sexta-feira, 1 de março de 2013

Como foi o show do Polara pra mim

antes de tudo, se você nunca ouviu polara, pare por meia hora. ouça isso:
http://www.youtube.com/watch?v=RW_dJeJboj4

coluna do mama


Foto: Marcos Bacon

Hey Carla! tudo bem?


Senti sua falta no show...  Pra juntar essa sua ideia de te contar como foi e postar uma resenha aqui no blog, já vou fazer tudo de uma vez. Até porque prefiro te contar como foi, do que meramente resenhar esse momento (não que uma coisa seja necessariamente independente da outra, mas enfim).


Bem, você me conhece e sabe que eu gosto bastante da banda. Nunca tinha visto um show deles, então quando anunciaram o show fiquei bem feliz. Quer dizer, acho que muita gente que eu conheço ficou pra caramba! Apesar que a Priscila já tinha profetizado a volta no last.fm há um tempão e um monte de gente duvidou, há! O show aconteceu dia 23/02 (sábado passado) dentro da exposição Um paço ao seu alcance, que é uma exposição do Carlos Dias (ASA) no paço das artes, dentro da USP (Universidade de São Paulo). 

Ok, contextos a parte. Uma pausa. Voltando ao Polara...

Então comecei meu dia já sabendo que ia cedo pra usp e ia ser isso. Empacotei minha mochila com o que necessitava, deixei o frame and canvas no repeat e fui pegar o 177-p. No bom e velho ponto do lado de casa, mas sabendo que aquela fachada que sempre me encara ia me dar um animo extra nesse dia. Coincidencia, ironia, ou fotologuisse essa é a minha visão do ponto de onibus antes de ir pro show.


Bem, uma vez na USP já notei o que seria o dia, encontrar pessoas e ouvir um som! Talvez por Polara ser a banda mais cantada no rolê, ou talvez por eu conhecer pessoas demais que gostam da banda. Sei lá o que dizer sobre o Polara sem parecer choroso demais, ou muito babão, mas de um jeito é inegável que desde os primeiros sons que eu ouvi deles, me senti bem. Senti uma certa identificação, sem saber direito se era por causa de acordes, frases ou um clima que me trazia algo de seguro. Me fazia olhar a minha volta e saber que havia um sentido naquele espaço. Mas o dia vinte e três era muito mais do que só isso. Me lembro que por exemplo, só conheci um amigo meu nos primeiros dias de faculdade porque eu tava com aquela edição da +soma que tinha "Empate" na coleta e a gente ficou  falando sobre bandas de emo, cantando uns sons do Inacabado e essas coisas. Esse amigo inclusive, foi quem me apresentou Braid alguns dias depois.

Esse é o Braid. Frever got shorter agora né?
Acho que o show teve bastante a ver com isso. Pessoas da nossa vida. Tinha muita gente, gente conhecida, amigxs de tempos atrás, novas amizades, pessoas que eu tenho muito carinho, gente que eu amo do fundo do meu coração. E também pessoas que você só sabe quem é do facebook, gente que eu cumprimentei/conversei cara a cara pela primeira vez, e até pessoas que seria estranho (awkward) demais falar oi do que dar um like. É meio bizarro falar assim, mas acho que é um pouco isso também. E também as pessoas que não foram, e queria que tivessem lá também...

Sem tentar me alongar demais, lá pelas oito horas e pouco o paço já estava armado e empacotado. Nossa tinha muita gente lá, umas 300 pessoas (?). E o show começou (acho que foi com menos um dia) e pronto foi só o que todxs ali precisavam pra se derramar. E se derramar mesmo, caramba tava uma voz só ali que o vocal saindo dos PAs ficou pequeno. Não pelo volume em decibéis, mas pelo volume espacial da coisa, aquilo que preenche. De um jeito eu até esperava isso, todas as pessoas cantando os sons, cada uma a sua maneira. Mas quando isso aconteceu materializado, foi uma onda que arrebatou todxs ali pra cantar ainda mais. Ficou claro que quem tava ali, tava querendo aquele show e precisava daquilo naquele dia e daquele jeito. Pelo que dava pra ver da reação dos caras, acho que não estavam esperando tanto isso e parece até ter causado uma surpresa um coro tão grande em cima de som após som. Uma surpresa boa que foi só alimentando mais e mais o clima do show. Poxa, e que clima bom que alegria que tomava conta dxs amigxs. Olhava para os lados achando olhos amigos, feições de felicidade, emoção não contida.

Logo no começo do show quando eles tocaram "Meus Cumprimentos" do split com o College, aconteceu ali o que eu achei que foi um dos melhores momentos. Priscila pegando o mic pra cantar o som, uma pena que caiu o cabo. Poxa era o que ela precisava, vendo ela naquele momento, me encheu ainda mais pra terminar o som a plenos pulmões (é dificil, é dificil, eu queria ser seu. waaaaaaaah). Por conhecer ela, por saber o quanto ela gosta da banda, por já ter tocado e cantado vários sons do Polara com ela, e alguma coisa de muito bonito nesse momento que não sei descrever. Foi mais ou menos assim...


Críticas & (o eterno) espaço alheio 

Vou aproveitar que o vídeo ajuda a dar uma pausa, pra falar da parte não boa do show. Porque apesar do show ter sido muito muito muito bom! Não posso deixar de falar de certas coisas. Primeiro porque é algo que já te contaria de qualquer jeito, e por estar no blog acho que a gente tem uma certa questão com posicionamentos (políticos ou não) que não faria sentido esconder. Enfim, os problemas do show não tem nada a ver com ter faltado um som ou outro, sempre vão "faltar" sons em shows, ainda mais quando se quer ouvir todas as musicas da banda, mas pra mim não faltou nenhum porque tiverem presentes tantos outros.

Em questão de som, não chega a ser um problema, mais um desejo mesmo dos instrumentos poderem estar mais altos. Mas isso não é culpa de alguém ou de algo, imagina um show independente/diy/roquinho de graça ter um paredão de caixas de som? Era só uma vontade pós show mesmo, até porque eu falei com muita gente depois do show que ouviu muito pouco das guitarras/baixo e até bateria. Mas isso acho que também ninguém sabia o que ou como esperar o desenrolar desse show também. Reforço que essa ideia do som só faria ficar mais altos os instrumentos, mas não vejo como um problema ou se necessariamente faria do show melhor. Mas é essa ideia que eu como estava na frente conseguia ouvir os instrumentos, e só depois fui sacar com as pessoas que estavam pra trás que se ouvia muito pouco para além das vozes. E só porque eu não estava atrás, que eu não posso pensar e reconsiderar essa situação.

Enfim, se você ver os videos do show vai notar que teve uma treta (ou um principio dela). O que foi a treta mesmo, eu não entendi muito na hora. Mas foi um claro desentendimento entre dois caras ali na frente (que tavam mais pra esquerda, enquanto eu tava mais pra direita). O problema em si não foi essa treta, já que ela logo foi miada, mas o que desencadeou ela foi a situação. A euforia ali era tanta que gerou um certo empurra-empurra, pessoas indo pra frente, você se sentia esmagar de vez em quando, um clima intenso. Meio violento até, eu diria. Não era em qualquer lugar que dava pra ficar dançando, ou dançar de qualquer jeito.

Muita gente se achou em bons lugares na frente, ao lado, ali na região do 'palco'. Só que o miolo, a muvuquinha, tava se apertando cada vez mais. Tanto que desencadeou essa mini treta. A partir de um certo momento, aquilo tudo se assentou de uma maneira que estávamos ali vendo o show do Polara e cantando juntxs. Mas ainda um clima intenso (ok, intenso por diversos motivos muito mais bons do que ruins). E uma coisa que eu achei muito boa dessa mini treta, foi assim que começou a rolar esse lance, o Marinho já estava sem a guitarra falando pros caras algo como: se vocês querem brigar a gente para de tocar.

Além disso, alguns moshs tavam rolando periodicamente. O que pra muita gente é uma coisa normal ou é assim mesmo. Mas isso é meio perigoso porque é uma naturalização de uma parada que não é necessariamente como shows tem que ser. É perigosa essa afirmação de que "tem que moshar mesmo em show e é isso ai, aguenta.", porque as vezes você pode estar sendo inconveniente ou deixando alguém desconfortável sem saber. E lendo zines sobre consenso, me fica essa perspectiva de que certos ciclos estão fadados a se repetirem até que haja uma conscientização e/ou uma consideração, e não simplesmente uma conquista de espaço (não só físico) pela força.

Por exemplo, eu levei pisadas do além, enforcamentos, vi gente caindo em cima de amigas e amigos que só estavam ali curtindo o show a sua maneira. Mas essa é minha oipnião, prefiro rebolar o popozão a levar/dar chutes na cabeça. Será que quando eu danço eu estou incomodando as pessoas a minha volta? Talvez, eu tento me certificar que não to atrapalhando o show de ninguém mas também não posso afirmar com certeza, afinal sou grande e suo bastante enquanto me balanço de forma desgovernada. Vou aproveitar repensar também como me coloco nos shows que assisto.

Emo & sexismo

A última das coisas, e essa eu vou chamar de merda mesmo, depois é o meu gancho pra voltar ao Polara e as coisas boas (porque como diria um amigo meu, de difícil já basta a vida). Eu ouvi mais de uma vez falarem/gritarem coisas como "emo viadinho". Não sei necessariamente o contexto, mas não importa. Em qualquer lugar, de qualquer jeito, chamar alguém de "emo viadinho" é homofóbico pra dizer o minimo. Por gostar de emo e me identificar com muitas bandas, e também tocar em uma banda de emo com dois amigos que eu amo muito, a gente cresceu vendo, ouvindo e até reproduzindo muita besteira sobre emocore que depois fomos aprendendo, e nos posicionando.

Mas uma das maiores merdas em cima de tudo isso é esse sexismo anti-emocore que ficou bem forte em 2003/04 mais ou menos, que basicamente dividia as pessoas em "emos viadinhos" e "emos vadias". Isso só ajudou a reforçar uma despolitização de muita gente nova e da própria cena pop-emo que vinha dessa linha de emo/pop punk mainstream. Em vez de criticar uma mercantilização das musicas, ideais não diy que só nos fazem ficar dependentes de um sistema capitalista hegemonico, letras que vitimizam meninos e atacam meninas de maneiras pesadamente sexistas, atitudes e falas também homofóbicas... Não. Massificou-se essa ideia de reagir contra a moda emo de maneira homofóbica.

Que esse emo que virou moda pode não ter tanto a ver com o emo que eu escuto, mas também tem! Também é emo. Só que por muitas barreiras criadas isso se fragmentou, ao invés de trazer a discussão e as pessoas que gostavam da moda/estética visual e sonora para aumentar as trocas inter-pessoais. Não, fez-se questão de excluir.

Já li em zines antigas e na internet um termo como "emo-violence" que não faz sentido pra mim, parece uma proposição a ser violento (eu não entendi mesmo a proposta de emo-violence, não sei do que se trata). E também essa coisa de real emo, segregacionista pra caramba. Elitista a ponto de querer dizer que existe um emo certo. Mas existe mesmo? As letras sentimentais estão isentas de serem produtos de uma sociedade machista? Como? Se não houver a reflexão e a discussão? Muito se fala do hardcore/punk ser uma cena fechada para meninas, e essas ideias sobre emo então? Existe abertura num espaço onde o que mais se canta é sobre como meninas quebram corações, pisam em meninos e etc...?

Me poupe, muito hétero-bobo isso. Ai nessas, qualquer musica que um cara canta sobre uma garota vira emo, vira coisa de bicha. E qualquer musica emo a partir disso sempre vai ser sobre isso, só vão ler a sua musica como um menino falando sobre uma menina e não passará disso. Ninguém se abrirá a interpretações ou a de fato criar uma relação com a musica. A ideia do emo tem tanta abertura para se pensar em atitudes, sexualidades, comportamentos, identidades, pessoalidades, vestimentas, que poderiam se relacionar com queer, feminismo, vegetarianismo, questões de identidade de gênero não binárias, modelos econômicos... Aquela ideia do "pessoal é politico" podia estar muito mais forte (sem querer me apropriar disso, usando como referência). Nas palavras bikini killianas "Do you Believe in something beyond troll guy reality? I do, I do, I do!"



Muitas das bandas de Chicago, tomando o Cap'n Jazz como exemplo, tinham em seu som uma relação muito forte com a arte. Seja na busca de como afinar seus instrumentos e tocá-los de outros jeitos. A busca das influências plurilaterais, a questão das letras e poéticas que te fazem ir além, te faz pensar pra dentro, te faz repensar pra fora. Te faz ficar confusx pra caramba! Isso ai tem uma força indescritível. Não estou aqui afirmando que o som emo deva ser uma coisa ou outra, principalmente nunca um som politico no sentido partidário. Mas sim no sentido pessoal. Se isso não ficou muito claro, estou aberto a perguntas, criticas, etc... por favor! Estou colocando minhas impressões, foi assim que eu acordei hoje. Ouvir Polara me faz pensar em um monte de coisa.

E ouvir Polara também me remete a essa questão da ligação do som com uma ideia de arte. Não a toa que estávamos numa galeria no meio de uma exposição do próprio vocalista da banda. Não a toa que muita gente, eu incluso, acha esses sons lindos. Não a toa que o tempestade bipolar é uma viajem muito fácil de embarcar. Então tá!

Esse momento foi muito lindo mesmo, porque esse som ta no fim do cd Tempestade Bipolar e é uma parada meio catártica pra muita gente que eu já conversei. Acho que fica claro no vídeo, ou em alguns rolês por ai. Eu não esperava que eles fossem tocar. Um amigo meu eu não vi na hora, mas tenho certeza que chorou.

E o show prosseguiu com um set list de belas canções, e naquele clima de todxs ali pelo Polara. Quando o set list se mostrou finito, a galera ainda puxou "Duas e Meia" e "Confusa Demais" acapela. Com um leve acompanhamento instrumental. Isso ai não da pra escrever o como foi belo.


Foto: Marcos Bacon

Ok, pra gente que tava lá foi muito foda o show! E vendo os caras tocarem deu pra notar que pra eles ali também tava sendo muito bom. A mesma coisa que nos alimentava (enquanto pessoas), alimentava a banda, muita coisa sendo trocada ao mesmo tempo pra culminar no fim de tudo. E depois no facebook, né meo? Mas falando sério eu li eles escrevendo sobre o show, e parece ter sido tão emocionante pra eles também. Fernando na batera tocando com um sorrisão no rosto gigante o show inteiro. Sato no baixão um tanto misterioso mas nem um pouco menos empolgado e conduzindo-nos nota pós nota. Marinho tocando intensamente na sua guitarra esmerilhando riffs, acordes cortando corações e sempre muito enérgico. Rafael na outra guitarra toca muito! Também muito empolgado, pulava não se continha por que não tinha que se conter, ele estava feliz e isso estava estampado nele. Carlinhos tinha uma expressão as vezes de não estar acreditando muito, com certeza estava feliz demais, com a sua presença voadora, e a interação com quem estava ali que trazia ainda mais as pessoas pra dentro do som. Os sons foram tocados por eles, a ultima formação que nos presentou com esse show. Ainda tocaram empate duas vezes. Esse dia foi loco!

Uma hora o show teve que acabar, porque é assim que funciona. Mas não vi ninguém triste por isso. E pra todxs xs amigues que eu perguntei '-e ai ta feliz?' me responderam com sorrisos e/ou com certezas. Poxa, eles tocaram por mais de uma hora. Foi um showzasso, e dos grandes.

Exposição "Um paço ao seu alcance"

Se você tiver a chance ainda de vir a SP até o dia 24 de março, vale a pena dar um pulo lá pra ver a expo. Tem vários desenhos, quadros, colagens, fotos, murais espalhados pelo espaço. Eu achei que ficou bem boa, apesar de já gostar dos desenhos e trampos em geral. É bem legal ver muitos trampos dele juntos, não sei se é assim que é dentro da cabeça dele ou não, mas dá um impacto ficar pequeno ali dentro no meio de tanta coisa. Pra quem não conhece acho que é uma boa dar uma olhada no tumblr pra ter uma ideia.

Também tem uma instalação de vídeo, que ficam passando dois videos simultâneos, que da pra se perder legal. Uma das coisas que eu achei mais legal é um mural ali só de impressões da internet, não sei direito o porque, mas tem algo de hipnotizante ver a internet fora dela. Talvez tenha a ver com a proposta das coisas estarem ao seu alcance. Em resumo a exposição está bem boa, é uma coisa de ir la passar um tempo, conversar, ver mais algumas coisas e ver como isso te impacta. Ao invés de eu ficar aqui tentado desconstruir o que são esses desenhos ou porque eles estão lá.

Um dos trabalhos de Carlos Dias

Nesse mesmo dia do show tiveram 3 oficinas antes. Uma do Cabu falando da tour de arte que ele fez com mais uma galera agora no fim do ano, chama Viaje Musical. O projeto é bem legal, e acho que adiciona à perspectiva de que o punk não é só musica. Se você desenha você pode desenhar e fazer a sua tour, e conhecer gente, e trocar informações, etc... Ele mostrou uns videos bem bacanas da viagem, e contou um pouco da experiencia dele. Também rendeu um zine que vale a pena dar uma olhada aqui.

E ainda duas oficinas simultâneas, uma de gravação que o Fernando Sanches (Againe) tava dando umas dicas e mostrando pra galera como gravar um som, tentando desmistificar um pouco a gravação de uma banda ser algo ultra-complicado e ao mesmo tempo passando umas dicas que ele aprendeu com o tempo. E a outra de montar uma banda, com o Quique Brown e Velhote. Que basicamente era juntar quem tivesse afim ali pra fazer um som e tocar um mini show, uma pena que umas crianças que tavam lá não se animaram pra participar. Não perdi essa oportunidade de fazer uma jam ali com 4 pessoas que eu não conhecia, fizemos dois sons. Um punk meio alá Cólera e um outro meio pós punk que foi gravado como parte da oficina de gravação. Foi divertido, e algo pra fazer já no espaço onde mais tarde seria o show.


Arte nesse nosso diy

Esse show, tanta gente ali, me fez pensar uma coisa que acho que está cada vez mais e mais sendo falada por ai. Essa questão de arte dentro do meio punk/hardcore/indie, onde acho que não só o Carlinhos, mas ele também, ajudou a espalhar e impulsionar mais isso de quem também desenha, pinta, recorta-e-cola poder ser protagonista nesse meio musical. Afinal o meio independente não é só musical, e a musica e as artes visuais dialogam e muito, e não só o que é desenhado de maneira plana, o que esta na internet, o que é vídeo.

Qualquer forma de se expressar é uma forma de se expressar e isso é valido por que vêm de uma pessoa. Sobre isso eu me importo e gosto de ver, receber, dialogar. Se você parar pra ver, aqui em São Paulo, pelo menos, os shows tem mostras de artistas diy, e tem muito lugar que a musica não é o mais importante, ou a unica protagonista em eventos. Mais gente se joga e se propõe a fazer outras coisas que vem de dentro, não só aqueles velhos dois acordes. Um pouco disso porque gente como ele ou Carlos Issa (Objeto Amarelo) ou a Silvana Melo (Lava), pra dar exemplos, faziam isso com as suas bandas, com bandas de amigues, em shows e por ai vai. Um pouco do que foi falado na oficina do Cabu também. E acho que isso é/foi muito melhor abordado pelo Daniel no zine dele Tralha. Principalmente na Tralha #2. Se tiver a chance leia.

E outro lance, mais da parte musical, que acho que é pouco falado, que não só nos círculos específicos (mas pode ser que não). E já que ta rolando tantos revivals dos anos 90 e afins... A Spicy me parece ser algo que fazia muita coisa, não sei porque não vivi e posso estar falando besteira mas... Organizava show aonde desse, fazia coletaneas, lançava bandas. E isso fora de uma cena já esabelecida punk/hardcore, era a abertura de espaço pra essas outras referencias, e ainda sim diy. Era esse lado do emo/indie/experimental que foi fazendo seu próprio espaço. Se gravando, se lançando, tocando aonde desse, do jeito que desse. E isso eu acho muito foda! Acho que se hoje a gente que toca, se grava e afins, alguma coisa tem a ver como que o Rafael fazia com a Spicy. E ainda bem que  fazia isso! Sobre explorar possibilidades, abrir caminhos e ter sons que eu gosto, de um jeito que eu gosto. Não acho que seja exclusividade da Spicy isso, mas foi a que mais me impactou. Tipo aquela coleta Select, é embaçada. Muito boa!

De um jeito, ou de muitos foi isso que aconteceu. Desse jeito que eu lembro. Pra ver como da pra ir longe só com um show, uma banda. Ainda bem! acho que ficou legal, o que achou? que eu escrevi muito eu sei, mas não consegui me conter. Queria escrever mais, mas também tem que parar uma hora. Ei, se tiver alguma coisa que quiser escrever do show, da sua perspectiva, me manda ai também! marcelo.terreiro@gmail.com
Essas fotos do show são Marcos Bacon's. Se quiser tem o álbum inteiro aqui.

Agora vou deixar um play só com bandas/projetos dos integrantes do Polara, que foi meu combustível enquanto escrevia.


Musicaaaal!: 


albertinho dos reys  projeto de carlinhos acustico e lo-fis.
elroy - emão responsa que tinha crespo e sato.
cerezo - banda nova do crespo, lagwagon de são paulo.
walter e reys - dosreys + matheus walter.
hurtmold  - banda instrumental que o marinho toca guitarra. e ta de cd novo pela submarine.
mdm - projeto do mario de groove lo-fi.
elma - metal instrumental que o fernando toca batera.
mickey junkies - banda que o sato toca baixo também. tipo um fusion de rock.
cinedisco - emo carioca que o fernando tocou bateria uma época. 
caxabaxa - para os baphos 
diluentes - sempalavras.

E com certeza eles tocam/tocaram em outras bandas, vai atrás. Pra acabar um video ai do youtube! 

Já que o Fernando não chegou a gravar no cd do Cinedisco, taí eles no Hangar tocando "Copacabana", do Noção (com malni no baixo).
 

 muito amor,
-mama 

Um comentário:

Filipe Falcone disse...

Porra mama, sua coluna tá do caralho! Cada vez fica melhor