quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Projeto Vegan pode virar livro

Acho que ainda não tinha falado sobre o Projeto Vegan. Não que fosse necessário, Pão e Bruna fizeram com que o blog fosse conhecido por muita gente, vegan e não vegan.
Mas, pra quem não sabe: o Projeto Vegan é Julie/Julia Vegan: após assistir o filme sobre a Julie Powell e Julia Child o Pão se inspirou para fazer o mesmo desafio: 365 receitas em 365 dias, mas na versão vegan.

Hoje ele está na receita 117. Todo dia ele faz e posta, e as super tecnologias e fotos bacanas são feitas pela Bruna, namorada do Pão. Parece que estou escrevendo apenas para quem mora em Barra Mansa, mas Pão é o Thiago, como vocês já perceberam.
Com a postagem diária de receitas eles desmistificam o "passar fome vegano" que muitos ainda acreditam existir. E te digo mais: não é só quantidade, é qualidade. A comida que o Pão faz é super gostosa, e até hoje ele me deve uma pizza. Boa hora para cobra-la!

Agora pouco vi no twitter: o blog poderia virar livro. Melhor momento para falar deles e pedir votos, não existe. Então entre no site, e vote! Ajude alguém que mora em Barra Mansa a lançar um livro que não seja pelo Grebal!



Sanduíche de Focaccia, faça e deguste-o, aqui.
Foto: Bruna Green

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Mais Na Lâmina da Faca!



I'm here again, happy again to say that Na Lâmina da Faca, punk feminist collective that I don't participate, but I try to help as much as I can was published at Girl Gang Gig Volume.

As you can think Girl Gang Gig Volume is something done by the awesome girls from Brooklyn, New York. Early in the year I translated to portuguese the Girl Germs Scene Report, published by Maximum RocknRool, written by the teacher, punk, feminist, cheeky Kate Wadkins.

As we all girl say: we are everywhere. I'm not in Salvador to help the girls from Na Lâmina da Faca, but I can help then from my city anyway. Read the post about Na Lâmina da Faca here.
And if you use Facebook, Histérica (my zine with my girlfriends Íris and Julie) has a group page, here.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Jello Biafra and The Guantanamo School of Medicine



Imagem retirada do Noise Make Enemies.


Você, que curte um Jello, prepare-se: Jello Biafra virá ao Brasil em novembro, com sua nova banda, The Guantanamo School of Medicine. Eles vem divulgando o disco 'The Audacity of Hype', lançado no ano passado. Baixe o disco aqui (link retirado do blog Lá na casa da árvore).
É possível um show em Porto Alegre, no Bar Opinião dia 4, porém, não está 100% confirmado, pois eles estarão tocando no mesmo dia no El Teatro Colegiales, na Argentina*. Mas, dia 5 e 6 de novembro é dia de São Paulo. O show será no Hangar 110 e dia 5 (sexta) quem abre é o Ratos de Porão, e dia 6 (sábado) Flicts.
Para quem mora no interior some a passagem: $60 (1º lote), $70 (2º lote) e $80 (porta). Esses preços são válidos com a apresentação da carteirinha de estudante ou 1 kg de alimento.

*Não sabia, por isso afirmei que eles tocariam em Porto Alegre. Valeu César Carpanez por ter comentado e avisado sobre o show na Argentina. Depois do aviso me informei corretamente e alterei o post.

sábado, 21 de agosto de 2010

I Convocatória Riot Grrrl Salvador

I'm so proud of helping to spread the word of the first riot grrrl call up of Salvador, this is all about Na Lâmina da Faca's Collective. After Brazils' Ladyfest Íris said that she was really inspired, and now we all can see the good benefits of it.
They are asking for everybody that got good ideas to make together a D.I.Y festival made by woman. If you want to send your zine, band demo, art, patche, mixtapecd, you are welcome.

I'm posting in english because I havent seen an initiative like that in Brazil in a long, really long time (except Ladyfest Brazil). And people from everywhere has to know that are brazilian punk feminists doing things,selling records, starting a collective, making art and zines, trying to live their very best. Cause Brazil got that image of sexual tourism and dude hardcore. That is very real, but so are the girls that thinking and making things, we are everywhere.




So, if you are from Chile (and I'm writing in english only because I can't wirte in spanish), Bolívia, Méximo, Toronto, France, Spain, New York, Belo Horizonte, Mooca, Malasia, Resende, Acre or whatever, if you have an idea and want to share you have to email the girls: nalaminadafaca@gmail.com . Send you ideas and stuff from: August 20 to October 20. The festival is going to be on Summer 2011. Summer 2011 we're waiting!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Resenha: Elasticdeath no Dia do Rock

Foi organizado pela Enxofre Rock Store um show em comemoração ao dia do rock, antecipado do dia 13/07 para o dia 10/07, que aconteceu no Manejo, bairro de Resende. Duas bandas distintas representaram um pouco do que a gasta palavra rock representa, Elasticdeath e Ricto Máfia. Além do show rolou exibição de curtas e exposição de zines. Fui convidada para resenhar o show da Elasticdeath, e aqui estou, mais uma vez.



X leitorx e ouvinte mais perspicaz se lembra que tokusatsu japoneses e o seminal power violence americano influenciam as composições da única banda de power violence do Vale do Sul Fluminense. A banda atualmente é: Caio (baixo e vox), Robinho (guitarra e vox) e Fralda (bateria). O Elasticdeath vem de um tortuoso período de gravação, em um vai não vai que acabou indo eles finalmente conseguiram gravar as novas músicas que serão lançadas num split com a banda escocesa Wheelchair Wheelchair Wheelchair Wheelchair.



Em breve Fritz (guitarrista da também resendense Zahc) vai entrar na banda. Ele tocará guitarra e Robinho vai fazer apenas o vocal. Caio e Fralda continuam no baixo e vocal e bateria, respectivamente. Virtuoso que é Fritz já está pegando as músicas e promete ser o power ranger preto da banda. A banda deixa de ser um power trio, que antes concentrava a atenção de todxs no trio para ter um vocalista com disponibilidade para dar pulos, chutes, piruetas, voadoras e soquinhos no ar, além de fazer um dos vocais.



As novas músicas já estão disponíveis no myspace da banda. O setlist do show foi composto por algumas músicas novas e pelas já manjadas que saíram no split cd com os indonésios do Obsesif Kompulsif. Das músicas novas uma das que mais gostei e que mais animou quem estava dançando foi “A knife under the pillow”, que fala sobre violência doméstica alternando partes lentas e rápidas até chegar no refrão animado e grudento. As novas músicas vem um pouco mais arrastadas, mas ainda na proposta de manter o bem feito encontro feito entre o power violence e o Ultraman. O riff maroto de “My hypocrisy doesn’t work on holidays” me fez pensar porque todos e todas estavam apenas assistindo o show, ao invés de estarem dançando e fazendo um circle pit. Eles também tocaram “The curse of the golden axe” e “I’m dead”, que também é bem animada, entre outras músicas.



O show foi animado e bem tocado, e vale o destaque da última música “Eiji Tsuburaya”, instrumental bem legal que foi finalizada com Fralda tocando e gritando de maneira memorável. Me arrependo de não ter filmado.
Para quem perdeu o show Ive Moco filmou uma música, o vídeo foi editado por Robinho e é possível vê-lo no myspace da banda. Agora é esperar para ver um show com a nova formação da banda mais japonesa do Sul Fluminense.



xDinox vendo alguns zines que levei

Resenha por Carla Duarte
Fotos por Ive Moco

- Em breve a resenha completa será publicada no blog do zine Macacos Sem Deus.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Entrevista com D.E.R - segunda parte das entrevistas esquecidas

Continuando com a série, temos uma entrevista com a banda D.E.R, de São Paulo. A entrevista é de março de 2009. Eu gostei demais da entrevista e é uma pena não ter saído em papel.
Perguntas feitas por John e Fernando.




1) Achei interessante o título do trabalho mais recente de vocês. Quando a esperança desaba, sobra o que? Pessimismo?

Thiago: Sim e não. Na verdade é um momento de pessimismo e não algo que sempre carregamos pela vida, não somos pessoas pessimistas mas existe situações e momentos que são uma merda e que nos deixa em um beco sem saída.Mostrando isso que te falei na letra “quando a esperança desaba” tem uma parte que diz assim: - “Ainda há uma razão, mesmo que tudo se torne impossivel e que não exista possibilidades”... Ou seja ainda existe uma razão para se continuar lutando todos os dias.

Renato: Se refere a verdade, não a verdade imposta, mais aquela que faz parte da sua realidade de vida! retrata um ponto caótico, sobre suas possibilidades reais de sobrevivência, o fato não é viver bem, mais sim sobreviver de forma digna! Sobre os dogmas religiosos isso seria um milagre, mas milagre mesmo é ver o cidadão acordar de madruga trabalhar 12 horas por dia, ganhar um salario minimo e sustentar uma familia inteira.
E mesmo sem esperança de um futuro promissor, sem esperança de porra nenhuma mas sempre com dignidade e carater.
Quando a esperança desaba, não lhe resta mais nada a não ser continuar a tentar! sem deus, sem mentiras apenas você e suas possibilidades reais de sobrevivência!

2) Olhando pelo lado político: no split com o Morte Asceta, há uma música (Tolo Regresso) na qual vocês falam que acreditam em "revoluções comunitárias". O que seriam essas “revoluções” e como vocês avaliam os movimentos sociais no país hoje?
Thiago: Quando falamos “Revoluções Comunitárias” estamos remetendo ao que vivemos alguns anos atrás, que só poderíamos sair dessa merda se todos estivessem juntos, que somente juntos poderíamos mudar as coisas. Hoje em dia vejo que alguns movimentos trabalham em modo passivo, sucetivo a negociações e o que eu chamo de “luta leve”. Claro que isso não é uma regra geral. O que me incomoda hoje é a passividade das coisas, é você conseguir 30% do seu objetivo e achar que está bom.

Renato: Sim! Existem muitas coisas que precisam ser feitas. Me pergunto isso com muita frequência, falta a população acreditar que é possivel, precisamos de determinação e coragem, é uma regra clara.

3) “Isso nunca existiu, assim como a vontade de justiça social”. Nunca existiu para quem? E justiça social seria mesmo “Dinheiro para todos”, como dizem por aí?

Thiago: Nunca existiu para pessoas que pensam de forma assistencialista. Caridade não é justiça social, dar brinquedos no natal não é justiça social, dar um emprego de 14 horas de serviço e 4 horas de transporte público precário com um salário de merda não é justiça social. Não é questão de dinheiro é questão de chance, é questão de dignidade.

4) Na opinião de vocês, qual a relevância do punk nos dias de hoje? Seria apenas o legado “DIY”? Como vocês definem as mudanças que ocorreram no estilo ao longo dos anos?

Thiago: Mudou muita coisa né? Mas pensando bem não foi o punk que mudou, acho que foi o ponto de vista das pessoas sobre o punk. Pelo menos foi assim comigo. Quando conheci o punk pra mim era só um visual para chocar vizinhos e parentes, depois vi que era algo maior. Nos anos 80 a coisa era mais na lâmina da faca!Nos anos 90 ninguém sabia o que estava fazendo e em 2000 é a época de aquarius do punk eheheh. Aprendemos muita coisa com o punk, posso dizer que meu carater é lápidado em cima disso. Hoje estamos mais próximo do “faça você mesmo” e da insurgência.

5) No início, a banda começou tocando punk rock com influência das bandas nacionais dos anos 80. Chegaram inclusive a tocar na carroceria de um caminhão em um festival na periferia de Sp. Como foi a transição até chegar ao som Grind dos dias de hoje?
Renato: Tocavámos punk rock porque era o que ouviamos com mais frequência, e foi onde percebemos que cada pessoa pode fazer sua parte não se importando com resultado, o importante era estar ali tocando, expelindo raiva. Chegamos no grind naturalmente, fomos conhecendo novas bandas, idéias e técnicas e deu no que deu.
Thiago: Essa transição do Punk Rock para o Hardcore deu uma dor de cabeça pra gente, por que chegaram a nós chamar de traidores! Porque estavámos tocando músicas mais rápidas e não dava mais pra fazer pogo cigarrinho ehehehe
Renato: ehehehe é verdade. Hoje ainda temos esse tipo de especulação de que agora somos banda de metal e não banda punk. Sempre tem alguém que comenta que era mais legal punk e outro que é mais legal agora.

6) E o video clipe da música “Empregando o capital”. Como surgiu a idéia de fazer?
Thiago: A idéia foi toda do Pierre (Constrito/Ruina). Ele tem bode de clipe de bandas de hardcore porque ele acha todos parecidos. A idéia inicial era pra ser algo meio gummo/madmax mas o tempo foi passando e não iriamos conseguir fazer a produção disso então resolvemos fazer algo meio tradicional mesmo. A inspiração do clipe veio de uma banda de Dance Music... não lembro o nome... Enfim a idéia gummo/madmax ainda esta de pé e vamos fazer no próximo material.

7) Como vocês avaliam o cenário do grind e da música extrema no país, atualmente? A qualidade das bandas nacionais nesse estilo é satisfatória?

Thiago: É uma cena pequena mas com bandas acima da média. Eu sempre digo que as melhores bandas de grind do mundo estão no Brasil, a coisa aqui é mais selvagem. Deve ser a mistura do calor com a raiva das coisas erradas que aqui existem.

8) Esse é para o Thiago (vocalista). Como é manter o selo Cospe Fogo em uma época de “downloads desenfreados”? A chamada “crise fonográfica” já atingiu o cenário independente?

Thiago: Com certeza, mas tem um lado bom ai... Acho que hoje todo mundo tem acesso a tudo, acesso a discos lançados anos atrás e novas bandas. É um preço que se paga por isso.Acho que o CD terá um fim trágico pelo menos para cenário independente pois o custo de se fazer está muito elevado ao contrário do Vinil que deve voltar com tudo, vamos ver no que vai dar. Os selos devem trabalhar em outras caminhos como shows, camisetas, sites talvez isso torne a coisa sustentável novamente.



9) Thiago, em breve você vai ser pai. Você acha que é possível falar de paternidade sob um ponto de vista "punk"?

Thiago: Com certeza! Tudo que vou fazer para meu filho eu analiso de um ponto de vista punk, desde a escola que ele vai estudar até a fralda passando pelas roupas. Quando você é pai você tem que analisar todos os aspectos para que seu filho não seja um merda quando crescer. Eu não sou o único pai da banda, o Henrique tem dois filhos e os dois são vegans e sugar free! Tenho pego algumas dicas com ele e ficamos trocando informações. Esses dias fomos ver roupas para crianças e que porra... todas as roupas tem um personagem estúpido ou uma frase cristã... é foda. Eu quero que meu filho não seja influenciado com isso ou vire um outdoor da disney.

10) Sobre zines. Vocês fazem ou já fizeram algum? Costumam ler hoje em dia? Sentem falta daquela número enorme de zines dos anos 90?

Thiago: Eu costumo ler, tenho uma pilha deles o Henrique tbm. Sinto falta sim, era foda. As pessoas têm preguiça de escrever e pensar hoje. Eu já tive um zine com o cara da banda Autogestão no final dos anos 90 chamado conjuntura zine, era divertido e trabalhoso, eu curtia.

11) Espaço livre para a banda fazer seus comentários finais.
Thiago: Assustador é quando se descobre que tudo dá em nada. Obrigado John e Nate.Renato: Valeu, grindabraço!

Fotos retidadas do myspace da banda: www.myspace.com/derpunk