, como eu dizia, fiquei obcecada por achar bandas, bandas com mulheres que me satisfizessem musicalmente, que fugissem daquele estereótipo – que talvez exista apenas na minha cabeça – que diz respeito a uma leva de bandas de/com meninas que existiam no meio/final dos anos 90 (quando entrei em contato com hardcore) e que entraram em franca extinção.

junto com essa obsessão, não sei se empurrando ou empurrada por ela surgiu a idéia de fazer um zine (até agora um e-zine) aonde eu registrasse o resultado dessa busca. chamei o zine de soror. fala-se “sóror” e vem do latim, significa irmã, achei que fazia sentido apelar para uma sororidade partilhada entre mulheres de diferentes décadas, unidas pela vontade de pegar instrumentos e passar uma mensagem. achei que fazia sentido me dirigir a uma leitora, mas resistir a tentação de usar um feminino genérico, que poderia ser mal-interpretado, e usar uma linguagem inclusiva (com arrobas ou xizes no lugar de fazer o plural em “os”)

mas nem sempre achamos uma coisa quando estamos concentradas procurando por ela. minha experiência é de que achamos coisas que queremos, justamente quando paramos de procurar. e assim foi que aconteceu. um dia, por um acaso, me deparei com uma foto absurdamente envolvente: era uma mulher meio asiática com um vestido estranho e muitas pulseiras, segurando um microfone e com uma cara de espanto incrível. eu precisava ouvir essa banda! seu nome era conflict. não o famoso conflict da terra da rainha, mas um homônimo do arizona. e quando consegui de fato ouvir a banda, numa gravação ao vivo* de uma apresentação, foi realmente especial. o som é um hardcore tipicamente americano – com algum parentesco com black flag, circle jerks, toxic reasons (mas também the bags e avengers) mas bem mais cru, menos trabalhado. descendente direta da filosofia do faça-você-mesma, é uma banda cuja força está em parte nesse velho lema do punk rock que nos inspira a pegar instrumentos e montar nossas bandas, mesmo sem saber tocar direito.

através do blood sisters (
http://kzsu.stanford.edu/~hannah/) descobri a página do bill c, guitarrista do conflict, e trocando e-mails pedi que me enviasse as letras, o que ele fez com prazer. as letras ficam no meio do caminho entre o pessoal e o político, com uma sensibilidade feminista e de temáticas que me são, particularmente, caras. era de se esperar que numa banda com duas mulheres asiáticas (karen, a vocalista, e mariko, baixista) questões sobre racismo e sexismo aparecessem.


quase ao mesmo tempo em que recebia as letras do guitarrista bill c, ganhei um exemplar da maximum rock n’ roll que continha uma matéria sobre o conflict (que adicionou a sigla “us” ao nome para se distinguir do homônimo inglês). a matéria- de muitas páginas- chamada “the story of conflict” veio dar mais substância ao meu interesse pela banda. fiquei com muita vontade de traduzir a matéria e publicá-la no zine, mas a falta de tempo é um fator contra. coloco aqui algumas passagens traduzidas toscamente:

“ posso dizer que o arizona não é um lugar muito cabeça-aberta. até mesmo ir ao shopping com minha família inter-racial tornava-se um xou. quando era pequena, as pessoas me perguntavam se minha mãe era uma geisha, se minha mãe amarrava meus pés, se eu lembrava de pearl harbor e coisas do tipo. existia também um certo preconceito com respeito a mulheres tocando música, ainda mais tendo duas em uma banda só. e duas asiáticas? numa banda punk? Eu me sentia bastante invisível as vezes.”

desafiando os estereótipos culturais do que seria uma garota asiática, karen (que ficou conhecida como nurse k por trabalhar como enfermeira num hospital psiquiátrico) expressava uma agressividade inesperada nos vocais e na sua presença de palco para um público e uma cena majoritariamente branca. Uma cena que tornou-se cada vez mais refratária a diferenças:

“o hardcore em particular se tornou, na minha opinião, fechado, conformista e bastante centrado na figura do homem branco. não começou dessa forma, mas tornou-se essa coisa meio clone, especialmente entre o público. algumas pessoas tomaram “white minority” do black flag , não ironicamente, como foi escrito inicialmente, mas como uma bandeira. ou “guilty of being white”. e a diversidade de pessoas, estilos musicas e pontos de vista pareceu ser apagada de nossa história punk recentemente.”

acho que esse tipo de risco se corre em qualquer espaço de política (e acredito que em qualquer espaço em que um grupo de pessoas conviva a política aparece de uma forma ou de outra), esse risco da homogeneização; é o risco, de que as diferenças desapareçam, se diluam num mar de sujeitos “não-marcados”. o conflito é, para mim, exatamente a divergência de pontos de vista, o mal-estar diante o desacordo. costumo pensar que quando o conflito desaparece é porque as diferenças foram achatadas pelo peso do mesmo.

*gravação ao vivo -
http://sororhardcore.blogspot.com/2007/02/mais-uma-pra-baixar-conflict.html
**lp last hour: http://sororhardcore.blogspot.com/2007/06/mais-do-conflict-us.html

Por Alice: maníaca por velharias e tecnologias ultrapassadas, se esforça nas baquetas de silente e toda dor do mundo e mantém no ar precariamente o e-zine soror.

Esse texto foi originalmente publicado na #4 do TL, gosto bastante do texto e quis que a primeira postagem de 2008 fosse ele. Soror também publicou a entrevista do TL com Arma Larjanja no blog.Enjoy!

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

Entrevistas/sobre o zine

esse textinho abaixo é o perfil do zine que fiz pruma feira de zines (sp) onde ele será exposto, quando souber as datas/locais postarei aqui. o o outro texto é uma entrevista que demos pra débora (ce) pra um trabalho da faculdade.

true lies
esse zine começou em dois mil e quatro e é feito até hoje, é aperiódico, xerocado,do inteiror do estado do rio. até a terceira edição foi feito por carla e marcela, na quarta(dois mil e sete) -até então, última feita- foi prodizdo sozinho por carla.
acho que posso dizer que os temas abordados são o hardcore e punk, mas não exclusivamente. tentamos falar sobre vegetarianismo, feminismos e questões de gênero,as entrevistas são feitas na tentativa de falar tanto sobre a música quanto o que eles pensam, como prática. por isso pensamos bem antes de convidar alguém. tentamos dar espaço também a artigos, principalmente falando sobre hardcore americano dos anos 80, temos o pessoal que escreve,onde a temática é livre. true lies tenta de alguma forma retomar a maneira que os zines brasileiros do final dos anos noventa começo dos dois mil eram feitos, sinto muita falta de ler zines atuais feitos daquela maneira, por isso tento seguir essa linha. em síntese é um zine diy (do it yourself/faça você mesmo) que tenta falar sobre música e política(s) feito por garota(s).
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Há quanto tempo faz fanzines? Como começou?
Faço fanzines a 4 anos mais ou menos, comecei fazendo junto com amigas,agente fazia de bobeira, com o tempo fui gostando de fazer e comecei a a entrevistar bandas amigas e divulgar para outras pessoas.

Que temas você aborda nos seus fanzines?
Não existe uma temática fixa, já falamos e pretendemos falar de vegetarianismo, gênero,o opunk/hardcore DIY.

Quantos e quais os títulos que você já produziu?
O mais "sério" (que é o mesmo que faço até hoje) é o True Lies, sairam 4 edições.

Explique seu processo de criação (idéias, execução, edição, final, distribuição...).
As idéias podem vir de livros, bandas, agente organiza, já temos alguns colunistas fixos e um pessoal que ajuda toda edição, quando estamos com o material junto imprimimos, montamos e xerocamos.
Com a distribuição agente não tem lucro, o valor é para cobrir as despesas e em outros estados a distribuição é feita por amigos que se interessam em divulgar o zine em sua cidade.

O que te motiva a fazer um fanzine?
Em linhas gerais, juntar informações que despertam interesse.

Qual o seu público-alvo? Que impacto ou efeito você espera atingir?
O público alvo é quem se interessar em algo que está no fanzine, como o zine está direcionado dentro de assuntos da cultura punk/DIY (do it yourself o "faça você mesmo") quem lê é quem participa desse segmento. Se o zine estimular outras pessoas a fazerem suas próprias coisas, não
esperarem aprovação de determinado lugar está bom. Mas com o tempo as nossas pretensões vão desaparecendo, e o prazer de fazer o fanzine substitui a meta.

O que você considera que seja uma “boa aceitação” dos seus fanzines?
Boa aceitação? Acho que é a procura de outras pessoas no fanzine.

Você está ligado a algum grupo através do fanzine?
Estamos em algum lugar dentro do punk,da contra cultura, do DIY.

Como você define o que seja fanzine?
Publicação independente, feita de maneira independente, para quem tiver interesse.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

True Lies #4

Ufa! Quarta edição pronta!
Entrevistas: Arma Laranja (Curitiba) e Lazaredo (Barra Mansa)
Resenhas, primeiro show do Ordinária Hit na Argentina, por Maikon K (editor do Mau Humor), alguns cds e zines. Artigo sobre o Conflict (banda dos anos oitenta, vocal feminino, dos eua)
Textos de temáticas diversas (Beatriz Preciato,Deadman playing..).. e se eu continuar falando o que tem no zine, nem precisa ler né?

Se vc quer muiiiito ler o zine, e mora muiiiito longe de Barra Mansa mande $2 para nós e vc receberá a publicação no conforto do seu lar (escreva antes).
Se vc é de Salvador, o zine é distribuído pelo Coletivo Dois Corpos.
Agora se vc vai ir no show dia 25/08 em Barra Mansa,vc pega direto com agente, pagando a simbólica quantia de $1. Não gostou? achou caro? Não é problema meu =D

Flyer:acauãnovaiss.

Estamos distribuindo em Barra Mansa e entorno, o livro "O sexo e o mito da beleza" [Editora Dois Corpos] - "A 'beleza' é um sistema monetário semelhante ao padrão ouro. Como qualquer sistema, ele é determinado pela política e, na era moderna do mundo ocidental, consiste no último e melhor conjunto de crenças a manter intacto o domínio masculino." O quê as palavras dieta, frigidez, estupro, cirurgia plástica, violação, abuso e pornografia têm em comum? Está no ar uma grande – e talvez a maior em toda a história – reação ao feminismo, sob forma de uma alucinação inconsciente que gera 33 bilhões de dólares por ano com a indústria das dietas, 20 bilhões de dólares com a dos cosméticos, a da cirurgia estética com 300 milhões e a da pornografia, com seus 7 bilhões de dólares.[postagem completa sobre o livro aqui] - se vc se interessou, fale com agente. O livro custa $8.

sábado, 21 de outubro de 2006

True Lies #3

Arte: Acauã Novais

O True Lies 3 ainda não está pronto,mas vai estar na primeira semana de novembro e será vendido no show do Presto? em Barra Mansa, dia 05/11 na Estamparia. http://www.barramansahc.cjb.net/

Na próxima edição da Verdurada (12/11) vamos vende-lo. Caso você seja de SP e queira o zine, mande um email antes, que guardamos uma cópia. 

domingo, 12 de março de 2006

True Lies #2




Finalmente, depois de um longo tempo saiu o True Lies #2.
Esperamos fazer a #3 e terminar até Abril,mais ou menos.

True Lies #2

2+2=5 Recs (selo de música extrema SP)
Bandanos ("Crossover is back!" SP)
Triste fim de Rosilene (fast/thrash de Aracaju,SE)
Textos "I'm tired of waiting for nothing", "Roda violenta? que roda violenta??", "As mulheres do Povo", Resenhas {discos/zines}, Colunistas.
24 páginas,meio ofício,xerox


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