quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Dois mil e nove

O primeiro contato que tive com o zine True Lies foi há um pouco mais de um ano, na quarta edição. Na verdade eu não sei mais, acho que tem mais tempo nisso, eu lembro de ter lido a terceira edição também, mas como eu não sei associar as coisas no seu tempo, fica nessa faixa aí. Desde lá não perdi o contato com a Carla. Trocamos zines, participamos de projetos juntos. Daí surgiu o convite pra participar do blog e aqui estou.
O True Lies foi o único zine que consegui ter um contato maior com quem escrevia e acredito que essa é umas das coisas boas que todos os zineiros deveriam tentar, aproximar as idéias e as pessoas. E assim deveria ser também com tudo envolvido no punk.
Apesar desse ser um espaço sobre punk, você vai perceber que nada aqui está "a toa" e o critério maior somos nós. Falamos sobre punk, mas sobre o punk em nós. O punk à nossa volta, que vivemos ou que queríamos viver. Talvez por isso eu tenha escrito tão pouco aqui. Esse ano de 2009 foi um ano de consertar a vida. Ou de entender melhor o que se estava fazendo.

Alguns projetos de zines, discos e shows estão encaminhados pro próximo ano. Então vou aproveitar bastante o espaço do blog. Certo, Duarte?

E pra terminar, vou deixar um convite. Em janeiro a banda Peste Negra (Aracruz, ES) fará alguns shows por São Paulo e Rio de Janeiro. Vocês das cidades saberão melhor que eu das datas e dos lugares, então não deixe de comparecer.

É isso.
Obrigado pelo espaço e amizade, Carla.
Sorry. I'm not good in translation. The year 2009 was crazy and restless. But in 2010 many projects will arise.




domingo, 27 de dezembro de 2009

balanço cabeca tédio




Balanço do cabeça tédio
(ou: postagem sem sentido)


Esse ano o blog completou 3 anos, teve seu título alterado e o mais legal foi a entrada do Fernando como colaborador.
No início eu comecei o blog para falar das novas edições do True Lies, pra tentar atingir mais pessoas dos que já conheciam o zine. Acho que o blog não ajudou nesse sentido porque não me lembro de muitas pessoas escrevendo pedindo o zine porque viram o blog. As postagens eram poucas porque eu falava, basicamente, sobre o zine, e ele era aperiódico.
Aí esse ano rolou a quinta e última edição do true lies, e logo depois a primeira edição do histérica. Surpreendentemente as pessoas estavam enviando emails dizendo o que elxs acharam sobre o histérica, eu aproveitei esse acontecimento único para publicar no blog as opiniões, afinal de contas o zine é um diálogo e não uma fala para a parede. A partir daí rolaram mais postagens de coisas não relacionadas com os meus zines, resenhei o Pauta Lixo, alguns cds, publiquei a entrevista com a Daniele Salles, que era para ter entrado no true lies, mas não chegou a tempo. Mas o mais legal foi a entrada do Fernando e as três entrevistas que fizemos para o blog: Charlie Chaplin, Mahatma Gangue e com Maren FRL.ZUCKER.
Até então não tinha feito entrevistas que não foram para zines, confesso que penso em compilar isso mais para frente, quando tiver uma impressora e estímulo. O nome do blog mudou porque não tinha mais sentido em manter um nome de um zine que tinha morrido, daí Fernando tinha esse nome engavetado. No início eu não gostava, mas hoje gosto bastante. Tem aquele clima, cabeça tédio.
Não sei por que diabos escrevi esse balanço (a não ser pra dizer que essa é a minha última postagem do ano e que pra janeiro já tem algumas coisas traduzidas para serem postadas), ele não concluí nada, não traz nada novo. Fecha um ciclo?

I can’t make a translation. I just wrote about the blog’s year and the change of the name. But there’s no conclusion or reason to wrote that. I guess that just felt like an end of a cycle. But for some reason you like to read cabeça tédio keep coming cause I’ll keep trying to translate my posts to English. Have a nice 2010.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mau Humor Zine entrevista Elasticdeath

Faz um tempo que não escrevo no blog. Nem tenho desculpas pra isso, acho que é falta de novidades por aqui mesmo.
Vou aproveitar a resenha da Carla e divulgar a entrevista que o Maikon fez com Elasticdeath para o blog do Mau Humor.
Lembrando que irá sair uma outra entrevista com os elásticos no zine Distorção. Mas esse, só os maias sabem quando vai sair..



sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

resenha: Elasticdeath e Obsesif Kompulsif split CD




Um dos vários lançamentos envolvendo a banda de tokusatsu hardcore, Elasticdeath acabou de sair, e chegou ao Brasil. É o split THRASH COMPLEX com os indonésios do Obsesif Kompulsif. A sonoridade da OxKx remete a um grind doido, com passagens pelo thrash, entre as músicas rolam várias vinhetas. A banda tem dois vocais, um mais gritado e outro mais "cachorro". Algumas letras são em indonésio e outras em inglês, elas falam sobre florestas e rios sendo destruídos, televisão estragando a cabeça, propaganda, retomar a prórpia vida e transporte público, e ainda tem cover de Where's the Unity, do Infest. A última música tem um final bem doido, com um ritmo que lembra jogo de video game? Não sei, ouve e me diz o que você acha.
O cd foi prensado e a arte feita pelos caras, da pra perceber através da arte do cd, que não remete-se a tokusatsu ou elementos elasticdeathnianos, gosto especialmente da capa e da arte do cd, que é uma caveira mucho loca mordendo uma fita k7.

O Elasticdeath gravou nove músicas novas pro split, o que pra mim, consumidora de música e não feitora, considero uma produção industrial. Por isso eu ouço e não faço, hehe. Além das nove músicas novas eles colocaram também o cover do Hoy Pinoy (Where's is Jollibee). A destruição da natureza é um tema recorrente nas letras, o que deixa isso mais marcante para eles é terem visto várias cachoeiras e reservas de Itatiaia e Penedo (vale do sul fluminense do Rio) serem sujadas, emporcalhadas e modificadas pela ação do homem. Gosto da letra de "My hipocrisy doesn't work on holiday" (Minha hipocrisia não funciona em feriado), é aquela coisa de parentes, conhecidos te ignorarem veementemente durante o ano e serem simpáticos e atenciosos no natal ou em qualquer época do ano em que não ser é de fato realmente demonstrar que não se importam. "Não me deseje bom feriado se você não olha para mim em uma simples terça feira". As influências musicais retomam o power violence californiano e ao tocar rápido com vontade, se você ainda não ouviu vale a pena gastar um minuto e meio para conhecer, e depois mais porque algumas músicas são grudantes. Como o cd foi feito na Indonésia traz uma arte diferente da que sempre associamos ao ExDx, porém, ela é coesa. Mas não pense que não vai ver algum Ultraman perdido no cd, você vai! O Cd foi lançado pelos selos: Teriak Records (INA), Tarung Records (INA), Suhatkor Records (INA), Sukma Records (Malaysia), Beat The Meat Records (USA), Buddha Khan Records (USA), Punk Anak Mama Records (INA), Lost Cause Records (Russia). Pro Brazil vieram 60 cópias, então não se enrole se não vai perder, ajude a espalhar o tokusatsu hardcore.



review: Elasticdeath and Obsesif Kompulsif split CD

One of the many releases envolving the tokusastu hardcore band, Elasticdeath, is out already, and it`s here in Brazil. The split THRASH COMPLEX is with the indonesian Obsesif Kompulsif. The sounding of OxKx resembles a crazy grind, passing throught thrash, between the song there`s a lot of samples. The band has 2 vocals, one more screamed and the other more "dog" vocals. Some of the lyrics are
in indonesian and others in english, they talk about forest and rivers being destroyed, tv ruining our heads, propaganda, taking back your own life and public transportation, and still, there`s a cover of Where`s teh Unity, from Infest.
The last song has a real crazy ending, in a rythim that reminds a videogame soundtrack? I don`t know, hear it and tell me about it. The cd was pressed and the art made by them, you can see it throught the cd artwork, that don`t reminds anything about tokusastu or elasticdeath`s elements, I like specially the cover and the cd artwork, that is a mucho loco skull biting a k7 tape.
Contact: fredintiept@yahoo.com
Myspace: http://www.myspace.com/oxk

Elasticdeath recorded nine new songs for the split which for me that just listen to music and don’t make it it’s an industrial production. That’s why I listen to music and don’t do it!
Besides the nine new songs they put the Hoy Pinoy’s cover “Wjre’s is Jolibee”. The destruction of nature it’s a recurring theme in the lyrics because they spent a lot of time in Itatiaia’s and Penedo’s waterfall (two cities that are beautiful and full of cold water and bug rocks) they so them be wasted, deprecated and modified by men’s modification and interests. I like the lyric of “My hipocrisy doesn't work on Holiday”, that talks exactly about relatives and people that all year long don’t give a crap about you and when is socially suitable they are there and are loveable and you can count on then. Just cut the crap, and keeps on avoiding us because a damn holiday won’t change a thing. Won’t make it any better.
Their music sound like the first California wave of power violence bands and they play fast and they mean to do and do it because they want and have to, it’s fast music to long feelings. So if you don’t know they yet you really should spent one and a half minute to know and after more time to enjoy them.
It’s funny that these guys remind me why I like fastcore. When I was starting to get to know this punk thing I spent almost every time to listen to fastcore bands like Discarga, I Shot Cyrus, WxHxNx, Infest, DS 13, Fubar, Yacopsae and much more. I could’nt stand to listen heavy metal or “metalcore” (I don’t believe there’s such thing) It gotta be fast, wasn’t any way out. So, after a long time listening to Wipers, Weirdos, Dinosaur Jr, Sleater Kinney, Go Sailor, I understood why I enjoy fastcore. It’s like I said, fast music to long feelings. The cd was released by: Teriak Records (INA), Tarung Records (INA), Suhatkor Records (INA), Sukma Records (Malaysia), Beat The Meat Records (USA), Buddha Khan Records (USA), Punk Anak Mama Records (INA), Lost Cause Records (Russia). In Brazil we have 60 copies, so have this cd, help to spread TOKUSATSU HARDCORE.
Contact: caioconceicao@hotmail.com or robin_merdacore@hotmail.com
Myspace: http://www.myspace.com/elasticdeath

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

entrevista: MAREN a.k.a. FRLZUCKER!



Dezembro é um mês odiável por incontáveis motivos, mas ao invés de pensar o lado negativo para variar eu tentei o positivo, entrevistei a Maren, uma alemã que desenha lindamente. É uma das entrevistas que mais gostei de pensar – e fiz isso muito rápido – e do resultado final, é despretensiosa no sentido de que eu queria saber mais da pessoa do que do significado do que ela faz, mostrar o significado das coisas já deixou de ser minha responsabilidade. Com vocês, a minha entrevista favorita, até agora, e que não ficará apenas em reduto internético. A qualidade das imagens estão prejudicadas porque não consegui salva-las, tive que salvar dando print.


Conheci seus desenhos quando uma amiga enviou o link do seu flickr. Foi muito bom vê-los, eles são delicados e passa bastante força, animação. Gostaria de saber a quanto tempo você desenha e como você chegou aos desenhos que você faz hoje.

Maren: Primeiro, eu estou lisonjeada! Eu desenho desde pequena e desde que comecei nunca parei de desenhar. Eu sempre senti o mundo tão opressivo e intenso, andando pelas ruas de uma cidade no interior no leste da Alemanha sempre me inspirou bastante. Apenas observando as coisas atentamente. Eu tentei muitas formas de desenhos, acho que isso me trouxe onde estou hoje.. Mas acho que nunca vou parar de tentar coisas novas, de maneira nenhuma.



Você faz zines, assim como eu. Mas vendo as fotos dos seus zines eu vejo uma diferença muito grande com os zines daqui, aqui nós usamos bastante xerox e trabalhamos com colagens em cima disso, também usamos desenhos, impressão. Seus zines muitas vezes tem formatos inusitados e cores diferentes, como você chegou nesses formatos, você tem uma pequena editora?

Maren: Quando eu tinha 17 anos eu descobri os zines. Eu ouvi falar sobre eles num livro que falava sobre Riot Grrrl e lá dizia que zines podem ser o que você quiser, não existem regras para zines. Eu nunca tinha visto um zine até eu fazer o meu primeiro, o que provavelmente explica a diferença. Eu não vejo muita diferença, eu não tenho uma editora eu apenas uso xerox!

Que artistas te inspiram?

Maren: Eu amo a Miranda July, tudo que ela faz é brilhante. Também adoro Karin Dreijer do The Knife ainda que as coisas que ela faz são completamente diferentes do que eu faço. Me inspiram também ilustradores do mundo todo, como Gemma Correll, Sandra Juto e Lisa Von Billerbeck. E claro, muito da minha inspiração vem de vários tipos de bandas riot grrrl! Escritores contam como artistas? Então eu PRECISO citar Joanne K. Rolling, claro.



Ilustração de Gemma Correl

Você ouve música quando está desenhando?

Maren: Eu ouço quando posso, mas eu não deixo de desenhar se não posso ouvir.

Você desenha garotas incríveis falando sobre feminismo e girlsgang (termo que ela usa) eu me senti orgulhosa vendo seus desenhos porque eu me identifiquei com as garotas que você retratava. Elas estão juntas produzindo coisas, pensando, sendo felizes e gostando. Como você conheceu o feminismo? O que você sente em relação a isso?



Maren: Conheci o feminismo quando eu comecei a usar internet, eu tinha uns 14 ou 15 anos. Antes era uma coisa que não tinha muito a ver comigo. Feministas era as que apoiavam aborto, o que era basicamente o que eu tinha em mente. Qualquer um que me conheça/meus desenhos um pouco sabe que feminismo é importante para mim – mas acho que é para a maioria das pessoas, elas apenas ainda não sabem isso! Me entristece que as pessoas não percebam a diferença entre ser uma garota/mulher que apóie o feminismo e uma odiadora de homens. Já fiz um pequeno livro com uma frase da Kate Nash que fala sobre como me sinto em relação ao feminismo: “Feminismo não é uma palavra suja. Não quer dizer que você odeie homens, não significa que você odeia garotas que tenham pernas bonitas e bronzeado, e não significa que você é “bitch” ou “dyke” – significa que você acredita em igualdade.”

*Fotos do livro estão disponíveis no flickr, veja: um, dois, três, quatro cinco, e seis.

Aonde você mora e como é a movimentação punk hardcore?

Maren: Eu moro em Berlin, Alemanha, e sinceramente eu não sei nada sobre a cena hardcore daqui. Na verdade, eu não sei nada sobre qualquer cena!

Fale um pouco sobre street art na sua cidade.



Maren: Berlin é provavelmente a capital do streetart, o que é legal porque você uma grande variação de colagens e intervenções. Mas esse excesso pode ser um pouco opressivo, pro meu gosto. Eu fazia streetart para criar meu ambiente, as ruas que eu vivo, mas aqui eu não sinto mais essa necessidade porque já foi feito. Não sinto que o streetart é tão especial como antes (o que não é uma coisa ruim, é só o jeito que sempre foi!). Na cidade que cresci, Halle, o streetart era especial. Poucas pessoas faziam e era uma coisa completamente nova para mim, o que era tão animador. Quando eu aprendi sobre streetart eu conheci a forma perfeita para me expressar, mas eu acho que satisfazendo essa necessidade de outra forma (a internet, há!) o que não significa que nunca mais vou fazer streetart. Provavelmente irei quando eu morar em um lugar que não esteja totalmente feito, que precise sofrer intervenção.

Você sabe fazer os cupcakes que você fotografa? Se sim, divida conosco uma receita maravilhosa!

Maren: Eu sempre tiro fotos quando vejo uma boa comida, mas sim, eu também faço alguns dos cupcakes. Você pode encontrar as melhores receitas no livro da Isa Chandra Moskovitz*: Vegan cupcakes take over ther world (cupcakes vegans dominan o mundo – livro não traduzido)!

*Moskovitz é uma chef vegana com vários livros publicados e uma das pessoas por trás do The Post Punk Kitchen, que é foda, diga-se de passagem. Pela foto da pra ver que ela gosta de barulho, certo?



Você conhece alguma banda ou artista brasileirx?

Maren: Estou envergonhada, mas não conheço. Mas, espere. CSS é do Brasil, certo? Eu gostava muito deles!

Nota (04/12): o correto é Maren, e não Mauren, como eu tinha digitado errado. Dã.