No início de fevereiro, Warpaint se apresentou em São Paulo, no The Art of Heineken. O evento, foi realizado nos dias 3 e 4 de fevereiro, no Museu de Arte Contemporânea (MAC - USP). Elas estão em turnê divulgando seu terceiro álbum 'Heads Up'. Os shows, mesmo pequenos e pouco divulgados, foram bem comentados pelos fãs. Eu não fui ao show, por isso, não consigo fazer um post maior do que este.
A super Ana Laura Leardini gentilmente aceitou o nosso convite de divulgação das fotos. Ela fez fotos incríveis do evento, e seria um erro não compartilhá-las aqui, mesmo com um pouco de atraso. Ana Laura trabalha com audiovisual e já colaborou outras vezes, com a fotoresenha do RVIVR e do evento Ah! Que Isso! Elas Estão Empoderadas.
Deguste ouvindo 'New Song', música do novo álbum de Warpaint.
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Por aqui continuo sem notebook, por isso, o blog está paradíssimo da Silva. Mas não desistam de nós! Temos planos para um retorno triunfal. Hahahaha. Vai, só um retorno mesmo já está de bom tamanho.
“And when the body finally starts to let go Let it all go at once Not piece by piece.”
Então era isso, eu estava ali no Albert Hall em Manchester.
Vendo e ouvindo e sorrindo e dançando Sleater-Kinney! Carrie, Corin e Janet
tocavam "Get Up" e era já a metade do
set, eu acho. Na hora eu nem sabia disso e só me importava com não perder a
cadência da respiração. Eu sou uma pessoa que se abate fácil e constante e,
quando elas começaram a tocar esse som com Corin dando esses conselhos do começo
da letra:
“E quando o corpo finalmente começar a se esvair
Deixe ir de uma vez
Não em pedaços”,
foi pra mim um
dos momentos de maior catarse nesse show ( e olha, não foram poucos não! :) ),
meu coração batia na rítmica de Weiss e eu sentia minha corrente sanguínea
fluindo com os riffs daquelas duas guitarras da união Browstein-Tucker, as
vozes que entravam em mim se aconchegando no meu peito, e um tal burburinho que
estava no meu coração (quase como aquela água que começa a ferver pro café)
numa ligação direta com a cabeça, apenas aguardando o momento correto de se
deixar levar e explodir num “Oooooooh get up!”. Deixando as pernas, braços e
quadris irem juntos, no meio de tanta gente desconhecida mas também
incrivelmente alegres/eufóricas/chocadas/insanas/chorosas, que fizeram daqueles
minutos essa experiência, de fato, inesquecíveis.
Eu mantenho essa
memória muito viva, parece que eu saí de lá com uma tatuagem numa região especifica
do cérebro pois é algo que eu sempre acabo precisando. Não foi por acaso que eu
resolvi começar a falar do show por esse momento.
Esse é um texto
que devo ter escrito há mais de 2 meses já, foi dia 24 de Março e uma das promessas que eu
fiz quando saí das perdizes, foi que com certeza iria escrever sobre isso para o
blog/zine mais sleaterzístico do pedaço, esse Cabeça Tédio. Mas as palavras não saíam. Então, ter lido
a experiência da Puni me ajudou muito. Perceber as emoções dela
descritas da maneira que estão, por também ter presenciado essa coisa mágica
que é estar presente num show das Sleater-Kinney. Isso me inspirou a finalmente
pôr meu relato pra fora. Assim como as sábias palavras de Carla me motivaram
bastante.
E é por isso que
eu volto a esse momento delas tocando "Get Up". Pois é uma das memórias que eu
cultivo pra não deixar a tristeza se fazer muito confortável dentro de mim. E
ah, como eu preciso de momentos assim! É reconfortante poder existir (dentre
outras bandas, claro) esse S-K que pode promover isso. Me evitar enlouquecer em
sofrimentos auto-depreciativos ou problemas despropositadamente desproporcionalizados.
E o melhor de tudo, sabe qual é? A importância da banda e a relação que muitas pessoas
também tem com ela! Não é só comigo, cada pessoa tem suas sensações e euforias
revitalizadas, remexidas e saber disso é como respirar tranquilamente em um
momento de paz.
Por favor não
estranhe essa resenha de show baseada num instante congelado. Mas a minha experiência
foi bem próxima a isso por ter uma relação especifica com a banda. Assim como
cada uma tem a sua e eu tenho com outras bandas. Viva as nossas pessoalidades
que se encontram por conta disso!
É impossível não passar
por uma jornada paralela de pensar nas pessoas queridas, amigas que gostam da
banda, com quem já conversei sobre, com quem já ouvi um som... pessoas que eu desejo muito
que vejam elas ao vivo, porque todas merecem. As saudades que bateram... o fato de um dos
meus melhores amigos ter visto o show delas antes no Canadá e ter naquele
relato de whatsapp o ótimo sentimento que elas deixaram nele. Poxa, isso é
Sleater-Kinney pra mim também! É um pouco do efeito que tiveram a minha vida.
Né Carla? Quando a gente se conheceu foi uma das nossas primeiras conversas e
cá estou eu, depois de ter visto o show, escrevendo sobre.
Ok, tem uma
maneira mais prática aqui de descrever o show, que foi como eu me senti no
final. Era muita ansiedade antes delas subirem ao palco e parecia que aquilo
já durava dias. Quando, de repente, lá estavam Carrie, Corin, Janet e Katie com
seus instrumentos encaixando música atrás de música... ah, como tocam! Pareciam que
30 segundos haviam se passado e elas já não estavam mais lá, as luzes se
acenderam. Ai ai, foi muito rápido... (como na canção do Fragile Arm
“...que vem forte, passa rápido e seca logo”).
Mas, me organizado
um pouco melhor, a visão mais crítica do show consegue vir à tona. A banda de
abertura, The Pins, foi bem bacana. Deu aquela refrescada ouvir musicas que eu
nunca tinha ouvido antes. A baterista tinha uns trejeitos parecidos com os de outro
dos meus melhores amigos (que também estava naquela mesma conversa de whatsapp),
e me fez gostar ainda mais! Deu aquela marejada nos olhos. Elas todas cantavam
numa dinâmica bem legal mesmo e deixaram a casa num clima muito do bom.
Então tá, era
chegado o momento.
A felicidade se espalhava,
os gritos e as palmas e pimba: lá foram elas a tocar. O set list estava bem
baseado no último disco, o que não podia deixar de ser... e que belo disco, não?!
É a fase delas e, como até já falamos isso em outros textos (aqui e aqui), a banda acaba se
caracterizando e se diferenciando bastante pela fase de disco (pelo menos nessas
nossas opiniões por aqui). Ao vivo não parecia diferente pois os sons que mais preenchiam
eram mesmo os do No Cities To Love. Também porque ali a galera fez a tal lição
de casa e cantava principalmente esses sons, acho que a bela surpresa que foi a
volta+disco novo+shows deixou todo mundo empolgado pra caramba. Elas também
tocaram bastantes sons do The Woods, que por ser um disco mais próximo a essa
continuidade que estavam dando com a banda, eram outros que ressoavam bastante
o ambiente inteiro, ficava um som cheião, rock mesmo, bandona!
A dinâmica do
show funcionava mais ou menos assim: pra tocar os sons do No Cities To Love, a
muito talentosa Katie Harkin (que toca na banda Sky Larkin) se juntava a elas, tocando ao lado de
Janet a sua guitarra, e por vezes um tecladinho ou até uma percusão, preenchendo
as músicas em alto estilo.
E quando ela saía
do palco e deixava as três, era a hora que vinham os sons de antes do hiato. Os hits do nosso cotidiano. Nossa, e teve hits mesmo! Acho que por estar ouvindo
muito o The Hot Rock na época, "Start Together" foi um som cabulosíssimo quando veio.
Mas não era isso
que eu ia dizer. O meu comentário abalizado é que, sem dúvida, ir ao show das S-K teve aquele fator sonho realizado pois tava tudo lá! A bateria da Janet
cheia de sorrisos e balançadinhas de cabeça, sempre direta ao ponto. A guitarra
mais grave da Corin, que mesclam linhas de menos notas com seus riffs que
combinam e destoam ao mesmo tempo dos riffzinhos mais agudos e caminhantes da
Carrie. As dancinhas e jogos de perna invejáveis que só ela sabe! As trocas de
olhares, os sorrisos confortáveis. As harmonias de vozes das três. O vocal da
Carrie meio anasalado. E a Corin que, só ela, chega fazendo aquele agudo,
aquela gritadinha, que vai la em cima e leva a gente junto! Nossa, nossa, show
de Divas!
Outra coisa que
deu pra notar bastante são as diferenças dos climas de discos. E como em alguns
sons mais velhos, aquele estranhamento da individualidade de cada uma em seu
instrumento se somando a uma mesma canção é sensorialmente forte! E causa essa
novidade, a vontade pela empatia e auto-conhecimento, a busca. E ainda mantendo
a unidade da mesma banda, deixando todas as pessoas ali confortáveis. Sim elas
são Sleater-Kinney! Não há dúvidas, nunca haverá.
Na volta ao palco (o tal do encore) Corin volta só com o microfone com Katie na sua guitarra, cheia daquela malemolência, pra tocarem Gimmie Love. Um show à parte dela, muito a vontade só com o microfone, sem precisar da guitarra.
Durante o show eu
fui invadido por muitos sentimentos e seria injusto também não expor que as
músicas daquele jeito, ao vivo e na minha cara, me trouxeram muita reflexão e
aquela busca do auto-conhecimento. Também, o pesar de erros e besteiras feitas e
futuras, mesmo que por vezes não intencionais. Ou movidas reativamente por essa
bagunça que é a cabeça e os pensamentos que nela habitam. Pois a banda faz, sim, lembrar de dias passados e pessoas que ficaram lá, ou pessoas que não se tem a
mesma convivência (pelo motivo que for), mas que sabem que elas também tem, ou poderiam
ter, as suas relações e momentos com a banda. E esse show é uma experiência que
todas deveriam passar. Então é bom poder pôr os pés no chão e tentar seguir
tentando compreender mais os erros e coisas passadas, relembrar bons e maus
momentos nesse pretérito imperfeito. E nunca se esquecer dessas canções que já
te fizeram sentir o que precisava ou o que pode precisar. E tem uma música que
acho que me trouxe em especial pra isso também.
Sim, elas tocaram "One More Hour"! E sim, foi lindo!
E eu vou me
colocar esse limite de ficar lembrando e lembrando e comentando cada som e
momentos que surgem em mente, se não isso nunca vai ser postado haha. Como um comentário
final, acho que muito da magia do show foi por causa dos meus olhos mas eu
tinha uma expectativa e ela foi excedida! Foi incrível pra mim! E isso conta
alguma coisa, eu espero. Cada pessoa viu um show, tem gente que viu elas em
outras cidades, tem gente que viu em outras épocas, tem gente que ainda vai
ver. Os dias são diferentes, os lugares são diferentes, os climas são
diferentes, as pessoas são diferentes.
“There are no cities, no cities to love It's not the city, it's the weather we love! There are no cities, no cities to love It's not the weather, it's the nothing we love! It's not the weather, it's the people we love!”
Falë será realizado no Rio de Janeiro e Vale Histeria em São José dos Campos
Punks feministas, bruxas, zineiras, peludas e lindas em geral já podem anotar na agenda - ou no aplicativo apropriado - que janeiro mal começou e dois eventos feministas serão realizados, um no Rio de Janeiro e o outro em São José dos Campos, interior de São Paulo.
O Falë - Festival de Artes Livres Raiotäge - organizado pelo coletivo carioca Raiotäge, será realizado no dia 18 de janeiro no Centro do Rio de Janeiro. Um dos principais objetivos do evento é discutir a invisibilidade das mulheres e pessoas Trans*, além de criar um espaço para mulheres e trans* (conforme é colocado na descrição do evento) possam desenvolver suas potencialidades.
O evento começa de tarde, com oficina de zine, na sequencia rola exposição de Michelle Oliveira e Lizz Marino. De noite rola o show com LuvBugs (RJ), Benária (RJ), Belicosa e Ive Seixas (Resende/RJ). Ive Seixas é a vocalista da Ricto, e nesse show ela levará seu projeto experimental solo, o Andorinha Só, no qual ela continua tocando músicas autorais, diferentes da Ricto, pois estas são influenciadas por MPB e são todas acústicas. O LuvBugs é uma dupla que faz um som lo-fizado e o Benária é um power trio especialista em punk rock. Se não estou enganada, este é o primeiro show do ano da banda. Rango vegan, bebidas e banquinha com materiais independentes vão rolar durante o evento.
Já no dia 25 de janeiro, em São José dos Campos, rola o primeiro Vale Histeria. Trata-se de um encontro faça você mesmax feminista apenas para lésbicas e mulheres - sejam elas cis ou trans - veja o teaser do evento aqui. No Vale Histeria também rola rango vegan e banquinha de zines, a organização do evento inclusive encoraja a todxs que levem seus materiais. É importante e necessário que homens cisgênero respeitam a política do evento - que não tem como foco eles - e não participem das atividades. Segundo a página do evento apenas o show é aberto para homens cis. Uma coisa importante do evento é elas abrirem espaço para mulheres que são mães ao convida-las e informa-las que há espaço para as crianças, inclusive para elas pintarem, brincarem e ainda rola projeção de vídeos. Durante o evento rolam duas exposições: Varal de Poesia Preta, de Formiga, "Não Calarás" por Tomate e fotografias de Natasha Mota. E ao longo das apresentações rola live painting com Leen Vandal, que vai grafitar durante os shows. Os shows começam a partir das 20h, e tocam, Daman (São José dos Campos), RTF – “Reconoce Tu Fortaleza” (Argentina), Meire D'origem e Convidadas (São José dos Campos) e AtaFalha (São José dos Campos), banda nova que ainda não tem som disponibilizado na interweb, mas trata-se de um projeto feminista de rock instrumental com um tanto de poesia. Programação: 13h – Bate-papo inicial com Coletiva Feminista Radical Manas Chicas
15h – Oficina de saúda da mulher e lésbica + Oficina de Calendário Lunar
“A saúde é subversiva porque não dá lucro à ninguém" (Sonia Hirsch)
Conhecer nossos corpos e processos nos aproxima e ajuda a entender e ter mais autonomia sob nós mesmas. Nesta oficina-conversa vamos falar sobre alguns dos processos que acontecem em corpos biosociologicamente definidos como femininos: ciclos, menstruação, biopolitica, e demais cositas. Venha trocar experiências, aprendizados e conhecimentos! Na oficina prática vamos confeccionar juntas abiosorventes de tecido, aprender algumas técnicas de alternativas menos invasivas e mais holísticas e sistêmicas para autocuidado. Se possível, traga tesoura, linha/agulha, retalhos, papel, caneta
17h - Oficina de noções básicas de elétrica
Serão passadas noções básicas do sistema elétrico doméstico. Aprenderemos, na prática, a montar extensões, trocar resistência de chuveiro e fazer pequenos reparos gerais. Quem puder trazer: fios de extensão, plugs de tomada, bocais para lâmpada, chave de fenda pequena.
Hip Hop de Krudas Cubensi e eletrônico feminista de Visiona marcam a programação do evento
Arte: Elisa Riemer
O Ladyfest São Paulo, evento feminista e faça você mesma, será realizado nessa sexta, 2, e sábado, 3, e recebe a dupla de rappers cubanas Krudas Cubensi. Além delas tocam também Visiona, que faz música eletrônica lésbica e feminista, MC Luana Hansen e Ligera. Os shows começam a partir das 22h, e rolam no Dynamite Pub (R. Treze de Maio, 363 - Bela Vista). Além dos shows, haverá apresentação de poesia por Formiga, exposição de fotos de Elaine Campos e Denise Bertolini e a discotecagem fica por conta de Clara Averbuck e pelas administradoras da página O Machismo Nosso de Cada Dia.
No sábado não tem show, mas rolam diversas atividades ECLA (que fica na Rua Abolição, 244, Bixiga) e a entrada é gratuita. Às 14h a programação começa com bate papo com Odaymara Cuesta (aka Pasa Kruda) e Olivia Prendes, que formam o Krudas Cubensi e são vegetarianas, lésbicas, negras e cantam contra o machismo.
Arte: Anna Grrrl
Às 15h haverá a exibição do documentário 4 Minas, de Elisa Gargiulo, que conta a história de quatro lésbicas de São Paulo. Na sequencia, será exibido outro documentário. Negra Lésbica apresenta a história de seis mulheres diferentes mas que se relacionam em função do preconceito que sofrem por serem negras e lésbicas. Das 16h30 em diante rola roda de violão e troca de zines. Para quem gosta de confirmar presença em eventos.
Segura na cadeira e ouve essa: Gossip vai tocar - de novo - em São Paulo. O trio norte-americano se apresenta na plataforma Live Music Rocks, no HSBC Brasil no dia 27 de agosto, uma terça feira. O anúncio foi feito hoje pela produtora XYZ. Beth, Hanna e Nathan ainda estão fazendo a turnê de seu último álbum, A Joyful Noise, lançado no ano passado.
A partir de quarta feira, 10, os ingressos serão vendidos pelo site Ingresso Rápido. Valores? R$ 190 (pista), R$ 280 (frisa), R$ 240 (cadeira alta) e R$ 340 (camarote). O primeiro show do Gossip no Brasil foi também em São Paulo, no festival Planeta Terra de 2012. Um sonho? Que elxs tocassem também no final de semana, de preferência, no Rio. E parece que vai acontecer, no Queremos já foi aberta a compra de cotas para tentar garantir o show do trio na capital fluminense.
E para quem ainda não ouviu, confira "Seems So Bad", música que ficou de fora do A Joyful Noise.
The Julie Ruin, banda das eternas Bikini Kill Kathleen Hanna e Kathi Wilcox, anunciou o show de lançamento de seu novo álbum, Run Fast. O show será dia 3 de setembro no Bowery Ballroom, em Nova Iorque. O disco será lançado pela TJR Records, e distribuído pela Dischord. Quem toca no dia com Julie Ruin é o Swearin', banda nova de Allison Crutchfield (que tocou bateria no P.S. Eliot).
The Julie Ruin em sua nova formação
Kathleen Hanna já adiantou em entrevista à MTV Hive que Run Fast traz, principalmente, letras pessoais, e uma perspectiva mais introspectiva. "Eu estava escrevendo subjetivamente sobre a minha vida, o que está acontecendo comigo agora, memórias, coisas que me animam quando estou triste", conta. "Eu não estava tentando escrever um hino para uma geração".
Segundo Hanna, o novo álbum foi construído na mesma idéia do primeiro álbum que ela lançou como Julie Ruin, em 1998, que é a não continuidade de cada música, deixando que cada uma seja diferente da outra. "Nós nos permitimos escrever o que nós queríamos escrever. Nós não queríamos que tudo soasse da mesma forma", afirmou. Com Kathi e Kathleen tocam também Kenny Mellman (teclado), Carmine Covelli (bateria) e Sara Landeau (guitarra). A banda está no instagram @thejulieruin.
"Oh, Come On"foi a segunda música divulgada de Run Fast, que já tem o clipe oficial com a letra da música. A primeira música do disco que foi divulgada foi "Girls Like Us", feita em parceria com Vaginal Creme Davis. Nós traduzimos o Manifesto Riot Grrrl, escrito em 1991 por Kathleen Hanna, não deixe de ler.
Quer saber como é a banda ao vivo? Confira esse som de um show recente delxs.
Senti sua falta no show... Pra juntar essa sua ideia de te contar como foi e postar uma resenha aqui no blog, já vou fazer tudo de uma vez. Até porque prefiro te contar como foi, do que meramente resenhar esse momento (não que uma coisa seja necessariamente independente da outra, mas enfim).
Bem, você me conhece e sabe que eu gosto bastante da banda. Nunca tinha visto um show deles, então quando anunciaram o show fiquei bem feliz. Quer dizer, acho que muita gente que eu conheço ficou pra caramba! Apesar que a Priscila já tinha profetizado a volta no last.fm há um tempão e um monte de gente duvidou, há! O show aconteceu dia 23/02 (sábado passado) dentro da exposição Um paço ao seu alcance, que é uma exposição do Carlos Dias (ASA) no paço das artes, dentro da USP (Universidade de São Paulo).
Ok, contextos a parte. Uma pausa. Voltando ao Polara...
Então comecei meu dia já sabendo que ia cedo pra usp e ia ser isso. Empacotei minha mochila com o que necessitava, deixei o frame and canvas no repeat e fui pegar o 177-p. No bom e velho ponto do lado de casa, mas sabendo que aquela fachada que sempre me encara ia me dar um animo extra nesse dia. Coincidencia, ironia, ou fotologuisse essa é a minha visão do ponto de onibus antes de ir pro show.
Bem, uma vez na USP já notei o que seria o dia, encontrar pessoas e ouvir um som! Talvez por Polara ser a banda mais cantada no rolê, ou talvez por eu conhecer pessoas demais que gostam da banda. Sei lá o que dizer sobre o Polara sem parecer choroso demais, ou muito babão, mas de um jeito é inegável que desde os primeiros sons que eu ouvi deles, me senti bem. Senti uma certa identificação, sem saber direito se era por causa de acordes, frases ou um clima que me trazia algo de seguro. Me fazia olhar a minha volta e saber que havia um sentido naquele espaço. Mas o dia vinte e três era muito mais do que só isso. Me lembro que por exemplo, só conheci um amigo meu nos primeiros dias de faculdade porque eu tava com aquela edição da +soma que tinha "Empate" na coleta e a gente ficou falando sobre bandas de emo, cantando uns sons do Inacabado e essas coisas. Esse amigo inclusive, foi quem me apresentou Braid alguns dias depois.
Esse é o Braid. Frever got shorter agora né?
Acho que o show teve bastante a ver com isso. Pessoas da nossa vida. Tinha muita gente, gente conhecida, amigxs de tempos atrás, novas amizades, pessoas que eu tenho muito carinho, gente que eu amo do fundo do meu coração. E também pessoas que você só sabe quem é do facebook, gente que eu cumprimentei/conversei cara a cara pela primeira vez, e até pessoas que seria estranho (awkward) demais falar oi do que dar um like. É meio bizarro falar assim, mas acho que é um pouco isso também. E também as pessoas que não foram, e queria que tivessem lá também...
Sem tentar me alongar demais, lá pelas oito horas e pouco o paço já estava armado e empacotado. Nossa tinha muita gente lá, umas 300 pessoas (?). E o show começou (acho que foi com menos um dia) e pronto foi só o que todxs ali precisavam pra se derramar. E se derramar mesmo, caramba tava uma voz só ali que o vocal saindo dos PAs ficou pequeno. Não pelo volume em decibéis, mas pelo volume espacial da coisa, aquilo que preenche. De um jeito eu até esperava isso, todas as pessoas cantando os sons, cada uma a sua maneira. Mas quando isso aconteceu materializado, foi uma onda que arrebatou todxs ali pra cantar ainda mais. Ficou claro que quem tava ali, tava querendo aquele show e precisava daquilo naquele dia e daquele jeito. Pelo que dava pra ver da reação dos caras, acho que não estavam esperando tanto isso e parece até ter causado uma surpresa um coro tão grande em cima de som após som. Uma surpresa boa que foi só alimentando mais e mais o clima do show. Poxa, e que clima bom que alegria que tomava conta dxs amigxs. Olhava para os lados achando olhos amigos, feições de felicidade, emoção não contida.
Logo no começo do show quando eles tocaram "Meus Cumprimentos" do split com o College, aconteceu ali o que eu achei que foi um dos melhores momentos. Priscila pegando o mic pra cantar o som, uma pena que caiu o cabo. Poxa era o que ela precisava, vendo ela naquele momento, me encheu ainda mais pra terminar o som a plenos pulmões (é dificil, é dificil, eu queria ser seu. waaaaaaaah). Por conhecer ela, por saber o quanto ela gosta da banda, por já ter tocado e cantado vários sons do Polara com ela, e alguma coisa de muito bonito nesse momento que não sei descrever. Foi mais ou menos assim...
Críticas & (o eterno) espaço alheio
Vou aproveitar que o vídeo ajuda a dar uma pausa, pra falar da parte não boa do show. Porque apesar do show ter sido muito muito muito bom! Não posso deixar de falar de certas coisas. Primeiro porque é algo que já te contaria de qualquer jeito, e por estar no blog acho que a gente tem uma certa questão com posicionamentos (políticos ou não) que não faria sentido esconder. Enfim, os problemas do show não tem nada a ver com ter faltado um som ou outro, sempre vão "faltar" sons em shows, ainda mais quando se quer ouvir todas as musicas da banda, mas pra mim não faltou nenhum porque tiverem presentes tantos outros.
Em questão de som, não chega a ser um problema, mais um desejo mesmo dos instrumentos poderem estar mais altos. Mas isso não é culpa de alguém ou de algo, imagina um show independente/diy/roquinho de graça ter um paredão de caixas de som? Era só uma vontade pós show mesmo, até porque eu falei com muita gente depois do show que ouviu muito pouco das guitarras/baixo e até bateria. Mas isso acho que também ninguém sabia o que ou como esperar o desenrolar desse show também. Reforço que essa ideia do som só faria ficar mais altos os instrumentos, mas não vejo como um problema ou se necessariamente faria do show melhor. Mas é essa ideia que eu como estava na frente conseguia ouvir os instrumentos, e só depois fui sacar com as pessoas que estavam pra trás que se ouvia muito pouco para além das vozes. E só porque eu não estava atrás, que eu não posso pensar e reconsiderar essa situação.
Enfim, se você ver os videos do show vai notar que teve uma treta (ou um principio dela). O que foi a treta mesmo, eu não entendi muito na hora. Mas foi um claro desentendimento entre dois caras ali na frente (que tavam mais pra esquerda, enquanto eu tava mais pra direita). O problema em si não foi essa treta, já que ela logo foi miada, mas o que desencadeou ela foi a situação. A euforia ali era tanta que gerou um certo empurra-empurra, pessoas indo pra frente, você se sentia esmagar de vez em quando, um clima intenso. Meio violento até, eu diria. Não era em qualquer lugar que dava pra ficar dançando, ou dançar de qualquer jeito.
Muita gente se achou em bons lugares na frente, ao lado, ali na região do 'palco'. Só que o miolo, a muvuquinha, tava se apertando cada vez mais. Tanto que desencadeou essa mini treta. A partir de um certo momento, aquilo tudo se assentou de uma maneira que estávamos ali vendo o show do Polara e cantando juntxs. Mas ainda um clima intenso (ok, intenso por diversos motivos muito mais bons do que ruins). E uma coisa que eu achei muito boa dessa mini treta, foi assim que começou a rolar esse lance, o Marinho já estava sem a guitarra falando pros caras algo como: se vocês querem brigar a gente para de tocar.
Além disso, alguns moshs tavam rolando periodicamente. O que pra muita gente é uma coisa normal ou é assim mesmo. Mas isso é meio perigoso porque é uma naturalização de uma parada que não é necessariamente como shows tem que ser. É perigosa essa afirmação de que "tem que moshar mesmo em show e é isso ai, aguenta.", porque as vezes você pode estar sendo inconveniente ou deixando alguém desconfortável sem saber. E lendo zines sobre consenso, me fica essa perspectiva de que certos ciclos estão fadados a se repetirem até que haja uma conscientização e/ou uma consideração, e não simplesmente uma conquista de espaço (não só físico) pela força.
Por exemplo, eu levei pisadas do além, enforcamentos, vi gente caindo em cima de amigas e amigos que só estavam ali curtindo o show a sua maneira. Mas essa é minha oipnião, prefiro rebolar o popozão a levar/dar chutes na cabeça. Será que quando eu danço eu estou incomodando as pessoas a minha volta? Talvez, eu tento me certificar que não to atrapalhando o show de ninguém mas também não posso afirmar com certeza, afinal sou grande e suo bastante enquanto me balanço de forma desgovernada. Vou aproveitar repensar também como me coloco nos shows que assisto.
Emo & sexismo
A última das coisas, e essa eu vou chamar de merda mesmo, depois é o meu gancho pra voltar ao Polara e as coisas boas (porque como diria um amigo meu, de difícil já basta a vida). Eu ouvi mais de uma vez falarem/gritarem coisas como "emo viadinho". Não sei necessariamente o contexto, mas não importa. Em qualquer lugar, de qualquer jeito, chamar alguém de "emo viadinho" é homofóbico pra dizer o minimo. Por gostar de emo e me identificar com muitas bandas, e também tocar em uma banda de emo com dois amigos que eu amo muito, a gente cresceu vendo, ouvindo e até reproduzindo muita besteira sobre emocore que depois fomos aprendendo, e nos posicionando.
Mas uma das maiores merdas em cima de tudo isso é esse sexismo anti-emocore que ficou bem forte em 2003/04 mais ou menos, que basicamente dividia as pessoas em "emos viadinhos" e "emos vadias". Isso só ajudou a reforçar uma despolitização de muita gente nova e da própria cena pop-emo que vinha dessa linha de emo/pop punk mainstream. Em vez de criticar uma mercantilização das musicas, ideais não diy que só nos fazem ficar dependentes de um sistema capitalista hegemonico, letras que vitimizam meninos e atacam meninas de maneiras pesadamente sexistas, atitudes e falas também homofóbicas... Não. Massificou-se essa ideia de reagir contra a moda emo de maneira homofóbica.
Que esse emo que virou moda pode não ter tanto a ver com o emo que eu escuto, mas também tem! Também é emo. Só que por muitas barreiras criadas isso se fragmentou, ao invés de trazer a discussão e as pessoas que gostavam da moda/estética visual e sonora para aumentar as trocas inter-pessoais. Não, fez-se questão de excluir.
Já li em zines antigas e na internet um termo como "emo-violence" que não faz sentido pra mim, parece uma proposição a ser violento (eu não entendi mesmo a proposta de emo-violence, não sei do que se trata). E também essa coisa de real emo, segregacionista pra caramba. Elitista a ponto de querer dizer que existe um emo certo. Mas existe mesmo? As letras sentimentais estão isentas de serem produtos de uma sociedade machista? Como? Se não houver a reflexão e a discussão? Muito se fala do hardcore/punk ser uma cena fechada para meninas, e essas ideias sobre emo então? Existe abertura num espaço onde o que mais se canta é sobre como meninas quebram corações, pisam em meninos e etc...?
Me poupe, muito hétero-bobo isso. Ai nessas, qualquer musica que um cara canta sobre uma garota vira emo, vira coisa de bicha. E qualquer musica emo a partir disso sempre vai ser sobre isso, só vão ler a sua musica como um menino falando sobre uma menina e não passará disso. Ninguém se abrirá a interpretações ou a de fato criar uma relação com a musica. A ideia do emo tem tanta abertura para se pensar em atitudes, sexualidades, comportamentos, identidades, pessoalidades, vestimentas, que poderiam se relacionar com queer, feminismo, vegetarianismo, questões de identidade de gênero não binárias, modelos econômicos... Aquela ideia do "pessoal é politico" podia estar muito mais forte (sem querer me apropriar disso, usando como referência). Nas palavras bikini killianas "Do you Believe in something beyond troll guy reality? I do, I do, I do!"
Muitas das bandas de Chicago, tomando o Cap'n Jazz como exemplo, tinham em seu som uma relação muito forte com a arte. Seja na busca de como afinar seus instrumentos e tocá-los de outros jeitos. A busca das influências plurilaterais, a questão das letras e poéticas que te fazem ir além, te faz pensar pra dentro, te faz repensar pra fora. Te faz ficar confusx pra caramba! Isso ai tem uma força indescritível. Não estou aqui afirmando que o som emo deva ser uma coisa ou outra, principalmente nunca um som politico no sentido partidário. Mas sim no sentido pessoal. Se isso não ficou muito claro, estou aberto a perguntas, criticas, etc... por favor! Estou colocando minhas impressões, foi assim que eu acordei hoje. Ouvir Polara me faz pensar em um monte de coisa.
E ouvir Polara também me remete a essa questão da ligação do som com uma ideia de arte. Não a toa que estávamos numa galeria no meio de uma exposição do próprio vocalista da banda. Não a toa que muita gente, eu incluso, acha esses sons lindos. Não a toa que o tempestade bipolar é uma viajem muito fácil de embarcar. Então tá!
Esse momento foi muito lindo mesmo, porque esse som ta no fim do cd Tempestade Bipolar e é uma parada meio catártica pra muita gente que eu já conversei. Acho que fica claro no vídeo, ou em alguns rolês por ai. Eu não esperava que eles fossem tocar. Um amigo meu eu não vi na hora, mas tenho certeza que chorou.
E o show prosseguiu com um set list de belas canções, e naquele clima de todxs ali pelo Polara. Quando o set list se mostrou finito, a galera ainda puxou "Duas e Meia" e "Confusa Demais" acapela. Com um leve acompanhamento instrumental.Isso ai não da pra escrever o como foi belo.
Ok, pra gente que tava lá foi muito foda o show! E vendo os caras tocarem deu pra notar que pra eles ali também tava sendo muito bom. A mesma coisa que nos alimentava (enquanto pessoas), alimentava a banda, muita coisa sendo trocada ao mesmo tempo pra culminar no fim de tudo. E depois no facebook, né meo? Mas falando sério eu li eles escrevendo sobre o show, e parece ter sido tão emocionante pra eles também. Fernando na batera tocando com um sorrisão no rosto gigante o show inteiro. Sato no baixão um tanto misterioso mas nem um pouco menos empolgado e conduzindo-nos nota pós nota. Marinho tocando intensamente na sua guitarra esmerilhando riffs, acordes cortando corações e sempre muito enérgico. Rafael na outra guitarra toca muito! Também muito empolgado, pulava não se continha por que não tinha que se conter, ele estava feliz e isso estava estampado nele. Carlinhos tinha uma expressão as vezes de não estar acreditando muito, com certeza estava feliz demais, com a sua presença voadora, e a interação com quem estava ali que trazia ainda mais as pessoas pra dentro do som. Os sons foram tocados por eles, a ultima formação que nos presentou com esse show. Ainda tocaram empate duas vezes. Esse dia foi loco!
Uma hora o show teve que acabar, porque é assim que funciona. Mas não vi ninguém triste por isso. E pra todxs xs amigues que eu perguntei '-e ai ta feliz?' me responderam com sorrisos e/ou com certezas. Poxa, eles tocaram por mais de uma hora. Foi um showzasso, e dos grandes.
Exposição "Um paço ao seu alcance"
Se você tiver a chance ainda de vir a SP até o dia 24 de março, vale a
pena dar um pulo lá pra ver a expo. Tem vários desenhos, quadros,
colagens, fotos, murais espalhados pelo espaço. Eu achei que ficou bem
boa, apesar de já gostar dos desenhos e trampos em geral. É bem legal
ver muitos trampos dele juntos, não sei se é assim que é dentro da
cabeça dele ou não, mas dá um impacto ficar pequeno ali dentro no meio
de tanta coisa. Pra quem não conhece acho que é uma boa dar uma olhada
no tumblr pra ter uma ideia.
Também tem uma instalação de vídeo, que
ficam passando dois videos simultâneos, que da pra se perder legal. Uma
das coisas que eu achei mais legal é um mural ali só de impressões da
internet, não sei direito o porque, mas tem algo de hipnotizante ver a
internet fora dela. Talvez tenha a ver com a proposta das coisas estarem
ao seu alcance. Em resumo a exposição está bem boa, é uma coisa de ir
la passar um tempo, conversar, ver mais algumas coisas e ver como isso
te impacta. Ao invés de eu ficar aqui tentado desconstruir o que são
esses desenhos ou porque eles estão lá.
Um dos trabalhos de Carlos Dias
Nesse mesmo dia
do show tiveram 3 oficinas antes. Uma do Cabu falando da tour
de arte que ele fez com mais uma galera agora no fim do ano, chama Viaje Musical. O projeto é bem legal, e acho que adiciona à perspectiva de
que o punk não é só musica. Se você desenha você pode desenhar e fazer a
sua tour, e conhecer gente, e trocar informações, etc... Ele mostrou
uns videos bem bacanas da viagem, e contou um pouco da experiencia dele. Também rendeu um zine que vale a pena dar uma olhada aqui.
E
ainda duas oficinas simultâneas, uma de gravação que o Fernando Sanches (Againe)
tava dando umas dicas e mostrando pra galera como gravar um som,
tentando desmistificar um pouco a gravação de uma banda ser algo
ultra-complicado e ao mesmo tempo passando umas dicas que ele aprendeu
com o tempo. E a outra de montar uma banda, com o Quique Brown e Velhote. Que basicamente era juntar quem tivesse afim ali pra fazer um som e
tocar um mini show, uma pena que umas crianças que tavam lá não se animaram pra participar. Não perdi essa oportunidade de fazer uma jam ali
com 4 pessoas que eu não conhecia, fizemos dois sons. Um punk meio alá
Cólera e um outro meio pós punk que foi gravado como parte da oficina de
gravação. Foi divertido, e algo pra fazer já no espaço onde mais tarde
seria o show.
Arte nesse nosso diy
Esse show, tanta gente ali, me fez pensar uma coisa que acho que está cada vez mais e mais sendo falada por ai. Essa questão de arte dentro do meio punk/hardcore/indie, onde acho que não só o Carlinhos, mas ele também, ajudou a espalhar e impulsionar mais isso de quem também desenha, pinta, recorta-e-cola poder ser protagonista nesse meio musical. Afinal o meio independente não é só musical, e a musica e as artes visuais dialogam e muito, e não só o que é desenhado de maneira plana, o que esta na internet, o que é vídeo.
Qualquer forma de se expressar é uma forma de se expressar e isso é valido por que vêm de uma pessoa. Sobre isso eu me importo e gosto de ver, receber, dialogar. Se você parar pra ver, aqui em São Paulo, pelo menos, os shows tem mostras de artistas diy, e tem muito lugar que a musica não é o mais importante, ou a unica protagonista em eventos. Mais gente se joga e se propõe a fazer outras coisas que vem de dentro, não só aqueles velhos dois acordes. Um pouco disso porque gente como ele ou Carlos Issa (Objeto Amarelo) ou a Silvana Melo (Lava), pra dar exemplos, faziam isso com as suas bandas, com bandas de amigues, em shows e por ai vai. Um pouco do que foi falado na oficina do Cabu também. E acho que isso é/foi muito melhor abordado pelo Daniel no zine dele Tralha. Principalmente na Tralha #2. Se tiver a chance leia.
E outro lance, mais da parte musical, que acho que é pouco falado, que não só nos círculos específicos (mas
pode ser que não). E já que ta rolando tantos revivals dos anos 90 e
afins... A Spicy me parece ser algo que fazia muita coisa, não sei porque não vivi e posso estar falando besteira mas... Organizava show aonde desse, fazia coletaneas, lançava bandas. E isso fora de uma cena já esabelecida punk/hardcore, era a abertura de espaço pra essas outras referencias, e ainda sim diy. Era esse lado do emo/indie/experimental que foi fazendo seu próprio espaço. Se gravando, se lançando, tocando aonde desse, do jeito que desse. E isso eu acho muito foda! Acho que se hoje a gente que toca, se grava e afins, alguma coisa tem a ver como que o Rafael fazia com a Spicy. E ainda bem que fazia isso! Sobre explorar possibilidades, abrir caminhos e ter sons que eu gosto, de um jeito que eu gosto. Não acho que seja exclusividade da Spicy isso, mas foi a que mais me impactou. Tipo aquela coleta Select, é embaçada. Muito boa!
De um jeito, ou de muitos foi isso que aconteceu. Desse jeito que eu lembro. Pra ver como da pra ir longe só com um show, uma banda. Ainda bem! acho que ficou legal, o que achou? que eu escrevi muito eu sei, mas não consegui me conter. Queria escrever mais, mas também tem que parar uma hora. Ei, se tiver alguma coisa que quiser escrever do show, da sua perspectiva, me manda ai também! marcelo.terreiro@gmail.com
Essas fotos do show são Marcos Bacon's. Se quiser tem o álbum inteiro aqui.
Agora vou deixar um play só com bandas/projetos dos integrantes do Polara, que foi meu combustível enquanto escrevia.
Musicaaaal!:
albertinho dos reys projeto de carlinhos acustico e lo-fis. elroy - emão responsa que tinha crespo e sato. cerezo - banda nova do crespo, lagwagon de são paulo. walter e reys - dosreys + matheus walter. hurtmold - banda instrumental que o marinho toca guitarra. e ta de cd novo pela submarine. mdm - projeto do mario de groove lo-fi. elma - metal instrumental que o fernando toca batera. mickey junkies - banda que o sato toca baixo também. tipo um fusion de rock. cinedisco - emo carioca que o fernando tocou bateria uma época. caxabaxa - para os baphos diluentes - sempalavras.
E com certeza eles tocam/tocaram em outras bandas, vai atrás. Pra acabar um video ai do youtube!
Já que o Fernando não chegou a gravar no cd do Cinedisco, taí eles no Hangar tocando "Copacabana", do Noção (com malni no baixo).