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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Mixtape Pop Punk e 9 motivos para ouvir... pop punk!

Tem preconceito? Já ouviu falar mas não sabe por onde começar a ouvir? Não sabe do que estamos falando? Então leia este post!


Por Carla, Nandolfo e Mama



Por Taylor Ruth

Nós gostamos de pop punk. Cada um começou a ouvir em uma época, tem suas preferências e suas referências no assunto, e gostar dessas bandas foi algo que nos aproximou. Esse laço, de gostar muito de algumas bandas - que não é particular do pop punk, mas de quem gosta de música e de compartilha-la com quem se gosta - é forte. Quando um acha uma banda que gosta um tanto, vai e manda pro outro. Nessa hora, já se sabe que deve ser algo especial, e por aí vai. Por esses motivos, pela razão da tirinha acima, e porque as bandas são fodas, preparamos 9 motivos para quem ainda não ouve pop punk começar a ouvir. 

Mas antes da lista, é importantíssimo deixar algo bem claro: historicamente o pop punk é um subgênero musical misógino e machista. Assim como o punk, o death metal e tudo mais que nos rodeia. Machismo e misoginia aprende-se culturalmente e isso se infiltra mesmo. Existem muitas críticas - principalmente nos EUA, local onde o pop punk é bem forte -  as letras de bandas pop punk. Para ler mais sobre, confere a resenha do Marcelo sobre o primeiro show da volta do Polara, no intertítulotítulo "Emo e Sexismo" há uma discussão sobre o assunto.

Mas a nossa lista, os nossos motivos e mais importante - as referências musicais que pensamos e citamos - são de bandas que não são misóginas e machistas. Existem muitas bandas com discurso feminista, antisexista, queer, vegano que tocam pop punk. E existem outras tantas que não tem esse discurso e que também não tem letras preconceituosas. Nossa referência é essa. E falar delas é uma forma de mostrar que não existe só um pop punk.

E se os nossos motivos te convenceram.. ouça a Mixtape #8: Pop Punk, nós selecionamos várias bandas feras. Depois dessa, não há desculpa para não ouvir pop punk e não sorrir.


PS Eliot @ 10 anos de Salinas Recs - Foto Christopher Carreon

1
Aqui os singalongs pertencem a todxs e não apenas a meia dúzia de garotos que pisam na sua cabeça e te empurram pra fora do show. Cantar "and it goes on and on and on" com xs amigxs em espaços seguros (entenda como espaços que não toleram misoginia/sexismo/homofobia/etc, onde você pode ser quem é) parece ser algo muito bom! É claro que existem bandas de pop punk de todas as formas (mainstream ou não), mas se você acompanha este blog, sabe de que tipo de cena estamos falando. Cantar, dançar, se divertir, se emocionar, vivenciar e sim, cantar os melhores refrãos juntxs!! 

2
No pop punk os "tchururus" e os "uôuôôs" fazem sentido, se encaixam perfeitamente naquelas guitarras marotas, nas vozes mais doces e nas mais raivosas, nos ritmos cadenciados e nos agitados. As palavras aqui funcionam, grudam na cabeça e no coração, dão ritmo às suas vivências, acompanham suas idas e vindas. O pop punk tem o dom de criar bandas ótimas e músicas apaixonantes, além de possuir as pessoas mais simpáticas do punk! Deve ser a melodia que torna as pessoas mais amáveis e dispostas a criar bons laços.  

3
E acho que o terceiro motivo é simples. Deve estar batendo pro lado esquerdo do seu peito enquanto você le isso.

4
Dançar! Ok, dançar não é nenhuma coisa exclusiva desse estilo de musica, música é pra dançar seja lá qual for ela. Mas acho que eu queria chamar atenção pra de fato dançar ouvindo pop punk. A animação que toma conta do corpo, e que me faz até perceber melhor todo a minha extensão e quão desengonçado eu sou. Adoro isso. É um jeito muito bom de se soltar, seja pra começar o dia ou pra terminar ele em grande estilo, não necessariamente num show, mas ouvindo no fone no seu quarto e se remexendo muito, sem um ritmo ou passo definido mas uma coisa que acaba durando por muito muito tempo seguidamente! Dançar ouvindo pop punk é muito bom e as vezes é difícil fazer uma coisa sem a outra. É o movealong do corpo pra acompanhar o singalong da voz.


5
Punk rock é um ótimo motivo para se ouvir pop punk. Como assim? Acho que é essa ideia de tentar não se rotular ou não se contentar com um rótulo. Sabe aquela ideia de não se fechar a uma coisa só? Por mais que numa micro escala, ouvir pop punk pra fugir daquela ideia de que punk é isso ou aquilo. Numa mesma ideia sobre ir atrás de bandas riot-grrrl pra não ter que ficar ouvindo aquela ladainha male values uber alles, mas como aqui estamos falando de pop punk até generalizando isso um pouco mais... Se reinventar, se reapropriar, brincar, se descobrir e descobrir muita coisa nova e que seguem outras direções daquela que é fácil se acostumar. Acho que o pop punk pode ajudar a dar novas ideias e de um jeito ainda leve sem precisar de tons agressivos. 


Little Lungs @ 10 anos de Salinas Recs - Foto Christopher Carreon
6
Suas filhas e seus filhos vão adorar pop punk! Sem deixar de mencionar a origem de tudo (bandas, discos..), as bandas de pop punk são perfeitas para ser referência de punk para xs pequenxs. Há política, façavocêmesmx, há feminismo e diversão e você pode dançar muito com elxs colocando no aparelho o LP da Sourpatch ou a tape da All Dogs no volume máximo!!

7
Ouvir pop punk pode ajudar a diminuir níveis de tristeza, e até mesmo a eliminar - mesmo que temporariamente - o mau humor. Uma pesquisa realizadas entre abril, maio e junho deste ano pelo Instituto Cabeça Tédio (ICT) aponta que 80% das pessoas que estavam tendo um dia ruim e foram expostas a "uo, uo, uo", riffs animados e à músicas do RVIVR se sentiram menos miseráveis depois da audição. Não há restrição da receita, a menos que você empreste seu disco/player para algum amigue. Para uso sem moderação, os pesquisadores indicam que é importante que cada um descubra o tipo de banda que se encaixa melhor no seu perfil. O resultado da pesquisa só pode ser aplicado a bandas que não são sectaristas, preconceituosas e tudo aquilo de ruim que a gente já sabe.

8
As letras. Uma vez que você já tem algumas bandas preferidas, que tratam de temáticas caras à você, é muitíssimo provável que você se identifique com as letras. É provável também que elas se tornem recortes de alguma época que você viveu, e que te lembrem coisas ruins e boas. E que elas te ajudem a pensar e mudar aspectos do seu comportamento. Obviamente, isso não é particular do pop punk, mas acho que elas podem ter uma certa magia especial.

9
Se os outros oito motivos não foram suficientes, esse também não será. Vou ficar aqui ouvindo PS Eliot, até mais.

Mixtape #8: Pop Punk


O segredo dessa playlist do amor foi: cada cabeça tédio escolheu cinco tracks. Claro que perguntas como "me avisa se você for colocar High Dive para eu não colocar" foram feitas, afinal de contas, existem bandas que apenas não poderiam faltar. Tanto porque gostamos demais quanto pela qualidade delas. Então é isso, se você gostar da mixtape manda ela para alguém que você gosta, quem sabe assim vocês não começam uma banda e um dia a gente faz uma mixtape de pop punk com bandas brasileiras? 

Foto: Sourpatch

Tracklist Mixtape#8: Pop Punk

01 - PS Eliot - Incoherent Love Songs
02 - Travelling - Pt1. End of Summer
03 - Little Lungs - Pet Cemetery
04 - Aye Nako - The Rind
05 - Cheeky - Grow Fins, Turkey
06 - High Dive -Square One
07 - Omar - Candice Sells Out and Tries to Move to Brookly
08 - Latterman - An Ode To Jon Contra, Part 2
09 - Lemuria - Bristles and Ahiskers
10 - The Ergs - Every Romance Language
11 - Caves - Bows & Arrows
12 - Joyride! - Social Studies
13 - Parasol - Firecracker 
14 - Peeple Watchin' - Rainbow Water
15 - You, Me & Us - Steve Holt!


Ou.. ouça online

terça-feira, 11 de junho de 2013

Lemuria libera stream completo de seu novo disco, 'The Distance Is So Big'

O novo álbum do Lemuria, "The Distance Is So Big", só sai no dia 18 de junho (via Bridge Nine) , mas a banda liberou o stream completo do álbum para o NPR. Ouça aqui.
A atual formação da banda é Sheena Ozzella (guitarra e vocal), Max Gregor (baixo) e Alex Kerns (bateria e vocal).


A banda começa sua tour de lançamento do cd no dia 14 de junho, em Austin (Texas). São 31 shows marcados de junho a outubro pelos Estados Unidos, e os shows terminam dia 31 de outubro, quando a banda toca no tradicional Gainesville Fest, na Flórida. 

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Bandas do coração: Lemuria

Coluna do Mama

Não me lembro a primeira vez que ouvi Lemuria, não me lembro porque essa banda me apareceu. Se li em alguma coisa do Mitch Clem, se foi o nome num mesmo flyer do The Ergs!, ou  se foi alguém de alguma banda que falava bem. A verdade é que desde a primeira vez que eu ouvi um som do Lemuria já me senti encantado. Tenho certeza que foi um som do sete polegadas self titled, que foi o primeiro ep que baixei da banda. E foi assim, fiquei encantado. Lembro que comecei a ouvir direto, e ir atrás de baixar mais e mais. Até que acabou por que eram uns tantos eps e splits (e até um bootleg malandro da Cloak and Dagger Radio). No myspace lembro que uma hora entraram os sons novos que iam sair no "Get Better", e eram de varrer o coração. Tinha "pants" e "get some sleep". Lemuria é uma banda de Buffalo, New York, formada em 2004 e que sempre arrasa nas artes pra banda! Seja capa de disco, camisetas, adesivos, cores de vinil, etc...


"Pants" é um som que me ganhou fácil, e ainda tem aquele refrãozinho, parece modelado de massinha colorida “I want my hands, in your hair. Pulling your face closer.” Você lembrou de alguém? Eu pensei =). Nossa! Lemuria é o tipo de banda que da pra se apaixonar de primeira, já abrir uma portinha do seu coração para abrigar esses ritmos, essas letras, essas vozes... Pelo menos comigo, arrebatou!

Quando eu conheci a banda era: Sheena Ozella na guitarra e cantando, Alex Kerns na bateria e cantando e Jason Drapper no baixo. Jason que também toca no The Failures Union, saiu da banda faz um tempitcho. 2009. Quem foi gravar o "Peebles" era o Kyle Paton, que substitua Drapper, mas saiu em 2010.
A banda teve também um primeiro baixista que foi o Adam Vernik. E hoje no baixo quem segura desde então, e muito bem, é Max Gregor. A tristeza pelo Drapper ter saído foi bastante em conta que ele escreveu um som muito bom pro Lemuria, "Get Some Sleep". Que tem a frase “I've always been so bad at this.  Letting you know how much you mean to me”. E também aquele partezinha que canta ‘i’m doing alright (alright)’. Nossa é de arrepiar.

A banda então segue assim, com músicas de letras lindas e certeiras. Que dialogam e se abrem pra você, assim como bate a mesma vontade de retribuir. Um baixo que mais parece um pacote infinito de biscoito recheado. Uma bateria de quebradinhas e viradinhas que parecem estar dançando, ou te tirando para tal. A guitarra da Sheena, vem com acordes e progressões que as vezes até parecem estar exatamente numa harmonia de dinâmicas com os pratos da bateria, e fazem a cabeça mexer pra lá, depois pra cá e depois você já esta entregue. Um timbre certeiro e confortável, como um sofá da casa da vovó.

As vozes de Kerns e Ozella são cada uma a sua maneira poderosamente fofas, como em um desenho que passa na TV. De um jeito que funcionam separadas, juntas, alternantes... Sempre combinam com o som. Parece até meio brega, mas acho que quando tem alguma coisa mexendo com nosso coração a gente fica besta. Pelo menos eu fico. E eu acho que você deve ouvir, porque que graça eu tenho de falar do meu amor pra você quando você pode ter o seu?

Foto retirada do Facebook da banda
A banda tem ao todo dois álbuns, Get Better e Peebles. Tem uma compilação de alguns eps e splits chamada The First Collection. Uma série de eps que vieram depois, e uma demo linda linda linda! Nos splits as outras bandas são: The Ergs!, Frame, Cheap Girls e Kind of Like Spitting. E agora estão pra lançar o terceiro álbum. Do Peebles vou deixar um gostinho aqui e dizer que a primeira frase do cd é essa: "You're good at breaking hearts".

Pra quem liga pra selos: hoje em dia a banda está lançando pela Bridge 9. Mas já chegou a lançar também pela Asian Man Records,  inclusive participou em  2008 da tour "Making Punk Fun Again", junto com The Queers, Andrew Jackson Jihad, Bomb The Music Industry! e Kephi Goulie. Alex também tem seu selo, o Art Of the Underground, que costuma lançar principalmente 7" da serie, Art Of the Underground Single. Eu acho bem legal dar uma olhada pra pegar umas bandas novas. Essa série que está em seu vol.59, já lançou, além de Lemuria, Cheeky, The Measure (SA), Delay, Ghost Mice, The Steinways...

E dentre outros projetos, Sheena costumava tocar numa dupla acústica que chama Team Chocolate. Só lançou um 7" com cinco sons, e se alguém quiser me da um toque que eu ripo pra baixar. O ep é uma lindezinha, e o encarte é um scrapbook fofo demais!

Essa é a Sheena com um dog.

Aliás, o split com o Kind of Like Spitting é bom demais, e se chama You’re Living Room’s All Over Me. Uns tempos atrás passei um medo de meu cd ter sumido. Mas com certeza alguma bruxinha me ajudou a achar! Mas voltando, o split tem os primeiros sete sons do Lemuria, e os cinco restantes do KOLS. Todos que gosto bastante, principalmente a versão do Kind of Like Spitting pra “You I Seek” do Thermals, de quando o Ben Barnett era da banda. E do lado Lemurianense uma das que eu mais ouvi com certeza foi “Bristles and Whiskers” que lembra, assim como outros sons da banda, um jeito de escrever do Blake (Jawbreaker, Jets to Brazil...). No que diz respeito a dar uma historinha como tema da letra. Nesse caso, se aproveitando da historia de um casal:

“He hides his dirty movies, he kisses his wife 
She has a suspiscion of his filthy desire
They don't make love they fuck
And he assumes it's enough  
They both pretend to come with a common image 
Of another man filling them with love”


Uma imagem que fica. Uma historinha que eu vou montando na minha cabecinha e o desenrolar que se segue. E dai, começar a pensar nos desencadeamentos e nisso dentro do mundo. Eu vou desse jeito as vezes, e você? Sem contar que o tal split tem ainda uma homenagem  do nome ao disco You're Living All Over Me, do Dinossaur Jr.


Outro split que eu gosto bastante é o com o Frame. Até porque foi assim que eu conheci o Frame e uma música deles que não me sai da cabeça desde a primeira vez que eu escutei: Dully Noted. E o lado do Lemuria que só deixa ainda melhor a situação: que tem a segunda Bookworm, e começa com "It’s not a lie, it’s a secret". Que termina cantando assim:

“I think I've been kissing
All those things I've been missing
I think I've been missing
Everything moving slow”

Pode ser que nunca se sentiu assim, mas eu já! E ouvir isso. E poder cantar junto, mesmo que do meu quarto ou no meio da rua, já é o suficiente pra me encher daquilo que eu preciso. E só pra falar de umas demos preferidas que eu tenho. As vezes acho que é a melhor... um cd-r de 2004 com um charme incrível. De ser conquistado. Sobre encontro, sobre inesperadas situações, sobre se aproximar e deixar partir. Talvez seja aquele combustível que nem todo petróleo do mundo pode ser transformado.

Essas musicas me pegaram mesmo. É isso. É o que acho que deve ser dito. Não chega nem a ser admitir, porque não tem como negar. Desde o primeiro segundinho. Faz um sentido ouvir "Hey, I’m over here", “I get nervous with you. My hands forget how to tie shoes.” E seguir com "An Attempt To Think About You" e fazer a mesma coisa. A letra inteira é como um belisco e o final é uma daquelas coisas que eu quero ouvir cada vez mais alto, e cada vez mais alto, termina assim como acabo por aqui:

“Now i'm reaching for anyone
Because I miss being in love”




Escrevendo e Ouvindo:
Lemonheads – Live at Astoria 1996 
Tiger Trap – Sour Grass 
Against Me! – Acoustic EP
Jawbreaker – Unfun
Superchunk – Here’s to Shutting Up
The Thermals – A Pillar of salt
The Ergs! – dorkrockcorkrod

Links:

=)