Mostrando postagens com marcador danielle sales. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador danielle sales. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

resenha de zines: Maria Sogna Tutte Le Notti e Cinisca

Começou a chover aqui no meu Sul Fluminense, e isso me desanima a sair e resolver as coisas de trabalho que preciso. Ao invés disso farei algo muito mais legal do que Assessoria de Comunicação, vou falar um pouquinho sobre dois zines (de papel!) que li nesses últimos tempos.

Vamos começar pelo mais antigo: Maria Sogna Tutte le Notti, zine escrito pela Daniele Salles - antes do Maria ela escrevia o Paraphernalia, que nunca cheguei a ler, mas já ouvi falar bastante - está na sua quarta edição. Acho que tenho todas e as disponibilizo para download no 4shared. Mas vamos lá, essa quarta edição é temática, e fala sobre menstruação. Além de falar sobre como a menstruação se tornou um tabu e como foi apropriada pela indústria farmacêutica, Dani, no zine, lista várias ervas e funções, seja para fazer o sangue descer ou para regular o ciclo.

Ela ainda resenha o zine gringo Menstruator Extraordinaire, e comenta sobre os mitos que enolvem o assunto, como não poder tomar friagem ou lavar a cabeça. Ah, e a capa é demais! Nunca tinha visto aquela imagem antes.. mas não vou contar o que é, quem quiser baixae! O zine é em pdf e tem 16 páginas. Ou seja, você pode imprimir e emprestar ;)

O outro zine que recebi - dessa vez pelo correio - foi o Cinisca. Ele foi escrito pela Rafaela Fontoura e Laiza Ferreira, e vem láááá de Belém. Colagens criativas e fodonas  preenchem o zine de ponta a ponta, que teve contribuições – pelo que percebi, só de garotas – tanto de textos como de colagens. Inclusive, as meninas me chamaram e eu contribuí com uma resenha EMOcionada sobre o Ladyfest Brasil 2010. Tem um texto sobre menstruação, a Elaine Campos escreveu sobre a reação das feministas a fala misógina daquele imbecil do CQC. O zine teve seu aspecto gráfico super levado em conta e cuidado, então para de dizer que em 2012 não tem zine, que ninguém mais xeroca, e que é coisa do passado: escreve pra elas e pega um Cinisca, ou vai e faz seu próprio zine.

Para quem está estranhando essa postagem com um monte de texto, sem vídeo e foto e sem falar sobre bandas: há muito tempo atrás, quando esse blog foi criado, ele era apenas uma extensão do zine que eu escrevia, o True Lies. Esse zine morreu, mas eu sempre fui zineira, e mantive o blog falando sobre música e sobre os zines que faço - Histérica - ou leio. Aliás, se você faz zine e quiser mandar o seu (não só pela resenha, mas para fazer troca de material), deixa um comentário ae.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

zine: Maria Sogna Tutte le Notti


Há bastante tempo quero postar aqui sobre Maria Sogna Tutte le Notti, atual zine editado pela Danielle Sales, que editava o Paraphernalia (entrevistei-a, leia aqui).

Não me lembro muito bem como o encontrei ou como ele me encontrou, a primeira edição saiu em 2005 e vem seguindo o mesmo formato: entrevistas (para citar algumas: Lava, Cria Cuervos, Bonsai Kittens, The Valeries), resenhas de discos e fanzines - a maioria tocados e produzidos por garotas - e textos.


Na #1 e #2 edição chegam uma série de entrevistas que fala sobre punk pareting (a tradução remete a criação de filhos a maneira punk, incluindo aí o vegetarianismo, educação não (ou menos) tradicional e etc), foi a primeira vez que li sobre o assunto e foi a parte que mais gostei do zine.
Foi a primeira vez a possibilidade de ter filhxs não pareceu tão estressante, pelo contrário, parecia inspiradora. A #3 não fala sobre punk pareting, mas ela promete mais na #4, que ainda não saiu.


Há no zine várias resenhas de zines gringos e isso chamou minha atenção. Como meu contato com esses zines é pouco, apenas a MRR e Crimethinc, e o Punx is Ladies, as resenhas formam uma panorama legal de produção de zine punk/feminista.
O Punx is Ladies é feito pela Naomi Violet, que tocava no Hey Girl!




Entre em contato com a Daniele, para saber quando a quarta edição fica pronta. Confira aqui outra entrevista com Cria Cuervos, pra MRR, em inglês.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Zines dos 90/00 - entrevista: Danielle Sales

Na #5 edição consegui fazer algo que realmente gostei de ter feito, que é de fato relevante. Que foi entrevistar pessoas que faziam zines, que me inspirariam a fazer fanzine e a procurar outros zines. Esse tema todo me interessa bastante, não só pela dificuldade que é conseguir, seja o próprio zine, seja infomação, seja contato com os editores, mas porque da acesso a maneiras de fazer zine e de pensar bem mais interessantes que as formas que vejo (e encontro pra fazer) hoje. 







Na #5 entrevistei o Pedro Carvalho, que fazia o Angry Voice. Acho que o AxVx foi o primeiro zine hardcore que li que era redondo. Que tinha boas entrevistas com boas bandas, que falava sobre política, que fazia isso tudo de um jeito interessante e não desestimulador. Li uma única edição, a que tem o Woody Guthrie na capa. Logo no início tem uns pequenos textos, que ainda é relevante, é ver alguém com uma postura que condena o consumismo pagando muito em calças de marca. Não pela atitude das pessoas que torna o texto interessante, mas falar disso num zine, isso deixa perceptível que nos idos dos fins dos anos 90 o hardcore, as discussões tinham âmbito local, inclusive.



Essa edição tem um texto que nunca fica velho, foi escrito pela Carol Pfister (zine Água/TPM) que se chama "Roda violenta". O que ela descrevia no texto, a dificuldade de conseguir ver e cantar na frente num show de uma banda querida, no caso dela, queria cantar um cover do SSD tocado pelo Newspeak, no meu caso, queria cantar um cover do Circle Jerks tocado pelo I Shot Cyrus no último Festival Hardcore de SP. A mesma cidade, a mesma dificuldade. Certamente o texto vai bem mais além do que isso, e como eu disse, é um tema que sempre necessário, porque tem sempre alguém te dando headwalk com mais força do que o necessário. Mas o assunto aqui não é roda...



Entrevistei também a Tate, que junto com a Alice e outras pessoas escreviam o La Carnissa. Zine do DF que foi o que mais me motivou a seguir mesclando o gosto pelo som sujo com o feminismo, foi o que me mostrou que esse binômio capenga talvez não seja tão assustador quanto parece. Esse eu nunca li em papel, o que é uma pena. Mas no Carnissa também, a grande maioria dos temas além de serem pertinentes são importantes e relevantes. Sobre as escolhas que você fez e o que você tem que fazer pra se adaptar no mundo real, sobre vivência. É meu zine feminista preferido. 


Entrevistei também o Felipe Ruivo, que fez o Faca Cega. O que eu mais gostava era que ele fazia muitas perguntas sobre política pras bandas. Gostava de ler sobre hardcore, ou aquele clássico texto que ele escreveu, que está logo no início da segunda edição, se não me engano. Sobre olhar o punk por debaixo da ponta do iceberg. E aquele tom das resenhas, uma ranzinissee sempre presente era engraçado. 


Entrevistei também o Daniel Villaverde, que faz o Nuclear Yogurte, e é colecionador de zines. O Villaverde tinha uma coluna no Bodega, que era o que mais gostava no Bodega, e a primeira (e até então, única) edição do NxYx tem entrevista muito boa com Morto Pela Escola. 


O Maikon K também foi entrevistado, e ele faz o Mau Humor. Não gosto do zine só pelo nome, não. A forma que o Maikon descreve o punk, e as entrevistas valem a pena, sem contar nos textos, resenhas. O Mau Humor e o Nuclear Yogurte comparados com os zines falados anteriormentes são mais novos, mas os dois editores por trás leêm zines a longos anos. 


E porque eu disse tudo isso? Porque a Danielle Salles (que fazia o Paraphernalia) enviou a entrevista dela depois que o zine já estava pronto. Não sei se incluo mais uma página na quinta edição, mas sei que de cara já vou deixar aqui a entrevista. Escrever sobre zines é a única forma de mantê-los vivos.

Entrevista: Danielle Sales - Paraphernalia

Qual zine você fez, porque? qual matéria,entrevista,texto você mais gostou de ter feito (ou publicado) ?

 
Na década de 90 eu fazia um zine chamado Paraphernalia, quando ainda morava no Rio de Janeiro. Eu fazia porque queria escrever sobre as bandas que me agradavam e sabia que não iria achar nada sobre elas em revistas do tipo Rock Brigade, pois eram bandas mais pesadas, mais radicais (rs). Queria criar uma publicação mesmo sem ter grana, queria que as pessoas lessem o que eu escrevia. A entrevista que eu mais gostei de fazer foi com o Wojcek - aí eu já morava em São Paulo. Deu um trabalhão pra fazer, pois meu inglês não era grande coisa, mas os dois caras da banda foram bem legais comigo, assim como o Marcelo, do Rot, que me deu a maior força e ainda cedeu a casa dela pra entrevista. Depois tive que transcrever tudo em inglês, depois traduzir... Mas o resultado, com as fotos que tirei no show, ficou bem legal!

Qual foi o primeiro zine que foi realmente bom ter lido, que talvez tenha te animado a produzir o seu? e qual seu zine preferido?

 
Na cidade onde eu morava eu não conhecia nenhum zine. Zines preferidos? Do Nordeste, tinha o "Sociedade dos Mutilados", o primeiro zine de atitude que eu li na vida. Eu também gostei muito do Kaóstica, que a Elisa do Dominatrix fazia com a irmã dela, mas infelizmente só saiu um número. Era feito em papel jornal, muito legal, e a temática me interessava totalmente. Eu também gostava do Punto de Vista Positivo, foi o primeiro zine brasileiro com escritos pessoais que eu vi, gostei muitíssimo. Tenho receio de esquecer de algum, mas eu doei uns 400 fanzines para um amigo há alguns anos, de modo que não vou conseguir lembrar de nada de cabeça (rs).




Existia algo dos meados dos anos 90/começo dos 00 que para você tenha ajudado ou estimulado essa produção de zines?
Olha, pode parecer brega, mas o que me incentivou a fazer zines foi a seção de zines da revista Rock Brigade (hahahaha). Eu comprei uns números, escrevi pro povo da seção de zines pedindo a publicação do pessoal e logo estava fazendo o meu.

Atualmente você tem feito algo relacionado a escrita, a fanzines?

Atualmente eu sou editora, então meu trabalho tem tudo a ver com publicação, escrita... E depois que meu filho nasceu eu comecei a fazer um outro zine, o "Maria Sogna Tutti le Notti", que é voltado para mulheres e o trabalho delas. Só consegui publicar três números até agora, mas logo terei um número quentinho saindo do forno.